::cobiça::
1 Um pequeno furto
Há quem diga que ser mal é algo ruim, mas quando fazemos isso com um propósito maior? Será que vale a pena ? Para muitos não, mas o meu motivo é mais que o suficiente.
- Asayck, você já pode pular — diz a piloto no ultra leve.
- Ok.
Verifiquei o para-quedas e me joguei na escuridão, o vento batia de forma violenta contra meu cabelo, se eu não estivesse usando óculos de proteção provavelmente meus olhos estariam fora do meu corpo.
- Aysack? — disse a piloto pelo rádio.
- Sim, Tina.
- Tudo certo até agora.
- Ótimo.
- Espere você pousar antes de soltar qualquer pokémon, pois a luz pode alertalos.
- Você quer vir fazer isso no meu lugar ?
- A arrogância faz parte do seu ser.
- Dou o melhor de mim, chega de papo.
Coloquei os braços juntos ao corpo em forma de míssil e aumentei a velocidade.
- 50 metros, 40 metros, 30 metros, Aysack você está indo rápido de mais, 20 metros , está na hora de abrir o para-quedas, 10 metros!
Tina fechou os olhos e se encolheu na cadeira do ultra leve.
- Flygon VAI! — falei soltando meu pokémon.
Enquanto ele planava sob o solo e me agarrei em seu pescoço. Com as mãos ainda nos olhos Tina disse:
- Tudo bem?
- Claro — respondi.
- Não me dá mais um susto desses.
- Flygon pode descer ali perto daquele galpão.
Enquanto planávamos sob a grama baixa apontei para Flygon aonde deveríamos pousar que era em uma macieira. Flygon me deixou em um galho da árvore e eu imediatamente o retornei para pokebola.
- Tina, na escuta?
- Sim, Aysack.
- O galpão é esse a 10 metros ao norte ?
- É sim, quando você for acho melhor não deixar pegadas.
- Se você fosse boa o suficiente estaria aqui no meu lugar.
Encerrei aquele discussão inútil e prossegui com o plano. Olhei ao redor o chão esta úmido pelo sereno noturno, o campo bem iluminado pela lua, esta tudo muito quieto até mesmo para um sitio.
- Irei avançar — falei com a Tina pelo rádio.
- Demorou.
- Espeon, vai!
O soltei em cima da árvore, no ínicio ele achou meio estranho o local aonde eu o convocara. Passei a mão em sua cabeça dizendo:
- Preciso que nos leve até aquele galpão logo ali — falei olhando em seus olhos.
Espeon me respondeu assentindo a cabeça e logo após seus olhos ficaram arroxeados e logo após isso uma silhueta da mesma cor delineou nossos corpos e em fração de segundos nos estavamos suspensos no ar. Assentindo com a cabeça também indiquei o caminho à Espeon e logo chegamos a porta do galpão.
- Pronto chegamos, Tina.
- Ótimo, verifica a feichadura.
- Hummm, deixe-me ver. Nossa tem um teclado perto da maçaneta.
- Temos que descobrir a senha.
- Quem precisa de senha quando se tem um Haunter na pokébola?
- Saia Haunter!
O velho "clik" da pokébola se fez e Haunter saiu.
- Haunter eu quero que você entrei por essa porta e abra para nós pelo lado de dentro.
Haunter ao mesmo tempo se virou e atravessou a parede sólida.
- "Trik" Hrrrrrr — a porta rangeu de forma assustadora se abriu, coloquei meu olho esquerdo pela fresta da porta e não acreditei no que vi.
Parecia um mundo totalmente diferente do que do lado de fora. As paredes eram todas de metal muito bem polido e o chão era branco e uniforme não havia nem uma emenda se quer e no fundo da sala um pedestal com o nosso cobiçado objeto.
- Isso está me parecendo muito fácil.
- Coloca os óculos e me manda imagens daí — disse Tina.
- Ok — coloquei os óculos e comecei a mandar imagens para Tina.
- Vou ativar o infra-vermelho dos seus óculos — falou Tina digitando algo no computador de bordo do ultra-leve.
- Não sei por que não fez isso ainda.
- Ativado, Aysack.
Minha visão ficou turva e aos poucos foi retornando o foco, via tudo em negativo. Olhei pela sala e vi varias linhas incandescentes vermelhas por toda a sala e se cruzavam perpendicularmente. Puxei meu capús que cobria todo o meu rosto deixando apenas meu olhos a mostra.
- Espeon pode colocar no chão e fiquei ai e me avise se algo ocorrer.
Espeon moveu a cabeça pra cima e para baixo em cinal positivo. Eu teria que me contorcer um pouco se quisesse chegar até o pedestal sem soar o alarme. Peguei meu Ipod do bolso e conectei o fone que usava para falar com Tina. Trak ... Trak... estralei o pescoço dizendo:
- É hora da festa.
Coloquei o fone no ouvido e liguei uma música.
♪Can we pretend that airplanes in the night sky are
like shooting stars
Rastejei passando por baixo da primeira linha incandescente, fiquei de pé pulei mais uma, abaixei a cabeça e levantei o pé esquerdo para desviar de mais duas linhas.
♪I could really use a wish right now, a wish right
now, a wish right now
Faltava pouco para para o pedestal, dei um salto para frente parando plantando bananeira, fiz um giro de 360º e abaixei as minhas pernas devagar e fiquei de pé bem devagar pra não tocar em nenhuma linha.
♪Can we pretend that airplanes in the night sky are
like shooting stars
Ergui a cabeça e lá estava ele um lindo ovo. Ele era por completo amarelo a não ser por algumas faixas pretas ao seu redor. Olhei para o teto da sala e vi que os raios não chegavam até o teto voltei o olhar pra Espeon e pisquei para ele e arremecei o ovo, ele voou fazendo um arco em direção a porta e antes que pudesse tocar o chão ele parou flutuando com uma aura roxa em seu contorno.
♪I could really use a wish right now, a wish right
now, a wish right now
Fazendo os mesmos movimentos cheguei novamente a porta. Desliguei o Ipod e liguei o fone no Walk Talk.
- Consegui — comuniquei a Tina.
- Ótimo, vou te buscar na mesma árvore da aonde partiu — disse Tina muito animada.
- Estarei lá.
Peguei novamente o ovo que estava suspenso no ar e o coloquei debaixo do braço.
- Leve-nos pra aquela árvore — disse apontando para macieira.
Novamente os olhos de Espeon mudaram de cor e ele nos levou pra árvore.
- Conseguimos! — me dirigir a Tina.
- A corda está descendo Aysack — retrucou Tina calmamente.
A corda veio escorregando pela noite escura até a altura do meu tronco.
- Volte Espeon — cochichei apontando a pokébola para ele.
Aquela "pulga atrás da orelha" continuava a me incomodar. Não podia estar tão fácil assim, algo estava errado.
- Posso puxar? — Perguntou Tina.
- Pode sim. — respondi segurando a corda com a mão esquerda e o ovo com a direita.
A vibração da corda enquanto eu era erguido não me amedrontava, por que depois de tantas simulações que eu e Tina fizemos nada poderia dar errado.
- Aysack — disse Tina.
- O que? — respondi instantaneamente.
- Por que o ovo está brilhando? — Tina disse espantada.
- O que? — logo olhei para o ovo que brilhava de forma intensa. Fiquei catatônico olhando para ele. Uma brisa ricocheteava meus cabelos para trás, depois minhas roupas e não demorou muito para está balançando a corda.
- Ziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!! — Um zumbido ensurdecedor se prolifera pela noite e veio seguido de um sulco abafado e por uma fração de segundos parecia que eu não estava mais ali. Abri meus olhos, tudo parecia normal a não ser o ovo que não estava mais em minhas mãos e em seu lugar uma queimadura.
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