.borboletas de inverno
2 .vermelho não me cai bem
Notas iniciais
Mamãe,
Fui convidada para o baile de inverno. Não posso prolongar muito esta carta, mas preciso que me ajude com o vestido. Se for possível, gostaria que me ajudasse com o vestido. Podemos nos encontrar em Hogsmeade no próximo sábado?
Ps:. Não conte ao papai sobre esta carta, e seja muito discreta.
Afetuosamente (e com certa urgência), Draconia Malfoy.
Os dedos de Draconia estavam empapados de suor. Ela esperava a mãe em frente a Gladrags Wizardwear. Em sua mente sonserina, ela buscava a melhor maneira de contar a Narcissa Malfoy que havia não só sido convidada, mas aceitado ir ao baile de inverno com Harry Potter.
Um sorriso brotou em seu rosto, mas ela logo se repreendeu por aquilo. Ora, não era nada demais! Era só um baile, e ela só havia aceitado pois seria deprimente ir com Crabbe ou Goyle. Não significava que ela estivesse interessada em Potter ou algo assim, e tentava se convencer de que só estava indo com ele por ser um campeão do torneio, e ela adoraria estar na privilegiada posição de acompanhante de um dos campeões – e certamente lamentava que era o Potter, e não Krum (quem não quer sair com Krum?).
Contudo, Draconia só conseguia pensar que era uma piada que Harry Potter estava tramando, ou que ele estava fazendo isso para por ciúmes na maldita Granger – Draconia rangia os dentes de pensar naquela possibilidade –, então, tudo que lhe restava era estar tão absurdamente linda no baile, que Harry Potter se sentiria intimidado – nem de longe que ela queria impressioná-lo (pffft, ridículo).
Seus pensamentos foram interrompidos por um longo sorriso que se estendeu no rosto pálido. Ao longe, Draconia viu a mãe acenar para ela, sorrindo também. Poucos segundos depois, mãe e filha envolviam uma a outra num abraço cheio de saudades. Narcissa Malfoy beijou o topo da cabeça da filha, seus olhos transbordavam de felicidade.
— Ah, querida – cantarolou –, estava morrendo de saudades…
— Eu também, mamãe. – Draconia devolveu com o mesmo sentimento.
— Você está bem? Sua carta me pareceu um pouco afobada, meu amor – a matriarca ponderou, fazendo Draconia enrubecer – Você quer me contar, pelo menos, quem a convidou para o baile? – Tinha a sobrancelha erguida, e um brilho divertido nos olhos claros.
A menina desviou o olhar por um momento, e começou a brincar com os próprios dedos.
— B-bom – gaguejou –, é meio complicado, na verdade.
— Foi Theodore Nott que a convidou? Querida, o que falei sobre aquele menino? Eu não confio muito nele, não.
— Eu sei mãe, mas não foi ele – tranquilizou-a – Se tivesse sido, eu não teria pedido para não contar ao papai, sabe?
— Quem é então? – Narcissa parecia desconfiada e interessada, com um sorriso de orelha a orelha vendo a filha ficar tão corada falando de seu tal acompanhante, se Draconia não estivesse tão preocupada em fazer aquilo parecer o mais de boas possível, teria repreendido aquela expressão da mãe.
— Bom, ele tem cabelo escuro…
— Sim…
— …Joga quadribol…
— Que ótimo, filha!
— …Os pais dele são bruxos, okay! – Se apressou para dizer.
— Eu nunca duvidei disso, meu amor.
— Só tem um problema, sabe?
— E qual é? Ele é feio? Se for isso, digo que é o que menos importa.
— Ele não é feio! – Draconia ficou bastante ofendida pela sugestão da mãe. Não que Harry Potter fosse bonito, ele só tinha olhos verdes muito encantadores, ombros largos de aparencia aconchegante, e um sorriso bastante singular que fazia o estômago de Draconia dar cambalhotas, só isso! Mas chamá-lo de feio era um absur- bom, não era certo…
— Desculpe, não quis insinuar nada – Narcissa conteve a risada – Qual é, então, o “problema”?
Draconia pigarregou e então continuou.
— Se você olhar num ângulo de trinta e cinco graus durante a noite, bem no escuro mesmo, tipo, não enchergando direito mesmo, você pode, talvez, notar uma cicatriz em forma de raio na testa dele – explicou, tentando não gaguejar ou olhar diretamente nos olhos da mãe.
Estava preparada para um sermão.
E então, uma risada. E outra. Outra. E Draconia ficou abismada ao ver a mãe gargalhando.
— Você vai ao baile com Harry Potter?— Riu-se – Eu sempre soube que você gostava dele!
— Eu não gosto dele, que absurdo! – Cruzou os braços e esboçou todo seu desgosto num biquinho muito infantil.
— Claro que não, filha. Claro que não… – tentava conter as risadas – Bom, seja o que for, entendo não querer contar ao seu pai. Mas, chega de conversa. Vamos encontrar o vestido mais deslumbrante de todos, esse menino—que-você-certamente-não-gosta vai ficar encantado!
E entraram na loja. Ugh! Draconia estava com os dedos suando, ainda.
Ficaram cerca de duas horas naquela loja. Draconia tinha certeza que era um caso perdido. Como todos os vestidos pareciam ridículos nela? Céus, quem a amaldiçoa-ra tão cruelmente?
— Mamãããe – choramingou observando-se parecer uma geme de ovo naquele vestido amarelo – eu estou horrível!
— Não está não, só essa cor que não combina com você – tentou acalmá-la, mas não adiantou, pois Draconia continuou resmungando, infeliz.
— Nada fica bom em mim – lamentou – Qual meu problema?
— Não há nada de errado com você, querida. Que tal tentarmos o lilás, de novo?
— Eu fico parecendo um bolo de aniversário, mamãe.
— O azul?
— Me faz parecer uma tábua.
— E o preto?
— É um velório? Além disso, os smokings dso rapazes já serão pretos, ficarei totalmente apagada! E nem sugira o branco! É um baile de inverno, vou fazer parte da decoração!
Narcissa suspirou, sentando-se em um baquinho. Olhou para a vendedora, uma velhinha gorda que parecia exausta de ir e vir com diversos vestidos nos braços. Draconia sentiria pena dela, se a situação não fosse urgente.
— Pois bem, então algo que a destaque… – Nacissa ponderou, e encarou a senhora – Você tem algo assim? E que não a deixe parecer com nada que ela falou?
A senhora sorriu, assentindo. Um sorriso falsamente cortês, a jovem Malfoy observou, a velha já estava farta daquilo. Alguns minutos depois, ela voltou com um vestido vermelho em ornamentos dourados. Draconia fez uma careta, negando imediatamente.
— Vão pensar que eu sou uma grifinória! – Protestou.
— Você é uma Malfoy, a última coisa que vão pensar é que você é grifinória. – Sua mãe revirou os olhos.
— Vermelho não me favorece – empinou o nariz.
— Você nem experimentou, e outra: estamos ficando sem opções, querida.
Draco bufou, contrariada, tomou o vestido em mãos e foi pisando forte até o provador, afirmando que não iria gostar do vestido mesmo, que era uma perda de tempo (e ficou reclamando por um bom tempo). Tamanha fora sua surpresa, ao ver-se dentro do vestido.
Ele ia até seu tornozelo, deixando seus pés a mostra. Marcava sua cintura, e era levemente decotado (nada que fosse inadequado). A saia do vestido tinha detalhes em dourados, mas a parte de cima era muito mais chamativa, e seus ombros ficavam a mostra devido a finissíma manga que segurava o vestido. Aquele realmente ficara muito bonito nela, e Draconia ficou toda lacrimosa de felicidade.
Ao sair do provador, muito satisfeita, a mãe elogiou-a muito, e a velha senhora pareceu aliviada. Logo, pagaram e retiraram-se da loja.
— …E eu tenho os sapatos perfeitos para esse vestido – vangloriou-se Draconia, enquando ela e a mãe tomavam cerveja amanteigada no Três Vassouras – Aquela sandália de salto que ganhei de Pansy, lembra-se? A que amarra no tornozelo.
Narcissa assentiu, e disse que as enviaria logo que chegassem em casa.
Naquele dia, Draconia voltou ao palácio muito feliz. Sentia-se tão animada para o baile, e sentia o frio na barriga por sua chegada que se aproximava. Imaginou como Potter estaria (ela só não queria que ele estivesse rídiculo, nada demais), e imaginou Ronald Weasley tendo um piripaque quando os visse juntos… Bom, não juntos-juntos, só… juntos. Como acompanhantes, é claro. Que bobagem dela- bom, que bobagem de maneira geral seria imaginar que Potter poderia estar interessado nela.
— Tolisse. – Resmungou encarando o teto de seu dormitório, ao deitar-se na cama – É óbvio que ele gosta da Granger… Bom, eu não me importo mesmo.
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