blank stares at blank pages
1 capítulo único.
Notas iniciais
p á g i n a s e m b r a n c o
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Uma verdade irrefutável: o futuro não pode ser conceituado.
Diferente de uma história, cujo o planejamento do fato a ser contado é essencial para seu desenvolvimento narrativo, o acontece na vida real é imprevisível; e Gentaro, como um escritor, apenas tem certeza sobre ter conhecimento sobre o primeiro.
É impossível sequer cogitar o tamanho do peso que palavras, em um contexto fora da ficção, poderiam causar caso cuidados não fossem tomados de antemão.
E por esse motivo, ele se vê em um impasse; um impasse que não deveria existir, mas por algum motivo desconhecido a si, está à sua frente, com olhos cheios de dúvida, expectativa e temor.
(Um impasse chamado Arisugawa Dice).
Gentaro solta um suspiro baixo. Apego emocional, em qualquer um dos casos, é um erro, pois a mente — sendo uma caótica fábrica de emoções — sempre procura optar pela opção de não machucar alguém a qual se tem um vínculo afetivo.
Entretanto, deveria contrariar tais pensamentos e, principalmente, a futura culpa que ameaça cair em cima de sua cabeça a qualquer minuto, para dar um ponto final naquela história que mal começou.
“Essa é uma pergunta meio repentina, não acha?” Gentaro ri baixinho. “O que eu deveria lhe responder?”
“O que quer que esteja pensando.” Dice franze as sobrancelhas, com uma seriedade que não lhe é característica. “Eu nunca vou saber se o que você falar é verdade mesmo, né?”
“Sendo assim... o que você pretende fazer com essa informação depois?”
“Nada.” Gentaro observa que os olhos de Dice o evitam cerca de quatro vezes seguidas antes de finalmente voltarem a mirá-lo. “Nada além de acreditar.”
Gentaro logo pisca, pois, afinal, não é como se esperasse ao todo por aquela resposta. Não vinda de alguém como Dice, pelo menos — o que lhe certifica mais ainda de que aquele assunto realmente precisa ter uma conclusão.
(O epílogo: Morte ao prólogo).
“Muito bem, então,” Gentaro volta a falar, por fim. “Se você está disposto a acreditar independentemente de qualquer coisa, nada mais justo do que ir direto ao ponto de uma vez por todas...”
E, assim, com palavras tão afiadas quanto a lâmina de uma katana, seus lábios se movem em câmera lenta, perfurando prontamente o âmago da expectativa que Dice tem — tinha — sobre poder ser correspondido de alguma forma por si.
Ao olhar para o homem à sua frente, Gentaro não enxerga um amante; afinal, seus sentimentos um sobre o outro são diferentes demais para poder coexistirem na mesma realidade.
Ainda, aquela pequena narrativa lhe faz pensar sobre o motivo de tudo aquilo ter começado. Se as circunstâncias fossem diferentes, talvez Dice poderia ter tido o final feliz que Gentaro não pode escrever para ele.
Todavia, aquele “se” não é um fato.
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