Notas iniciais
E... finalmente o último capítulo :DD! Gente amei fazer esse capítulo, minha nossa. Saudades desse casal ♥. MÚSICA TOCADA: https://www.youtube.com/watch?v=I7imqO-OBVk

Foi na padaria que aquela pergunta foi feita para mim.

— Você tem namorado?

Franzi o cenho, erguendo o olhar para o velho que me atendia.

— O que? Por quê?

Ele deu um risinho.

— É que você parece apaixonada.

Bufei enquanto caminhava pela calçada, digerindo a lembrança. Eu ficara confusa e hesitante, principalmente depois de sua explicação. Enquanto eu escolhia as embalagens de lanche rápido que levaria para cara, sorria para o nada e ria sozinha, sempre seguido de um tapar envergonhado de boca. Xinguei, incapaz de aceitar aquilo como se viesse de mim. Que coisa patética.

As lembranças que cruzavam minha cabeça em sua maioria tinham a ver com... Engoli seu nome. Suspirei.

Na verdade eu precisava decidir logo o que fazer. Podia parecer estúpido, mas finalmente chegara o dia que eu queria agradecer Sieghart por tudo que ele fizera por mim. Não que ele fosse de todo útil, já que tirava proveito para entretenimento próprio, mas eu não podia negar que desde que conhecera-o, ele fora o ente mais próximo de uma família que eu poderia ter.

Eu queria presenteá-lo com alguma coisa. Alguma coisa do nível dele.

Uma gota escorreu pela minha testa quando a ficha da última frase pareceu cair e minha imagem nua rodeada por rosas vermelhas e um olhar sedutor apareceu. Certo, não precisava ser exatamente do nível dele.

Um sopro foi depositado por cima de meu ombro e eu estremeci, meu coração dando um salto com a possibilidade de conhecer o dono daquela ação, mas uma decepção que não deveria existir me percorreu quando me dei conta de que era uma falha do muro ao meu lado. O orifício pequeno era a única saída para o vento que batia contra a muralha.

— Ah... então você quer que eu apareça? – disse um Sieghart sarcástico de minha imaginação, esfregando meu orgulho no chão. – Eu já sabia.

— Cala boca, idiota – murmurei como uma imbecil. Eu já estava me sentindo no filme Lua Nova depois dessa.

O motivo da minha demência atual era uma viagem de família nessas férias. Eu não fazia ideia do quanto estava apegada ao indivíduo até ele desaparecer da cidade por mais de duas semanas.

Suspirei. Como estava de férias, não teria nada com que ocupar minha cabeça.

Adentrei minha casa vazia e, apesar do clima quente, ela parecia bem mais fria que no último inverno. Abri o computador e redes sociais com a esperança de algo, mas nada, então, depois do meu lanche, vi um filme.

Até a caixa de entrada apitar.

Dá pra você parar de ser tão depressiva? A gente se fala todo dia.

Meu queixo caiu.

Grunhi, furiosa, e saltei da cadeira. Arg, como odiava aquele ser. Por trás da tela eu sabia que ele sorria com aquele ar exibido do cotidiano.

Sieghart tinha muitos amigos. Eram como câmeras que me observavam e deduravam todo meu dia pra ele. Não podia ser mais irritante.

Olha aqui, seu stalker inconveniente...

Comecei a socar no teclado, mas parei. Respirei fundo e voltei a sentar na cadeira.

Ele sabia as exatas palavras para cutucar minhas sobras de orgulho que ainda existiam. Empinei o nariz, me negando a deixar que aquilo me atingisse.

A verdade era que Sieghart não tinha tempo o suficiente pra mim agora, e era ainda mais degradante eu ter descoberto isso sem ele me dizer. Eu não fazia ideia do que ele estava fazendo nessa viagem com a família, mas estava tão ocupado que não tinha tempo de me mandar mais que duas linhas de frase por dia.

E eu é que não ia mandar mais palavras que aquele idiota como uma desesperada de vida social nula. Eu mandava exatos três caracteres a menos.

Por algum motivo admitir aquilo pra mim mesma fez eu me sentir ainda mais deprimente. Passei a mão no rosto, desistindo de mim.

Eu já havia saído com Lire e Arme por esses dias de folga, mas era só uma remediação durante a semana de tédio. Elas não ofereciam as sensações que meu cérebro inconscientemente buscava. Quase vomitei quando as palavras do velho da loja voltaram pra minha cabeça. Apaixonada. Que ridículo.

Voltei meu rosto para a tela e teclado. Eu não queria desperdiçar meus caracteres contados com aquilo. Apaguei.

Até parece que é por sua causa. E oq vc tá fazendo aí, afinal?

Enviei.

Ele demorava um ano para responder, então fui até a cozinha para beber água mesmo que não estivesse com sede. Quando voltei, a caixa ainda estava vazia.

— Imbecil, ridículo, idiota – resmunguei, dando as costas para aquilo. Eu ia assistir o filme dois da franquia de agora a pouco.

Desliguei apenas a tela do computador e deixei-o ligado apenas por preguiça de desligar. Não me importava se chegariam novas mensagens. Afundei-me no sofá e liguei de novo a TV.

Uma nova mensagem.

Trinquei os dentes e relutei, mas ergui-me do meu lugar.

Venha trabalhar amanhã, dia extra e vou pagar. Ou será demitida.

Porcaria, inferno. Mandei a mensagem do chefe direto para a lixeira. De noite a resposta de Sieghart finalmente chegaria com um “Negócios entediantes da empresa da família. Estamos quase acabando. Não sinta muito a minha falta, ruivinha”. E de novo a marca de seus lábios travessos.

No dia seguinte eu atravessava a calçada até o restaurante. Nessas férias, mesmo ficando tanto tempo sem ir trabalhar, é como se eu nunca tivesse deixado o emprego. Suspirei.

— Como anda, Elesis? – cumprimentou-me Sheldon, o cozinheiro chefe, assim que entrei pelos fundos. Sorri para ele, lhe dando um soco fraco no braço.

— O de sempre. E você? Algo novo? – perguntei enquanto colocava o avental.

— Nada. Só emprego-casa. Eu não tiro férias.

Olhei pela janelinha da cozinha, calculando o nível de trabalho que teria para agora. O movimento ainda estava fraco por conta do horário, mas já tinham duas mesas com fregueses.

— Vamos lá.

E fui atendê-los.

Quando menos esperei, vi o restaurante lotar e meu trabalho ganhar a rotina de sempre. Quando o pôr-do-sol coloriu o ambiente agora alaranjado, eu já estava me sentindo bem melhor. Ficar em casa sem fazer nada era sufocante, mas por algum motivo eu estava confundindo aquilo com período de descanso. Faria o chefe me contratar para o resto dos dias também.

O sino da entrada tocou mais uma vez naquele minuto e me virei para receber os novos clientes. Meus olhos se escancararam quilometricamente.

A mulher era linda, rosto mostrava a idade avançada, cabelos negros e face rígida. O homem, tão bonito quanto, analisava o lugar com certo desconforto enquanto ajeitava a gravata do terno e três pestinhas que eu já conhecia bem se cutucavam em uma brincadeira briguenta por trás das pernas dos pais. Mais ao lado, me encarando com olhos cinzentos dignos de tomar minha respiração, Sieghart estava. O que diabos...?

— Uma mesa para sete pessoas, por favor – pediu a mulher sem me encarar quando as palavras de boas vindas demoraram demais entaladas em minha garganta. Engoli em seco e assenti.

— Por aqui.

Esgueirei-me por entre o ambiente lotado. A família chamava atenção não só por sua beleza incomum, mas pelas roupas impecáveis. Eu nunca tinha olhado os pais de Sieghart, mas até eu poderia dizer que aquele era o último lugar para o qual os levaria. O que Sieghart estava pensando?

Estremeci, de fato intrigada com minha pergunta. O que ele estava pensando?

— Aqui está bom? – perguntei, apontando para a mesa escolhida. Eles assentiram como se não fizesse muita diferença e se sentaram.

— Onde fica o banheiro? – perguntou Sieghart como se não conhecesse o lugar. Franzi o cenho, mas não desmenti seu jogo.

— Ali.

— Onde? Você pode me levar até lá?

Meu coração acelerou com a hipótese de lhe dar a oportunidade de ficar sozinho comigo.

— É claro – assenti com a educação exigida pelo meu trabalho.

Eu estava tão nervosa sentindo-o atrás de mim quanto estava com sua mãe há segundos atrás. Eu não fazia ideia do que ele queria.

Seus dedos pousaram sobre minhas costas, discretos, me empurrando mais rapidamente para o lugar que ele já conhecia. Senti um choque elétrico com sua proximidade, a região esquentando, desejando em segredo mais daquele toque.

Viramos no vão que dava para o banheiro masculino e entramos. Tentei parar, mas ele me fez entrar contra minha vontade quando agarrou minha cintura e nos girou para fechar a porta por trás de si.

Arregalei os olhos quando me vi contra parede entre seus braços.

— Sabe o que é casamento arranjado?

— Óbvio – respondi, tentando manter a compostura diante da distância perigosa entre nós depois de tanto tempo.

Ele balançou a cabeça.

— Elesis, porque raios você não me disse que seu nome era Elesis Sieghart?

Franzi o cenho.

— O que?

— Ruivinha... – ele deixou sua testa cair sobre meu ombro. – Você é minha sobrinha.

Eu estava estática.

— Como assim? De onde você tirou isso?

— Seus pais, que você acha que são seus pais, te adotaram. Você é filha do meu irmão mais velho.

Por mais que ele parecesse sincero, eu não conseguia acreditar naquilo. Sieghart ergueu o rosto, fitando-me nos olhos.

— Nessa viagem, meus pais fizeram um acordo nas minhas costas. Querem me casar com a filha do dono da nossa empresa rival. Consegui fazer com que o encontro desse acordo fosse feito aqui na última hora. Você tem que me tirar dessa.

— Sieghart...

— Vamos fingir que somos noivos.

— O que?!

Seu rosto estava sério.

— Nesse tipo de coisa, casamento arranjado, normalmente o casal, se não gostam um do outro, chegam num consenso e se permitem ter relacionamentos por fora. Mas essa menina... – ele grunhiu – Eu a conheço, eu a detesto e ela vai fazer de tudo para provar que eu estou “traindo-a” e conseguir judicialmente a minha parte da empresa para si.

Minha boca estava aberta, mas eu não sabia o que dizer.

— Mas você não acabou de dizer que acha que sou sua sobrinha?

— Ruivinha, mesmo se você fosse minha tataraneta. Mesmo que se fosse minha neta. Af, que se dane o sistema. Eu estou apaixonado e só quero você. Agora me ajuda e vamos casar.

— Eu só tenho dezesseis, idiota!

— Problema seu.

Ele se afastou, me segurando pelo pulso e abriu a porta. Deu um sorriso de canto antes de nos passar por lá. Só agora percebi que mascava um chiclete.

— Mas não se preocupe, só a encenação será o suficiente para cancelar o casamento com ela. Temos só que armar um barraco agora.

Uni as sobrancelhas, puxando meu pulso de volta.

— Você tá querendo dizer que se precisasse casar mesmo comigo estaria preocupado? – questionei, sentindo uma revolta crescer dentro de mim. Ele me olhou com um ponto de interrogação.

— De onde exatamente você tirou essa conclusão?

— Seu cafajeste – empurrei-o furiosa, fazendo-o rir com surpresa.

Bem que a maratona da noite passada me alertou sobre esse tipo de coisa. Eu quase cheguei a virar a noite vendo Renata descobrir todas as peripécias do galinha Fernando. No final ela terminou com ele e seguiu o caminho como uma mulher independente e renovada. Eu não ia cair nessas jogadas, não.

— Ruivinha – chamou, segurando meus braços. Debati-me, tentando sair daquilo.

— Se você só quer alguém pra atuar chame uma de suas fãzinhas que você dá o número escondido e divide o tempo para se encontrar com cada uma sem a outra descobrir.

— Do que você tá falando, hein?

— Me larga, seu galinha.

Mas eu já estava presa na parede de novo, meus braços presos em um x contra o peito e minhas pernas sendo imobilizada pelas suas. Consegui sentir seu corpo, as curvas imprensando lugares estratégicos que me fizeram corar. Sieghart pendeu a cabeça para o lado a fim de me encarar quando desviei o olhar. Seus olhos pressionados.

— Você tá insinuando que quer que eu queira casar com você?

— Seu falso! – tentei libertar meus braços, sem sucesso. – Não foi você que disse que estava apaixonado?

— Então você quer se casar comigo?

Apesar de aquilo não ser um pedido, mas uma pergunta, engasguei com a falha na respiração.

— Óbvio que não! Eu só tenho dezesseis!

Sieghart continuou a prender meus braços com só uma mão e levou a outra para minha mandíbula, reposicionando-a de uma forma que eu finalmente o encarasse.

— Mas quer se casar? Quando crescer? – espocou uma bola de chiclete.

Eu e meu rosto vergonhoso de vermelhidão não queriam responder àquilo.

— Eu não sei – esquivei-me. – Não sei como vou pensar no futuro. Talvez eu enlouqueça e queira um dia, não é?

Ele espocou outra bola, mas dessa vez vi um sorrisinho por trás do gesto.

— Sabe, você diz uma coisa e sua linguagem corporal outra. Depois que aprendi a como te ler é quase como se eu ouvisse você se declarar pra mim todos os dias. Devo dizer que não foi fácil no começo, viu. A variação de todos os seus sentimentos sempre são representados pela raiva.

Fulminei-o com o olhar.

— Eu não sou assim.

— Aham – ironizou.

Sua mão saiu de meu queixo e subiu pela minha bochecha, os dedos acariciando a pele com brandura até a linha da minha franja. Ele pegou uma mecha entre os dedos e a analisou.

— Eu quero me casar com você, ruivinha – disse de repente, as palavras arregalando meus olhos. – Não me importa muito quando, já que vai acontecer de qualquer jeito, mas sei que ainda é muito cedo pra você. Pelo menos pra você admitir um sim na minha frente.

Outra onda quente explodiu pelas maçãs de meu rosto, entretendo-o.

— Idiota – resmunguei, meus olhos baixando de novo.

— Mas agora preciso que finjamos que vamos nos casar daqui a pouco. E sei que você é ótima em um barraco.

Ele se afastou pela segunda vez, agora pegando minha mão e entrelaçando nossos dedos. E foi então que me toquei que íamos fazer aquilo na frente dos pais dele. Meu queixo caiu.

— Sieghart, não sei se estou preparada para...

— Eles chegaram.

Olhei uma família de quatro pessoas se sentando na mesa dos pais do Sieghart e, para a degradação da minha dignidade, me toquei que não era só os pais de Sieghart, mas na frente de todo o restaurante, todos os fregueses frequentes, todos os meus amigos funcionários... Eu estava prestes a cavar a cova da vergonha na minha cara.

— Sieghart... – choraminguei.

— Eu não vou me casar! – ele gritou, nos puxando para fora do banheiro.

Todos os olhares caíram sobre nós e tive certeza de um infarto. Escondi meu rosto por entre seu braço e minha mão livre. O inconveniente não queria me soltar.

— Espera! Teempo! Eu desisto! Sieghart! – sussurrei, mas ele me ignorou.

Não parei muito meus olhos em seus pais por falta de coragem, mas eles nos fuzilavam agora. Estavam furiosos. Choraminguei novamente.

— O que significa isso? – perguntou o idoso que eu vira sentar na mesa. Parecia o pai da menina.

Pousei meus olhos nela, me deparando com sua beleza e uma flechada de ciúmes me cruzou.

— Eu estou apaixonado por esta garota! Com licença – pediu mais baixo para a mesa ao lado. Arfei quando ele começou a subir na cadeira livre e botar o pé na mesa.

— Tá louco?!

— Bora, ruivinha. Esta garota!

Ele desceu de novo e me tirou do chão com os braços, carregando-me até o lugar mais alto. Escondi meu rosto nas mãos, desejando a morte brutal daquele ser desprovido de vergonha. Com o canto do olho vi o traíra do Sheldon mexer na caixa de som e ajudar no clima colocando uma música alta. Choraminguei pela terceira vez com a música escolhida. Careless Whisper interpretada em uma versão rock [link na descrição]. Sieghart sorriu para ele em um complô e alguém que não vi lhe entregou um microfone.

Sieghart me colocou na mesa, de pé ao seu lado. Não tirei as mãos da minha face e permaneci com a frente virada para seu corpo, aproveitando que ele segurava minha cintura contra si para afundar meu rosto em seu peito.

— Mãe, pai, irmãos. Senhor, senhora e senhorita Leite. Desculpem, mas não posso me casar com alguém que não tem meu coração. E, na minha vida toda, só uma pessoa conseguiu a passagem para consegui-lo sem esforço nenhum. Quero apresentar pra vocês a minha ruivinha. Ela está envergonhada nesse momento, então depois a apresento melhor. Diga alguma coisa, amor.

Sieghart colocou o microfone ao meu lado e eu trinquei os dentes, lhe beliscando discretamente. Ele se contorceu de leve, mas escondeu o reflexo em um riso carismático de vocalista.

— Pois é, ela tá com vergonha. Enfim, estes são nossos anéis de noivado e vamos nos casar na semana que vem. – disse e levantei de leve a cabeça para ver que ele erguia a mão para mostrar os anéis nos dedos anelar e mindinho. – Senhorita Leite, me perdoe. Elesis, você aceita esse anel de noivado que lhe dou junto a todo meu amor?

— Eu vou te matar, seu idiota! – sussurrei para ele.

— Sieghart! – gritou alguém – Pelo amor de Deus, meu filho!

— Você aceita? – perguntou de novo, agora longe do microfone. – É de verdade.

Encarei-o, sem reação. Ele me soltou devagar, passando a mão pelo meu braço e erguendo de leve minha mão. Seus olhos me perfuravam, analisando cada sentimento, cada sugestão de pensamento que pudesse cruzar minha cabeça. Eu não recuei.

— Sieghart, desça agora daí!

Sieghart tirou o anel de seu dedo mindinho e acompanhei seus movimentos, por um segundo esquecendo que estávamos sendo palco de atenção para todo o restaurante. Foi aqui que nos vimos pela primeira vez. Foi aqui que tudo começou.

O anel era dourado, uma versão feminina da que estava em seu dedo. Ele encaixou no meu e algo em mim pareceu se ligar a ele. Algo forte e imortal. Nossas mãos estavam combinando, uma completando a outra agora.

— Eu te amo, Elesis.

A voz saiu intensificada pelas caixas de som e meu ar sumiu quando minha nuca foi puxada. Nossos lábios se encontraram. Macio, brando, acolhedor. Meus olhos se fecharam apaziguados. Eu parecia estar voltando para meu lar, seus braços me envolvendo como uma casa que eu nunca deveria ter saído.

Senti o microfone se apertar contra minhas costas e, ao redor dele, seus dedos. Eu queria Sieghart. Eu queria ele mais que tudo. Abracei seu pescoço e me entreguei àquele beijo como nunca antes.

**

— Não acredito que você achou que eu fosse igual a esse cara – reclamou Sieghart, jogado em meu sofá e reassistindo a maratona viciante que eu terminara ontem.

Eu estava de frente para meu computador, abismada com a quantidade de filmagens postadas na internet da tarde passada. Os comentários embaixo já atingiam a quantidade de quatro dígitos. As visualizações cresciam como uma explosão infinita.

“Filho da companhia Sieghart se confessa pra garçonete”.

“Quem é essa garota?”.

“Fontes afirmam que eles são parentes”.

“Companhia Leite corta todos os acordos com companhia Sieghart”.

— Meu Deus, que cretino. Eu odeio esse cara – reclamou pra TV.

— Sieghart, o que sua família disse depois de ontem?

Ele demorou um pouco pra responder, esperando Renata acabar sua fala.

— Ainda não falei com eles.

— Sieghart...

Ele se ergueu para me encarar.

— Eles vão ser contra até verem que é algo sério, não tem nenhuma novidade. Agora deita aqui comigo.

Fulminei-o com o olhar.

— Seu irresponsável.

— Vem logo, ruivinha.

— Você acha que manda em quem aqui, hein?

Mas me ergui e me aproximei. Peguei uma blusa larga jogada pelo meu quarto e a girei para ricochetear nele quando estivesse perto. Ele lambeu os lábios maliciosos.

— Adoro quando faz isso.

Prendi um sorriso. Meu subconsciente amando cada vez mais aquele ser irritante.

Notas finais
Gente, tive que colocar eles familiares pra seguir mais a história GC. Pq eu shippo eles mesmo sendo tatatatataravô xD. Não ligo mt pra isso. Desculpa pra quem ligar, se quiser pd ignorar a informação ^^. Espero que vocês tenham gostado. Agradeço de coração a todos por essa inesquecível jornada de anos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!