as Crônicas de Eve
2 Proposta para Eve
Notas iniciais
Por volta de três semanas se passaram desde que comecei a ficar com Michael, nos tornamos cada vez mais próximos desde então, nesse momento tanto um sonho como um pesadelo meu se realizam ao mesmo tempo, Michael acaba de propor, ela acaba de falar, Michael acaba de dizer as palavras mais difíceis e prazerosas que já ouvi.
- Eve G. Woiciekoski quer namorar comigo?
A resposta para essa pergunta era a mais difícil que já dei antes, não me lembro como exatamente chegamos a isso, não me lembro quando foi que a situação saiu do controle.
Desde o nosso beijo na festa da Santana, muita coisa aconteceu, Michael se tornou o meu "bisavô" de brincadeira, conheceu Liliane, a minha mãe, Gadrael, meu irmão, minha tia e minha avó. Entrou na minha casa, fomos juntos ao cinema, marcamos os pescoços um do outro com mordidas, o infeliz até pegou no meu bumbum, mas o importante é que ele se tornou parte importante do meu dia, e talvez até da minha vida. Era como se Michael fizesse parte de mim.
Hoje ele havia chegado cedo, ao vê-lo no portão pude notar a sua alma avermelhada, ele estava apaixonado, por mim, e sabemos que isso não é nada bom quando se vive em uma família onde sue pai é um demônio e o seu segredo não pode ser revelado.
Recebi o garoto com um sorriso, adorava a presença de Michael, o meu "Bisavô" era muito divertido e até que bem bonito. Não havia muita gente em casa, apenas eu, meu irmão, minha priminha pentelha e minha outra prima, quase da minha idade, Vick.
Eu e Vick estávamos assistindo a um dorama, uma novela japonesa de um ator muito famoso por lá. Havíamos consumido muitos quilos de pipoca e litros de refrigerante, Michael pareceu meio assustado ao ver aquela bagunça.
Ele se sentou do meu lado e se juntou a mim e a Vick. Juntos, vimos os personagens se relacionando em uma fantástica aventura com romance e viagens no tempo. A estória era muito boa, mas o que mais me chamava atenção era o jeito dos estudantes de declamarem o seu amor, eles entregavam à suas amadas um botão, o segundo botão de suas blusas, esse botão passava horas próximo ao coração e por isso guardava os sentimentos daquela pessoa, os botões me lembravam muito as almas.
Falando em almas, a de Michael estava particularmente brilhante, Vick olhava para o lado às vezes para olhá-la, não devo ter contado ainda, mas Vick era um demônio e estava com um pouco de fome, teria que segura-la se a alma de Michael tivesse muitos pecados pois o brilho daquela coisa estava atiçando minha prima.
Aos poucos minha família vai chegando, minha vó me chama de canto para perguntar se esta tudo bem e tudo mais, ela era humana como minha mãe, mas sabia sobre os problemas de se ter um humano e um demônio na mesma sala, ela só ficou confortável quando eu disse que a alma de Michael era bem limpa, a quantidade de pecados era bem menor do que da maioria.
Sinto o cheiro e logo depois ouço o barulho do portão, era minha mãe e meu pai, ele já havia notado a presença de Michael antes mesmo de entrar em casa, sentia o "cheiro" de seus pensamentos, não eram nada bons.
- Eve! São 9 horas, seu amigo tem que ir embora — Falou minha mãe entrando na sala.
Não havia percebido o tempo passar, olhei no relógio do computador e então olhei para Michael e ele parecia meio tonto, se levantou e foi dando tchau para todos, por ultimo passamos pela sala principal e lá estava a minha mãe apoiada sobre um cara grande e com um olhar meio tenso, meu pai.
- Até senhor. — Disse Michael cumprimentando-o.
- Até mais. — Respondeu meu pai checando cada pecado da alma de Michael e pronto para devorá-la ali mesmo.
Empurrei Michael até o portão, já ali sabia que daria problema, mas nem imaginava o quão grande ele poderia se tornar.
- E então, acho que não nos veremos tão cedo. — Disse Michael olhando para mim, ele estava particularmente bonito hoje, e não me refiro a sua alma e sim ao seu físico mesmo.
- É, vou sentir saudade Bisa.
- E eu a sua Bisa.
Aquilo era muito bom de ouvir, e ao mesmo tempo tão errado, o abracei, não queria que fosse embora mas sabia que não poderia ficar. Ouvi o coração dele acelerando e o corpo esquentando, o calor de sua alma me aquecia fortemente, aquilo era perfeito, estava quase em tranze quando ele quebrou o silêncio.
- Eu te amo.
Meu coração acelerou e então olhei para ele, seus olhos estavam brilhantes.
- Eu também. — Escondi o rosto, tinha que entrar, meu pai iria me matar — Bisa eu tenho que ent--
- Espere! — Me interrompeu — Preciso te falar uma coisa antes!
- Eu... — Droga, para de ser curiosa, seu pai vai te matar — Pode falar Bisa.
- Bom, lembra no primeiro ano quando eu te pedia em casamento por MSN?
- Ah! Aquilo era engraçado.
E era mesmo, fazia muito tempo, mas lembro como aquilo me divertia quase todo dia. Aquele idiota entrava no MSN e me pedia em casamento, não se importava de levar foras, apenas religiosamente ia lá todo dia e me fazia à proposta sabendo da resposta negativa, um sorriso brotou no meu rosto assim que me lembrei.
- Lembra o que você sempre falava? — perguntou ele.
- Hum, não, o que era?
- Sempre falava que nunca iria aceitar afinal estava pedindo em casamento e você não poderia aceitar já que nem namorados éramos.
- Ah é? Não lembrava mais. O engraçado é que nem tínhamos nada na época.
- É, mas agora temos. — Fez uma pausa — Você lembra o que eu respondia sempre que me perguntava o porquê de eu te pedir em casamento e não em namoro?
- Hum... Foi mal, faz muito tempo, nem lembro mais.
- Disse que era para poder pedir várias vezes, pois um dia eu pediria em namoro e depois disso gostaria de pedir em casamento só mais uma vez.
- Michael. — Droga Michael, não faz isso.
Ele coloca a mão para trás e do bolso retira um pequeno botão, olho para a camisa dele e noto a ausência do mesmo, o segundo e mais próximo do coração.
- Eve G. Woiciekoski — Ele me estende o botão como uma aliança. — Quer namorar comigo?
O tempo para, tudo gira, nos meus sonhos ele me pedia em namoro, sempre quis que ele fizesse isso, a prova de que me amava, era como um sonho, porém era um pesadelo.
Toda minha vida meus pais pediram para manter distancia dos humanos, sempre me contentei com a idéia de não ter namorado, por mais que eu desejasse ter Michael perto de mim não desejava ele como namorado, não tão próximo, eu não poderia. Mas talvez se eu respondesse não nunca mais o veria talvez ele parasse de gostar de mim.
- E então? Aceita?
- Eu...
- Isso é um não, né?
Isso é um não?
- Eu...
- Você...?
- Eu aceito se descobrir em que mão está o botão.
- O que?
Estendo as mãos para frente, escondi o botão na mão onde ficaria uma aliança de namoro, ele tinha que acertar para namorar comigo, se ele acertasse a culpa por ter aceitado não seria minha. Me sentia culpada por desejar que ele errasse, tudo seria mais fácil assim. Mas no fundo, bem lá no fundo, eu desejava que ele visse através da minha mão, desejava que tocasse na minha mão direita revelando o botão, desejava namorar Michael, a verdade, é que eu amava aquele garoto, mas eu amava o suficiente para deixar meu segredo em risco?
- Eu acho que está... Nessa mão!
Notas finais
http://fanfiction.com.br/historia/140671/Eve_Minha_Maligna_Namorada.
Mas mudando de assunto, espero por vocês no proximo capítulo de "As crônicas de Eve" onde conheceremos um novo personagem "Alígeno", e junto com ele, um novo rumo para a estória. Nos vemos em breve, bem em breve.
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