as Crônicas de Eve
4 Encontro
Olho em volta, não havia mais a areia desértica do oriente médio, não estava mais naquela terra de guerras, havia sido mandado para um novo local, meu nome é Alígeno e eu tenho uma missão, bem pequena, começar o Apocalipse!
Como cheguei aqui? Bom, longa história, digamos que estou meses nesse lugar de merda conhecido como "Terra" pelos pedaços de lixo conhecidos como seres humanos, estou em busca de um ser que saiu a dezesseis anos do inferno, uma criatura muito poderosa que descende de um dos demônios mais poderosos de todos, Azazel criador das armas e um dos patronos do inferno.
Há dois meses recebi uma missão de meu amigo Adramelech, chefe das jurisdições do inferno, ele pediu para que eu encontrasse o descendente de Azazel, pois só este tem acesso a um portal que permite entrada e saída de demônios corpóreos do reino das profundezas, esse portal seria a saída necessária para que os exércitos infernais alcançassem a superfície iniciando assim o Apocalipse, a revelação da nossa existência para todos, e não só nossa existência, como também de nossa supremacia!
O primeiro lugar onde procurei pelo filho pródigo do inferno foi no local conhecido como oriente médio, uma quantidade enorme de demônios circundam aquele local, quase tão grande quanto o numero de demônios que circundam os Estados Unidos.
Muitos Alígenos possuíam pessoas atormentando-as para obter alimento na hora de suas mortes, eu também possuía um humano, como demônio incorpóreo ou seja, sem forma e corpo, necessito de uma casca para me guardar e nesse caso era uma pequena garotinha morena de uns 8 anos.
Pergunto a alguns alígenos se eles têm notícia do Azazeno, os poucos que respondem têm respostas negativas ou nem a menos sabem quem é. Eu tinha que rodar um mundo todo atrás do cara e nem tinha quem me ajudasse.
Depois de três semanas vagando no corpo da menininha quase sou atingido por uma explosão, por algum tempo havia esquecido que aquele era um lugar com frequentes confrontos. Dali para frente passei a andar com uma metralhadora em caso de necessidade, nunca se sabe não é mesmo? Onde arranjei uma? Digamos que o solitário soldado norte americano que passava perto de mim não suspeitou da doce garotinha sanguinária.
Por volta de dois meses depois finalmente tive um sinal, um homem muito estranho estava sentado em um bar.
- Uma bebida, por favor! — Disse sentando ao lado dele.
Ele vestia um sobretudo preto e tinha uma pele bem branca, em torno dos seus olhos haviam manchas pretas semelhantes a olheiras, seu cabelo era volumoso e cumprido, possuía um tom meio azulado. Ele carregava uma pequena faca com cabo em forma de caveira, do outro lado jazia uma pistola bem grande.
- Desculpa garotinha, mas você não pode — Disse o humano que servia as bebidas — Por que não cha-- Ele olhou para a minha metralhadora apontada na direção dele. — Vamos com calma não é mesmo?
- Enche o copo seu bobão! — mostrei a língua para ele, o cara do meu lado não se movia.
- Já to indo — Disse o dono do bar.
Vi uma mulher digitando algo em um celular.
- Se eu fosse você não faria isso mocinha. — Disse olhando para ela.
Todos no bar começam a se agitar, menos o homem de preto.
- Calma garotinha desculpa, toma, olha, soltei o celular...
Um homem veio na minha direção, pulei sobre ele e então lhe acertei uma cabeçada, ele caiu no chão com o nariz sangrando, todos começam a se agitar, em poucos minutos ouvi o som de sirenes.
- O que você quer? — Disse um dos homens do bar.
- Campânia... — Disse piscando meus lindos olhinhos e segurando nas pontas do vestido.
- JÁ CHEGA! — Disse o homem de preto que ainda estava imóvel no seu lugar. — O que você quer?
- Conheço esse cheiro amigo, sei o que você é, a pergunta é, quem é você? E o que faz aqui em cima?
- Mas que diabos, estou trabalhando!
- Um corpóreo? Trabalhando aqui em cima? Como conseguiu subir?
- NÃO SE MOVAM! — Disse um policial chutando a porta.
- Cale-se humano! — Dissemos eu e o cara de preto simultaneamente.
- O que você quer Alígeno?
- Uh! Você sabe meu nome! Que coisa catita!
- Todos vocês tem o mesmo nome seu estúpido! Me de um motivo para não te mandar para o inferno, ou melhor — Ele saca a sua arma, uma pistola bem grande — Me de um motivo para não te espalhar em milhares de pedaços!
- ABAIXEM AS ARMAS! — Gritou o policial.
- Vai se fuder! — Disse o homem de preto, ele ia apontar a sua arma contra o policial quando estes fuzilaram a ele e a mim, ambos caímos no chão, mas logo levantei.
- Atirar em crianças é muita sacanagem sabia?
As pessoas no bar começaram a gritar, aquilo me lembrava a minha casa
-Atirem!
As balas cortavam o meu corpo, o sangue escorria pela minha barriga, sentia cada músculo sendo dilacerado, olho rapidamente para o lado e vejo que o homem de preto havia sumido. Súbito ouço a sua vos do outro lado do bar:
- Não deviam ter atirado em mim.
Abro os olhos e vejo-o parado no meio dos policiais, em poucos minutos ele distribui socos e ponta pés e estão todos no chão.
- Putos, sujaram minha roupa!
Levanto-me e olho para o demônio que limpava as manchas de sangue da roupa com as mãos.
- Você é bom nisso
Em menos de um segundo ele esta me levantando pelo pescoço.
- O que você quer Alígeno?
- Eu — Como era difícil respirar — preciso... De... Ajuuda.
Ele me joga no chão e coloca a sua faca no meu pescoço
- O que você quer?
- Adramelech me mandou aqui.
Ele para.
- O que ELE quer?
- Está na hora.
Ele se levanta.
- Preciso de sua ajuda.
- Para que mesmo?
- Preciso achar o descendente de Azazel, você tem como me ajudar?
- Você sabe quem eu sou?
- Sei que é um demônio, pode me ajudar? Nenhum desses Alígenos faz a mínima de onde posso encontrá-lo.
- Porque está no lugar errado, o Azazeno está a um continente daqui.
- Sabe onde ele está?
- A ultima vez que tive notícias dele ele estava na América.
- Deixa eu adivinhar, Estados unidos?
- Não, um pouco mais abaixo.
- México?
- Brasil.
- Onde?
- Brasil.
- Repito, onde?
- Vou te mandar para lá.
- Como? Tem um portal?
- Não meu amigo, sou Alastor, grande caçador de demônios fugitivos, tenho meus contatos.
Alastor é? Não podia ter encontrado aliado melhor, o grande demônio rastreador estava ao meu lado.
Ele olhou para fora e então uma imensa nuvem negra apareceu.
- Isso é o Aglasis, ele pode te levar a qualquer parte do mundo, leve-o com você, pode ajudá-lo em sua missão, logo encontro vocês lá.
- Você quer que eu entre nessa coisa?
- Vai logo.
- A qualé!
A nuvem negra se fechou sobre mim, em pouco tempo ela se abriu de novo. Era um lugar estranho e escuro, estava mais perto agora, iria encontrar o Azazeno, olá Brasil, Alígeno chegou!
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