angústia

12 Mar de taças


dominada pelas águas do meu próprio ser

servindo algumas taças

com vinhos e lágrimas

sonhos e lástimas

que guardei

deitei

tentando estabilizar

depois de noites sem dormir

o álcool vai cicatrizar

e eu continuo a nadar

nestas ondas do meu peito

que estão sempre em alto mar

me consumindo em ansiedade

turbilhando meu pensar

cansada

me procuro em olhares

mas desvio o olhar

quando falo demais

só penso em me calar

¿como proceder?

¿como equilibar?

por um segundo o vento que bate na janela

me traz serenidade

me promete

e atravessa

dentro de mim faz moradia

e em um instante

me arremessa

e lá vou eu

em desespero

devaneio

enchendo meu copo

que já está cheio

manchando meu corpo

com o vinho

que me faz sorrir

antes de dormir

um ciclo

um vício

um tiro

retiro

me coloco de novo

e respiro

piro

re

piro