amor o suficiente para nós dois
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Abraxas não conseguia dormir. A noite já ia alta e por mais que o jovem soubesse que precisaria acordar cedo no dia seguinte, simplesmente não conseguia pregar os olhos. Sempre que se virava, observava o relógio que ficava no alto do dormitório.
Mais sete horas de sono.
Tic-tac.
Mais seis horas e meia de sono.
Tic-tac.
Mais seis horas de sono.
Tic-Tac.
Ele pensou em se levantar para pegar uma xícara de chá, mas temeu acordar os colegas. Avery, por exemplo, já estava a sono solto, seus roncos apenas não reverberando no restante do dormitório devido ao feitiço auditivo de Tom.
Tom.
Abraxas se perguntou se teria como colar do amigo na prova do dia seguinte. Sabia que ele estudara muito, ainda que não precisasse. Era, afinal, o melhor aluno da classe. Se atrevia a dizer, até, que era o melhor aluno de Hogwarts desde Dumbledore.
Mas não. Tom não iria querer arriscar sua própria expulsão passando cola para o amigo — ainda mais um amigo que não estudara por pura preguiça!
Abraxas se mexeu novamente.
Tic-Tac.
Mais cinco horas e meia de sono.
“Abraxas, se você se mexer mais uma vez, eu vou te azarar.” A voz de Tom veio da cama à sua esquerda, soando meio abafada porque seu rosto estava contra o travesseiro.
“Desculpe.” Abraxas murmurou, parando imediatamente no meio do movimento. Mas descobriu que a posição em que se encontrava era extremamente desconfortável e logo suas costas começaram a doer.
O jovem tentou se virar delicadamente, de modo a não fazer barulho — só que acabou batendo o pé contra a haste da cama, fazendo um som alto que ecoou por um momento nas paredes frias do dormitório.
“Bom, é isso, eu vou te matar!” Tom falou alto, as cobertas voando enquanto ele se levanta e andava para onde ficava a cama do outro.
“Não, não, não!” Abraxas pediu em um sussurro, enquanto se sentava na cama rapidamente. “Foi sem querer, eu juro!” Completou, suas mãos unidas em formato de prece.
O quarto estava quase imerso na escuridão, a única fonte de iluminação sendo a luz esverdeada que nunca ia embora, característica dos Salões da Sonserina. Em razão disso, Abraxas não podia ver a expressão do amigo com clareza, mas apostaria sua vida que ele agora lhe observava por entre olhos semicerrados.
“Você tem estado se virando e chutando as cobertas a noite toda,” Tom respondeu, sua voz mais baixa para se adequar a do amigo. “Qual o problema?”
“O que você acha? Eu estou nervoso! Eu devia ter estudado mais para o N.I.E.M.s, mas eu fui deixando para depois e para depois…” O jovem passou sua mão por entre os cabelos que lhe caíam sobre o rosto. “Você sabe como meu pai vai ficar se eu for mal. Ele vai esperar que eu tenha resultados no mínimo tão bons quanto nos N.O.M.s, só que para eles eu estudei pra caramba.”
Abraxas finalmente parou de falar, respirando fundo. Apurou os ouvidos, para ter certeza que ninguém mais havia acordado e ouvido sua confissão desesperada — mas tudo que havia eram as respirações pausadas dos colegas adormecidos e o peso do olhar de Tom, que ainda estava parado ao lado de sua cama.
O silêncio se alongou por um longo momento.
Tic-tac.
Mais cinco horas de sono.
“Venha,” Tom comandou, pegando seu roupão e caminhando a passos largos para a porta. Quando olhou para trás, viu que Abraxas não havia se mexido. “Ande, Brax.”
O jovem se levantou de um salto, imitando os movimentos do amigo, sem entender o porquê de tudo aquilo. Quando atingiram a porta, a luz do corredor deve ter iluminado o cenho franzido de Abraxas, porque Tom girou os olhos.
“Nós vamos fazer uma mega revisão das matérias que você vai mal, como Poções. Não posso te prometer um Ótimo, mas pelo menos um Aceitável você vai conseguir.”
Tic-tac.
Mais cinco horas de estudo.
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