al Chemist
7 Capítulo 6 - O Campo de futebol dos Raptores
A manhã estava quente. As cigarras cantarolavam, com seu som estridente, nas árvores. Ka, Lulua e Rehena estavam deitados em baixo de uma grande macieira no topo de uma colina. Rehena ainda dormia profundamente e Lulua havia acordado Ka. –por algum motivo–.
–Ei, Ka. Já estamos quase em julho e ainda não encontramos esses tais Devoradores. Quero dizer, eles podem estar em qualquer lugar.
–Me desculpe. Eu havia esquecido que você só tem um ano e...
–Não. Não é isso. Só que... se eles são tão perigosos assim, nós teríamos que encontrá-los o mais rápido possível.
–Não estamos procurando eles, literalmente. Eu sei que não estão aqui... de alguma forma. Só quero respostas.
–Entendi.
Ela o olhava nos olhos.
–O que foi?– ele disse.
–Você gostava muito da sua irmã, não é?
–Ela era a única família que me restou e a última dos amigos, digo...
–Não precisa se explicar, eu entendi. Embora você tenha cara de quem não tem muitos amigos.
–Digamos que dos... cinco.– ele abriu a mão indicando.– Amigos que eu... tenho. Dois morreram– ele baixou dois dedos. –e um fugiu e se tornou meu rival.– e baixou mais um dedo.
–E os outros dois?– ela tocou os dedos restantes.
–Bem... um deles está dormindo ali e o outro está me fazendo interrogatórios.
Lulua sentiu sua pele corar. Lembrou-se de quando Ka a salvara da gárgula furiosa e disse que amigos salvam uns aos outros, que fez com que o episódio do penhasco viesse. Ele tentou salvá-la, mesmo que estivesse correndo perigo também.
Nesse momento, a testa de Rehena franziu, ela cerrou seus olhos com força e os abriu lentamente.
–Que... que horas são?– disse se sentando e esfregando os olhos para tirar a remela dos olhos.
Ka pegou em seu bolso da calça um relógio prateado. Ele abriu e o fechou em questão de segundos.
–São quase dez.
–Obrigada.– disse com um bocejo.
Após um delicioso café da manhã de suco de maçã com maçãs recém-colhidas, os três desceram a colina em direção a um campo aberto.
–Nunca comi tanta maçã na minha vida.– disse Rehena sentindo uma reviravolta no estômago.
–Nunca mais como maçã na minha vida.– respondeu Lulua com a mão na boca abafando o que poderia ter sido um pequeno arroto ou um soluço. –Desculpem.
–Estão ouvindo isso?– disse Ka com a mão no estômago.
–Sua barriga roncando?– respondeu Rehena.
–Não. Prestem atenção.– eles pararam.
–Não ouço nada.– disse Lulua tentando aguçar seus ouvidos.
–Isso mesmo.
Não havia som algum ali. Nem bichos, nem vento, nem insetos irritantes, nem o estômago de Ka. Só havia árvores, um espaço vazio do tamanho de cinco campos de futebol à frente deles, o calor e as nuvens que não ajudavam em amenizar.
Eles continuaram descendo a colina até que as árvores terminaram e uma grande cerca de ferro surgiu. Tinha uns cinquenta metros de altura e para os lados ela sumia por entre as árvores lá longe.
–Que estranho.– disse Lulua.
–O que é estranho?– respondeu Rehena.
–Uma cerca no meio do nada.
–Para a pessoa que colocou a placa de “CERCA ELÉTRICA!” não é tão estranho assim.– disse Ka apontando.
–Vai ver tem uma super fera assassina comedora de gente aí dentro que não pode sair.– disse Rehena.
Ka olhava a cerca atentamente à procura de alguma falha.
–Achei!– ele estendeu a mão para a cerca.
–Achou o que, menino?– disse Rehena.
–Não toque. Você quer morrer com 100.000 volts no corpo?– Lulua disse alto, segurando o braço dele.
–Fique calma.– ele segurou a mão dela. –Se estivesse realmente carregada, estaria fazendo um zumbido.
Ele segurou a grade e puxou. Incrivelmente, um círculo de uns três metros de diâmetro saiu. Alguém havia cortado a tela e posto de volta para que não percebessem.
–E a pessoa que cortou isso teria morrido.– ele continuou.
Elas olharam de Ka até a passagem. E cruzaram os braços.
–Certo, certo. Eu vou primeiro.– ele disse.
Os três entraram no mega campo de futebol. O mato seco ia até seus quadris e o silêncio ainda permanecia. Do outro lado havia um grupo de árvores com uma casa de vidro se escondendo no meio delas. –uma estufa.– Eles seguiram na direção da estufa apressados, parecia que o campo não terminava. Vai ver não haviam percorrido nem um quarto do caminho. Então, chegaram ao centro. Lulua gritou e abraçou o braço de Ka, e os três pararam.
–O que houve?– ele perguntou.
–Eu... eu vi alguma coisa se mexendo ali.– ela apontou para direita.
–Não há nada ali.
Rehena viu uma pequena cabeça comprida subir e descer rapidamente por entre o mato à sua direita, a uns cento e cinquenta metros e se moveu para o lado e o mato parou, como se a criatura tivesse sumido.
–Não conte muito com isso.– ela disse.
Lulua apertava o braço de Ka e olhava para todos os lados procurando movimentos. Então diversos pontos à sua volta fizeram o mato tremer. Não sei quem estava tremendo mais forte: Lulua ou o mato seco à sua volta. Ka prestava bastante atenção, não sabia o que poderia ser. Os três não moveram um músculo.
Então, uma nova cabeça surgiu. Ela era como a de um lagarto, mas tinha... penas. Pequenas penas. Vendo que o destemido curioso não se assustara, os outros ergueram suas cabeças também. Em poucos segundos dezenas dessas cabeças surgiram. Seus olhos brilhavam e eles faziam um som tipo castanholas, mas era abafado, como se feito com a língua estalando no céu da boca.
Todos se levantaram. Eram como aves ou répteis de cauda comprida, não, eram répteis voadores de duas patas, um metro e meio de altura, cauda comprida com plumas e o corpo cheio de pequenas penas e escamas.
–Ah, que fofinhos.– disse Rehena.
–São Velociraptors. – disse Ka. –Eles caçam em bandos. São leves, rápidos, tem uma ótima visão e um cérebro bastante desenvolvido, além de um poderoso maxilar.
–Aí estão suas super feras comedoras de gente, Rehena. Abrace-os.– disse Lulua, sem soltar o braço de Ka. –Espere! Você disse “caçar em bandos”?– ela se virou para Ka.
–Sim.
–Eles estão em bandos.
–Eu sei.
–Então isso significa que...
–Nós temos que correr ou lutar até a morte.
–Deles, não?– disse Rehena segurando o cabo de sua espada.
–Se quiser pensar dessa forma...
Os Velociraptors abriram suas bocas, bicos (ou o que quer que fosse aquilo) infestadas de dentes pontiagudos. E vieram em direção dos três.
–A proposta de correr ainda está de pé?– perguntou Lulua, assustada.
Ka olhou atrás por cima dos ombros. Sua retaguarda estava livre, e viu a passagem na tela.
–Não podemos.– ele respondeu.
–Por que não?– perguntou Rehena sacando sua espada e dando passos curto para trás. Noventa centímetros de lâmina prateada.
–Eu esqueci a passagem aberta.– ele respondeu com os mesmos passos, e com Lulua às suas costas.
–Ótimo!
–Não, se você não correr a menos de 50 km/h.
O primeiro Raptor veio da esquerda e pulou na direção de Rehena, que o rebateu com a espada, como num jogo de beisebol. O animal cambaleou e se levantou ainda tonto. Depois, veio um da direita em Lulua, que desembainhou sua katana, abaixou e desferiu um golpe no peito do animal, fazendo-o passar direto e cair em cima do que Rehena havia acertado. Ambos ficaram no chão, caídos. Um terceiro pulou em Ka, que deu um soco no pescoço dele, fazendo-o voltar e acertar mais três. Os três levantaram tontos e o que havia sido acertado, continuou caído no chão com uma mancha preta no pescoço que estava crescendo. Sem que ele percebesse, outro vinha em sua direção. O anterior era uma isca.
Lulua entrou em sua frente e cortou a cabeça do réptil. Seu corpo caiu no chão rolando e a cabeça voou mais uns cinco metros atrás dela. Uma rajada de sangue verde a atingiu sujando sua capa na frente e seu rosto. Ela permaneceu com os olhos fechados, braços abertos e com cara de nojo.
–Eca! Gosma de dinossauro.– ela disse. –Que nojento.
–Tem muito mais de onde veio.– disse Ka apontando pros répteis que aproximavam deles.
–Já matamos quatro, só faltam mais algumas dezenas.– comentou Lulua.
Eles ainda davam passos lentos para trás, mas nesse ritmo levariam horas até chegar à cerca. Então, dois pularam sobre eles (um da direita e outro da esquerda.)
–Abaixem-se!– gritou Ka.
Quase que no instante que eles se abaixaram, os dois se chocaram de cabeça, soltando um gemido de dor e Rehena e Lulua os acertaram com suas espadas. Veio mais um da linha de frente, mas Ka se adiantou correu adiante. O animal pulou por ele, mas sua calda era comprida demais e Ka a segurou. Por pouco a boca do Raptor não mordeu Rehena. Sua boca estava a poucos centímetros do rosto dela, que sentiu um “agradável” cheiro de carniça vindo da garganta dele. Mais que depressa Ka girou o réptil por cima de sua cabeça. As duas se afastaram da área de Ka, que usou-o como uma espécie de chicote, acabando com vários outros répteis voadores.
Os que sobraram fugiram de medo e sumiram no mato alto. E o vento soprou por um momento abafando um pouco o barulho de passos mais robustos.
–Acho melhor sairmos daqui.– disse Ka.
–Não vamos ver o que tem na estufa?– disse Rehena.
–Deve ter nitroglicerina pro Ka explodir tudo, de novo.– disse Lulua.
–Deve ter algo pra limpar sua cara verde.– ele respondeu e deu um sorriso. Ela fez uma careta. –Mas eu tenho uma notícia ruim e outra pior para vocês.
–Que seria...?
–Se não sairmos logo, teremos que lutar de novo.
–Tá, mas o que seria pior que os Velociraptors?
Então, oito criaturas parecidas com os anteriores apareceram a duzentos metros, mas eles tinham algumas diferenças: não tinham penas, embora suas... bocas lembrassem um pouco bicos; suas caudas eram mais curtas; suas escamas eram marrons e negras; pesavam em torno de uma tonelada e por último, porém não menos importante: eles tinham três metros de altura (dos pés à cabeça) e seis metros da cabeça à cauda.
–Ah, entendi.– sua pergunta havia sido respondida.
–Agora corremos desses...?– perguntou Lulua, estalando os dedos e depois apontando para eles.
–Utahraptors.– completou Ka.
Um dos Utah deu um passo e o chão tremeu. Outros dois também deram um passo à frente e novamente o chão tremeu. Não era possível! Eles só tinham uma tonelada, não podiam provocar tanto impacto no chão. Nesse momento uma grande garra pisou nos três da frente, fazendo o mesmo estrondo e tremendo o chão. Os cinco atrás correram de medo.
A nova fera tinha seis metros de altura e mais de 15 metros de comprimento. Sua carcaça de escamas era avermelhada, seus olhos cor de âmbar, pernas musculosas como as de fisiculturistas, mãos atrofiadas e dentes que poderiam rasgar chumbo.
–Esse vocês duas conhecem.– disse Ka dando largos passos para trás com Lulua e Rehena.
–Lagarto Rei Tirano.– disse Lulua quase com um sussurro.
–Isso mesmo.– disse Ka. –Tyrannosaurus Rex: O mais aterrorizador dinossauro que existe. Mas... eu só não entendo essa cor avermelhada das escamas.
O Rei Tirano deu um rugido e sua garganta se encheu como uma bolha. Seus olhos faiscaram, a bolha subiu para a boca e pequenos fios de fogo saíram por entre seus dentes. Com um movimento de cabeça, ele abriu sua boca e uma bola de fogo foi disparada na direção dos três. Antes que ela os atingisse, eles pularam para os lados e correram o mais rápido que conseguiam.
–Isso diz muita coisa.– disse Ka, correndo.
Onde a bola atingira, ficou um buraco chamuscado e o mato em volta estava pegando fogo, que rapidamente estava se alastrando. O Lagarto gigante dava passos grandes atrás deles. Ele apagou grande parte do fogo somente pisando em cima, sem querer.
–O fogo vai acabar queimando tudo, se continuar assim!– disse Rehena.
–Diga isso pra ele.– respondeu Lulua, apontando para trás.
Embora o campo parecesse não terminar, a cerca estava chegando e o lagarto também. Cada passo deixava-o mais perto de Rehena que corria mais atrás. Talvez sua armadura não devesse ter sido feita para fugir de dinossauros raivosos, pois ela já estava se cansando. Ele lançou mais uma bola de fogo e por pouco não a acertou. Estava ficando apavorada, não queria morrer ali e virar comida de réptil. Ela sentiu um leve cheiro de cabelo queimado. Não sabia se ficava com medo do grandão estar se aproximando ou raiva por ter queimado seu cabelo.
Então, uma sombra cobriu Rehena. Nesse momento tudo pareceu ocorrer em câmera lenta. Ela espiou por cima dos ombros e a pata direita do monstro vinha de seu encontro. Os amigos estavam alguns passos à frente, e só ela seria esmagada. Sentiu um aperto no coração e percebeu que seria seu fim, e provavelmente o de Ka e Lulua também. Seus olhos se encheram de lágrimas e sua voz saiu um sussurro fino:
–Ka.– e ergueu a mão em sua direção, como se estivesse tentando agarrá-lo.
Ele, que estava à frente, se virou e viu a expressão de terror de Rehena. Lulua o olhou, se virou até Rehena e subiu o olhar até o pé do T-Rex. Ka diminuiu seu passo e segurou a mão de Rehena, que tentou dar um sorriso, mas não deixou de demonstrar que era seu fim. Lulua desembainhou sua katana e, com um giro de seu corpo, golpeou a parte inferior da pata dele e embainhou de volta a espada. Por uma fração de segundos o Tiranossauro hesitou em pisar. Foi tempo suficiente para que Ka puxasse Rehena com toda a força. Ela voou para frente, dando alguns passos extremamente largos e atravessou a passagem na cerca. A pata gigante, então, esmagou o lugar onde Rehena estaria.
Lulua saiu depois. Enquanto ela rolava depois de passar pelo círculo, Rehena se levantava ofegante. O grandalhão fez sua garganta inchar mais do que antes. Ka viu, de relance, a garganta do bicho emitindo uma luz alaranjada. Ele se quer fechara a boca para concentrar o fogo. Já que não conseguiu os três, mataria o último.
A cerca estava próxima e o dinossauro, mesmo mancando, estava alcançando Ka. Lulua e Rehena estavam à sua espera com o pedaço de grade em mãos para fechar. Quando ele passou, tropeçou em algo e caiu. Rapidamente, as duas puseram o círculo de volta e correram. Nesse tempo, Ka vira que havia tropeçado num cabo de energia. Ele se ajoelhou e viu que estava “desplugada”, uma ponta da outra.
Por isso não havia energia!
A duas passaram por ele, se afastando e no momento que o bichão soltou sua suprema bola de fogo, Ka juntou as duas conexões. Faíscas saíram e ele caiu para trás. Na mesma hora a cerca fez seu zumbido habitual e, quando a bola de fogo a atingiu, a cerca que entrou em curto circuito e a bola explodiu na cara feia do monstro. Ka se afastou e observou o show de luzes. O dinossauro não gostou nada de ter recebido de volta seu ataque e então, balançou sua cabeça atordoado. Rugiu para Ka e foi embora. Depois de muitas faíscas, a cerca voltou ao normal e o zumbido estabilizou. O círculo deveria ter sido fundido de volta à cerca, com todo aquele fogo. Ka não se atreveria a verificar com os 100.000 volts de energia passando por ali. Ele jogou terra em cima dos cabos para escondê-los e foi de encontro às garotas.
–Vocês estão bem?– ele perguntou ofegante.
As duas o abraçaram tão forte que ele achou que suas costelas e o pescoço fossem se partir em pedaços, embora tenha sido deveras agradável receber um abraço assim mesmo com Lulua fedendo à gosma de Velociraptor e Rehena, a cabelo chamuscado. Na mesma velocidade, elas o soltaram. Os três não sabiam quem estava mais vermelho e envergonhado.
Eles continuaram seguindo a cerca, percebendo que a área era um grande círculo, e acharam um grande portão, quase do tamanho dela com uma placa dizendo: CUIDADO! CÃO FEROZ.
–Aquilo não é um cão nem aqui nem em lugar nenhum.– disse Rehena, ainda com o coração batendo forte.
–Vamos achar água para vocês se lavarem.– Ka disse.
Ainda beirando a cerca, eles desceram uma trilha e encontraram um lago escondido por enormes árvores. As árvores cobriam o lago, como um domo gigante. No topo do domo, havia um buraco que as árvores não se atreveram a cobrir para manter a beleza do lago quando os raios de sol passassem formando um belo arco-íris.
Rehena sentou-se próxima da água para verificar os estragos. Somente as pontas haviam queimado, o que a deixou mais ou menos aliviada. Lulua entrou na água de capa e tudo, já que estava toda suja. Ela foi até onde o nível ia a seu pescoço, lavou o rosto e voltou esfregando a capa. Não fora muito difícil, pois ainda não havia secado. Ka somente lavou o rosto para despertar e bebeu um gole de água e sentou ao lado de Rehena.
–Não vão querer investigar o que tem na estufa?– ele perguntou.
–Não vale o risco, você sabe.– respondeu Rehena.
–Nós podemos ir embora, se vocês quiserem.– disse Lulua saindo da água com suas roupas pingando sobre as folhas no chão. Se balançou como um cachorro, para se secar, e molhou Ka e Rehena.
Ela parou de pingar, mas o barulho de água ainda continuava. Eles se entreolharam e então se moveram um pouco para o lado, olhando para trás de Lulua. Outro amiguinho apareceu. Ele estava do outro lado do lago, na margem, bebendo água. Devia ter uns 50 centímetros de altura, 75 centímetros de envergadura de asas, penas tão pequenas que pareciam pêlos, pernas atrofiadas (grossas em cima e superfinas embaixo, quase pontudas) e um bico muito comprido e pontudo.
–Ah, olha que bonitinho.– disse Lulua.
–Os outros bonitinhos tentaram arrancar nossas cabeças.– respondeu Rehena.
–São Pterodáctilos.– Ka disse.
–Achei que fossem carnívoros e agressivos.– disse Rehena.
–Não, não. Esses são os Pteranodons. Os Pterodáctilos só comem peixes e animais pequenos.
–De onde será que ele veio?– perguntou Lulua.
A ferinha levantou sua cabeça e eles viram que tinha um peixe se debatendo no bico. Ele abriu suas asas e foi em direção a um morro. Eles o observaram e avistaram o domo de vidro de antes. A estufa.
–Ka, você nos fez dar a volta na clareira?!– Rehena disse com a voz alta e mais fina.
–Eu?!
–Sim, você. Você é o líder e nos guia.
–Ah, agora eu guio vocês. O que houve com a parte de: “você nem sabe para onde está indo. Não pode seguir para o norte, enfrentar um chefe e acabar com tudo. Você explodiu o laboratório do vampiro.”? Hã?! Você é a mais velha.
–Eu tenho dezesseis e você, quinze. É quase a mesma coisa. E estamos procurando resposta sobre sua irmã.
–Não é não. Um ano de diferença não é a mesma coisa e...
–Na verdade serão dois, porque faço dezessete no dia primeiro de setembro.
–Tá bom! A irmã é minha, mas... ei, cadê a Lulua?– e ele se virou para trás e ela não estava.
Os dois olharam em volta e a acharam beirando o lago, quase chegando do outro lado. Eles correram a seu encontro. Quando Lulua chegou lá em cima, a cerca elétrica zumbia a todo vapor. Ka e Rehena chegaram correndo terminando de subir a colina. Ela estava petrificada com o que via.
–Nossa!– disse Ka ao seu lado.
–Não esperava por isso.– completou Rehena.
Não era necessariamente uma estufa em si, era uma grande gaiola de Pterodáctilos. A maioria dos vidros estava quebrado e os... o que quer que aquelas coisas fossem, passavam pelos buracos entrando e saindo com comida. Os três avistaram o amiguinho devorando, em seu poleiro, o peixe recém fisgado.
–Não queríamos ver o que tinha na estufa? Aí está.– disse Ka.
–Muito bem, agora vamos embora antes que apareça um desses Pte...ranodons.
–Não dá pra entrar mesmo, já que o Ka ligou a cerca de volta.– respondeu Lulua.
–Se eles nos atacarem, vou te fazer de escudo e vai voar gosma verde em você de novo. – ele disse sorrindo e se preparando para descer a colina.
–Acho que ainda tenho um pouco.
–Então se limpe e vamos almoçar, mas nada de maçãs.
–Se você me ajudar será mais rápido.– ela disse e pulou nas costas dele, abraçando seu pescoço. Ka perdeu o equilíbrio e os dois desceram a colina, rolando e caíram no lago.
Os dois se levantaram. Ka, com os cabelos loiros em cima dos olhos, a olhava pensando em alguma coisa para se vingar. Ela tentou se afastar enquanto ria, mas ele foi mais rápido e a abraçou, fazendo-os mergulhar de novo.
Notas finais
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Revisado por Magdalena Cunha
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