Notas iniciais
lol idk porque to postando isso aqui. essa é a história de um oc meu, meio abandonado, mas eu fui ler o arquivo e achei que talvez daria uma boa fic? se ela receber alguma atenção, quem sabe, eu termino isso aqui. não vai ser nada muito longo, ela muito provavelmente não vai passar de 2 capítulos, mas hm, vai que alguém gosta...?apesar de ser super clichê lmao.enfim, enjoy~

Os olhos abriam-se lentamente, enquanto, aos poucos, seus sentidos iam voltando a ele. Mesmo assim, ainda não enxergava nitidamente o que estava ao seu redor. Sentia-se leve, as mãos e nem os pés não tocavam lugar algum.

Na verdade, seu corpo inteiro estava imerso em água.

Ou ele achava que era água, não podia dizer ao certo. Mas só tinha certeza de que era algum tipo de líquido, em um container estranho, em que ele era mantido dentro.

As íris verdes já eram bem visíveis, exibindo o quão belas eram. As orbes moviam-se para os lados, como se tentasse observar ao seu redor, mas toda vez que movia os olhos, eles doíam. Por isso, sempre acabava por tornar a fechá-los. Esperaria que seu corpo voltasse ao normal, e não no estado de dormência que estava.

Ele não gostava de dor.

E acabou por, novamente, cair no sono.

Porém, não demorou para que acordasse. Mesmo assim, ele estava no mesmo lugar de antes. Esperava que aquilo fosse apenas impressão sua da primeira vez que acordou, mas pelo visto, aquilo era mais que real. Mais do que gostaria que fosse.

As orbes já não doíam mais ao se mover, por isso, se deu permissão para tentar olhar o que tinha ao redor. Mas a água dificultava, deixando a visão um tanto embaçada. Usava uma espécie de máscara, que cobria ambos o nariz e a boca — um tanto entre-aberta -, para que fosse capaz de respirar. Mesmo com a dificuldade para enxergar, ele pôde notar que estava em uma espécie de...

Laboratório.

Era assustador estar daquela forma, preso em um tanque, sem saber o que tinha ao seu redor. Ouvia um som ou outro, talvez até fossem vozes, mas novamente, a água atrapalhava sua audição, incapacitando-o de identificar qualquer som com clareza para que pudesse entendê-lo.

Queria saber o que estava acontecendo consigo. Mas ele não conseguia se lembrar de nada antes daquilo, de estar naquele lugar que nunca vira na vida.

Após alguns minutos, que para si mais pareceram horas, ouviu passos. Muitos passos. E antes que pudesse sequer pensar direito, já via-se cercado por várias... Coisas. Eram figuras borradas, mas podia dizer que eram humanos. Provavelmente, os responsáveis pelo laboratório em que se encontrava.

E, consequentemente, os responsáveis por estar ali.

Pôde ouvi-los falarem entre si, talvez discutindo, ou simplesmente conversando por finalmente ter acordado. Há quanto tempo estaria ali? Ele não tinha certeza. Mas pela surpresa que as vozes passavam, mesmo com as vozes modificadas pela água, provavelmente ele estava ali há bastante tempo, sem acordar.

A boca se abriu para falar alguma coisa, mas nada saía. Apenas murmúrios sem sentido, abafados pela máscara de ar. Ele não sabia falar. Não sabia pronunciar palavras, ou formá-las. Mesmo que fosse capaz de entender as pessoas ali presentes, o mínimo que fosse.

Não demorou para, novamente, ser deixado sozinho na imensa escuridão — todo o laboratório, enorme, iluminado apenas por algumas luzes azuis. Tornou a fechar os olhos, mas desta vez, não conseguia dormir. Apenas desligar-se de tudo, de todos.

Um dia se passou.

Estava mais claro ao abrir os olhos, e graças à luz do sol que, de alguma forma, conseguia infiltrar o lugar, conseguia ver agora mais nitidamente. Talvez por ter se acostumado com a visão de baixo d'água, também. Mas não via ninguém, além de umas três, ou quatro pessoas por ali. Sem contar ele. Mas sequer sabia se uma pessoa ele era.

Não achava que era um deles, de fato.

Os poucos que tinham ali, logo, se retiraram, sobrando apenas um dos homens que trabalhavam naquele lugar. Este, que se aproximou do vidro, aparentemente, com um sorriso nos lábios e uma expressão que passava...

Ternura.

Pela primeira vez desde que a consciência havia voltado para si, ele sentiu-se mais relaxado. Mesmo que não conhecesse aquele homem — mesmo que nunca tivesse o visto antes, pelas poucas coisas que podia lembrar. Mas ele não dizia nada. O silêncio simplesmente reinava no lugar, enquanto ambos, o experimento e o cientista, se encaravam.

''Meu nome é Yutaka. Não se preocupe, eu irei cuidar de você.''

O homem disse. Os olhos, mesmo que discretamente, ficaram arregalados com a fala do homem — que logo após ter dito aquelas palavras, completamente sem sentido para o loiro, retirou-se da sala.

Queria ter dito alguma coisa. Um agradecimento, ou até mesmo um simples ''não vá''. Não queria ser deixado mais uma vez sozinho naquele lugar sombrio e sem vida. Porém, as palavras não saíam. Mexia os lábios, mas...

Nada.

Se ele soubesse o que tristeza era, provavelmente lágrimas teriam se formado em seus olhos. Mas elas apenas se misturariam à água em que ele estava submerso.

...

Simplesmente não tinha nada para se fazer naquele lugar. Os dias se passavam, e ele continuava apenas fitando o nada, de cabeça vazia, esperando o tempo passar.

Oito mil e vinte e dois... Oito mil e vinte e três...

Contava os segundos que se passavam em sua cabeça. Fazia aquilo inconscientemente, quase como se pedisse para que o tempo passasse mais rápido. Desde aquele dia, não vira mais o tal Yutaka. Ele havia dito que cuidaria de si, e depois, simplesmente sumiu.

Mentiroso...

Os olhos se fecharam mais uma vez. Queria dormir, queria só cair em um sono profundo, e não acordar até que estivesse em outro lugar.

Aquele era seu único desejo.

E que, por sinal, não seria concedido.

Após o sol de pôr, os olhos foram se abrindo, pois ouvia leves batidas no vidro do tanque em que encontrava-se. Piscou algumas vezes, antes de acordar de fato, e ergueu a cabeça apenas o suficiente para que pudesse fitar o que estava fazendo tal barulho.

E daí, viu o homem. Yutaka. Que havia sumido por todos esses dias. Por dentro, talvez, estivesse alegre. Mas a expressão, completamente neutra, não deixava transparecer nenhum tipo de sentimento. E mesmo assim, o homem sorria...

Ele queria sorrir também.

Mas sequer seus dedos moviam-se direito, quem dera ser capaz de sorrir.

Por algum tempo, o homem ficou a falar algumas coisas completamente aleatórias, como se quisesse puxar conversa com o experimento. Mesmo que soubesse muito bem que ele não era capaz de pronunciar uma palavra sequer, ele continuava a falar, e falar. Contava uma história ou outra de sua vida, talvez uma lenda popular, e as vezes até dirigia perguntas ao loiro dentro do tanque.

Queria respondê-lo, queria muito. Mas só era capaz de fazê-lo dentro de sua cabeça, o que tornava o homem incapaz de ouvir suas respostas. E mesmo quando era completamente ignorado pelo experimento, ele simplesmente sorria e ria, dizendo a si mesmo o quão bobo era por fazer aquele tipo de pergunta.

Sua risada era a coisa mais confortante que encontrara até agora.

E os dias se passavam. Vez ou outra, Yutaka ia visitar o rapaz no tanque. Claro, algumas vezes ele passava dias sem aparecer, outras, ia em dias consecutivos, sem parar. Pelo que podia notar, mesmo que o homem sempre ficasse a falar sozinho, ele parecia apreciar fazer aquilo. Era quase como se ambos se conhecessem bem antes daquilo, e Yutaka estivesse fazendo todas aquelas coisas para que pudesse recuperar-se.

Mas parecia ser tudo em vão. O experimento ficava a simplesmente ouvi-lo de dentro do tanque, sem sequer mudar de expressão. Mesmo que, internamente, quisesse dizer o quanto apreciava a companhia do cientista. Mas aquilo, de seus lábios, nunca iria sair.

Aos poucos, o rumo das coisas iam mudando. Vez ou outra, ele pedia coisas como ''toque o vidro'', ou ''tente se mexer''. E mesmo que tentasse, nada.

Nada, nada, nada.

Era sempre o mesmo resultado.

''Ah, eu ainda não lhe disse o seu nome, não é...? Seu nome é Luce.''

Luce...

Então era daquela forma que se chamava?

Ele pelo menos tinha um nome?

"Significa Luz."

Estranhamente, para ele, ter um nome o deixou mais aliviado. Ao menos, ele podia ter certeza de que tinha... Uma identidade.

Ele era alguém.

Isso fez o corpo, por um momento, esquentar. O sangue corria pelas veias — mesmo que aquilo fosse tecnicamente desnecessário para um ser como ele -, quase a ferver, mas ele não sabia que sensação era aquela. Ainda tinha muito o que aprender com Yutaka.

Cuide bem de mim.

E, como todas as outras vezes que o cientista ia visitá-lo, chegava uma hora em que ele tinha que deixá-lo ali, mais uma vez sozinho, no laboratório frio e imerso na escuridão do local, com apenas um fio de luz que ajudava a iluminar o tanque. Fora isto, tudo ao seu redor era escuro. E mesmo que a água estivesse constantemente quente, a sensação de estar sozinho em um lugar tão sem vida quanto aquele o fazia confundir o conforto da água quente por um frio que o engolia aos poucos.

E, novamente, o sono tornou a o consumir. Mas não porque estava com sono, ou cansado. E sim, para simplesmente fugir, por certo tempo, da horrenda realidade de que fazia parte.

Os dias se passavam, e parecia que tudo aquilo simplesmente não tinha fim. Era um ciclo vicioso. Os únicos momentos que podia aproveitar, mesmo que minimamente, da sua miserável vida — e até o dito momento, uma vida sem razão -, era quando Yutaka aparecia para lhe fazer companhia. Mas mesmo aquilo estava se tornando a mesma coisa sempre.

É igual, igual, tudo igual.

Porém, em um determinado dia, após as mesmas coisas repetirem-se incontáveis vezes, eis que o "diferente" aconteceu.

Estava em um dos normais encontros com Yutaka. Este que tagarelava sobre coisas aleatórias do lado de fora do tanque — coisas como sua esposa, os planos para o futuro, ou tópicos completamente diferentes destes citados. Não sabia como ele tinha tanta coisa para contar-lhe.

Devia ser bom... Ter uma vida, do lado de fora daquela prisão.

Enquanto o homem falava e falava, chegou um momento em que ele simplesmente calou-se, e adotou o silêncio por alguns segundos. Yutaka se encontrava sentado em uma cadeira, acolchoada para que não se tornasse desconfortável ficar sentado ali por muito tempo. Ele simplesmente fitava o nada — este nada sendo, talvez, o vidro do tanque. E quando ele ergueu novamente o rosto para fitar o experimento, pronunciou, com a voz bem mais calma que o normal.

''Acha que pode se mexer?''

A pergunta saíra dos lábios do homem. Recebeu uma reação, mesmo que mínima, do rapaz dentro do tanque. A cabeça moveu-se levemente, os olhos abrindo-se um pouco mais que antes, como se esboçasse surpresa. Não era capaz de assentir em resposta, mas o cientista sabia como processar aquele tipo de reação. E não demorou para que ele prosseguisse para a pergunta seguinte.

"Acha que pode tocar minha mão?"

A pergunta só deixou o experimento ainda mais confuso. Porém, sequer raciocinou direito ao ver o homem, gentilmente, tocar no vidro do tanque — quase como se estivesse tocando no corpo do garoto. Certo tempo se passou, mas o homem não retirou a mão do vidro. Mal sabia ele que o experimento lutava contra si mesmo, quase em um estrangulamento, para mover-se.

E eis que o braço começou a se mexer.

Porém, ainda estava um tanto sem força. Os braços eram finos, deixando mais que clara a magreza do rapaz que estava contido no líquido. Algumas partes do tanque tinham texturas, ou cores diferentes, que escondiam a aparência do garoto — ocultando assim a magreza mais que óbvia e o resto do corpo. Yutaka parecera chocado ao ver o braço do experimento erguer-se e ao evidenciar o estado deste, mas mesmo assim, ele não moveu-se.

Sabia que o garoto estava fazendo um enorme esforço para que fizesse o que lhe foi pedido. E ele não desperdiçaria aquele esforço.

Lentamente, recuando algumas vezes por simples impulso, Luce estendeu o braço em direção ao vidro. E, suavemente, a ponta dos dedos tocou o vidro, onde a mão do cientista se encontrava. Com um pouco mais de tempo, logo estavam lá — ambas as mãos, supostamente ''juntas''. Juntas através do vidro.

A felicidade no rosto do cientista era bem mais que clara. Tinha um sorriso enorme nos lábios, e um tanto inconscientemente, ele aproximou-se mais. Ambas a testa e a outra mão tocaram o vidro, tecnicamente, em um abraço indireto. Mas Luce não conseguiria fazer mais do que encostar uma das mãos no vidro. Yutaka estava extremamente contente pelo que acabara de acontecer. Era quase como se fossem pai e filho, e o pai finalmente conseguira um sinal do filho, que supostamente, estaria em uma espécie de coma.

Fora o primeiro toque, mesmo que não direto, que Luce realizou.

Aquele momento nunca saíra de sua cabeça por um momento sequer.

Porém, mal sabia que logo após aquele dia, sua liberdade finalmente lhe seria concedida.

Mesmo que, talvez, contra a sua vontade.

E sem seu consentimento.

Notas finais
quem quiser o próximo capítulo deixe uma review, ye~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.