a Garota do Cemitério - A filha de Quione
3 Não foram com a minha cara
Notas iniciais
Ive
E foi assim que eu acabei nessa van, indo em direção a um acampamento totalmente desconhecido, cheio de coisas bizarra e estranhas, junto com a Jadel, os pais dela, e um garoto meio bode meio homem. E, sinceramente, eu acho vou vomitar, não só por que o carro tá balançando pra caramba e eu já bati com a cabeça na janela umas seis vezes, mas também por que eu não sabia o que pensar sobre esse acampamento. Como é? Como são as pessoas de lá? Vão me achar estranha, ou quem sabe eles tenham coisas mais estranhas no dia a dia pra se importar? Como será que funcionam as coisas? Será que Jadel vai calar a boca eu vou ter que ouvir ela cantar "Waka waka" pelo resto do caminho?
—Jadel, se importa em parar de gritar por um segundo? — Pergunto vendo ela me lançar um olhar indignado.
—Com licença, mas eu não estou gritando. Eu tô cantando Waka waka, e você também devia tentar, pra ver se consegue se animar um pouco. -Retruca ela me fitando. — Qual é Summer, estamos indo pra um acampamento mágico! É quase igual a Harry Potter! Me sinto indo pra Hogwarts! Por falar nisso, lá vocês também se dividem em casas?
—Ãh, não. Nós nos dividimos em chalés de acordo com seu pai ou mãe olimpiano. — Responde o menino bunda de bode. Opa, desculpa, Enri.
— Ok. E o que vai ter lá? — Jadel questiona curiosa. Então eles começam uma empolgante conversa sobre as atividades dos acampamento sobre as quais eu não prestei atenção alguma. Eu estava nervosa e até posso dizer, um pouco irritada. Quer dizer, eu não estava irritada com Enri ou com os pais de Jadel, Enri só estava fazendo o seu trabalho, e os pais de Jadel não tinham a obrigação de me contar, eles contaram por que se importaram comigo. Estou irritada mesmo é com meu pai. Como ele não me conta nada? Eu podia ser atacada por monstros e morrer por causa disso! Se bem que é capaz de aquele bêbado já ter esquecido. Bom, dele eu não duvido nada. Olhei pra Jadel, conversando animada com seu pai e madrasta, e, admito, senti uma pontada de inveja. Quer dizer, não me entenda mal, eu amo o meu pai apesar dele ser um bêbado irresponsável e inprestável, mas as vezes, eu queria ter uma familia mais, sei lá, normal. Quer dizer, eu já sabia que minha "familia" não entrava nos padrões normais, mas agora eu descobro que minha mão é alguma deusa grega, que eu não faço a mínima idéia de quem é! Enri até tentou ajudar dando alguns exemplos mais comuns, como Atena ou Afrodite, talvez até uma deusa menor, como Nemêsis, a deusa da vingança, mas não sei se ajudou muito. Sem eu perceber, uma fina camada de geada cobre a janela onde a minha mão está encostada. A retiro dali rapidamente, fitando minha a palma da minha mão. Ultimamente, isso vem acontecendo bastante, quando eu e Enri voltamos pra mesa pra ver se eu conseguia terminar de tomar café, eu estava tão perdida em pensamentos que, quando eu percebi, tinha uma fina camada de gelo cobrindo toda a caneca, mas ninguém percebeu, ainda bem, já que eu fui até a pia e enfiei a caneca entre as louças sujas antes que alguém percebesse. Não contei pra ninguém sobre isso ainda, apesar de achar que o Enri já sabe pela situação no jardim. Fui tirada dos meus pensamentos pela voz de Jadel.
—Olha! Acho que já chegamos! A estrada acaba ali. — Disse ela apontando pra janela. Fitei Enri, levantando uma das sobrancelha. Ele olhou pra mim e respondeu a minha pergunta silenciosa.
— Vamos ter que andar um pouco. Se vocês quiserem se despedir, a hora é agora. — Eu e Jadel pegamos nossas coisas e saimos do carro, observei Jadel dando um abraço tão apertado nos pais que eles cairam no chão e ficaram lá, se abraçando. A mãe de Jadel estendeu a mão pra mim, e quando eu sorri e ia apertar a sua mão, ela agarrou meu braço e me puxou pro chão pra junto do abraço. Sorri minimamente e os abracei de volta. Depois, limpamos a poeira da roupa e depois de um ultimo sorriso de despedida e da mãe de Jadel dar algumas indicações como "Levem protetor solar", "Escovem os dentes", "Não esqueçam de ligar" e "Cuidado na hora de correr com armas" ela nos liberou pra ir. Subimos o morro por algum tempo e logo chegamos a uma área grande, cheia da plantações de morango, com um grande pinheiro demarcando a entrada. Eu e Jadel fitamos Enri em duvida, mas ele não parecia achar nada estranho. Ele começou a andar em direção aos campos de morango enquanto nós o observávamos, até que ele passou pelo pinheiro e simplesmente sumiu. Arregalei os olhos e fitei Jadel com surpresa. Ela me olhou de volta e deu de ombros, andando em direção ao campo de morangos também, então eu a segui. Pra minha surpresa, assim que passamos do pinheiro, o cenário mudou totalmente, ao invés de uma área cheia de plantações de morango, vimos um acampamento normal, com jovens vestidos com camisas laranja, a maioria portanto armas como adagas e espadas, andando por ai normalmente. Alguns pareciam estar realizando atividades e eu juro que vi um voando num cavalo negro alado. Tinha uma área de treinamento onde alguns semideuses subiam uma parede de escalada que se mexia loucamente, com direito a lava e tudo. A longe, vi um conjunto de chalés em forma da letra grega ômega, contei uns 20, não dava pra ver com detalhes como eram, mas cada um parecia ter uma personalização diferente. Tinha um grande pavilhão onde parecia ser o refeitório, e mais ao longe um coliseu, eu e Jadel olhávamos o cenário boquiabertas, enquanto Enri ao nosso lado nos encarava com uma cara de divertimento. — E então? Oque acharam do nosso humilde acampamento?
Humilde? Sério? — Disse o fitando incrédula. — Quer dizer, você disse que era grande, mas isso? Oh meu deus.
—Deuses. — Enri me corrigiu.
— Oh deuses! Aquilo é um cavalo com asas? — Exclamou Jadel apontando pra cima.
—Viu? Jadel já tá pegando jeito da coisa. — Disse Enri.
— Ok. — Respondi olhando ao redor distraída. Até que meu olhar parou em um cavalo. Não, espera, era um homem com bunda de cavalo. Ah meu deus! Quer dizer, deuses. Ele tá vindo, o que eu faço? Logicamente, eu faço o mais inteligente a ser feito. — Oh meus deuses! É um cara metade cavalo!
—Eu sou Quiron, sou o diretor do acampamento. Prazer.
—Espera, Quiron do filme Hércules? — Pergunta Jadel com os olhos brillhando.
— Ãh, é, acho que pode se ver assim.
— Mas então você não devia ser um sátiro? — Questiono apontando pra ele.
— Garanto a vocês que não. Elas já foram reclamadas? — Pergunta ele fitando Enri.
—Ãh, não senhor.
—Certo, então as leve até o chalé de Hermes pra guardarem suas coisas. Foi um prazer conhece-las meninas. Até a fogueira.
— Espera. — Me toquei. — Hermes não é o deus dos ladrões? — Digo, mas o centauro já estava longe.
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Enri nos levou até o conjunto de chalés em forma de ômega. Agora que eu pude ver de perto percebi que não eram só as cores que mudavam de chalé pra chalé, tinha um cercado de arame farpado, com lanças dos lados da porta e uma cabeça da porco em cima. Um era completamente preto, com tochas de um estranho fogo verde na entrada. Um imitava um templo grego, e era realmente bonito. Outro tinha uma chaminé em cima, de onde saia fumaça, e parecia bem tecnológico. No centro no circulo de chalés tinha três que se destacavam. Um era completamente enfeitado com conchas e dava pra sentir o cheiro de maresia daqui, tinha alguns cavalos feitos do que parecia ser bronze pendurados. Os outros dois eram majestosos, como se sua função fosse passar autoridade. O maior era feito de mármore branco, e se você escutasse bem, tinha a impressão de ouvir trovões vindos de dentro. O segundo, apesar de um pouco menor que o outro, não deixava de ser grande. Também de mármore, tinha estatuas de pavões enfeitando a entrada, e parecia não ser visitado há um tempo. Percebendo meu olhar voltado para aqueles três chalés, Enri começou a explicar.
— Esses chalés são, ou deveriam ser, dos três grandes.
— Mas os três grandes não são Zeus, Hades e Poseidon? Hades não tem cara de gostar de pavões.
—É que, como você deve saber, Hades não era bem vindo no Olimpo, portanto, não tinha trono lá. Esses chalés eram para representar os dozes tronos originalmente, mas agora novos chalés estão sendo construídos e Hades foi recebido no olimpo recentemente, então o chalé dele só foi construído recentemente também. Aqueles três chalés representam Poseidon, Zeus e Hera.
— O de Hera parece meio inutilizado.
— É só de enfeite. Hera é a deusa do casamento, não é do feitio dela sair pela terra traindo Zeus com mortais e tendo filhos semideuses, ao contrário do marido. Ela só tem um chalé aqui por que, assim como Artémis, ela ficaria ofendida se não tivesse. Apesar de que o chalé de Artémis é usado pelas suas caçadoras quando elas vem pro acampamento — Ele explica.
— Caçadoras? — Questiono.
—É. — Ele respondeu com um ar meio sonhador. Mas logo depois voltou a uma cara séria e completou — São garotas eternamente jovens, virgens e solteiras que acompanham Artémis nas suas caçadas. As caçadoras de Artémis.
—Entendi — Falei. Fitei Jadel, que ainda não tinha dito uma palavra. O problema é que ela não estava ali. Comecei a olhar em volta pra ver se ela não tinha ido observar algum chalé, mas as suas coisas estavam no chão e eu não via nem sinal dela. _ Jadel? Jadel!
— Cadê ela? — Ouvi Enri perguntar.
— Não sei! Tava aqui do meu lado agora a pouco. — Ai eu ouvi a voz de Jadel e corri até lá. Quando eu cheguei, vi Jadel de frente pra um cara de cabelos pretos e bronzeado, que tinha ao lado dele um cavalo negro, com asas. Jadel parecia nem conseguir respirar direito de tanta animação e de tão rápido que falava, e o garoto parecia não saber se achava a situação engraçada ou se saia correndo enquanto se esforçava pra responder as perguntar que a morena fazia.
— E você monta nele como um cavalo normal ou tem algum processo especial pra isso? Ele come alpiste ou feno? Tem só ele ou tem outros? Todo mundo anda de cavalo alado aqui? Qual o nome mesmo? — Ela se atropelava nas palavras.
—Pégaso. — Respondeu o garoto que parecia meio confuso com tantas perguntas. — O nome desse em especial é BlackJack.
—Oh meus deuses! Ele é tão fofo! — Achei que ela ia pular no cavalo, juro. Mas eu cheguei a tempo e coloquei a mão no ombro dela, a segurando ao mesmo tempo em que me apoiava enquanto recuperava o folego.
—Jadel... Não... Corre desse jeito... de novo...sem avisar — Digo entre pausas pra respirar. Depois de recuperar o folego, fito o garoto a minha frente, que agora que o olhei de perto, tinha olhos verdes mar que faziam contraste com os cabelos negros. — Desculpe. É que somos novas aqui, chegamos agora, e a Jadel está meio, animada.
—Tá ok. Aliás, eu sou Percy. — Disse ele sorrindo e me estendendo a mão. Retribui o sorriso e o cumprimentei de volta.
—Sou Summer, essa é Jadel.
—Legal, são novas no acampamento então?
—Isso, chegamos agora.
—E quem são seus pais?
— Bom, são mães, na verdade. E eu não faço a mínima ideia. — Respondi meio acanhada. Será que era normal não saber ou demorava um pouquinho mesmo?
— Sério? — Disse meio surpreso. — Quantos anos vocês tem?
— Eu tenho 15. — Disse Jadel.
— Eu tenho 16, mas faço 17 daqui uns três meses. — Falei.
—Wow. Bom, com certeza vocês vão descobrir hoje a noite. — Ele garantiu.
— Ok. Obrigada. Bom, a gente já vai indo. Temos que colocar nossas coisas no chalé de Hermes.
— Boa sorte então. — Disse rindo discretamente. Fiquei confusa, mas fui mesmo assim. Vi Enri ao longe correndo na nossa direção. Sem calça. Ainda vai demorar pra que eu me acostume com isso.
— Onde vocês foram? — Perguntou meio bravo.
— Eu fui procurar Jadel e ela foi olhar o pégaso do garoto ali, o Percy.
—Bom, então vocês já conheceram o Percy. Eu já coloquei suas coisas no chalé de Hermes, e já está quase na hora de comer. Querem já ir indo pro refeitório?
— Ah, eu quero, tô faminta. Você vem Summer? — Perguntou Jadel me olhando.
—Hum, vou. Vamos lá. — Respondi seguindo os dois. Pelo visto, os outros campistas tiveram a mesma ideia, por que vi vários seguindo para o refeitório junto com a gente. Já de longe, senti cheiro de pizza, bife, macarrão e várias outras comidas, que pelo cheiro estavam ótimas.
— Aqui é onde fica o refeitório, vocês vão sentar ali. Venham. — Disse ele nos levando até uma mesa cheia e na maior algazarra. Pude ver que cada mesa parecia conter um número diferente de campistas. Achei estranho, pois havia mesas em que tinham só um ou dois campistas, enquanto em outras os campistas tinham que se espremer pra não cair dos bancos. Enri percebeu meu olhar de confusão e até talvez indignação. — É que as mesas são divididas de acordo com seu pai olimpiano, como os chalés. Ali é a mesa de Atena. — Disse apontando pra uma mesa cheia de jovens de todas as idades, a maioria pelo que pude ver tinha olhos cinzas, e pareciam mais organizados que os outros. — Aquela é a mesa de Afrodite. — Apontou pra uma mesa cheia de garotos e garotas, todos muito bonitos, rindo e fofocando, nenhum se parecia fisicamente, tinha uma morena que parecia ter descendência indígena, enquanto outra parecia ser descendente de japoneses, ou coreanos, chineses, não sei. Lembraram-me muito a mesa dos populares que sempre tem nas escolas.
—Certo, vamos. — Disse Jadel conseguindo arrumar um lugar no meio daquela algazarra e se sentando. Esforcei-me e consegui um lugar também. Eles falavam tanto que não consegui acompanhar a conversa, então só fiquei quieta, me perguntando onde se pegava a comida. Jadel sendo Jadel logo entrou na conversa deles e eu quase não consegui mais distinguir sua voz. Senti minha barriga roncar, então cutuquei um garoto ao meu lado. Quando seu olhar veio pra mim, perguntei.
—Hey, onde nós pegamos a comida? — Questionei confusa. Ele me olhou e deu um sorriso simpático.
— Os pratos e copos são mágicos, é só pensar no que você quer que aparece. — Ele responde.
—Oh, sério? Que prático. — Exclamo olhando para o copo e o prato na minha frente. Fechei os olhos e pensei no que queria e quando os abri, havia um prato com dois pedaços de bife, arroz, feijão preto, farofa e um copo de suco de maracujá. Olhei aquilo maravilhada. — Wow, eu preciso de alguns desses em casa. — Falei. O garoto ao meu lado riu e voltou a conversar com os outros. Antes que eu desse sequer uma garfada, os campistas se levantaram, pegaram seus pratos e formaram fila em frente a uma fogueira. Eu e Jadel éramos as únicas ainda sentadas, nos olhando confusas. Um dos campistas pareceu perceber isso.
—É para fazer um "sacrifício" aos deuses. Você pega a melhor parte e joga na fogueira, os deuses gostam do cheiro. — Explicou. Não sei por que os deuses gostariam de comida queimada, mas me levantei mesmo assim. Observei os campistas jogando na fogueira o maior bife, o pedaço de pizza com mais calabresa, algumas guloseimas aleatórias, até chegar minha vez. Respirei fundo e joguei o pedaço de bife que eu considerava ter a aparência mais gostosa, surpreendentemente, o cheiro não era de comida queimada, era cheiro de bife com arroz e feijão, como quando você está perto da cozinha e sente o cheiro da comida cozinhando.
— Mãe, se você está me ouvindo, por favor, me fale quem você é. — Sussurrei. Logo, voltei pra mesa de Hermes e comi em silêncio, enquanto os outros ainda gritavam. Terminei de comer rápido e comecei a olhar ao redor. Havia uma mesa onde havia somente uma pessoa, nela pude reconhecer Percy. Em outra havia um garoto pálido, de cabelos e olhos negros, usando a blusa do acampamento, junto de um casaco de aviador. Ele comia calmamente enquanto ouvia uma garota com pele escura e cabelos cacheados, vestindo uma camiseta roxa diferente das dos outros campistas, falar animadamente sobre algo. Em outra mesa, pude ver vários campistas musculosos, que falavam alto e tinham modos brutos, alguns disputavam queda de braço, apesar de somente um comer calmamente, de um jeito acanhado, como se não soubesse o que fazer naquele meio, ele usava uma camiseta roxa igual a daquela menina de cabelos cacheados e pele escura. Mais longe, vi uma mesa cheia de garotas e garotos bronzeados e de olhos azuis, com o cabelo variando entre o castanho e o loiro, conversavam animados e alguns cantavam. Logo, vi que a conversa de repente se silenciou. Ouvi murmúrios e vi que Quiron, que estava de pé ao lado de um homem com camisa estampada de leopardos e cara de tédio, levantou-se e foi até o centro. Olhei ao redor procurando a origem dos murmúrios e vi Jadel ao meu lado. Ela não parecia perceber que as conversas pararam de repente e só sobraram sussurros, estava mais interessada em terminar a gigante taça de gelatina a sua frente. Vi uma luz colorida refletida nos olhos dos filhos de Hermes na mesa e, ao olhar para cima, pude ver um símbolo holográfico flutuando em cima da cabeça de Jadel. Um arco íris. Jadel só agora pareceu se tocar dos olhares voltados pra ela. Olhou para mim e viu que eu estava boquiaberta e de olhos arregalados.
—Summer? O que foi? Eu fiz algo errado? — Disse olhando para mim desesperada. Pude distinguir alguns dos sussurros. "Íris" diziam eles. Ouvi o galope de Quiron e voltei meu olhar para o palco. Ele veio em nossa direção, segurou gentilmente o braço de Jadel e a levou para o palco. Os acompanhei com o olhar.
— Eu apresento a vocês Jadel! Filha de Íris! — Logo foram ouvidos aplausos vindo de uma mesa. Acompanhei Jadel com o olhar quando Quiron a guiou em direção a mesa.
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_Summer, é incrível ser filho de Íris! Meus irmãos são super simpáticos, eu me senti em casa! — Jadel falava animada, e eu ouvia com um minimo sorriso, feliz pela animação da minha amiga, estavamos sentadas na sua cama na parte de cima de um beliche, no chalé de Íris. Faltavam algumas horas para a fogueira. Jadel já tinha buscado suas coisas no chalé de Hermes, então ficamos jogando conversa fora no chalé de Íris. Tenho inveja de Jadel, ela está levando essa situação muito bem. Certo, é bem legal isso de comida que aparece por mágica e cavalos que voam, mas eu ainda estava meio estagnada com essa situação, apesar de já estar me acostumando. Resolvi dar um passeio pelo acampamento, para relaxar e pensar um pouco, e até conhecer melhor o acampamento, Jadel até quis ir comigo, mas eu expliquei que precisava de um tempo sozinha. Depois de andar pelo acampamento, resolvi passar pela floresta, onde era mais calmo. Cheguei num lugar realmente bonito, uma clareira com uma enorme formação de rochas, que eu subi. Fiquei lá, em cima da pedra, olhando para o céu e ouvindo o barulho do lago ao longe. Isso, claro, até ouvir um barulho alto de galhos quebrando. Levantei e desci silenciosamente da pedra, indo em direção ao som, e, bom, eu não esperava me deparar com um dragão gigante de metal. Dei dois passos pra trás inconscientemente, e acabei pisando num galho. O dragão dirigiu sua visão pra mim e soltou uma rajada de fogo, da qual eu não fui atingida por pouco. Eu já estava prestes a gritar por ajuda e sair correndo, quando senti uma mão cobrindo minha boca, me impedindo de gritar e me puxando pra trás de uma árvore, senti minhas mãos ficando geladas e antes que pudesse congelar algo, ouvi a voz da pessoa sussurrar no meu ouvido.
— Fica calma. Não grita. — Disse a pessoa atrás de mim. Antes de qualquer coisa, mordi forte a mão de quem quer que fosse. — Ai! Você tem problema? — Me virei e dei de cara com um garoto magrelo, de cabelo cacheado e pele meio morena, usando um cinto de ferramentas e a camisa do acampamento, sujo de fuligem.
—Quem é você? — Perguntei assumindo posição de defesa.
—Hã, Oi, meu nome é Leo, aquele é o Festus. — Respondeu apontando pra si e para o dragão na clareira, e me puxando pra baixo, pra nos escondermos atrás de uma rocha. — E você? — Perguntou me olhando irônico. Correspondi o olhar.
—Eu sou Summer, prazer. Como é que tá a vida?
—Até que vai bem, se não formos contar que meu dragão enlouqueceu e tá tentando me matar. — Respondeu.
—Entendi. — Falei assentindo com falsa calma, como se estivesse conversando com alguém que encontrei na rua. — Então, o dragão é seu é?
— É, acho que algum fio rompeu ou algo assim. Tenho que dar um jeito de subir nele e concertar, mas tá difícil. — Eu ia responder mas acho que o dragão nos ouviu, por que lançou uma jato de fogo na nossa direção, e só não fomos atingidos por que eu me encolhi atrás da pedra.
—Ah meus deuses! — Disse desesperada. — Eu mal cheguei, não dá pra eu morrer assim! — Choraminguei.
— Tá tudo bem, a gente arruma uma maneira de distrair Festus, então eu subo nele, concerto o fio, e nós ainda voltamos a tempo da hora dá fogueira. Quer apostar? — Disse olhando pra mim com um sorriso zombeteiro.
—Há, claro. Se a gente não morrer e ainda chegar a tempo na fogueira, pode pedir qualquer coisa. — Disse brincando.
— Apostado. Vai lá e o distraia, enquanto eu arrumo o que quer que esteja errado com Festus. Vai ser fácil.
—Claro, não vai ser você a distrair o dragão. — Resmunguei, mas fui. Enquanto Leo se esgueirava pela esquerda e se aproximava do dragão por trás, eu ia distrair ele e tentar não ser incinerada. Já tô vendo que o verão vai ser ótimo. Devagar, me pus em frente de Festus. _ Hey dragãozinho. Tudo bem? Não me incinere. — Disse para o dragão que me acompanhava com os olhos vermelhos e brilhantes. Dali pude ver Leo atrás do dragão, me lançando um sinal de positivo. Observei-o subindo pela cauda do dragão. Quando Festus ia lançar seu olhar naquela direção, eu gritei.
—Hey! Hey Festus! Aqui, olha pra cá.- Gritei , tentando chamar sua atenção. Não funcionou, eu ia pegar meu caderno, quem sabe algumas flechas chamassem a atenção dele, quando lembrei que na correria deixei o caderno na minha mochila, no chalé de Hermes. Dei um tapa em mim mesma mentalmente e imaginei o que faria pra chamar a atenção do dragão. Levantei os braços pra cima e balançei loucamente, na tentativa falha de dirigir sua atenção pra mim. Frustrada, joguei os braços pra baixo de novo com força, como uma criança de mimada. Pra minha supresa, dá minha mão saiu um jato de neve que fez um monte no chão. Olhei apavorada pras minhas mãos, dividindo o olhar entre elas e o monte de neve a minha frente, quando ouvi um grito.
—Summer! — Era Leo, Festus havia visto ele e tentava morde-lo. Olhei pro monte de neve e num impulso peguei e fiz uma bola, jogando no dragão, que não pareceu perceber.
—Hey, Festus! Olha pra cá! — Disse jogando outra bola de neve, dessa vez acertando seu olho, nem Leo nem o dragão pareceram entender o que aconteceu, mas eu continuei jogando bolas de neve nele até que sua atenção fosse voltada pra mim e ele parasse de tentar morder Leo, que estava pendurado na cauda de Festus. Antes que tivesse tempo pra comemorar, o dragão lançou um jato de fogo em minha direção, da qual eu desviei por pouco, me jogando pro lado, o monte de neve que eu havia feito derreteu instantaneamente. Sai dali, desviando das rajadas de fogo que Festus lançava na minha direção. Até que eu tropecei, e Festus me cercou, ficando na minha frente, atrás de mim havia uma grande pedra. Festus se aproximou e abriu a boca, pude ver as faiscas e os mecanismos que tinha em seu interior, junto dá luz forte da labareda prestes a ser lançada. Senti o suor escorrendo pela minha testa e eu pensei "É o meu fim." Quando Festus simplesmente fechou a boca e ficou parado me olhando. Leo surgiu em cima da cabeça de Festus, com um sorriso zombeteiro que misturava diversão e nervosismo.
—Então, pronta pra perder uma aposta? — Disse. Olhei pra ele com ironia.
—Claro, só deixa eu pegar o meu coração que caiu ali no canto. — Respondi observando eles descer e me estender a mão pra me ajudar a levantar. — E Festus? Ele vai ficar ali? — Pergunto dirigindo o olhar para o dragão que estava parado, observando nossos movimentos com os olhos vermelhos.
—Ele volta sozinho pro Bunker depois, vamos se não vamos perder a fogueira. — Disse caminhando em direção ao acampamento.
— Certo. — Respondi sorrindo de canto e o acompanhando.
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Quando chegamos na fogueira, sujos de terra e de fuligem, os campistas olharam pra nós confusos. Não sei se por virmos juntos ou por parecer que fomos atropelados por um caminhão, mas logo deram de ombros e voltaram a cantar uma música de roda que falava como "minha" vó vestia a sua armadura. Vi Leo se dirigir a um rapaz loiro, sentado do lado da garota de pele morena que eu vi na mesa de Afrodite, e, a presumir pelo jeito que ela e o loiro estavam se beijando, eram namorados. Só acho. Pude ouvir Leo perguntando a eles se a fogueira tinha começado a muito tempo, mas não pude ouvir a resposta do loiro. Logo, ele veio na minha direção com uma falsa cara desapontada.
—Pois é, pelo visto, nós não chegamos a tempo. Que pena, já estava pensando no que você iria fazer.
—Oh não, que tragédia. — Respondi sarcasticamente. Vi Jadel me chamando de longe, balançando loucamente as mãos. — Hey, eu vou ali sentar com a minha amiga, mas foi legal te conhecer Leo.
—É, foi legal te conhecer também Summer. — Disse e se dirigiu ao lugar onde estavam sentados o loiro e a morena. Fui até onde estava Jadel e me sentei a meu lado, recebendo um olhar malicioso da mesma.
— Oque foi? Tá me olhando assim por quê? — Falei olhando impaciente pra ela.
— Então, quem era aquele que veio com você pra fogueira?
— Era o Leo. Esbarrei com ele na floresta e viemos juntos pra fogueira. — Respondi. Preferi omitir a parte do dragão de metal louco que tentou me matar, não parecia a hora certa.
—E por que sua roupa tá toda amassada?
—Eu rolei de um barranco.
—Certo. Vou fingir que acredito. — Respondeu virando-se para a fogueira. Virei-me também, vendo a fogueira brilhar forte e alta. Leo me explicou no caminho que a fogueira espelhava o humor dos campistas. Eu estava tão distraída olhando as estrelas e ouvindo a musica que os campistas de Apolo cantavam que quase não percebi quando todos pararam de cantar e a fogueira passou de um laranja ardente pra diminuir drasticamente, mostrando uma chama azulada. Olhei ao meu redor, procurando o porquê daquilo, e qual não foi a minha surpresa quando vi todos olhando espantados pra mim. Uma luz azulada iluminava os rostos de todos, e quando olhei pra cima, vi que a fonte era eu. Ou melhor, o holograma de floco de neve brilhante, flutuando acima da minha cabeça. Soltei um grito e derrubei os marshmellows que segurava, tentando espantar aquilo da minha cabeça como se fosso um mosquito. Ouvi as pessoas sussurravam coisas como “Mas Como assim?” “Não acredito.” “Bem que eu achava que ela não parecia confiável.” “Há, uma filha da traidora. Era só oque faltava.” Quase podia sentir o chão congelando abaixo dos meus pés e o peso dos olhares raivosos lançados a mim, e eu não fazendo ideia do motivo. Quíron veio ao meu lado, meio surpreso e disse.
—Eu vos apresento Ive Summer, filha de Quione.
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