Zurezurê

9 Capítulo 9


Notas iniciais
O arco começa!

Capítulo 9: Se alguma alma escapa,

em boa coisa não termina!

Forgotten Souls é o lugar para onde são mandados todos os magos que transgridem a Lei. Não existem muitas regras, porém uma delas é de suma importância para o equilíbrio da paz da Cidade Mágica; ela diz que nenhum mago não pertencente à nenhuma organização pode ser atacado. O que significa que magos de grupos rivais podem se matar à vontade, porém aqueles que querem ter uma vida pacifica estarão sempre protegidos pelo poder da organização e de seu grupo chamado Mage Hunter.

Os magos que vão para esse lugar desejam enlouquecidamente pela morte, mas ela tarda até chegar. Torturas e crueldades de todos os tipos são comuns para os seus hospedados. Se existe algum tipo de pessoa que os funcionários da Forgotten Souls odeiam, é exatamente igual aos seus presos. Não são poucos que são usados como cobaias para treinos de magos iniciantes. As piores magias são usadas neles. Tudo isso somado a um triste fim de vida, estando sempre sob os efeitos da fome e do frio.

Em um dos corredores de pedra daquele lugar — que parecia mais uma masmorra, do que uma verdadeira prisão — um grupo com cerca de cinquenta presos andava em uma fila dupla, sendo fiscalizados por dezenas de guardas. Eles eram dos mais variado tipo, mas tinha algo em comum. Todos possuíam as mesmas marcas, que consistiam em uma grossa linha ao redor do braço, pouco acima do cotovelo; ao redor da perna, pouco acima do joelho e envolta do pescoço. Também havia uma marca na altura do estômago, que era a chave deste selo. Caso algum prisioneiro tentasse usar magia, aquelas marcas eram ativadas e começavam a queimar. E se o prisioneiro ignorasse a dor, teria a cabeça, os braços e as pernas amputados pelo selo.

Um prisioneiro em questão não estava com a face abatida, pelo contrário, seus olhos eram afiados como os de um assassino. Ele possuía longos cabelos castanhos e uma enorme barba que estava por fazer. Seu rosto era esquelético. Assim como os outros, vestia calça e camiseta laranja, e andava descalço sobre o chão de pedras. Aos poucos um sorriso psicótico foi se pintando em sua face. A marca do seu braço esquerdo começou a reluzir, o que gerou espanto nos prisioneiros que estavam atrás. Este fato não passou despercebido pelos guardas, que apenas olharam e soltaram risos de deboche.

— Tente o quanto quiser, cretino, nunca mais usará magia! — um dos guardas vociferou, sem se importar muito com a sua atitude.

Murmúrios de dor eram soltos pelo prisioneiro, até que o inevitável aconteceu, o seu braço fora decepado. O membro caiu ao chão junto de uma cascata de sangue, que pintou o solo de vermelho. Agora o seu rosto estava voltado para baixo, as sombras daquele lugar escondiam a sua face.

— Eu avisei — o guarda desdenhou.

Por alguns segundos o prisioneiro ficou imóvel, somente o sangue de seu braço se movia, gotejando ao chão. O silêncio se formou naquele corredor, todos os presos estavam quietos. Aquele homem era como um exemplo para todos os outros, um notório assassino que matou mais de duzentos magos por toda a Cidade Mágica, sabe-se lá quantos mais por todo o mundo. Esse mesmo assassino esteve envolvido em alguns eventos que tiraram muitas vidas.

— Já chega — o guarda falou ao se aproximar e estender a mão até o homem.

O prisioneiro soltou uma gargalhada medonha, e então o pedaço do braço restante começou a liberar uma espécie de fumaça mágica, que o envolveu por completo. Aos poucos as nuvens escarlates foram se expandindo e tocando nos oficiais e prisioneiros, também nas paredes e nas grades. Em seguida tudo se dissipou, voltando a normalidade. Todos estavam impregnados com a sua magia e com o horror atravessando as suas almas.

— Por favor... — clamou o guarda.

— Não perca o seu tempo... — O prisioneiro disse, mostrando os dentes podres ao sorrir.

Instantaneamente os joelhos e cotovelos do guarda estouraram de dentro para fora, o seu corpo tombou ao chão, diante do seu algoz. Seus olhos retorceram para cima, buscando a face do mago, que sorria sadicamente, sem esboçar o menor sinal de clemência. O prisioneiro apertou o pescoço do guarda com o pé, o sufocando. Ninguém ousou se aproximar, todos estavam com os seus destinos selados. De que adiantava fazer alguma coisa? O melhor naquela situação seria não irritá-lo.

Quando o seu pé saiu sobre o pescoço daquele pobre homem, ele tentou desesperadamente recuperar o fôlego, mas fora em vão, sua cabeça explodiu segundos depois, junto com todas as pessoas que estavam lá. Uma chuva de sangue e entranhas começou. Restos mortais recaíram sobre o assassino e grudaram nas paredes. Seu rosto exibia uma felicidade insana. Não demorou para que mais uma explosão ocorresse, destruindo um quarto da prisão, gerando um barulho ensurdecedor e fazendo a Cidade Mágica tremer!

— Rápido! — gritou um dos guardas da sala de segurança. — Chame os Mage Hunter e avisem o Rei Vermelho, Malik precisa saber disso!

— Mas que droga foi essa? — Shinji olhou pela janela. — Foi a Forgotten Souls.

— Não me diga que mais um daqueles malucos fugiu? — Asuka perguntou, preocupada.

— É o que parece. Lembra do último que fugiu?

— E tinha como esquecer, Shinji?

Lembranças dolorosas invadiram a mente dos dois. Um silêncio angustiante se fez. Eles não sabiam exatamente o que fazer, mas tinham certeza de que se fosse algo envolvendo a Forgotten Souls, Malik logo ficaria sabendo e mandaria instruções. Foi exatamente o que ocorreu. Um som eletrônico progressivo ecoou pelo quarto de Ebisu. Shinji tirou um objeto do bolso. Se tratava de um disco vermelho. Ele o segurou com as mãos e o puxou para ambos os lados. O aparelho se abriu, exibindo uma tela retangular. Quando ela ligou, Malik estava aparecendo.

— Tenho certeza de que vocês ouviram a explosão — o Rei Vermelho falou.

— Nós até sentimos o tremor — Asuka disse ao parar ao lado do companheiro.

— Esqueçam a Ebisu e vão atrás desse fugitivo o mais rápido possível. Vocês melhor do que qualquer um sabem que para fugir de lá tem que ser alguém especial.

— Assim como da última vez — Shinji comentou. — Quem é o cara?

— O mago conhecido como Bakudan — Malik coçou a cabeça, preocupado. — Eu já estou indo para o local. Se o encontrarem me avisem. Precisamos fazer algo antes que mate mais pessoas. Não precisam se segurar, se for preciso, matem ele.

— Essa será a melhor parte — Shinji sorriu malignamente.

— Estamos indo agora mesmo — Asuka afirmou.

O mago fechou o dispositivo e o guardou novamente no bolso da calça. Ele olhou para Asuka com uma expressão de satisfação.

— Bem, isso pode ser uma droga, mas, pelo menos, vamos lutar juntos mais uma vez. Agora poderemos mostrar como melhoramos no uso de magia.

— Esta deve ser a única parte boa. Já estava ficando enferrujada — Asuka sorriu, enquanto descia as escadas.

— Vamos chegar lá rapidinho com a moto do Malik.

Ebisu e Watanuki corriam em direção de onde surgiu a explosão. Os cabelos azuis do mago esvoaçavam com o vento que fazia. O céu estava cinzento. Uma faca estava presa em sua cintura, ele a pegou enquanto descia as escadas. É um presente que recebeu e que usava apenas em raras ocasiões. Achou ruim por estar vestido com sua típica calça jeans, camiseta e tênis vermelho. Possuía uma roupa de combate, mas não havia tempo para se equipar. Precisava agir, e rápido.

— Então o humano amava muito a Cidade Mágica? — ele perguntou, sem desviar os olhos de onde uma fumaça branca subia.

— As pessoas daqui eram a vida dele.

— Isso é um pouco engraçado, um humano amar essa cidade.

— Talvez, — Ebisu se recordou de alguns momentos — mas você não o conhecia. Ele era fascinado por magia. Também se orgulhava de quem era, e fazia de tudo para proteger os magos, ainda mais se eram incapazes de manifestar os seus poderes. Ele era realmente incrível. E já salvou muitas pessoas. Já ouviu falar do Inimigo do Mundo?

— E quem não ouviu? Aquele cara era insano! A cidade foi quase destruída, se não fosse pelo seu herói, um garoto de cabelo dourado... — Watanuki ficou pensativo — Não me diga...

— Sim, foi ele — Ebisu respondeu alegremente. — O Kin estava envolvido nisso. Ele não fazia mal a ninguém, mas sabia defender as pessoas.

— Eu nunca imaginaria isso... — o garoto mal conseguia falar, estava realmente impressionado.

— Nunca imaginaria que um humano salvou a vida de magos, não é mesmo? Isso é inconcebível para a maioria das pessoas. Eu mesma levei tempo pra acreditar que aquilo foi possível. Mas agora ele não está aqui, o que significa que teremos que nos virar. E esse é exatamente o problema, ele não está aqui para proteger as pessoas.

Dexter estava sentado na posição de lótus na parte da frente de um tapete voador. Atrás estava Malik, Juri e Hanako. Eles voavam sobre os prédios, desse modo tinham uma visão ampla de todo o local. Os dois magos tiveram sua conversa interrompida, mas aquilo não era tão urgente quanto a situação que havia se formado.

— Malik — Dex o chamou. — Lembra da última vez que esse cara esteve solto por ai?

— Não foi nada agradável, não é? — Malik olhava atentamente para baixo, procurando por Bakudan.

— Foi uma completa desgraça. Esse tipo de mago não deveria ser executado?

— O calcanhar de aquiles da Forgotten Souls é a sua arrogância. Eles acham que executar é simplório demais, preferem torturar até que o mago se entregue a morte. Correm riscos desnecessários, e por causa disso, muitas pessoas estão correndo perigo.

— Isso precisa ser mudado, de alguma forma. Mas no fim das contas, o que esse cara queria da última vez?

— Absolutamente nada — Malik respondeu com amargura. — Nada além de mortes e mais mortes. Ele é igual ao Inimigo do Mundo. Ele quer apenas destruir tudo e mostrar a sua soberania. Magos desse tipo são os piores.

— Sempre tem alguém que quer deixar as coisas mais complicadas do que já são. Mas acredito que tenha algo de mais obscuro por trás disso. Ele realmente é louco, mas lembro que ele gritava coisas sobre um rei que se movia nas sombras.

— Pra mim parece ser alucinações de um demente.

— De qualquer modo, — Dex começou a descer o tapete, estavam próximos da prisão. — vou ficar atento.

— Malik, — Juri disse — qual exatamente é a magia desse homem? — Seu rosto estava sem expressão.

— Ele basicamente explode coisas. É muito perigoso, porque se a magia dele encosta em algo, esse objeto se torna uma bomba relógio. Ele pode até mesmo explodir matéria orgânica. É uma magia muito cruel. E muito curiosa também, não acha Dexter?

— No que você está pensando?

— Bem, você é um excelente assassino, mas sua magia não é muito condizente com a sua profissão à primeira vista, por assim dizer. Acho estranho que um ser tão insano como esse tenha uma magia tão potente. A coincidência é enorme. As chances deveriam ser mínimas. Já pesquisei sobre ele, não há um padrão genético que explique isso. Ou ele é uma exceção, ou deu um jeito diferente de conquistar essa magia.

— Isso é uma teoria válida. Tem alguma ideia?

— Algumas, mas não é hora para isso.

Dexter pousou o tapete em frente aos destroços da prisão, e todos desceram. Shinji e Asuka já estavam parados lá, analisando a parte da frente. As ruínas aparentavam estar desertas. O resto daquele local permaneceu intacto e funcional.

— Ei, Malik, por que demorou tanto? — Shinji perguntou.

— Talvez pelo fato da minha moto ter sido roubada!

— Tinha me esquecido desse detalhe. — ele sorriu envergonhado.

Ebisu surgiu correndo ao lado de Watanuki. Quando ela estava próxima, reconheceu o mago de cabelos vermelhos. Imediatamente parou de correr, ao passo que o ódio ia se apossando dela. Watanuki ficou à espreita, pois sabia que aquilo poderia complicar ainda mais a situação.

— Enfrentar o foragido já vai ser difícil — ele sussurrou para Ebisu. — Vamos tentar evitar essa luta.

Malik sentiu a presença dos dois, então se virou.

— Ora, vejam só o que temos aqui. Podemos dizer que isso é o destino, Ebisu?

Uma forte tensão se espalhou pelo local. De um lado estava Watanuki e Ebisu, do outro Malik e sua família. Ao passo que havia um assassino à solta pelas ruas da Cidade Magica. Com certeza sangue seria derramado nesta tarde. A pergunta que resta fazer é: de quem?

Notas finais
Um conflito inesperado parece iniciar. O que ocorrerá a seguir? Descubram no próximo capítulo de Zurezurê? E ai, o que esperam desse arco?