Zurezurê
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Lição 11: Se você muda o seu nome,
é porque tem algo a esconder!
Malik observou Bakudan, que estava em perfeito estado — para alguém que acabara de sair da Forgotten Souls. De alguma forma o seu braço havia se regenerado. Os punhos do Rei Vermelho cerraram-se. Sua postura exibia a sua fúria e o seu olhar, o seu desejo de matar. Ele é um rei paciente, mas quando algo que o desagrada acontece, sua fúria é liberada, e com facilidade, pessoas se ferem e vidas são perdidas. O Mago das Areias do Deserto está disposto a pôr um fim a vida medíocre daquele ser. Da última vez que se encontraram, Malik era apenas um garoto fraco, covarde e inconsequente. Mas tudo havia mudado, ele agora é o Rei Vermelho, o mago mais poderoso da Cidade Mágica.
— Você fala com tanta arrogância, Rei Vermelho — Bakudan proferiu com escárnio. — Bem diferente do modo de anos atrás. — E esboçou um sorriso.
— As coisas mudaram — O tom do Rei Vermelho era firme. — E quem não deveria falar com arrogância é você, que não passa de um mago patético que fez seu nome nas sombras do Inimigo do Mundo.
— As pessoas não me temem por eu tê-lo ajudado. Elas me temem por eu ter explodido muitos magos de dentro pra fora! — A voz de Bakudan oscilava de uma forma insana.
— Você não passa de um louco, e por isso será morto. — Malik disse ao pender a sua cabeça para o lado, abrir mais os olhos e esboçar um sorriso sádico.
Um forte vento soprou, levantando a poeira do asfalto. O casaco cor de vinho de Malik, que estava aberto, balançou desordenado. Então ele levou a destra até o pescoço e desabotoou o primeiro botão. Agora iria lutar e odiava se sentir sufocado enquanto o fazia. Aos poucos os seus pés se afastaram um do outro. Ele moveu o corpo, suas costas estalaram. Agora sim estava pronto para dar tudo de si.
— Vamos começar de uma vez, ainda tenho que almoçar. Os Ghuls também, então darei o que restar de você de presente para eles! — O Rei Vermelho estava confiante.
Bakudan se manteve em silêncio, enquanto uma raiva gritante se apossava dele.
— Seria uma honra lutar ao seu lado, Rei Vermelho — disse Hakurai.
— Em outra situação meu orgulho o proibiria de interferir, mas como não estamos aqui para brincar, iremos com tudo que temos.
— Ainda assim — Bakudan bradou — não será suficiente! — Ele apontou suas mãos para a dupla e disparou sua magia.
A fumaça rubra dessa vez saiu da ponta dos dedos do Mago Insano e rumou contra os seus alvos. Malik estendeu apenas a sua mão esquerda contra o seu oponente, dos seus dedos e da sua palma saiu a sua fumaça mágica, que prontamente se transformava em areia. O Rei Vermelho lançou uma espécie de jato, que atingiu a magia de Bakudan e continuou rumando contra ele, que explodiu tudo, fazendo milhares de fragmentos do mineral saltarem por toda parte, formando uma espécie de garoa.
— Você não pode me tocar! — Bakudan berrou.
Em seguida pegou uma lata do chão e arremessou contra o seu oponente. Malik foi rápido em erguer uma parede de areia, que barrou o objeto. Quando a lata e o bloqueio colidiram, uma explosão ocorreu. A barreira se desfez, toda a areia se espalhou pelo chão, próxima aos pés do Rei Vermelho, que mantinha o seu sorriso confiante.
— Parece que você também não pode me tocar. Não é? — Malik perguntou com deboche.
— Quando eu tocá-lo — Bakudan tremia de raiva — o farei em pedaços!
Em meio a confusão, Hakurai havia desaparecido. Este garoto é um dos melhores caçadores pelo fato de ser o mais ágil e furtivo. Muitos magos vão para o além sem nem ao menos saber o que lhes atingiu. Bakudan sabia dessa característica, então ficaria atento à qualquer movimentação que houvesse ao seu redor.
— Então terá que se esforçar mais — Malik falou ao liberar mais magia, dessa vez criando um golem de areia.
A criatura correu em direção ao seu oponente, mas antes que chegasse nele, uma onda de areia ergueu-se entre eles. Ela soterraria Bakudan, entretanto o foragido foi ágil o suficiente para impregnar toda aquela areia com a sua magia e explodi-la. Uma miríade de cristais dourados se espalhou, atrapalhando a sua visão. Tardiamente ele percebeu que o punho do golem estava diante do seu rosto. O impacto do soco fora tão monstruoso que o arremessou longe. O Mago Insano caiu sobre o asfalto e saiu rolando. Após três giros recuperou o equilíbrio e se pôs em pé. Agora seu corpo tinha diversos esfolados e seu rosto estava com diversos cortes. Sangue manchava os seus dentes podres.
Bakudan, apesar de estar em pé, ainda estava um pouco zonzo, por esse motivo demorou a notar a aproximação de Hakurai, que estava à sua direita, segurando uma espada com a destra. Um golpe na horizontal, partindo de baixo para cima fora desferido. A carne do mago foi cortada, manchando a lâmina e o chão com o seu sangue. Após o ataque Haku saltou para trás, ficando distante do inimigo. O prisioneiro havia se movido um pouco, o suficiente para que a lâmina apenas raspasse no seu braço. Se não tivesse feito teria o perdido — novamente.
— Maldição! — Bakudan praguejou ao cobrir o corte com a mão.
— Parece que a Forgotten Souls o amoleceu — Malik falou, desapontado.
— Ele está fraco — Hakurai afirmou. — Os prisioneiros comem pouco e ele usou muita magia. Deve estar no seu limite.
— Não me subestimem! — Bakudan sacou uma grossa seringa. — Eu explodirei toda essa cidade! — berrou ao enfiar o objeto no pescoço e injetar o líquido do seu interior.
Hakurai recuou, se pôs ao lado de Malik.
— Essa droga é o que eu tô pensando? — O Rei Vermelho perguntou sem tirar os olhos do prisioneiro, que começava a gargalhar enquanto todo o seu corpo tremia.
— Sim. Infelizmente, sim — respondeu o Mage Hunter.
— Malditos traficantes e seus amplificadores. Eu matarei todos eles!
O corpo de Bakudan estava sofrendo diversas alterações. Sua musculatura estava se expandindo lentamente, enquanto a sua quantidade de magia era multiplicada e sua energia vital era restaurada. Seu corpo magro fora ganhando massa. Os músculos começaram a saltar e se dividir. Com a destra ele rasgou a sua camiseta, jogou os farrapos ao chão e ferozmente olhou seus alvos. Diversas cicatrizes de cortes e queimaduras desenhavam todo o seu corpo. Sinais remanescentes da tortura ao qual fora submetido na prisão.
— Malditos traficantes — Bakudan falou com seu ar insano — e seus regenerativos — e mostrou o braço que havia sido amputado. — Esse braço é novo.
— Magos de cura não sabem causar dano direto com magia, mas indireto é outra história — Malik constatou.
— Os Mage Hunters investigarão isso — Hakurai disse.
— Vocês falam como se tivessem um futuro para viver! — Bakudan gritou.
O Mago Insano mais uma vez liberou a sua magia, só que dessa vez a quantidade era muito maior. A nuvem rubra começou a se expandir, ficando cada vez maior. A dupla sabia que deveria agir depressa, pois quanto mais matéria fosse afetada pela fumaça, mais poderosa aquela bomba se tornaria. Aqueles amplificadores são itens perigosos nas mãos de magos medianos, nas mãos de Bakudan se tornariam mais ainda. Agora ele tinha o poder suficiente para destruir de uma vez por toda a Cidade Mágica.
— O tempo passou, e você mudou — Bakudan falou. — Mas você ainda não pode me deter. Aquele garoto assustado ainda está ai dentro, em algum lugar. Eu o farei sair. Você até mesmo desistiu do seu nome, não é? Desistiu da sua vida anterior para se tornar o Rei Vermelho. Do que você foge? O que você esconde? Eu o farei vomitar tudo, pode ter certeza... Alibaba!
Os olhos verdes de Malik brilharam com obscuridade. A muito tempo não ouvia aquele nome. Isso o fez sentir uma intensa nostalgia e lembrar-se do passado. Aquilo não se tratava de uma batalha nova, mas sim, apenas de uma extensão do dia em que o Inimigo do Mundo pisou sobre aquele mesmo solo.
Os corredores da Forgotten Souls estavam um verdadeiro caos. Dezenas de prisioneiros apareciam a cada instante, porém antes que lançassem a suas magias, eram derrotados, sujando mais ainda o chão com o seu sangue e órgãos. Watanuki havia desistido de tentar prender aqueles criminosos. O que Shinji dissera tinha um fundo de verdade. Aquelas pessoas mataram magos inocentes sem sentir remorso. Então por que ter misericórdia deles? Se de fato eles estavam ali para lutar, isso significava que não haviam se arrependido.
Por fim, o último dos prisioneiros caiu decapitado pela lâmina que Shinji segurava.
— Este foi o último — disse ele ao se virar e encarar Watanuki.
De um lado estavam Watanuki e Ebisu, do outro, Shinji, Juri, Hanako, Dex e Asuka.
— É sério que vocês ainda vão lutar? — Asuka perguntou com uma expressão de incredulidade. — Vocês não tem jeito. Bem, estou indo. Vou atrás do Malik.
— Ainda temos serviço a fazer. Não sou irresponsável — Shinji afirmou.
— Mas nós poderíamos ser — Juri interveio. — Eu poderia arrancar a cabeça dessa vadia, não totalmente, talvez só um pouco.
— Quer tentar a sorte? — Ebisu lhe lançou um olhar desafiador. — Mas espero que seja mais forte do que a sua amiga, porque ela foi uma decepção. — Um sorriso debochado estampou o seu rosto.
— Eu vou te matar! — Hanako vociferou. — Eu juro que vou te matar!
Todos eles estavam com diversas manchas de sangue espalhadas por suas faces e roupas. Haviam dezenas de corpos e pedaços de corpos espalhados pelo chão. Uma árdua batalha havia sido travada naquele local. E mesmo após isso, alguns deles pareciam ter energia suficiente para mais uma batalha. Shinji desejava matar Watanuki, enquanto Hanako e Juri queriam Ebisu. Asuka e Dexter não estavam nem ai para nenhum deles!
— Eu também vou atrás do Malik — Dexter falou.
Quando a dupla saísse, a batalha se iniciaria, mas antes que qualquer um deles pudesse se mexer, uma voz ecoou por aquele corredor, vinda lá do teto:
— Ei, crianças, vocês não deveriam estar aqui. — Um homem falou ao aterrissar entre os dois grupos de magos. Ele estava agachado, se apoiando no pé direito e no joelho esquerdo. Seu cabelo negro moveu-se com o movimento. — Por quê não vão brincar em outro lugar? — Ele levantou o seu rosto.
Sensei sorriu confiantemente. Ele se pôs em pé. Todos olharam, sem saber exatamente o que fazer. Mal sabiam eles que aquele mago era extremamente perigoso, ainda mais agora que havia se apossado do Livro Vermelho.
— Então se me permitem... — Sensei falou ao ativar a sua magia.
A visão de todos que o olhavam começou a distorcer em forma de espiral. Ela se apagou por apenas um segundo e logo depois voltou ao normal. Quando se deram por conta, eles estavam no meio do deserto, que ficava a alguns quilômetros da prisão. Eles estavam deitados na areia. Mais ou menos o mesmo tempo se sentaram e começaram a tirar os grãos das roupas e do cabelo.
— Mas que merda...! — Shinji falou, para ninguém em particular. — O que a gente tá fazendo aqui?
— Eu não faço ideia — Dex respondeu, enquanto coçava a cabeça. — Lembro que a gente tinha terminado de matar os criminosos e de repente tudo se apagou.
— Era só o que faltava! — disse Asuka, irritada.
— Deve ter sido a magia de alguém — Watanuki sussurrou para Ebisu.
— Mas de quem? — ela indagou no mesmo tom. — Eles estão tão confusos quanto nós.
— Não importa! — Hanako vociferou. — Aqui a gente poder matar eles!
— Eu concordo — Juri disse friamente.
— Não é hora pra isso — Asuka falou com firmeza. — Precisamos descobrir o que aconteceu. Vocês podem se matar depois.
— Mas, Asuka... — Hanako reclamou.
— Não me irrite, Hana. Estou de péssimo humor — Asuka lançou um olhar maléfico para a irmã, que sentiu a garganta fechar e não disse mais nenhuma palavra. — Se isso foi uma magia precisamos descobrir o que aconteceu, afinal, Malik pode estar correndo perigo.
— Você tem razão — Shinji concordou.
O mago se virou e liberou sua magia, que tomou a forma de uma porta. Ela se abriu e todos os membros da família passaram. O último foi Asuka.
— Ei, vocês também — Do outro lado ela olhou para Ebisu e Watanuki. — Afinal, isso diz respeito a todos nós. Não tenham medo, se algum deles os atacar, eu os mato — ela findou sorrindo.
— Assustador... — Watanuki murmurou.
— Podemos confiar nela? — Ebisu perguntou com uma sobrancelha levantada.
— Eu não sei, mas se não formos, ficaremos aqui. Estou cansado, não sei se aguento nos levar para fora do deserto. Infelizmente eu não sei invocar uma porta.
— Que se dane! — Ebisu disse ao se levantar e ir em direção à Asuka, que deu passagem para ela.
— Mais problemas! — Watanuki reclamou antes de passar para o outro lado.
A porta se fechou e desapareceu.
— Hum, onde será que está? — Sensei balbuciou, enquanto andava pelos corredores da Forgotten Souls.
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