Zumbis á solta- Interativa
2 Festa de Salsichas Estragadas
Notas iniciais
Festa de salsichas estragadas
–... E eu não quero ouvir barulhos vindos dessa sala- O professor disse saindo e trancando a porta. Eu e mais uns doze alunos estávamos na detenção. Por quê? Porque eu simplesmente mandei o professor tomar onde o sol não bate, e ele levou isso para o lado pessoal.
Nossa detenção era passar três horas numa sala com um bando de adolescentes problemáticos, o professor trancava a porta e saia para tomar um café.
– Alex, trouxe? — Perguntei a ele, Alex e eu somos colegas de detenção.
– Claro. — Ele falou tirando da bolsa várias latas de refrigerante e pacotes de biscoitos. Alex tem cabelo e olhos claros, vive em detenção por pregar peças nos professores
– Eu quero. — John disse se aproximando, mais um do grupo “detenção é maneiro”. John tinha cabelo escuro e olhos verdes, e ficava na detenção porque tinha mania de pichar as paredes da escola. O pessoal da detenção era legal, tinha vezes que a detenção virava a feira do rato de tanta coisa que o pessoal levava para vender.
– Ahhhh! — Nós ouvimos um grito enquanto comíamos biscoito e coca-cola, todo mundo correu para a janela, a tempo de ver algum louco mordendo o zelador. As meninas ficaram histéricas quando viram os jogadores de futebol se jogando uns em cima dos outros, só se via o sangue manchando o uniforme branco deles.
– Mas que droga é essa? — Perguntou John passando a mão pelos cabelos, ouvimos um barulho vindo do corredor, eu e uma menina colocamos o rosto no vidro da porta, e o professor surgiu do nada, eu e a menina caímos no chão com o susto.
– Abram! — Ela gritou — É o professor!
– Não é mais. — Alex disse, ele tinha razão, a coisa que estava na nossa frente, com toda a certeza não era o nosso professor. Parecia um personagem de filme de terror.
– Droga! — Um menino disse no canto da sala- É tudo verdade... — Todos nós nos viramos para ele, que ao ver o olhar de todos sobre si continuou — Eu ouvi meu pai (o governador) falando algo sobre zumbis, ou um vírus mortal, mais eu achei que era brincadeira.
– Vamos morrer. — Alguém disse.
– Droga. — Alex disse- Precisamos sair daqui.
– Você está louco, se essas coisas são mesmo zumbis, vamos morrer se sairmos daqui.
– Se ficarmos também. — Rebateu John, eu assenti.
– Não podemos sair desarmados, como vamos enfrentar essas coisas? — Eu perguntei e Alex foi na direção da bolsa e pegou um taco de basebol.
– Sério que você tem um taco de basebol na sua bolsa? — John ergueu uma sobrancelha e Alex deu de ombros girando o bastão. Eu coloquei a mão debaixo da blusa e peguei um revólver que estava na minha cintura e todos na sala arregalaram os olhos.
– Você tem uma arma? — John perguntou pasmo. — E guarda na cintura?
–Um dos privilégios de ser filha de um militar famoso. — Sorri e coloquei os cartuchos na arma. John chutou com toda força a cadeira do professor, que quebrou. Ele pegou um pedaço de madeira e disse:
– Agora eu estou pronto.
– Alguém mais vem? — Perguntei e todos viraram o rosto — Ótimo. — Disse e dei um sinal para John, que com apenas um chute quebrou a porta, e o professor transformado entrou lentamente por ela, todo mundo começou a gritar. Quando ele chegou a um metro de distância de mim, eu apontei o revólver na testa dele, e quando apertei o gatilho, pedaços de algo que já foi um cérebro inteligente se espalharam pela sala. E isso fez as pessoas gritarem mais ainda.
– Calem a boca! — Alex ordenou. — Vão chamar a atenção deles. — todos obedeceram
– Boa sorte para vocês, — John disse — e sobrevivam o máximo possível — e saímos da sala.
Nos seguimos correndo até o carro do Alex, que ficava no estacionamento, não muito longe de onde estávamos. Até chegar lá, não encontramos nem um ser indesejável. O que era muito estranho, considerando a cena dos jogadores de futebol.
– Vamos! — Alex disse entrando no carro, eu e John o seguimos, estávamos indo em direção á minha casa, pois como meu pai era militar tinha muitas armas e coisas do tipo. No meio do caminho, uma daquelas coisas apareceu na estrada.
– Cuidado! — John apontou para o óbvio- Salsicha estragada á frente. — depois de passar por cima da coisa eu e Alex olhamos para John como se ele fosse um doente mental.
– Sério, salsicha estragada? — Perguntei. — isso foi muito idiota, achei que poderia fazer melhor- Ele fechou a cara.
–Ali! — Depois de alguns minutos eu avistei a entrada do condomínio onde morava.
– Nossa não sabia que era tão rica. — John disse e eu apenas o ignorei.
– Naquela casa azul — Apontei. Não tinha nada nem ninguém no condomínio, muito suspeito...
Entramos na minha casa, como meu pai estava em Londres e eu não tinha mais ninguém, não foi surpresa não haver nem uma “salsicha estragada” na minha casa. Fomos até a sala secreta do meu pai, eu coloquei uma senha e apertei um botão e uma parede se abriu para uma sala repleta de todos os tipos de armas.
– Nossa, duvido você saber usar todas. — Alex disse.
– Peguem o máximo de armas e munição possível, e peguem uma para levar na mão. — Eu disse e peguei a minha favorita, uma Katana que já foi do meu avô. John pegou uma HK MP-5 e Alex...
– O que é isso? — Ele perguntou me mostrando duas luvas.
– São só luvas. — John disse. Eu coloquei as duas, e apertei um botão, e nesse momento saíram uma lâmina de cada luva.
– Que foda! — Alex disse. — Eu quero essas. — Eu botei as lâminas dentro e dei a ele, que ficou olhando as luvas.
– Estão prontos? — Perguntei amarrando a bainha da Katana na cintura.
– Estamos capitã! — Alex disse colocando a mão na cabeça e John lhe deu uma cotovelada. Nós colocamos as armas e munições dentro de três malas que achamos na sala mesmo, e fomos em direção a saída da casa.
– Ferrou. — John novamente disse o óbvio, estávamos no jardim, e o condomínio todo tinha virado uma festa de salsichas estragadas.
– E agora? — Perguntei preocupada.
– É só acharmos alguns girassóis e aquelas que soltam balas e ta tudo resolvido- Eu e John olhamos para o Alex como se ele fosse um débil mental, o que provavelmente era verdade e John deu um tapa na própria testa.
– Alex, estamos num apocalipse zumbi, não em um jogo de computador. — John explicou massageando as têmporas.
– Já sei! — Ele disse e os zumbis ao ouvirem o grito dele se viraram para nós.
– Droga Alex. — John disse abrindo o carro, que ainda bem estava na nossa frente, e jogando as malas lá dentro.
–Deixa a Kath dirigir.
–Se deixarmos ela dirigir ela vai atropelar todo mundo... — Eu e Alex levantamos uma sobrancelha, John parou, o cérebro dele fez loading e ele entendeu a idéia do Alex.
– Ótimo. -ele disse e entrou no banco de trás, eu e Alex entramos no carro e os zumbis já estavam a uns três metros.
– Não quer pegar! — eu disse em pânico, Alex deu uma tapa na parte da frente e o carro pegou.
– Tem que saber as manhas. — Os zumbis já estavam subindo no capô quando eu acelerei o carro, atropelei os que estavam na minha frente, e um ainda estava preso no capô, eu comecei a girar o carro e ele saiu voando e quebrou uma janela. John, que eu via pelo retrovisor, estava mal. Alex ria e gritava de felicidade toda vez que eu atropelava um zumbi. Eu derrubei o portão do condomínio e acelerei o carro.
– Quantos zumbis você acha que atropelou? — Alex perguntou levantando os pés
– Acho que uns dezesseis. — Eu disse e liguei o rádio, que só estava chiando, em todas as estações.
– Mas que merda! O mundo está acabando. — John disse colocando as mãos na cabeça, parece que a ficha só tinha caído agora para ele. Ele é órfão e só tem eu e o Alex como amigos então não deve doer tanto para ele. Alex morava com a avó, que como ele tinha dito, estava com o pé na cova, então para ele o apocalipse zumbi era até divertido. E para mim. Não fazia a menor diferença.
– E para onde vamos? — Alex perguntou colocando as mãos atrás da cabeça.
– Procurar comida, depois vamos procurar um abrigo, e quem sabe sobreviventes. — Eu disse pisando ainda mais no acelerador, se é que isso é possível,e John colocou o sinto.
–É agora que a porra fica séria.
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