Zumbilândia
18 Luke x Agatha
Notas iniciais
Pelas garras do Gato
Agatha entrou na casa que talvez tivera sido bela antes de ter sido destruída, vasculhou a casa em busca de algo que pudesse usar “AGATHA” ela ouviu Luke gritar, revirou os olhos e continuou vasculhando o quarto ele a chamou mais duas vezes teve que ceder aos gritos quase desesperados dele coisa mais irritante ser importunada quando estava ocupada, se não fosse importante o arrastaria escadas acima e o empurraria só para poder vê-lo gritar com motivos.
Estavam a mais de um ano juntos e francamente as vezes ele era capaz de deixa-la furiosa, será que não era capaz de respeitar os momentos de silêncio de uma mulher grávida? É eles viviam como marido e mulher desde o dia em que ela o beijou em um bar em uma cidade fantasma, aliás, cidades fantasma eram as únicas coisas que achavam, nem mesmo um zumbi encontraram em seus 12 meses de convivência ela estava no sexto mês de gestação e procuravam um lugar onde pudessem ficar por um longo tempo até o bebê nascer e ambos – mãe e filho – poderem seguir viagem sem riscos.
– Que foi? – perguntou entrando na cozinha.
No chão haviam dois zumbis mortos um próximo á porta e o outro próximo da pia, ela seguiu o rastro de sangue pela porta e do lado de fora da casa estava Luke encostado na parede, a perna estava sangrando. Ela se aproximou com uma faca na mão pronta para usa-la. O chamou algumas vezes e se agachou para toca-lo. Luke abriu os olhos opacos segurando o braço dela com força se aproximou do pescoço dela como um leão faminto se joga em cima de um pedaço de carne.
Ela gritou...
PdV – Luke
Levei um susto quando ela gritou que deixei cair o livro, olhei para ela que se sentou ofegante, depois de verificar o próprio corpo começou a rir e veio se sentar perto de mim.
– Pesadelos?
– Não, só sonhei que você virava um zumbi nada de mais.
Olhei para ela, que tinha de menos em sonhar que eu era um zumbi? Preferi não perguntar notei que Agatha age por impulso e prefiro manter distancia de pessoas que mudam de humor o tempo todo.
– Me diga Luke, que houve com as pessoas que você conhecia.
– Foram mordidos, morreram e outros sumiram simplesmente.
– Ninguém some simplesmente, diga fugiram ou não sei onde estão é mais realista. Você tinha família?
Agora ela ia querer falar sobre meu passado e eu teria que ouvir o quão triste e difícil foi a vida dela em uma colônia... eu devia ter ficado no cofre e esperado pela morte.
– Claro que tive.
– Eles também morreram ou você não sabe onde estão?
Ela não fica quieta?
– Se eu te contar sobre minha família promete que não vai mais me fazer perguntas?
– Não prometo nada, eu não pedi para contar sobre ninguém. Te farei perguntas e mais perguntas até cansar-me de sua vida – ela terminou sorrindo com ironia.
– Você é sempre tão irritante assim ou é por falta de convivência com pessoas?
– Não as pessoas da colônia onde eu vivia me expulsaram depois que meu pai morreu, disseram que eu não tinha utilidade entre eles.
Ela falou em voz baixa e triste deitando o rosto no balcão de mármore do bar olhando para a estante de bebidas, eu estava sentado do outro lado do balcão para poder olhar para a entrada. Ela perdeu o pai e foi expulsa e eu agindo com grosseria com a menina. Estúpido!
– Todos morreram – comecei baixando o livro vou contar a ela o que ela quer saber, só espero que depois ela não me deteste ou pior que eu me arrependa de contar – eu cresci em uma colônia, mas não nasci em uma meus pais viajaram comigo e meu irmão Arnold para Nova Jersey quando sobreviver em Nova Iorque se tornou impossível...
“Minha família e eu chegamos em Jersey, nome da colônia onde vivíamos quando a colônia estava bem no começo, eu tinha 8 anos e meu irmão 13. Crescemos com a colônia e um dia chegou na cidadela um grupo com uma morena a mais bela que eu já tinha visto, Claire eu tinha 17 anos e ela 14. Queria por que queria ser dela assim como ela queria ser minha, mas Arnold também havia gostado dela. o tempo passou e aprendemos a nos conhecer.
“Uma noite durante uma brincadeira nossa os jovens da colônia eu pedi Claire em casamento ela aceitou ela estava com 17 logo faria 18 e nos casaríamos, Arnold bebeu demais naquela noite, mais que o devido. Na manhã seguinte ela foi encontrada dormindo com meu irmão na oficina onde ele e outros concertavam “coisas uteis”. Eu parei de falar com meu irmão e com ela, cinco meses depois a barriga dela estava obvia demais para esconder e eles se casaram.
“Uns dois anos e meio depois eu tive que ir na casa deles contra minha vontade, então o achei bêbado espancando Claire enquanto Symon meu sobrinho chorava assustado, peguei uma faca quando dei por mim estava sobre o corpo de meu irmão que sangrava. Claire balançava o filho em um canto me olhando apavorada e chorando em silêncio. Eu gritei, ela largou o filho e veio na minha direção como um bicho selvagem.
“Quando acordei com um zumbido na cabeça e uma dor lacerante me contaram que minha cunhada estava sendo espancada pelo Arnold quando cheguei, que eu havia tentado fazê-lo parar, mas ele me deu uma pancada na cabeça ela aproveitou a distração de meu irmão e pegou uma faca e começou apunhalá-lo até a morte. Entende Agatha? Ela mentiu por mim, não foi como ela contou eu vi o corpo de meu irmão eu não havia feito tantos cortes, ela o esfaqueou pelas costas quando ele já estava morto.
Olhei para Agatha ela me olhava com os olhos arregalados. Eu ainda não havia chegado na pior parte da historia. Virei um copo de tequila e prossegui com meu relato, já tinha começado não ia parar agora.
– Ela foi meio que isolada do resto das pessoas, não presa totalmente. Apenas afastada meu sobrinho ficou com meus pais e eu nem tive coragem de agradecê-la por ter mentido por mim. Aos poucos ela foi se tornando uma necessidade maior para mim e um dia eu fui até sua “prisão” e a levei para casa com pretexto de deixa-la ver o filho. Um ano depois estávamos vivendo juntos e ela esperava um filho meu. Era uma menina linda. A colônia foi invadida antes de nossa pequena Britney completar três anos de vida.
“Lutamos, meus pais morreram e metade das pessoas também, peguei ela e nossos filhos e fugimos. Quando o carro morreu seguimos caminho a pé e chegamos na costa de New Jersey vivemos ali por uns meses escondidos entre os prédios e saqueando o que achávamos pelo caminho. Uma tarde estávamos em uma lanchonete quando ouvi Britney gritar, corremos para a entrada ela estava encolhida em um canto e um zumbi se aproximava. Foi Claire quem o matou. Tínhamos acabado de sair do lugar quando Ás e outros nos cercaram eles pegaram Symon.
“Ela falava e aquilo nos deixou bastante surpresos enquanto absorvíamos aquilo um deles nos tomou Britney, Ás sugeriu uma troca eu ou a Claire em troca das crianças. Claire aceitou antes que eu pudesse abrir a boca, quando eu disse NÃO já era tarde, ela já estava a um passo dos monstros. Ás mentiu, prenderam os braços de Claire um zumbi de cada lado a segurando, Britney foi a primeira, eu gritei quando começaram a devora-la, mas os gritos das crianças e de Claire eram piores.
“Eu comecei a mata-los, mas a munição acabou e não havia nada mais além de lagrimas e gritos. Me afastei entrando na lanchonete novamente, vi os olhos apavorados de Claire me olhando cheios de lagrimas, corri pelos fundos e fugi. Claire e Symon foram devorados pela orda de Ás como ela gritou certa vez quando soube que eu estava me escondendo ainda em sua cidade. Eu fugi entende? Me escondi no esgoto e no cofre, um rato sujo e covarde como você mesma disse.
PoV – Agatha
Não fui expulsa coisa nenhuma da colônia sai de livre e espontânea vontade, bem capaz seriam os colonos de onde eu vivia me amarrarem para que eu não fosse embora, mas Luke não falaria sobre sua vida se eu não usasse as palavras certas, apenas uma mentirinha inocente. Mas quando começou a contar sobre sua vida preferi nunca ter dito nada.
Não pude evitar sentir raiva, nojo e pena dele. Mas a raiva ainda era mais forte, como pode ser tão covarde de se esconder? Contra minha vontade deixei uma lagrima rolar em meu rosto antes de me levantar e pegar minhas coisas.
– Faz o certo – disse Luke
Me virei para ele
– Que acha que vou fazer?
– Vai embora e me deixar sozinho.
– Também, mas não pelo motivo que pensa.
– Por que então se não abandonar o covarde?
– Tenho uma balsa na praia daquela cidade e quero meu barco de novo.
– Ás e uma orda de zumbi se arrastam por lá
O tom dele me deu vontade de soca-lo até a morte, mas não sou ele.
– Eu sei, você pode ter sido covarde em fugir e se esconder, eu não. Quero meu barco e quero dar uma surra naquela coisa asquerosa. Pode ao menos me ajudar a arrumar gasolina para minha moto?
Ele ficou em silêncio me olhando, jogou o livro para mim.
– Já que vou morrer que seja por um bom motivo, mas não se surpreenda se eu fugir.
Apenas o olhei, era bonito e totalmente desprezível talvez eu mesma o mate quando terminar com a zumbi vadia, não por que ele mereça morrer, viver com sua consciência pesada me parece maldade suficiente do destino, mas não gosto do sofrimento que vi nos olhos dele enquanto se lembrava da família. Culpa minha quem mandou perguntar o que não precisava saber.
Decididamente quero voltar para o mar, tenho certeza que é mais seguro navegar que pilotar nessas cidades onde os mortos mandam. A menos que eles tenham aprendido á velejar ou pior nadar. Isso seria divertido de ver um zumbi nadando.
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