Zootopia - Savage... Jack Savage

1 De um simples teste...


Notas iniciais
E aeeee cambada!! Tudo beleza?? Aqui estou eu de volta, com mais uma fic do universo de Zootopia! Planejo uma 'Pentalogia' de fics sobre a franquia, sendo essa a segunda delas... À priori, vai ser a única com duas partes, sendo uma Two-Shot e as outras sendo OneShots. Esta aqui em específico vai focar no famoso Jack Savage, personagem dos estágios iniciais do desenvolvimento do primeiro Zootopia e que meio que 'virou' o Nick Wilde no decorrer do amadurecimento de roteiro. Ainda sim, é um personagem com bastante apelo para os fãs. E esse Two-Shot tem um pouco de inspiração na excelente e clássica HQ BLACKJACK, em especial seu começo que está disponível no YT e que recomendo apreciar: https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=UgJMSzl7yrk E importante salientar que ESTE CAPÍTULO da fic é praticamente totalmente 'spoiler friendly' para quem não assistiu o segundo filme, então, conhecendo só o primeiro dá pra ler sem medo. Porém, a segunda parte já vai será recomendado ter visto o segundo filme, pois vão ter spoilers pesados. Também quero salientar que essa fic, teoricamente, se passa após minha outra fic de Zootopia (https://www.spiritfanfiction.com/historia/zootopia--eu-so-me-importo-com-voce-26553035), mas a leitura da outra história não é um pré-requisito cronológico. Por fim, só salientando, a escrita em ITÁLICO (Letras inclinadas) na história vai representar flashbacks, enquanto o NEGRITO (Letras espessas) representará onomatopeias. É isso, boa leitura meu povo!!







— E-espera um pouco... Nós dois, contra você...?!








— Isso mesmo... Tentem me vencer e, através do que eu analisar deste combate, o Oficial Wilde poderá se juntar à missão.


















Periferia do Distrito Florestal de Zootopia… Extremo sudoeste da metrópole animal, região caracterizada por baixíssima densidade de habitantes e predomínio de ruínas de um antigo bairro industrial, no qual alguns galpões ainda resistem ao avanço do tempo, enquanto outros já sucumbiram à posse da natureza, implacavelmente tomando o que já era dela e engolindo os armazéns restantes através de grandes plantas que, lentamente, estrangulavam as construções fabris de um passado distante.


Estranhamente, de todos os barracões abandonados que ocupavam aquele espaço, uma construção de igual natureza industrial, um pouco mais afastada, se destacava não só pelo seu tamanho exagerado em comparação às outras, mas também por sua conservação discrepante em relação ao cemitério fabril próximo. Tanto que, este complexo industrial de galpões vibrava suavemente com o barulho de máquinas, funcionantes, que expulsavam vapor de seus interiores. A luz do sol, penetrando através de um teto de vidro sustentado por uma grande rede de metal, cortava o ambiente fabril em filetes luminosos, os últimos de um dia que estava, aos poucos, tornando-se tempestuoso.



Apesar das dimensões colossais e de aparente atividade animal, o complexo não estava ‘vivo’. Aquela indústria abrigava apenas três indivíduos, parados em níveis diferentes, parecendo ironicamente combinar com a posição hierárquica de cada qual…









— Independentemente de ser Nick ou eu à te derrotar?



Tentando manter a postura, indagava ao alto a primeira policial coelha de Zootopia, Judith Laverne Hopps, parada ao lado de sua dupla, o oficial raposa Nicholas Piberius Wilde. O questionamento da roedora era voltado em direção à uma elevada passarela diante deles, cuja qual sustentava uma misteriosa figura de estatura relativamente baixa, trajada num sobretudo de couro sintético marrom...








— Não contaria com isso, Oficial Hopps… Seria impossível um de vocês me derrotar isoladamente… — Respondeu com firmeza o sujeito, mantendo semblante baixo, condizente com a posição da dupla de oficiais — Quero avaliar o trabalho em equipe de vocês dois.










Ligeiramente ofegante, Nick Wilde ainda digeria a informação que recebera.


— Nós... Contra...














Cerrando o rosto, Wilde focou seu olhar na lebre acima deles.












— Ele está chegando! Rápido, Nick! — Hopps estava animada, avançando à passos apressados na direção de um um imponente helicóptero militar, preparando-se para o pouso — Você não vai querer perder isso!

— Quem está chegando, Bodêncio? — A raposa observava numa marcha lenta, com o mínimo de curiosidade junto aos seus colegas de quartel — É o Leonardo DiCabra?

— Jack Savage. — O Chefe búfalo intrometeu-se na conversa, de modo rígido — Ele fala, vocês escutam... Apenas isso.






— ... Jack Savage...!

Um tenebroso relâmpago pôde ser visto pelo teto de vidro, com sincronia quase cômica... Era o início de uma tempestade.







— … É um… Coelho…??






De fato, o predador canídeo ainda mantinha uma certa rixa pessoal com o lendário agente secreto lebre... Principalmente, causada por um ciúme reprimido em seu âmago, um medo intrínseco que ele pudesse perder o afeto de sua parceira coelha, pela semelhança taxonômica.






— Oficial Hopps, ao seu dispôr, Senhor Savage! — Cordialmente, a coelha estendeu a pata para cumprimentar a lebre que era ligeiramente mais alta que ela, sendo possível notar um brilho emocionado em seus olhos — Conhecer o heroi de cada coelho é uma realização de vida!


— Isso só pode ser brincadeira… — Bufou um desconfiado Wilde, aproximando-se da dupla de roedores através de uma postura corpulenta que destoava de seu perfil tipicamente relaxado.


— Jack Savage, é um prazer, Oficial Hopps… — Respondeu elegantemente o coelho, notando que uma raposa emburrada em uniforme policial colocou-se próximo, com os braços cruzados.

O coelho de terno preto encarou o predador, que não recuou. Savage, com sua vasta experiência e leitura de indivíduo excepcional, já havia entendido tudo, mas fez a média estendendo uma pata... — Prazer, Jack Savage…

... Que não teve a correspondência de cumprimento imediata.



— ‘Tá de sacanagem que isso tá acontecendo’… — Pensou Wilde encarando Savage, recebendo um olhar apreensivo de Judy e um olhar repreensivo do Chefe Bogo…









— … Oficial Nicholas Wilde.






A raposa finalmente retribuiu o cumprimento, porém, gélido como uma calota polar.








E, desde que Jack Savage aportou no Departamento Policial de Zootopia, Nick Wilde o via com desconfiança e rivalidade... A raposa podia até acrescentar pitadas de desprezo na sua raiva irracional que sentia pelo roedor.







— … E somente os melhores de vocês, serão recrutados para esta missão!







Estes sentimentos hostis por parte de Nicholas Wilde agravaram-se ainda mais quando Savage cisou o ‘Time dos Sonhos’, recrutando apenas Judy Hopps para a sua tal importante missão que seria o principal motivo do agente apresentar-se em Zootopia, mesmo com a raposa provando capacidades espetaculares em testes como tiro, orientação noturna e interrogatório.





— … Você quer mesmo entrar nesta missão? Então, você terá que abaixar seu ego e ouvir a voz da experiência de alguém que de fato TEM experiência!

— Você preza pelo bem de sua parceira, não preza, Oficial Wilde? Você não acha que devia estar fisicamente preparado para entrar em ação, caso a Oficial Hopps esteja em perigo??


Contudo, com o passar das semanas, Savage pontuou defeitos de Nicholas que a raposa não poderia ignorar, levando Wilde a perceber que o agente estava ali para fazê-lo amadurecer como profissional, e não para torturá-lo com joguinhos mentais...




— … Muito bem, Oficial Wilde… Tenho reparado que está focado nos exercícios…!









— … Você realmente almeja mesmo integrar minha equipe… Que seja, irei pensar num tipo de repescagem adequado para você, Oficial Wilde…





— … E chega de moleza pra você… Você tem habilidades excepcionais como atirador e interrogador, mas para ser um agente completo, você também tem que estar preparado para o mano a mano! Orientei a Oficial Hopps para te auxiliar... Não me decepcione.






— Vamos, Nick! Eu sou só uma coelha boba com metade do seu tamanho! Se você me acertar pelo menos um soco, eu deixo você me convidar para o parque de diversões… É estímulo o bastante?








— Coelha esperta… Eu sei que você deixou eu te acertar de propósito só pra vir ao parque comigo…

— Isso se chama golpe, querido.







... E a evolução de Nicholas foi tamanha, que Savage decidiu lhe dar uma segunda chance para integrar o time da missão com sua fiel parceira.




Porém, a revelação da natureza do teste caiu como uma tonelada sobre a raposa.



À olhares desatentos e desprovidos de contexto prévio, Jack Savage era apenas uma lebre de olhos azuis, de pelagem majoritariamente cinza e com filetes rajados em preto, principalmente nos flancos do abdomen, rosto e topo das orelhas, sendo um sujeito pouco mais alto que Judy Hopps, com suas orelhas erguidas ultrapassando dois ou três centímetros do topo da cabeça de Nick Wilde. Ou seja, ele era menor até que uma raposa.

Contudo, inversamente proporcional à sua baixa estatura, a fama de Savage dentro das forças policiais era colossal, lendária. Sua agilidade era inigualável e ele era mais rápido que a maioria dos veículos daquele mundo. E era a prova viva de que tamanho não é documento, pois Wilde e Hopps presenciaram Savage vencer facilmente a Unidade Jumbo do DPZ, com uma mão nas costas!









— E-eu... Eu não...







Intimidado, Nick balançou a cabeça discretamente, balbuciando de modo aflito.







— ... Eu não sei se eu consigo...!








Então, um toque reconfortante sobre sua pata esquerda lhe chamou a atenção.









— Você vai conseguir... NÓS vamos conseguir!





Ali estava uma radiante Judy Hopps, que lhe prestou um sincero olhar confiante, ao passo que Savage permanecia imóvel na passarela acima, de orelhas erguidas e atenção absoluta.



A segurança no semblante de sua parceira era o combustível que Wilde precisava para aquele momento de tensão… Se Hopps depositou sua confiança na raposa, a mesma sabia que deveria corresponder.






— … Certo…!







Nick respirou profundamente, deixando as máquinas ao redor contribuírem com a sonoplastia local através de seus sopros de vapor, e a chuva fora do galpão cair sobre o teto de vidro...




… e retribuiu à Hopps um breve aceno determinado de cabeça.










— … Vai se arrepender de chamar o Time dos Sonhos pro ‘X1’, orelhudo! — Disparou um convencido Nick Wilde em direção à Jack Savage, que franziu o cenho com a provocação.




— Então… Vamos começar!...


Hopps e Wilde imediatamente botaram-se em guarda com o anúncio do sisudo coelho, que caminhava a lentos passos para os lados.


— … Vocês vencem se eu for algemado ou se, por um milagre, conseguirem me nocautear...








Parou o rigoroso coelho de sobretudo, franzindo a testa.

— … Para azar de vocês, eu não acredito em milagres.




— É só isso? — Indagou Judy, ligeiramente confusa — O que pode ser usado, artes marciais, armas brancas, arm-

— Tudo.





— 'Tudo'? Como assim 'tudo'? — Questionou Wilde, preparado com seus punhos de pêlo escuro em frente ao rosto.

— TUDO!







Então, Jack Savage jogou seu sobretudo ao alto, em direção à dupla de oficiais.


A peça de roupa marrom esvoaçante chamou a atenção de coelho e raposa… E, no momento em que o casaco se interpôs na visão entre eles e Savage, a lebre arrancou furiosamente já no andar de baixo, perigosamente próximo para um golpe que foi preparado numa velocidade sobreanimal.

— Mas o qu-

— CUIDADO...!




Com alguns milésimos para tomada de decisão, Nick teve tempo apenas para empurrar Judy para o lado, visando proteger sua parceira de um iminente golpe do super agente. Para sua desgraça, essa ação fez com que a raposa tomasse para si e, em cheio, um brutal murro na altura de seu diafragma.


— GAAAAAAAAHHHHHHH...!!!!

Arfou secamente Wilde, sendo arremessado para longe com a pancada.


— NICK!!!!!! — Restabelecendo equilíbrio, Hopps urrou preocupada, enquanto Savage estava parado de modo íntegro, como se admirasse onde a raposa havia ido parar...



... Para, em seguida, virar o olhar para a coelha e arrancar em sua direção, de modo implacável.


— Merda...! — Rosnou uma aflita Oficial Hopps, colocando-se em guarda para o combate.



Por debaixo de seu sobretudo que foi arremessado, Savage usava uma roupa tática preta, justa em seu corpo esguio e contendo alguns bolsos em frente ao corpo, além de um cinto com mais bolsos. O coelho estava descalço, mas trajava estranhas luvas pretas em suas mãos.

Desajeitadamente, Judy defendia-se dos precisos golpes desferidos por Savage. Hopps havia sido a melhor de sua turma de entrada no DPZ, porém, Jack Savage lutava como se fosse inato de seu ser, a coisa mais natural do mundo. A lebre iniciou o combate com movimentos de boxe, alternando para karatê e, depois, muay thai.

Por mais que Judy ainda antecipasse seus golpes, a coelha não tinha nenhuma brecha para atacar. Savage era implacável e surpreendentemente elegante em suas investidas... O quanto Judy poderia aguentar naquele ritmo era o fator limitante, uma falha poderia dar oportunidade para Jack encaixar um golpe decisivo.





Ao longe, Wilde recuperava-se ofegante da violenta pancada que recebera.

— Puf-... Puf...! Merda… Puf-...! J-Judy...! — Colocou-se de pé indo ao socorro de sua parceira — … Então, assim, puf-... que é receber um… golpe direto dele…?




Savage deu um direto de esquerda em direção a Judy, que bloqueou cambaleando, dando oportunidade para o agente lebre conectar uma rasteira, derrubando-a.

A coelha gemeu ao cair no chão, precisando rapidamente rolar para a direita para evitar uma joelhada aérea de Jack. Ao atingir o solo, a lebre foi surpreendida por um agarrão de Nick pelas costas, aplicando um mata-leão com seus braços.

— JUDY, AGORA!! — Berrou a raposa, tentando erguer Savage do solo.

Hopps levantou-se com as algemas em mãos, porém, Jack desvencilhou-se facilmente do agarrão, curvando seu corpo e arremessando Nick sobre sua parceira roedora.



— ‘Time dos sonhos’? Estão mais para ‘Time dos pesadelos’ — Declarou sisudo, observando os dois oficiais levantando-se em posição.



— Estamos só aquecendo, orelhão! — Lançou um arrogante Wilde — E falando em aquecer...


Com a fala do raposo como se fosse um aval, Judy apontou uma pistola de choque em direção a Savage, que evitou o disparo dando uma cambalhota à frente, estendendo sua perna direita para golpear a roedora que estava indefesa.

Contudo, no último instante, Nick colocou-se em frente à sua parceira com os braços cruzados para receber a patada, abrindo-os para repelir a lebre para trás, mas claramente recebendo dano daquela pressão.


— Obrigada!

— Puf-... Me deve um vinho de mirtilo do seu pai!




Ao pousar no solo, Jack colocou-se de lado e proveu um discreto sorriso. Em seguida, ele estendeu o braço direito e chamou a dupla para partirem para cima.


— SAVAAAAAAAAAAAAGEEEEE!!! — Berraram em uníssono, disparando em direção ao coelho. Em um ato misto de confiança com arrogância, Nick e Judy acreditaram que golpeando em dupla poderiam vencer a lebre, porém, esta antecipava com maestria os socos e chutes do raposo e da coelha.

Em certo momento, Hopps tentou uma investida mais ousada. A coelha saltou para uma coluna próxima e pegou impulso para deslizar pelo chão liso daquela área, tentando imobilizar as pernas de Jack. Wilde estava de prontidão para usar suas algemas, mas a lebre previu a artimanha e saltou para uma plataforma de um andar acima, sendo seguido por Judy… Ledo engano, pois, usando a parede como apoio e girando no ar, Savage voltou em sua trajetória e chutou Judy no rosto, jogando-a contra uma pilha de caixas de serragem, que farfalhou com o estrondo.

— CENOURINHA!! — Gritou um aflito Wilde.

— Preocupe-se com você mesmo! — Rosnou a lebre, antes de socar Nick na face, também levando-o ao chão.

— Você não está dando o seu melhor, Oficial Wilde… — Savage disse ameaçadoramente, aproximando-se da raposa que estava sentada no chão, olhando rapidamente ao redor — Você está fazendo eu perder meu tempo!

— Ah é, então toma essa, esquentadinho!

Wilde rapidamente agarrou um extintor de incêndio próximo e o acionou contra Jack, enquanto Judy pulou de longe para golpeá-lo com um chute aéreo… Parecia uma brecha perfeita, pois a fumaça do extintor poderia desorientá-lo.

Porém, assim que Hopps aterrissou na nuvem de vapor, sua pata encontrou apenas o chão metálico.

— Procurando algo, Oficial Hopps?

— … Drog- AHHH!!

Savage surgiu novamente, dando uma voadora dupla que jogou a coelha longe. Todavia, Judy não se deixou abalar, usando o impulso para retornar até Savage, tentando outra rasteira.

Ao mesmo tempo, Nick Wilde, largando o extintor de lado, pegou sua pistola de choque, uma vez que Judy já havia gasto sua oportunidade.

— Agora!! — Pensou o raposo ao disparar certeiramente



Contudo, sem nem olhar para Wilde, Savage apenas ergueu uma das suas mãos para que o barbante elétrico da pistola enrolasse em suas luvas… feitas de borracha.

Com a corda enrolada de maneira inútil naquele material isolante, Savage lhe deu um rápido olhar fulminante, puxando o fio e Nick junto, no mesmo instante em que Judy estava próxima o suficiente para dar sua rasteira por trás. Jack evitou ao pular alto novamente.


Com o descompasso de parceiros, Nick, cambaleante, acabou recebendo a rasteira de Hopps. No momento que Wilde estava suspenso por cima de Judy, que estava no chão, Savage aterrissou suas duas patas sobre a raposa, prensando-a sobre a coelha policial, que gritou ao ser violentamente esmagada.


— GAAAAAAAAAAAHHHHH...!!!!!


— CENOURINHA! — Arfou um aflito Wilde, tentando erguer Savage de suas costas.


— Você se preocupa demais com sua parceira e de menos com você mesmo, Oficial Wilde... — Nick não entendia como uma diminuta lebre conseguia exercer tanta pressão sobre suas costas.




— ... E essa preocupação se reflete em RELAXO!!






Savage intensificou o aperto ao fim de sua observação, fazendo Hopps e Nick arfarem de dor, claramente a roedora sofrendo mais com o esmagamento.


— JUDY!!!! — Gritou a aflita raposa, com pânico em seu olhar. Por mais que seu corpo de raposa não fosse muito pesado, aquela pressão era demais para a delicada coelha. Nick revirava-se sem sucesso para tirar Jack de suas costas.


— Então, vai ter que ser assim…!

Vendo que não venceria na força bruta, a raposa decidiu apelar...


... Rapidamente, Nick alcançou sua pistola do coldre da cintura e tentou apontar para cima, fazendo Savage finalmente pular para longe.




— Isso! — Balbuciou brevemente a raposa, levantando-se de cima de Judy — Cenourinha!! Cenourinha, você tá bem??

Indagou aflito para a desorientada coelha e ajudando-a se levantar, enquanto Jack pousava no chão ao longe.


— E-eu... Puf-... Tô sim... Puf- — Ofegou, prestando atenção ao fato que agora Wilde apontava sua arma para Savage — … E… você…?

Wilde lhe deu um breve sorriso aliviado.


— Se você está bem, eu estou bem também... — Declarou serenamente, deixando transparecer um claro alívio por não ter machucado sua parceira. Em seguida, Wilde virou o rosto para seu algoz, firmando-o em sua mira, com a arma de tranquilizantes em punho — … Vai pagar por isso… Hora de dormir, coelhinho!


O primeiro tiro dado pela raposa deveria ter pego certeiro em seu coração. Porém, Savage demonstrou um reflexo ímpar ao desviar o corpo para a esquerda, evitando o disparo e deixando Nick e Judy brevemente surpresos, mas logo retomando o foco.

A raposa não deu descanso, prosseguindo com uma rajada de dardos tranquilizantes, enquanto a coelha preparava sua arma. Savage corria e desviava das balas, sendo abaixando-se, pulando ou desviando sua trajetória, evitando cerca de oito tiros de Wilde e dois de Hopps, que começou a atacar em conjunto até Jack alcançar uma fina chapa de metal que usou de proteção.


— Droga, os dardos não perfuram...! — Praguejou Judy, atirando mais uma vez e constatando que o projétil apenas ricocheteou com um som metálico ao encontrar o escudo.

— Os dardos não...








— ... Mas isso...






*BANG*

*PLÉIM*








Judy Hopps olhou estarrecida para seu parceiro, que empunhava em suas patas escuras uma das coisas mais nefastas já inventadas naquele mundo...







— N-Nick, i-isso é...!





— ... Uma pistola de projéteis metálicos... Sim…

Completou a raposa, de modo que soava até meio distante, como se a simples aura daquela ferramenta pesasse a atmosfera local, aliada ao estrondo dum forte trovão.



Pouquíssimas delas existiam e seu uso naquele mundo era amplamente desencorajado e demonizado, pois os animais evoluíram para o uso de munição não-letal quando fosse necessário algum tipo de força especial. Porém, ainda sim, estes remanescentes de pistolas existiam no mercado negro e em posse de serviços de elite, um lembrete de que a erradicação total destes objetos ainda mostrava-se distante.

E ali estava Nick Wilde, segurando firmemente uma ferramenta daquelas, que fumaceava em sua ponta. Um semblante focado estampava seu rosto... Como se ele já conhecesse aquele objeto maldito.



— Você também tem uma dessas, Cenourinha... ! — Observou a raposa, vendo o buraco que o projétil deixou no canto da chapa metálica que Savage usava de escudo... Claramente, um tiro de advertência — Não teríamos isso no uniforme se não fosse pra usar e-

— CUIDADO!!!



Subitamente, a placa metálica que Jack usava de escudo foi arremessada contra a dupla, voando de lado como se fosse uma lâmina assassina. Judy gritou e pulou, enquanto Wilde a evitou por pouco, abaixando-se no último instante.

Ao que a raposa se colocou de pé novamente, botou a lebre em mira outra vez — ... E ele disse que vale tudo... Não é...?!


Savage não respondeu, apenas encarou o canídeo que lhe apontava um objeto mortífero... Contudo, Wilde teve certeza que detectou um discreto aceno de cabeça por parte da lebre.


— Não vamos conseguir nada no mano a mano, Cenourinha… — Discorria a focada raposa, embora o cansaço já brotava em seu corpo — É como dar murro em ponta de faca.


— Mas Nick, e se... E se você acabar...

— Mesmo com isso aqui, não vai ser fácil... — Wilde interrompeu o pensamento inseguro de sua parceira — A gente não teria vindo pra cá com isso no uniforme se não fosse pra usar, não é?

*BLAM*

De canto de olho, Nick percebeu Savage lentamente tentando se esgueirar, rapidamente efetuando outro disparo em direção ao chão.

— 'Os tiras chegaram colega, você está frito!' — Convencido, a raposa ironizou com um tom de voz cômico, mantendo Savage inabalado ao longe.

Apesar de parecer otimista, Wilde estava tenso em atirar contra Jack… Ele tinha plena noção que a lebre não se deixaria abater, porém, ainda sim, o fato de apontar uma arma e disparar contra alguém lhe causava calafrios na espinha.







Ele podia ter sido muitas coisas de índole questionável em seu passado…






… mas, definitivamente, ele não era um assassino.










— … Eu sei, e ESPERO que você vá desviar… — Declarou o canídeo, firmando a mira no torso de Savage.


E, numa súbita reação em cadeia, a raposa finalmente apertou o gatilho, com a lebre esquivando-se rapidamente para a direita e correndo para enfiar-se entre contêineres próximos. Por pouco, não sendo atingida por mais dois disparos de Nick, antes de sumir de vista.

— Não deixe ele escapar, vai por ali! — Apontou Wilde para a direita, enquanto ele decidiu correr direto em frente.

— Ele é rápido, mas ele reagiu ao apertar do gatilho… — Balbuciava a raposa durante a perseguição, até visualizar Savage correndo por um gigantesco átrio industrial — … Se a visão dele for bloqueada, ele não vai conseguir esquivar…!

Nick efetuou mais disparos, todos inefetivos pois, mesmo consideravelmente longe, Savage conseguia visualizar onde estava a mira de Wilde e em qual momento ele iria apertar o gatilho. Era uma habilidade quase inconcebível de se imaginar, provavelmente fruto de anos, quiçá décadas de treinamento. E, ao quinto disparo dado por Nick naquela sequência…


*TIC*

*TIC* *TIC* *TIC*


— Ah, merda...!



Era a hora da virada. Jack Savage parou imediatamente com suas orelhas erguidas e voltadas para o predador, que olhava assustado para sua arma sem munição.

Aproveitando a chance, a lebre arrancou numa furiosa investida em sua direção, avançando perigosamente para próximo de um Nick Wilde que tentava carregar sua pistola.



— ... PARADO!! — A raposa apontou a arma ao coelho diante de si, contudo, ele dobrou-se para trás e, com uma cambalhota, arrancou a pistola das patas do canídeo, que cambaleou para trás. A arma, arremessada num movimento de parábola para o meio do pátio, fez um seco barulho metálico ao cair no solo, a deixa para a lebre virar o jogo.


— Droga…! — Nick resmungou firmando o equilíbrio e pegando sua arma de tranquilizantes, mas já tendo noção que estaria em apuros… Savage estava a poucos metros da pistola…



— Está acabado, Oficial Wild-

— ... PARADO ONDE ESTÁ!!






Surpreendido, Savage congelou com o aviso de Judy Hopps à sua frente.


A coelha estava à cerca de quinze metros de distância, apontando a arma de tranquilizantes para ele. Vendo o modo como estava encurralado, lentamente, Jack colocou-se em postura ereta.

— Muito bem... Parece que finalmente decidiram começar o teste... — Lançou através de um elegante sorriso cínico, enquanto calmamente pegava algo num dos bolsos de sua cintura.


— Eu disse PARADO, Savage!! — Ordenou novamente a coelha, com ele travado em sua mira. Jack apenas ignorou, abrindo um pequeno objeto em forma de disco.

— Aí, você pode deixar a gente te algemar, ou então tornar isso mais humilhante e sair daqui apagado...! — Declarou Nick, também mantendo a lebre em sua mira com sua arma de dardos.

— Claro, claro... — Savage revelou que o objeto era um pequeno espelho. Virado na direção de Wilde, o coelho arrumava seus pêlos do rosto, vislumbrando seu reflexo e totalmente descompromissado com a sua situação no momento — Se eu vou pra cadeia, então, eu preciso ao menos ficar arrumado para a foto da minha ficha.

Ironizou enquanto dava breves passos que pareciam aleatórios… Entre escovadas de pêlo e bigodes, Judy Hopps sempre estava ao fundo no reflexo do espelho.

— SAVAGE, EU DISSE PARADO!!

Hopps gritou impaciente, enquanto Nick franziu a testa.

Inabalável, o quase cativo coelho continuava seu espetáculo narcisista, mantendo o semblante calmo e sereno.

— Espera aí...

— ESTE É SEU ÚLTIMO AVISO!!

Savage cantarolava brevemente de boca fechada…

— ... MAIS UM PASSO...

… E observava o espelho de modo cínico.

— ... E EU VOU ATIRAR!


— HOPPS, NÃO ATIRE!!!





O repentino grito de alerta da raposa chamou a atenção da dupla de coelhos. Judy abaixou brevemente sua arma.



— Eu sei o que você tá fazendo... — Wilde declarou encarando-o seriamente — Está se pondo entre nós para causar um fogo amigo, não é??




Com uma expressão surpresa, Savage finalmente abaixou o espelho.


— Ohhhh, ho ho ho...! Muito astuto de sua parte, Oficial Wilde...! — Jack virou-se para o predador e o elogiou com um claro sarcasmo em sua voz, enquanto estava no meio do caminho da mira da dupla policial — É essa astúcia que eu espero ver de uma raposa...


— ... É uma pena que essa astúcia só aparece quando você tenta impressionar alguém...



A raposa engoliu em seco, enquanto Savage começou uma lenta marcha em sua direção, precavendo-se com a posição de Judy ao fundo.


— Desde que cheguei em Zootopia, percebo que você se esforça apenas quando a Oficial Hopps está presente... O que você está tentando provar, Oficial Wilde...?


— SAVAGE, PARADO!! — Judy tentava inúteis ameaças, enquanto Nick parecia estar suando frio.


— ... Que você não é uma raposa inútil e que é o 'Príncipe Encantado' da Oficial Hopps?? Que você vai estar sempre presente para proteger a coelhinha perfeita, tentando ser perfeito como ela e enterrar a vergonha que foi seu passado??


— ... Cala a boca...! — Rosnou o canídeo, com sua mira ficando trêmula.



— Deixa eu te falar uma coisa, Oficial Wilde... — Savage guardou seu espelho, continuando sua ameaçadora e vagarosa caminhada, claramente oprimindo a raposa... — Neste momento, a Oficial Hopps teria duas opções: A primeira, atirar em mim com a arma de tranquilizantes, da qual eu sou capaz de desviar até de costas...


— ... E a segunda, é atirar com a pistola de munição letal, da qual provavelmente eu não iria conseguir desviar... — Continuava com um olhar fugaz, admirando a aflição da raposa, enquanto Judy chegava próximo da pistola de Nick que estava próxima — Mas ela não vai ter coragem de fazer isso, e sabe por que?...










— ... Porque ela me ama, Nicholas.












— … O-... O quê…?!






Estarrecida, Judy Hopps congelou onde estava, ao passo que Nick Wilde ofegava numa turbulenta agonia mental…














— E ele é um heroi…! Não só para os coelhos de Zootopia, mas de todo o mundo! Jack Savage é incrível, Nick!




— Eu… não vi nada demais nele… Só uma bolotinha de pêlo emperiquitado numa roupa de pinguim.






— Nick, pára… Não vai me dizer que você está com ciúmes?






— Há, tá brincando, Cenourinha? Eu, Nick Wilde, ter ciúmes de um coelho idiota… ??









— Pense, Oficial Wilde… Você reparou como a Oficial Hopps olha pra mim, desde que cheguei aqui.


A consciência de Wilde tornou-se uma cacofonia de sentimentos aflitos, uma reverberação dos seus maiores medos tornando-se realidade.




— MAS O QUÊ?? ISSO… NICK, NÃO ACREDITE NELE…!! — Furiosa, Judy tentava ao longe acalmar seu parceiro, que ofegava munido de um olhar sem direção — NÃO CAIA NA ARMADILHA DELE!!


— Você pode escolher não acreditar, tudo bem… — Prosseguiu arrogantemente a lebre — Mas a biologia não se importa com o que você acredita ou deixa de acreditar. Ela estabelece suas leis, sem ligar para seus sentimentos…


Ameaçadoramente, Savage avançava a lentos passos na direção de Wilde, enquanto a aterrorizada raposa andava para trás no mesmo ritmo… Era como se o predador tivesse virado presa e a caça se tornado caçador.




— Eu sou uma coelha idiota também, Nicholas?





— C-claro que não… Você é só uma coelhinha boba, Cenourinha…



— … Ah, Cenourinha, não me olha com essa cara…





— Coelha boba, não é ciúme, só que… O que esse tal Jack Savage tem que eu não tenho?


— … Os feromônios, Oficial Wilde… Nós, coelhos, conseguimos detectar feromônios específicos que as raposas não conseguem…


— … Porque você não é um de nós…!






Discursava o agente, através de um cinismo maléfico — … Você é só uma raposa inútil e marginalizada, tentando provar ser algo que não é! Tentando provar ser digno da coelhinha perfeita, da policial exemplar que confia demais em você!

Não era certo se foi a intenção de Savage, mas Judy Hopps também abaixou sua mira… Seu discurso tocou ferozmente no âmago da dupla, antes prestes a virar o jogo, agora, desmantelada.

— Sabe o que mais me impressiona? — Jack parou, olhando para ambos os extremos daquela área e apontando um dedo para cada um — Não é que você goste dela… Não, não… É que você acredita que ela NUNCA vai se machucar por sua causa…

Nick lançou um olhar agoniado que cruzou o amplo salão industrial, encontrando o semblante estarrecido de sua parceira... Um olhar que parecia uma súplica de socorro, uma súplica para calar tais palavras crueis.


— ... Você se joga na frente dela, sem importar-se com você… — Continuava o coelho, voltando a aproximar-se — Hoje mesmo você fez isso... Sempre faz! E ela fica relaxada como uma coelha idiota, achando que o seu príncipe vigarista das ruas sempre chegará a tempo…


O semblante de Nick lentamente mudava de uma expressão assustada para uma carranca enraivecida.














— ... Mas, você sabe, Oficial Wilde…






Jack continuou, firme... Sem elevar o tom... Sereno e impiedoso.







— … que um dia…



— … você não vai chegar à tempo.




— … CALA A BOCA!!!!!


— NICK, NÃO!!!!











— … Ah, minha nossa, Nick… Você é mesmo muito mais sentimental do que tenta parecer não ser…




— … Não é só o que ele tem que você não tem…





Savage nem se deu ao luxo de se mexer. Parado em sua posição, sorridente, ele apenas esperou com que um furioso Nicholas Wilde avançasse até ele… Preparado para defletir o primeiro golpe vingativo e cheio de ódio que viria dali…



Nick carregou um golpe, com Savage colocando uma pata em frente a trajetória do punho…












— … Mas o que você tem e que ele não tem…









— … E, nesse balanço…








… E as patas não se encontraram.











— … Você está ganhando com uma margem gigantesca... Raposa boba.












— O quê…?

Jack murmurou, certo de que haveria contato. Wilde, com o punho parado no ar e o rosto cabisbaixo, ergueu novamente o olhar.








— … Ela não é uma coelha idiota…!







Declarou a raposa, através de sua tradicional expressão confiante.

— UGH…!!

Visivelmente surpreso, Savage arfou com um golpe de Nick que lhe acertou em cheio na boca do estômago. Ele evitaria facilmente um soco daquele, mas a quebra do roteiro pronto em sua cabeça bagunçou seu raciocínio… Aquele cenário não foi previsto na mente do super agente.

Rapidamente, aproveitando a guarda aberta, a raposa usou sua cauda para derrubar um pequeno cilindro azul de sua cintura ao chão… Uma granada de luz.

Savage arregalou os olhos, visivelmente surpreso, enquanto Nick colocava seus óculos escuros.

— 'Hasta la VISTA, baby!'


— GAHHH...!!!

— Merda, Nick!!

O objeto explodiu num poderoso clarão branco, cegando ambos os coelhos que estavam ali… Judy Hopps ter sido afetada foi um dano colateral, compatível com o progresso que estava sendo feito.

— JUDY, SEU PÉ DIREITO!! — Wilde gritou para sua parceira, enquanto Savage tentava uma fuga cega. A coelha captou e deu um pontapé na pistola de Wilde, que correu para pegá-la no caminho e iniciar uma rajada de sete tiros em direção da lebre fugitiva… No último disparo, a sorte lhe sorriu.


— Ugh…!!

— ACERTOU! Eu escutei! — Ouvindo um leve grunhido de Savage, Judy disse de olhos entreabertos e sem direção definida, enquanto tentava desesperadamente recobrar a visão.

— Cenourinha!! Cenourinha, calma, eu tô indo!!

De modo ligeiro, Nick correu ao socorro da roedora.

— Ei, ei, você está bem…!? — Wilde tirou os óculos e abaixou-se para ficar na altura de sua parceira, confortando-a com suas patas peludas — Calma, vai passar…!

— E-eu estou… Só nunca tinha tomado uma dessas na cara antes, esse troço cega de verdade! E… você?


Mesmo com a vista ainda formando só borrões, Judy conseguiu vislumbrar um melancólico semblante estampado na face de seu parceiro raposa… Empática, logo a coelha entendeu que Wilde tomou muito dano naquele embate… Dano psicológico, que o feriu mais que um dano físico.



— … Oh, Nick, por favor… Não acredite naquilo que acabou de ouvir…! — A coelha o reconfortou abraçando seu braço esquerdo — Você mandou muito bem agora, de verdade, foi incrível…! Não deixe que ele entre em sua mente, senão, você vai estar dando à ele exatamente o que ele quer…


A raposa manteve uma expressão cabisbaixa… Ele não poderia ignorar que, por mais que fosse uma clara tentativa de Savage quebrá-lo por dentro, a lebre poderia estar certa no que se refere à biologia… No fundo, Wilde realmente estava tentando forçar sua inserção num meio que, para ele, não deveria pertencer. A investida de Jack não foi totalmente bem sucedida mas, visivelmente, plantou a semente da dúvida na mente do canídeo.




— … Você é mais forte que isso, Nick…! Não se importe com as baboseiras que ele acabou de falar para te provocar!






Então, o raposo fechou fortemente os olhos.




— Cenourinha…








Wilde delicadamente puxou os braços de sua parceira… Hopps, um tanto aflita, o observava preocupada… Aquela raposa que, apesar de parecer uma casca inabalável diante de vários perigos e ameaças enfrentadas no passado, no fundo, era um só doce indivíduo com súplicas de ser amado.







— … Eu não me importo com a biologia… Eu não me importo com o que ele pode ter e com as porcarias dos feromônios…










— … Eu só me importo... com você.








Sussurrou Wilde por meio de uma calma expressão, com uma pequena película de água acumulada abaixo de seus olhos verdes como esmeralda. Hopps, em claro alívio, suspirou.

— Wilde e Hopps… De volta a ação…?

Indagou a coelha, também com os olhos lacrimejantes, junto de um terno sorriso.


— Hopps e Wilde… Temporada de caça à lebre ainda valendo!


Hopps e Wilde sorriam mutuamente, com ambos enxugando seus rostos e preenchendo-os com determinação… Cientes que ainda tinham um trabalho a terminar.




(...)








— Merda... Que descuido...!





A lebre, ferida, corria por entre os corredores daquele opressor ambiente industrial. Era curioso ver como uma área tão massiva estava totalmente desocupada, embora algumas máquinas por ali estavam ligadas, contribuindo para a atmosfera fabril.

Jack Savage avançava para uma área escura do complexo, como se fosse um coelho fugindo para sua toca. Após uma feroz batalha contra seus dois recrutas, um breve deslize ameaçou virar o resultado daquele jogo que parecia ganho para ele. Agora, com um ferimento de bala no flanco direito de seu abdômen, o super agente estava ciente que precisaria levar aquela luta à sério.


— Eu provavelmente vou ser seguido... — Quando chegou numa porção escura de contêineres empilhados, Savage olhou para trás e vislumbrou um rastro de gotas de sangue... Seu sangue.


O roedor sentou-se no chão, de costas apoiadas num container vermelho, que disfarçava levemente o sangue que respingou ao abaixar-se.

Primeiramente, o agente analisou o ferimento... Um disparo de bala que o atingiu por cerca de dois centímetros de deslize, uma falha ao desviar da saraivada de balas dada por Nick Wilde. O coelho verificava o ferimento com o uso de uma lanterna preta pequena, inspecionando o estrago.


— Ela at- ughh!!... atra... vessou — Não conseguiu evitar uma pontada de dor — Por sorte foi apenas músculo...

De fato, pela sua vasta experiência em missões e batalhas nas quais vivenciou o inferno, a lebre tinha noção que iria sobreviver. Ele desligou a lanterna e tirou uma tampa da outra ponta do objeto. Savage ergueu seu colete tático que havia sido perfurado, expondo totalmente o ferimento, cerrando os dentes por causa do tecido danificado que grudava em pêlos e carne na região do disparo. O coelho girou a região circular da lanterna para criar uma ponta incandescente na outra extremidade. A lebre também pegou um pano próximo e colocou na boca, sem importar-se que tipo de sujidade poderia estar contida ali... A sobrevivência era o que importava.


— Um... Dois...






— TRÊS!! UUGHHHHHHHHH!!!!!!!





Jack gemeu dolorosamente enquanto o objeto cauterizava sua pele ferida. Obviamente, ele tinha noção que aquilo precisaria ser tratado medicinalmente e, provavelmente, até cirurgicamente após. Por hora, era um paliativo para parar de sangrar.


Savage, ofegante, largou o cauterizador no chão e encostou totalmente suas costas no container, fazendo uma careta com a língua de fora enquanto olhava o pano que havia mordido — … Graxa… Como se não fosse azar o bastante…












... 'Ela não é uma coelha idiota...!








— ... Heh...!












Uma inesperada expressão distante preencheu seu semblante... Aliada com toques de satisfação...











— ... Que sujeitinho peculiar...











Ainda com um sereno sorriso no rosto, ele voltou o olhar para a crosta formada sobre o ferimento de bala.


— Acho que resolve por hora... — Observou a trilha de sangue próximo à ele — Mas eu certamente vou ser encontrado pelo cheiro, se ficar aqui... Wilde é um canídeo, claramente vão tirar vantagem de seu faro aguçado.

Jack pegou um item em seu coldre... Um taser de raposa — Achei que não seria pressionado a ponto de usar isso...

Sentindo lambidas de dor percorrendo seu corpo paradoxalmente esguio e musculoso, Savage colocou-se em pé, apoiando-se no container que era seu descanso. A lebre sorrateiramente deixou sua toca improvisada, ganhando terreno entre as grandes caixas metálicas à passos cautelosos.

— Estes ventiladores e essa chuva fazem mais barulho do que imaginei... — Pensou com as orelhas ao alto, atento por qualquer ruído diferente. Por hora, a cacofonia local era composta apenas das máquinas expelindo vapor ao redor, alguns sons repetitivos de aparatos eletrônicos, a precipitação do lado de fora, já dando uma trégua, e os ventiladores industriais próximos…






… Até que o estrondo de uma barra de ferro caindo lhe chamou a atenção.




— … Um barulho diferente… Estão próximos.




Então, numa porção atrás de um container cinza que era iluminada por uma luz fraca, Savage viu uma sombra familiar projetada na parede ao fundo... Uma silhueta de coelho.






— Heh... — Sorriu a lebre.










— ... Como se eu fosse cair nesse truque velho.







Seguindo seus instintos e experiência, Jack ignorou a sombra e retornou de onde veio, certo que não se tratava da sombra da Oficial Hopps. Na sua arrancada, ele ouviu outra barra de metal fazendo um estridente barulho ao cair no solo, vindo da direção a qual ele estava se dirigindo. Savage sorriu, pois evitou uma armadilha e alcançaria seus adversários… Ele empunhou o taser de raposa e se preparou para neutralizar um de seus subordinados.


— PEGUEI VOC-

Então, a lebre congelou ao dar de cara com uma pilhas de entulhos, caixas e panos... Empilhada no formato de uma raposa.




— Ah, merd-


Subitamente, dois pés atingiram violentamente suas costas, lançando a lebre longe.

Os responsáveis, Wilde e Hopps, elegantemente pousaram sincronizados com uma cambalhota para trás, sobre uma caixa próxima, embora Nick tenha pousado de modo torto e quase caiu, sendo amparado por sua parceira. Savage, por sua vez, foi jogado tão longe que atingiu uma pilha de sacos de serragem que desabou sobre ele.




— Hopps e Wilde? — Lançou a raposa.

— Wilde e Hopps!... — Devolveu a coelha, celebrando o plano bem sucedido com um bater de patas — Embora, eu ainda acho que você deveria ter cheirado o rastro andando de quatro como um cão farejador!

— 'Au au' pra você... — A raposa gesticulou uma boca com sua mão.





A montanhas de entulhos na qual estava Jack revirou-se, revelando que a lebre levantava-se, com um semblante neutro. Savage colocou-se de pé e sutilmente tirou o pó de sua roupa, ao passo que Nick e Judy se puseram em guarda novamente.





— Muito bem... — Disse a lebre, com as mãos nos bolsos e um olhar fulminante — Era essa sincronia que estava sentindo falta...





— É, tamo junto, raposeada! — Judy apenas revirou os olhos com a provocação de seu parceiro canídeo, porém, satisfeita… Wilde estava vivo como nunca.







— ... Estão animados… Uma pena...









Nick e Judy fizeram uma expressão surpresa e abaixaram levemente a guarda… Não era um bom pressentimento.












— ... Que a sorte de vocês acaba aqui.









Lentamente, Jack Savage pegou algo pequeno e redondo de seu bolso, levando para perto de sua cabeça.






— Não...!




Judy Hopps gemeu secamente, chocada, ao reconhecer o pequeno apetrecho — Isso não...!








… E Nick Wilde também… Sua determinação esvaiu-se ao identificar a pequena e reluzente esfera de cor azul escuro que Jack Savage tinha em mãos…








— ... Cápsula de uivantes...!




Notas finais
Eeeeee é isso! Espero que tenham gostado... E, ficou claro que na parte 2 VAI DAR RUIM GRANDÃO, kkkkkkkkkkkkkkk Previsão que a parte 2 saia ainda este mês. Grande abraço meu povo!