Zona de Guerra
20 Capítulo 20 - Sentido, porque seu pesadelo virou realidade
Notas iniciais
— Bella! — Edward gritou, mas ela continuava caída. O soldado com um sorriso perverso se aproximou dela.
— Um desperdí... — Começou a falar, mas foi interrompido,quando a faca que Bella tinha nas mãos, atravessou sua garganta.
— Babaca. — Ela murmurou fechando seus olhos e desabando.
O reforço havia chego. Os soldados inimigos foram presos e Edward estava finalmente livre. O mais rápido que pôde, se levantou, correndo em direção a ela.
— Não. — Sussurrou se colocando de joelhos e a puxando para seus braços. — Bella? — A chamou, mas ela não respondia. — Bella? Bella? Respira. — Pediu, enquanto pressionava sua ferida. — Ta tudo bem. — Sussurrou, enquanto a embalava nos braços e acariciava seu rosto, a sujando com o próprio sangue.
Ela não se movia e ele não conseguia ouvir seu coração.
— Você vai ficar bem. Fica comigo. — Implorou a apertando nos braços. — Fica comigo. Bella? Bella? —Continuou a chamando, mas ela continuava ali. Inerte em seus braços. — Não, por favor, por favor! — Edward enterrou seu rosto no pescoço dela, enquanto a segurava. — Eu não posso viver sem você.
Outros soldados se aproximaram e carregaram Sam até a ambulância. O estado dele era grave, mas ele sobreviveria.
— Edward? — A tenente o chamou se aproximando, mas parou quando a viu. — Não...— Ouvir a voz dela o trouxe de volta a realidade.
— Isso é sua culpa também! Você a incentivou. — Rugiu a pegando Bella nos braços e a levando até a ambulância. O tempo estava correndo e agora, era mais precioso do que nunca
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1 Semana depois
— Se alguém quiser dizer algumas palavras... — O reverendo declarou, mas Edward se manteve parado. Sentado no banco.
— Edward? Não vai até lá? Você...
— Não. Não posso fazer isso. — Murmurou olhando em direção a porta. Sua vontade era sair dali.
— Você é o capitão. — A tenente tentou argumentar, mas ele negou.
— Não consigo fazer isso. Pensei que fosse conseguir me desligar um pouco, mas não dá. — Se levantou olhando mais uma vez em direção ao caixão e saiu da igreja, enquanto alguém fazia um belo discurso.
A tenente Garcia o seguiu, o chamando.
— Edward, volte. Você precisa...
— A única coisa que eu preciso, é voltar para o hospital junto com a Bella.— Retrucou e ela se aproximou.
— Não seja egoísta! Bella está sob cuidados médicos. Quem precisa de apoio agora, são as pessoas lá dentro.
— Eu...
— Você sabia que o Meyer era filho único? E que tinha uma noiva? Depois dessa missão, todos estão tentando juntar seus cacos. — Declarou se aproximando. — Mas nem todos receberam seus cacos de volta para juntar. — Acrescentou e Edward voltou para a igreja, fazendo um discurso sobre a honra e coragem, do soldado Stephen Meyer
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Edward estava sentado ao lado da cama de Bella. Ele raramente saia de seu lado. A tenente Garcia entrou no quarto os observando. Já fazia duas semanas desde que tudo havia acontecido. Bella estava em coma induzido e os médicos não sabiam quando ela acordaria.
— Saia. — Ele pediu, sem tirar os olhos de Bella.
— Edward...— A tenente tentou argumentar, mas ao colocar sua mão no ombro dele, ele soltou toda a fúria que tinha em si. E em um movimento rápido, agarrou o braço dela e a empurrou contra a parede, enquanto apertava seu pescoço com o próprio braço.
— Está melhor agora? – Ela questionou enquanto ele a manteve erguida pelo casaco. — Ela está assim e eu sinto muito, mas o que precisamos agora, é nos focar nos outros soldados também.
— Meu único foco é ter a certeza de que ela ficará bem, está entendendo? — Ele cuspiu as palavras enquanto apertava a gola da camisa da tenente cada vez mais forte. — Isso também é culpa sua! Eu disse que ela não estava pronta. E agora ela está aqui. Acha que um treinamento prepara os soldados para o que tem aqui fora? Está errada.
— Edward...
— Não! Você a fez pensar que seria fácil! Que eles viriam, resgatariam os feridos e voltariam como heróis para casa. Que resultado esperava? Que ela chegasse lá e os inimigos não a atacassem por ser uma garota? Que ela entrasse em campo inimigo e nada acontecesse? — Questionou, rugindo cada palavra, enquanto a tenente ouvia. — Que ela seria forte o bastante para enfrentar esse inferno?
— Você pensa que ela é fraca, mas ela não...
— Não! Garcia! Essa é a verdade! — Vociferou a chacoalhando e a fazendo bater contra a parede. — E a prova disso, é que não só ela, mas quase todos foram abatidos nessa merda de missão! Meyer está morto, Sam está em uma cama e pode ficar paralitico. E a pessoa mais importante da minha vida está ligada a um monte de fio. Ligada por aparelhos que a mantém respirando e eu não sei se ela vai acordar.
Ele gritava cada palavra e a tenente desistiu de falar. Sabia que era inútil. Ele estava fora de si. Ela sabia que ele precisava desabafar apenas.
— Você entende o inferno que eu estou? Eu não estive com ninguém desde a Sofia. Eu não deixo as pessoas se aproximarem! Você sabia disso. Mas essa garota... — Declarou olhando para Bella. — Virou meu mundo assim que eu a conheci. Como teria sido para você, ver alguém esfaquear o amor da sua vida, na sua frente e tudo que você pudesse fazer, fosse assistir? — Questionou e a tenente baixou os olhos, enquanto Edward a descia lentamente.
— Vá embora. — Murmurou se voltando para onde Bella estava. — Você a mandou para o inferno. Assim como fez com Garret. —indagou, fazendo com que a tenente perdesse toda a compreensão e lhe desse um soco.
— Seu cretino. —Rosnou o empurrando.
— Como se atreve...— Edward começou, mas foi interrompido pela fúria da tenente Garcia.
— Como eu me atrevo? Como você se atreve? Acha que eu não me importo com ela? Acha que você é o primeiro e único a perder pessoas? Eu já disse uma vez, mas acho que você não entendeu. Eu o amava e teria me casado com ele. Foi um inferno, mas eu superei. Agora pare de agir como um moleque mimado e vá ver como sua equipe esta, Cullen! É uma ordem.
— Eu estou aposentado! —Ele rosnou.
— Sua aposentadoria só começa quando a missão acabar.
— E ela acabou! Olhe em volta! —Retrucou apontando em volta.
— Eu estou olhando, seu idiota! Mas você não está. —Ela respirou fundo. Aquela briga não levaria ninguém a lugar algum. —Ela vai acordar. Mas ela não foi a única que se feriu. Como você mesmo disse, Sam, seu amigo e também está machucado. E sozinho.— A tenente acrescentou, fazendo com que Edward se sentisse culpado. E com um aceno, ele saiu do quarto, em direção ao leito do amigo.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~
— Onde ela está? — Alice entrou no hospital, acompanhada por Beau e Alec. — Com licença, quero noticias de uma paciente. Isabella Swan.
— Desculpe senhorita, mas não tenho permissão para...
— Como não tem permissão? Eu quero saber onde ela está!
— Com licença, senhorita. — Um rapaz disse de trás deles e Alice se virou. — São parentes?
— Sim. Onde ela está? —Dessa vez foi Beau que respondeu.
— Eu sou o major Whitlock. Jasper Whitlock. — O jovem se apresentou e Alice teria se derretido se não fosse a preocupação com a amiga. Mas Alec não tinha esse problema.
— Olá, bonitão! Quero dizer, major. —O cumprimentou alegremente e Jasper arqueou a sobrancelha, se afastando.
— Eu falo sério, cara. Segura sua franga que agora não é hora.
— Quieto vocês dois. — Alice os censurou, se voltando para o major. — Ele é primo da Bella e eu sou amiga dela. Queremos saber notícias dela.
— A senhorita Swan está no quarto. Os médicos disseram que o estado dela é bastante delicado.
— Ela vai morrer? Ai me Jesus Cristinho!
— Alec! — Alice e Beau ralharam juntos.
— Ela foi colocada em coma induzido. Vocês querem vê-la? —Jasper perguntou e eles assentiram. — Um de cada vez, é claro.
— Eu vou primeiro. — Alice declarou enquanto Beau assentia. — Alec aonde você vai?
— Procurar um desse pra mim! — Declarou apontando para Jasper.
— O que você tem na cabeça?
— Que isso, né? A Bellita já tem aquele capitão su-per-gos-to-so. O garotão aqui. — Disse, apontando para Beau. — Tem aquela morena durona. E agora você arruma um major! Eu quero um também. Né! —Indagou e Alice o olhou como se tivesse perdido o juízo, enquanto Jasper corava. Ele estava a admirando, era verdade. Mas pensava que estava sendo discreto.
— Você vem, senhorita? — Jasper perguntou.
— Sim,sim. Não de ouvidos a ele. É nosso amigo, mas tem um parafuso a menos.
— Sem problemas. — Respondeu lhe estendendo o braço e mesmo corando, ela aceitou.
— Beau, você vai ficar bem até eu voltar?
— Sim. Vou procurar a Dani. Ela deve estar por aqui. Encontro você mais tarde.
Alice foi em direção ao quarto enquanto Beau procurava pela sua tenente.
— Beua? —Ele se virou ao ouvir a voz. — Ei. — Ela declarou enquanto ele a abraçava e a apertava em seus braços.
— Você está bem? —Ele perguntou enquanto a apertava nos braços. —É verdade o que dizem?
— Eu estou bem. Bella está viva, mas é mantida por aparelhos. A facada continha alguma coisa que não identificamos e perfurou uma artéria. Ela perdeu muito sangue e precisa se recuperar.
— Ela vai. É forte. Como ele está lidando com isso? — Perguntou, se referindo a Edward.
— Não muito bem. A última vez que nos encontramos tivemos uma briga. Dissemos coisas que não queríamos.
— Você está bem? Quer que eu fale com o Cullen? — Perguntou ainda a segurando pela cintura. Ele era o único que ela permitia que se aproximasse tanto.
— Já estive pior. Ele precisa de um tempo.
— Que bom. Porque ele me chutaria. — Respondeu com um sorriso fraco, enquanto iam em direção ao quarto de Bella.
— Beau? —Ela perguntou com um olhar perdido.
— Sim?
— Você acha que eu a mandei para lá antes da hora? Que devia ter esperado mais?
— Nós dois sabemos que se você não a tivesse mandado, ela teria dado um jeito sozinha. Mas isso não é sobre ela, não é? É sobre Garrett.
— Talvez. —Respondeu.
— Você se culpa?
— Não me culpava até Edward dizer o que pensava.
— Depois que você me contou a história, que na minha opinião é o que ele deveria ter feito com minha prima. — Apontou. — Eu acho que no final das contas, ele fez o que queria.
— Morrer? —Questionou.
— Não. Lutar! Salvar pessoas! Ele foi e é lembrado por essas coisas.
— Ele é. — A tenente murmurou.
— Acho que você não deveria se culpar. Nem o Cullen. —Declarou e nesse momento viu Edward caminhar em direção a cafeteria.— Por que não vai com a Alice? Eu vou buscar um café. Estou morrendo de fome.
— Quando você não está?
— Muito engraçado. — Respondeu revirando os olhos e colando seus lábios nos dela e foi até a cafeteria.
— Ei! —Falou, chamando a atenção de Edward, que mal tocava em seu café. — Qual seu problema? — Questionou quando Edward o ignorou.
— Olha, garoto. É melhor voltar para lá.
— Não sou um de seus soldados. Não obedeço a suas ordens, Cullen.
— Qual seu problema? — Edward perguntou irritado.
— Meu problema é que você está de luto por alguém que não morreu e está sendo um babaca com todo mundo.
— Como é?
— Ela está em coma e você esta agindo como um idiota.
— Quem você pensa que é seu moleque...— Edward retrucou se levantando. Realmente irritado.
— Eu sou o primo dela. Eu sou a família dessa garota. Foi para mim que ela ligou quando suas crises estúpidas de ciúmes estavam a enlouquecendo. Foi para mim que ela pediu ajuda para realizar seu maior sonho. E eu a ajude. Sem nem piscar. Porque é isso que a família faz. Nós nos ajudamos! Mas esse não é o único tipo de família que existe e não é por isso que eu estou aqui.
— É? E por que está? –Questionou cruzando os braços. —Esclareça.
— Você está sendo um idiota com a Dani também.
— Ela foi chorar para você? — Perguntou com escárnio.
— Você sabe que não. Ela não merece as coisas que você anda dizendo.
— Você que não sabe o que está dizendo. Se soubesse sobre...
— Sobre o Garrett? — Questionou e Edward arregalou os olhos, surpreso.
— Você sabe?
— É claro que sei. Relacionamentos dependem de confiança. Ela fez o que você não teve coragem de fazer com a Bella. Ela abriu o jogo e me contou sobre seu passado.
— Já chega. Eu não tenho que ouvir sermão de um moleque.
— A você tem sim! — Retrucou se colocando na frente. Suas pernas tremiam, mas alguém tinha que lhe dizer umas verdades. — É a minha prima naquela cama. E eu sei que você a ama. E isso é ótimo. Sempre me preocupei se um dia Bella encontraria alguém. Alguém que amasse de verdade. E você a ama. Mas o fato de estar sofrendo com o que aconteceu com ela, não lhe da direito de agir como um babaca com a minha namorada.
— Eu vou lhe dar uma chance de sair da minha frente, garoto.
— Ou o que? Vai me bater? Bate. Eu não ligo. Já apanhei de caras maiores por muito menos. Mas alguém precisa te dizer umas verdades. Eis o que vai acontecer. Bella vai acordar e se você a machucar de novo, eu vou fazer o inferno para mante-la longe de você.
— Você não faria...
— Não? Você está olhando para o cara que conseguiu subir no palco do show do Paramore, dizendo que era assistente de palco. Eu fugi de cinco seguranças e um cachorro. Eu sou bem determinado. Agora eu vou comer aquela torta, que está me encarando desde que eu cheguei. Mas é bom não esquecer na nossa conversa.
Declarou enquanto caminhava até a lanchonete e deixava um Eward boquiaberto para trás.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Quase dois meses se passaram e Bella continuava no coma. Edward estava ao seu lado e segurava sua mão, quando sentiu um aperto. Ele a olhou e seus olhos estavam abertos. Seus lindos olhos verdes brilhavam e ele sorriu.
— Bella! —Sussurrou apertando suas mãos.
— Eu conheço você, capitão? —Ela perguntou e ele paralisou.
— O que você...
— Te peguei. —Respondeu fracamente. —Você devia ter visto sua cara.
— Muito engraçado. Você se lembra de mim, certo?
— É claro que me lembro, Edward. — Respondeu rindo, mas seu sorriso se transformou em uma carranca de dor.
— Precisamos conversar. — Ele declarou, voltando a pegar sua mão.
— Sim. Merda. — Gemeu tocando a própria barriga. — Mas antes pode chamar a enfermeira? Não é como na TV. Essa merda dói.
— Eu...
— Se disser: Eu te disse. Quando eu melhorar, eu juro que chuto você.
— Deus! Eu amo tanto você, Bella. Não sabe como senti falta disso. — Declarou a beijando. —Eu vou chamar a enfermeira.
— Está bem. Mas depois traga essa linda bunda de volta para cá. Realmente precisamos conversar. E a propósito, eu também amo você. Mesmo que seja um idiota as vezes. — Acrescentou piscando.
Edward assentiu e foi atrás de uma enfermeira, mas dessa vez, carregava um grande sorriso nos lábios.
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