Zona de Guerra
12 Capítulo 12 - Sentido, porque você mexeu com a pessoa errada
Notas iniciais
— Não acredito que você me fez gritar. — Declarou ainda recuperando o fôlego e ela se ergueu, lambendo os lábios.
— Duas vezes. — Acrescentou sorrindo e caindo ao lado dele.
— Acho que alguém está ficando muito convencida.
— Um certo capitão me deixou assim. — Rebateu jogando uma das pernas sobre as dele, mas bocejou em seguida.
— Cansada? — Perguntou deixando as brincadeiras de lado, enquanto acariciava suas costas nua.
— Um pouco, mas não quero dormir agora.
— Por que não?
— Porque isso significa que eu terei que voltar para meu dormitório. E eu quero ficar aqui. — Respondeu e ele assentiu, afagando seus cabelos.
— Ou você poderia deixar algumas coisas aqui. Ninguém entra aqui mesmo. E se alguém te ver sair, que se entenda comigo.
— Eu agradeço o que está tentando fazer, mas provocar não vai ser bom. Pelo menos por agora com...
— Becker. Eu sei. Já sabe o que vai fazer? Se mudar de ideia...— Começou, mas ela o interrompeu.
— Não. Você não vai bater nele. Não vai se sujar por isso.
— Tudo bem. — Respondeu emburrado. — Soube que os rapazes vão aproveitar a folga para ir em um bar aqui perto.
— Eu sei. Sam me chamou. — Declarou colocando seu nariz no vão do pescoço dele, inalando seu cheiro.
— Você não vai?
— Eu prefiro ficar aqui com você. Assim podemos ter mais privacidade. — Acrescentou com um sorriso carregado de segundas intenções. — Além disso, é provável que Becker também vá.
Ao ouvir tais palavras, ideias fervilharam em sua cabeça. Talvez essa fosse a oportunidade perfeita para colocar o tal soldadinho em seu lugar. Ninguém mexia com sua garota e saia livre. Ninguém.
— Eu acho que você deveria ir. — Disse rapidamente e ela o olhou confusa.
— Acha?
— Claro. Se a ideia é despistar, sabe? Ficar aqui no alojamento não vai ajudar. Você tem que se misturar com os rapazes.
— Sim, mas...
— Então está decidido. Nós vamos a esse bar.
— Nós? — Perguntou arqueando a sobrancelha.
— É claro. Não achou que eu fosse ficar longe de você, não é? — Questionou quando ela o montou. As mãos dele estavam na cintura dela, onde ele apertava com desejo.
— Então nós vamos? — Perguntou mordendo o lábio.
— Sem duvida. Por mais difícil que seja manter minhas mãos para mim... — Foi interrompido por uma batida forte em sua porta.
Bella arregalou os olhos, saltando da cama.
— Para onde eu vou? — Perguntou apenas movendo os lábios e ele apontou para o armário. Ainda sem acreditar naquela situação, ela apanhou suas roupas e se enfiou dentro do móvel.
A batida estava mais forte e impaciente. Edward rapidamente vestiu um moletom e abriu a porta, dando de cara com a tenente Garcia. E sua cara era de poucos amigos.
— Tenente? — A chamou, ainda confuso. — O que faz aqui? — Perguntou assim que ela o ignorou e atravessou a porta, passando por ele.
— Feche a maldita porta, Cullen. Estou tendo uma noite infernal e quanto mais rápido acabar aqui, melhor.
— Tenente, já disse que nós... — Começou, imaginando as intenções daquela visita. Ele havia tentado ficar com ela uma vez, mas foi antes de saber toda a história de Bella.
— Apenas feche essa maldita porta, Cullen! Ou quer que ouvidos escutem o que eu tenho a dizer? — Questionou sem desviar o olhar. Ele fechou a porta, mas estava pronto para escapar de qualquer ataque que ela pudesse ter preparado. A conhecia o bastante para saber que ela não desistiria facilmente.
— Sobre o que quer falar, tenente? — Perguntou se mantendo longe.
— De algo que não é apenas do seu interesse, Cullen. Sai de onde estiver, Bella. — Pediu e os olhos dele saltaram de surpresa. Ela sabia que Bella estava ali.
Um minuto se passou e o mundo a sua volta parecia congelado.
— Por Deus, Isabella! Não está com problemas, mas eu juro que se me fizer procura-la estará.
Ao ouvir isso a respiração de Edward ficou descompassada e a porta do armário se abriu lentamente.
— Espero que esteja vestida. Já concluímos que você não faz meu tipo. — Declarou se virando para ela. Bella usava uma camisa de Edward, que batia em suas coxas. Seus cabelos – mesmo curtos – estavam desgrenhados e suas bochechas coradas.
— Olá, tenente.
— Vistam-se os dois. Precisamos resolver um problema.
— O que aconteceu dessa vez? — Edward perguntou ao vestir sua camisa.
— Aparentemente eu não sou a única a saber desse segredinho. — Respondeu apontando o queixo para Bella.
— O que quer dizer com isso? — Bella perguntou.
— Se eu bem me lembro, quando perguntei quem sabia, você disse que ninguém.
— Eu disse que não diria os nomes.
— Não pensou que mencionar que aquele rato do Becker está nessa lista de nomes seria importante?
— Ele não estava na época. — Defendeu-se.
— Então como ele descobriu?
— Ele ouviu nossa conversa aquele dia. — Respondeu se virando e colocando suas ataduras.
— Bem, ele foi burro o bastante para ir até o meu escritório e tentar me ameaçar.
— Como tentar te ameaçar? — Edward perguntou curioso.
— Disse que eu sabia sobre a situação de Bella e estava encobrindo. — Declarou sentando-se na cama. — Não satisfeito, revelou sobre o... caso de vocês.
— Ele disse?
— Disse. E que se eu não acreditasse, que viesse aqui. Então tentou me chantagear.
— E o que você fez? — Bella perguntou.
— Lhe dei um gancho de direita. — Respondeu calmamente e ambos riram. — Uma lição que devem levar para a vida: Ir até o meu dormitório tarde da noite, fazer com que eu precise me livrar da minha companhia e tentar me chantagear? Péssima ideia. Acho que o babaca aprendeu a lição.
— E o que vamos fazer?
— Eu já estou providenciando a transferência desse verme, mas vocês tem que ter mais... controle. Não poderei fazer nada se forem pegos.
— Entendemos. — Bella declarou.
— Não. Não entenderam. Ele veio até mim. O que quer dizer que o próximo passo é...
— James. — Edward murmurou.
— Exato. E ele não será tão compreensivo. — Declarou se levantando. — Agora que já resolvemos, eu posso voltar para meu acompanhante.
— Ahn... Tenente? — Edward a chamou.
— O que? — Rebateu mal-humorada. Ele melhor do que ninguém entendia como era frustrante ser interrompido.
— Sem ressentimento, certo?
— Do que é que está falando, Cullen? — Questionou impaciente.
— Sabe... — Disse coçando a nuca. — Aquela noite. — Acrescentou e o esclarecimento surgiu nos olhos da tenente.
— Oh, querido... Você pensou... Achou mesmo...? — Murmurou com a mão na boca.— Achou que eu gostasse de você? ´
— Você me atacou. — Declarou de orgulho ferido.
— Eu ataco todos com que eu quero passar a noite. E aquilo foi apenas isso. Uma noite.
— Como assim, ataca todos que quer passar a noite? — Perguntou boquiaberto.
— Uma transa. Era apenas isso que eu queria com você. E bem, eu sou bastante direta quando me interesso por alguém. Se não acredita em mim — disse se virando para a porta —, pergunte a sua namorada. — Declarou saindo do quarto e ele se virou para Bella, que o olhava com surpresa.
— Quer me dizer alguma coisa? — Perguntou e ela rebateu.
— Eu digo o mesmo. Que noite é essa?
— Tudo bem, obviamente ainda temos alguns pontos para resolver.
— Mas isso pode esperar. — Bella declarou, o puxando para a cama.
— Pode, é?
— Acho que temos coisas mais interessantes para fazer, querido. — Disso ao morder sua orelha.
— Pode apostar nisso, namorada. — Sussurrou aquela palavra como se fosse um segredo. E de algum jeito, era. Um segredo apenas deles. Pelo menos por enquanto.
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