Zona de Guerra
10 Capítulo 10 - Sentido, porque ou você negocia ou vai embora
Notas iniciais
— Becker e Swan. — O major os chamou e ambos deram um passo a frente.
— Sim, major.
— Um de vocês vai subir de posto. Mas ainda não escolhi qual. Então, vamos resolver isso de um jeito bastante prático. — Disse caminhando em frente a fila de soldados.
— Estamos muito perto de uma convocação. Está havendo uma guerra e eles precisam de bons soldados. Mas precisam de mais do que alguém bom de briga. Precisam de homens espertos. Estratégicos. Quero uma briga limpa. Entre vocês dois. — James declarou e Edward arregalou os olhos.
— Major, não acho que eles estejam prontos e...
— Sim, senhor. — Bella respondeu interrompendo o que Edward dizia e dando um passo.
— Ótimo, Swan. E quanto a você, Becker? O que está esperando?
— Sim, senhor. — Victor rugiu, dando um passo à frente assim como Bella.
Ambos se aproximaram e se colocaram em posição.
— Comecem. — O major exigiu cruzando os braços.
Bella levantou a guarda e começou a analisar os movimentos que Victor fazia. Ele se preparou para atacar e ela segurou seu braço, o torcendo e desferindo uma joelhada em seu abdômen. Edward assistiu à cena com um sorriso. Aquela era sua garota. Mesmo que ele tivesse estragado tudo, ela ainda era sua garota.
Ela estava em vantagem, mas Victor lhe deu uma rasteira e socou uma de suas costelas fazendo seu ar sumir, junto com o de Edward, que desfez o sorriso.
Bella tentou puxar o oxigênio de volta para os pulmões e Victor se aproveitou disso para continuar aplicando golpes. Ele havia empurrado seu pé conta o peito dela. Bella ofegou, caindo no chão; ele continuou lhe chutando, enquanto ela se contorcia.
— Já chega, Becker. — O major ordenou, mas ele não obedeceu. Estava cego de raiva. Uma garota? Como podia ter sido colocado contra uma garota?
Seus golpes ficaram mais fortes e Bella gemeu de dor. Edward se aproximou, o puxando para longe dela, mas ele continuou tentando. O capitão, enlouquecido com aquilo, lhe aplicou um golpe na garganta. Victor, completamente cego de raiva, partiu em direção ao capitão, que chutou seu abdômen e lhe deu uma rasteira, o derrubando no chão. Quando estava pronto para continuar, ouviu a ordem do major.
— Já chega, Cullen. — Disse e Edward parou automaticamente, ele jogou Victor contra o chão e foi em direção a Bella, que estava encolhida. — E quanto a você, Becker. Não precisamos de soldados que chutam homens caídos. Você será rebaixado.
Edward já levantava Bella, mas ele não podia carrega-la. Do jeito que ela estava, se a pegasse no colo a machucaria ainda mais.
— Uley! Ajude o capitão a levar o Swan para a enfermaria. —Declarou o major, se afastando. — Parece que ele vai precisar. — Acrescentou.
Sam correu até onde ela havia caído e, junto com Edward, a carregou até a enfermaria. A enfermeira lhe deu algo para dormir e saiu logo em seguida.
— Ela vai ficar bem. — Sam sussurrou ao vê-la na maca. — É uma garota durona.
— É loucura ela continuar com isso. — Edward declarou, se sentando perto da cama. — Ela contou...
— Não. Ela só disse que o lance de vocês havia acabado.
— Lance? — Perguntou confuso.
— Foi mal, eu esqueço que você é meio velho. — Disse cobrindo a boca e Edward o encarou. — Quer dizer...
— Só cale a boca, Sam. — Disse olhando para o lado e, vendo que não havia ninguém, acariciou o rosto dela. — Ela me odeia, não é?
— Não. Ela ama você. Mas está magoada. Eu disse à ela que enquanto não resolvesse a situação dela aqui, vocês não podiam ir muito longe.
— E o que ela disse? — Perguntou curioso.
— Que o problema não era esse.
— Ela disse mais alguma coisa?
— Que você é um idiota. E então me expulsou do dormitório.
— Ela tem razão. Eu sou.
— Então não é apenas essa situação? Digo, ela se passar por um cara? Porque se você está brincando com ela, eu juro que vou esquecer que você é meu superior – além de dez centímetros mais alto e uns cinco quilos mais pesado que eu – e vou imitar o imbecil do Becker.
Ao ouvir aquelas palavras, Edward ficou paralisado. Sam arriscaria seu posto por ela. Ele era o capitão e ainda sim, o soldado estava o ameaçando se estivesse brincando com os sentimentos da amiga.
— Não. Eu a amo. — Foi tudo que conseguiu dizer.
— Então qual é o problema de vocês? — Questionou confuso.
— Eu sou bem mais velho que ela.
— Isso dá pra perceber.
— Vai ouvir ou não? — Retrucou e Sam assentiu.
— Eu era mais jovem. E muito apaixonado. Ela era linda e cheia de vida. Eu não consigo passar por isso. Não vou passar por isso de novo. Aquilo quase me destruiu. — Murmurou beijando a testa dela e caminhando em direção a porta.
— Ei? O que aconteceu? — Ele perguntou.
— Ela me deixou. — Declarou pronto para sair, mas Sam se pronunciou de novo.
— Então você está agindo como um fodido idiota com ela, porque uma garota de chutou?
— Não. Eu estou agindo como um fodido idiota, porque essa garota morreu. E foi minha culpa. — Declarou passando pela porta. —Bella não merece alguém como eu. Merece alguém melhor. — E saiu.
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Uma semana havia se passado e o major reuniu todos os soldados novamente para comunicar sua decisão.
— Swan, você subiu de posto. — Edward declarou com um sorriso torto em seu rosto. — Agora que já acertamos as coisas, comecem a correr soldados.
— Mas... — Becker começou, mas parou assim que Edward colocou os olhos nele. Seu rosto ainda estava inchado pela surra que o capitão havia lhe dado. Os machucados que Bella havia sofrido eram em seu corpo, então seu rosto estava intacto.
— Soldados covardes chutam homens caídos, Becker. Não precisamos de soldados covardes. — O major declarou.
Bella, mesmo contra sua vontade, começou a correr e foi até o canto do pátio se alongar. A vontade que tinha era dizer à Edward que ele não podia subi-la de posição para compensar o que fez. Ou o que não fez. Ela havia se entregado completamente à ele e ele não havia dito nada.
Com certa distancia, Victor a observava.
Ele sabia que ele na verdade era ela, mas não sabia como fazê-la admitir isso. Então decidiu usar o truque mais velho do mundo.
Se aproveitando que estava sozinha, Victor se aproximou e a chamou.
— Ei, Bella. — A chamou pelo nome que a tenente havia a chamado... e ela caiu.
— O que você quer, Becker? — Questionou se alongando, mas parou assim que as palavras deixaram sua boca.
— Eu sabia. — Victor disse presunçoso com um sorriso perverso no rosto.
— Sabia o que, idiota? — Perguntou, tentando disfarçar o pânico que sentia.
— Sabia que você era uma garota.
— A surra da semana passada afetou sua cabeça? — questionou. — Você está se ouvindo?
— Poderia perguntar o mesmo. E nem tente negar. Só vai piorar as coisas. Eu ouvi sua conversa com a tenente. Foi... Esclarecedora.
— Vo-você ouvi?
— Finalmente uma reação digna, Swan. — Disse a rondando. Ela não conseguia se mexer. Se ela havia achado ruim a tenente descobrir, o Becker era cem vezes pior. Porque nada dele viria de graça. Ainda mais um segredo tão grande.
— O que você quer aqui?
— Veja como eu sou bonzinho. Eu quero apenas um posto a minha altura.
— Então quer que eu peça ao Cullen para te rebaixar de novo? — Comentou divertida.
— Você não está em posição de debochar de minha, gracinha.
— Primeiro, gracinha é a mãe. E segundo, como diabos você acha que eu vou te subir de posto?
— Não tente me enganar. Eu já percebi os olhares do Cullen pra você. Ele não teria partido para cima de mim se fosse um soldado qualquer. Ele sabe? Que você é um garota?
— Não. — Mentiu.
— Então qual é a dele? Ele curte...
— E como diabos eu vou saber disso? Você quer subir de cargo? Lamento, mas não tenho como fazer isso.
— Então faça seu amigo Sam descer. Eu estou atrás dele agora que você subiu. Se ele cair. Eu me levanto.
— E o que te faz pensar que eu vou fazer o Sam afundar? Por que você é uma merda de soldado? — Questionou e ele se aproximou como a raposa traiçoeira que era.
— Porque se não fizer isso, eu vou até o major. — Cuspiu as palavras. — Você tem uma semana. É melhor se apressar, querida. — Acrescentou e saiu caminhando tranquilamente.
Depois de alguns segundos paralisada, Bella correu, ainda atordoada, até o dormitório. Edward, que assistia a cena de longe, não entendia o que estava acontecendo, mas soube que algo estava errado assim que viu Bella correndo. Então a seguiu.
Ao entrar no dormitório a pegou andando de um lado para o outro. Trancou a porta atrás de si e se aproximou. Ela passava a mão pelos cabelos, já um pouco maiores, e murmurava palavras desconexas.
— Bella? — A chamou em tom baixo, não querendo assustá-la, mas ela não o escutou. — Bella? — Disse mais alto. Mas ela continuava caminhando e, por um segundo, ele pensou ter visto lágrimas em seus olhos. — O que aconteceu? — Se aproximou e ela murmurou palavras desconexas.
— Ele não podia... Justo ele... Agora eu...
Edward, começando a ficar assustado com o estado perturbado dela, a segurou pelos ombros gentilmente, fazendo-a olhar em seus olhos.
— Bella, olha para mim. O que aconteceu? — Pediu e ela o olhou. E então ele pôde ver uma coisa que nunca havia visto em seus olhos. Medo.
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