Zona de Guerra
6 Capítulo 06 - Sentido, porque estou ferrada
Notas iniciais
Já passava da meia noite e todos os soldados já estavam em seus dormitórios. A hora perfeita para um banho.
Bella pegou suas coisas e caminhou até o banheiro, que ficava atrás dos dormitórios.
Mas ao chegar à porta de seu dormitório, depois de seu banho, percebeu que faltava algo.
— Oh, grande merda. — Resmungou voltando para o banheiro. As luzes estavam acesas e ela podia ouvir barulho de água ali. Quem tomava banho a uma hora dessas? Pensou. Aí se lembrou que ela mesma havia acabado de sair de lá. Mas ela tinha uma boa desculpa. Qual era a de quem estava lá?
Bella se aproximou e pôde ouvir um assovio vindo de um dos chuveiros. Ela chegou mais perto e arfou com a visão que teve. Era o capitão Cullen. E ele estava completamente nu.
Ela precisava recuperar sua bandagem, mas não existia uma maneira de entrar ali sem ser pega. Talvez ele não a encontrasse e assim que ele saísse, ela poderia pega-la de volta.
Bella olhava com tanta intensidade as gotas que escorriam por seu abdômen, que ao recuar um pouco, não notou a porta do armário aberta e se chocou contra ela; chamando a atenção do capitão.
— Quem está aí? — Rugiu e ela se atirou no chão, tentando esconder-se. — Quem está aí? — Vociferou novamente, terminando o banho e se enrolando na tolha, enquanto Bella fugiu engatinhando.
Ela voltou para o dormitório sem sua bandagem. Usaria a reserva, pelo menos até recuperar aquela.
Mal havia amanhecido e o capitão haviam mandado que todos os soldados se reunissem no pátio. Ela estava nervosa com essa convocação repentina, mas não havia nada a temer. Ao menos pensava que não.
— Ontem à noite havia alguém fora do dormitório. — Bradou, caminhando entre os soldados, que permaneceram calados. — E eu quero saber quem era.
Todos permaneceram de cabeça baixa, inclusive Bella. Ela não poderia confessar, porque isso geraria outra pergunta. Por que ela estava aquela hora no vestiário?
— E além disso, algum dos baderneiros deixou algo para trás. – Disse mostrando a bandagem e se possível, Bella baixou ainda mais os olhos.
Ele havia encontrado sua bandagem e não estava com paciência para saber de quem era.
— Então? — Perguntou. — Eu estou esperando. — Acrescentou mostrando a bandagem que tinha nas mãos. Bella estava no exército um pouco mais de uma semana e já havia dado um fora daqueles. Qualquer um podia ter encontrado sua bandagem, mas tinha que ser justo o capitão?
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Bella se aproximou lentamente da cabeceira. Um passo de cada vez, rezando para não tropeçar.
— Swan... — Pôde ouvi-lo dizer e paralisou. Ela esperou alguns segundos, mas não ouviu nada. Ele estaria sonhando? Com ela? Ignorou aquilo e voltou a abrir a gaveta para pegar sua bandagem.
— Achei você. — Ela sussurrou para a bandagem, puxando-a, mas ela estava presa. Quando ela usou um pouco mais de força para tentar solta-la, acabou pisando no sapato do capitão e se desequilibrando.
Ela caiu sentada e o observou, torcendo para que não o tivesse acordado. Quando ele não se mexeu, ela suspirou aliviada e se levantou, lhe dando as costas.
— Esteja em pé às três da manhã, soldado. — A voz rouca do capitão soou em seus ouvidos e ela congelou onde estava. — Nós vamos correr.
— Sim, capitão. — Respondeu correndo para fora do dormitório. Aquilo poderia ter acabado de um jeito muito pior. Ele podia ter acendidos as luzes e a confrontado. Mas ao invés disso, apenas aplicou uma punição.
Ela voltou para o dormitório para tentar dormir as horas que lhe restavam.
Seu despertador tocou as duas e meia e ela levantou sobressaltada. Não sabia o que estava acontecendo até se lembrar do castigo do capitão Cullen. Depois de vê-lo em toda sua glória no chuveiro, ela tinha outras idéias de castigo. E nenhuma delas envolvia correr. Foco Bella, ela se repreendeu. Não podia ter esse tipo de pensamentos.
Rapidamente colocou sua bandagem reserva, suas roupas e então se direcionou para o pátio, onde correriam.
— Pelo menos é pontual. — O capitão disse a observando.
— Capitão... — Tentou explicar, mas ele a interrompeu.
— Eu não sei o porquê de você estar com essa bandagem ou o porquê de não ter confessado quando perguntei, mas como castigo, você irá correr todas as manhãs a essa hora comigo. Por três semanas.
— Sim, capitão. — Respondeu batendo continência.
— Ótimo. Agora se mexa
— Você é lento. — Declarou o capitão, enquanto Bella tentava recuperar um pouco de oxigênio. — Mas eu ainda tenho uma proposta para você, soldado. — Acrescentou e ela arqueou a sobrancelha
— Uma proposta, capitão? — Perguntou recuperando o fôlego.
— Amanhã, vamos correr neste mesmo horário. Caso consiga me ultrapassar, estará liberado da punição. — Respondeu cruzando os braços em seu peito e Bella assentiu. — Mas se não conseguir, continuará correndo. — Ela sabia que ele era o melhor corredor daquele regimento, mas ainda assim tentaria vencê-lo.
Uma semana havia se passado e não importava o quanto tentasse. Nunca conseguia ultrapassá-lo. Talvez estivesse na hora de pegar mais pesado.
— Você precisa me ajudar. — Declarou sentando-se na mesa do refeitório, ao lado de Sam.
— Em que exatamente? — Perguntou.
— Eu quero alguém para praticar corrida. Quero ficar mais rápido.
— Não dá para praticar corrida, Beau. Ou você é um bom corredor ou não é. — Respondeu e Bella colocou o rosto entre as mãos. Não acreditava que chegaria até aquele ponto, mas também estava cansada das gracinhas do capitão, sempre que a vencia. Queria vencê-lo ao menos uma vez.
— E que tal isso? — Disse ao ver a descrença em seu olhar. — Você me ajuda a praticar a corrida e em troca eu te ajudo a se livrar daquela tenente.
— Você disse que ela parecia louca e não se aproximaria dela. — Inquiriu apontando para ela.
— Pra você ver o quanto eu estou desesperado.
— É tão ruim assim correr com o capitão? — Questionou.
— Eu não vou te ajudar apenas por isso. Eu a vi se jogando para você no outro dia. Cara, eu fiquei com pena. Quero te ajudar. — Acrescentou — Mas sim, o capitão é um carrasco. Ele debocha das minhas pernas curtas sempre que me vence. — Declarou, o fazendo rir alto.
— Está bem. Eu ajudo você. — Respondeu. — Mas acho bom me livrar daquela maluca.
E durante toda aquela semana, ela corria pelas manhãs com Edward e todas as tardes com Sam.
Estava no dormitório trocando de roupa, pronta para ir se encontrar com Sam, quando o mesmo abriu a porta.
— Beua, o capitão mandou... — Sam disse entrando no dormitório, fazendo Bella saltar e derrubar sua camiseta e, junto dela, a maldita bandagem. Ele ficou paralisado a olhando. — Você... Você tem peitos! — Gritou histérico e Bella rapidamente vestiu a camiseta indo em direção a ele, que correu para o outro lado. — Por quê? — Perguntou gritando e ela trancou a porta, antes que a situação piorasse.
— Quer ficar quieto, Sam?
— Você tem peitos! — Disse olhando para ela sem acreditar.
— Sam! — O chamou, tentando ter sua atenção.
— E são dois, e redondos e...
— Sam! — Disse mais alto.
— Por que ele tem peitos de uma garota? — Perguntou a si mesmo com as mãos na cabeça.
— Sam! — Gritou.
— Por quê? — Gritou a olhando horrorizado com a descoberta.
— Porque eu não sou Beaufort, seu idiota. Eu sou a Isabella.
— Você é uma garota! — Constatou sentando-se na cama.
— Não me diga? — Respondeu se aproximando dele. — Agora preste atenção. — Acrescentou sentando-se ao seu lado. — Não pode contar a ninguém, entendeu?
— Você me viu pelado! — A acusou.
— Então agora estamos quites. — Retrucou com um sorriso divertindo brincando nos lábios.
— Por que está aqui? — Questionou a olhando atentamente. Como nunca havia percebido? Ela não tinha nada de um garoto. Não tinha vestígios de barba ou um maldito pomo de adão. Só um cego não perceberia essas coisas. Mas ao que pôde perceber, todos ali naquele quartel eram cegos.
— Eu queria me alistar. Fiz o exame para o exercito feminino várias vezes. Sempre era rejeitada.
— Então resolveu virar um cara? — Perguntou com a voz carregada de ironia. Não entendia com ela havia chegado aquele ponto.
— Sim. Pareceu o mais fácil. — Respondeu dando de ombros.
— Fácil? Você é uma garota no meio de vários caras. Minha namorada não gostava de dormir no meu apartamento por causa do meu colega de quarto. Como sua situação seria fácil?
— Talvez não mais fácil, mas foi o único jeito que encontrei de entrar. — Rebateu. — E aqui estou.
— Alguém daqui sabe?
— Só você. — Respondeu.
— Como foi que passou pelos exames? Eles pedem para que tiremos as roupas.
— Meu primo, o verdadeiro Beaufort, me ajudou.
— Que doideira. — Respondeu.
— Então — começou com medo da resposta —, vai me entregar?
— Não. Somos amigos. Eu acho. — Declarou confuso. — Somos amigos, certo? Ou essa parte também era mentira?
— É claro que somos amigos. Eu não menti sobre isso.
— Você sabe que não pode manter isso para sempre, não é? E eu devo te chamar de Bella? Agora parece estranho te chamar de Beau. — Refletiu.
— Só B está ótimo. Evita que você troque os nomes na hora errada. — Respondeu empurrando o ombro dele com o seu. Ela gostava do Sam e odiaria perder a amizade que haviam construído por causa de suas mentiras.
— Também acho. — Declarou a empurrando de volta. — Você é bem fortinha para uma garota.
— Essa garota chutou sua bunda no primeiro combate. — O lembrou, sorrindo.
— Só porque você é pequena. — Respondeu devolvendo o sorriso cúmplice. — Eu tenho uma pergunta.
— Diga.
— Como você esconde? — Perguntou olhando para os peitos dela.
— Com uma bandagem. Os mantém no lugar.
— A que o capitão encontrou... — Constatou. — Ele sabe?
— Só sabe que é minha. Eu tentei pegá-la de madrugada e ele me viu. — Respondeu. — Ele só sabe que eu uso uma bandagem.
— Por isso tem corrido com ele essa semana? Como punição?
— Essa semana e as próximas. Ele me deu três semanas de corridas. — Declarou se levantando. — Agora pode dar licença? Antes que alguém volte? — Perguntou. — Estou muito feliz que tenha sido você a entrar.
— Mesmo? — Perguntou se levantando. — Por quê?
— Porque se alguém vai saber da verdade e de quebra ver meus peitos, então antes você do que aquele imbecil do Becker.
— Seria muito pior. — Concordou. — Se arrume aí, ou seja lá o que você for fazer, e enquanto isso eu vigio a porta. — Declarou.
— Mesmo?
— Claro. — Respondeu prontamente. — Você é boa, B. Odiaria que fosse mandada embora apenas porque é uma garota. — Parou de falar, arregalando os olhos. — Não que isso seja ruim. Eu gosto de garotas, eu só...
— Eu entendi, Sam. — O interrompeu rindo.
— A questão é: amigos ajudam uns aos outros. E somo amigos.
— Sim. Grandes amigos.
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