Zona de Guerra
27 Capítulo 27 - Sentido, porque é hora do acerto.
Notas iniciais
— Eu vou matar aquele filho da puta! — Bella gritou se levantando e Edward a segurou, antes que ela passasse pela porta.
— Bella, respira!
— Me solta! — Ralhou, puxando o próprio braço.
— Não. — Ele rebateu, sem desviar os olhos.
— Edward!
— Não, Bella! Temos que ser espertos agora. Planejar uma abordagem.
— Aquele soldadinho seqüestrou meu primo e você quer que eu fique aqui, planejando? Eu tenho um plano. Eu vou até lá e arranco a cabeça dele! — Rugiu e ele a apertou mais entre os braços.
— É? E como vai chegar até ele? Ou o que fará se ele estiver armado? Acha que se sacrificar vai saltar o Beau? — Retrucou, olhando em seus olhou.
— Não posso só ficar aqui, enquanto ele está lá.
— Eu não disse que não faríamos nada.
— Aquele filho da puta! — Edward ouviu um grito e correu para fora da cabana.
— Dani!
— Quando eu colocar as mãos naquele cara, ele já era, Edward. Ele já era! — Vociferou, entrando na cabana.
— O que aconteceu?
— Estávamos apanhando lenha. Estava escuro e havia um barranco perto. Aquele imbecil me empurrou e enquanto eu rolava, ele levou o Beau. Foi tudo rápido demais.
— E o que vamos fazer agora? — Natasha perguntou. — Não é como se eles tivessem deixado uma trilha.
— Uma trilha! Natasha, você é um gênio! Vamos torcer para que Beau ainda faça a triilha.
— Do que você está falando, Swan? — A tenente perguntou, enquanto Sam cuidava de suas feridas.
— Quando éramos crianças, sempre que íamos para a floresta, Beau deixava uma trilha de biscoitos. Os biscoitos que ele carrega. Assim, ele sempre sabe o caminho de volta.
— Acha que ele se lembrou disso? — Edward perguntou, a soltando.
— Eu espero que sim.
— Então o que estamos esperando? Vamos atrás dessa maldita trilha! — Dani ralhou, enquanto todos pegaram seus equipamentos.
Beau havia assinado sua sentença de morte. E era hora de cobrar.
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— É hora de acordar, bela adormecida! – Becker vociferou atingindo Beau com um tapa. O ouvido dele zumbia e tudo rodava.
— Quem é você? – Perguntou ainda desorientado.
— O pior dos seus pesadelos, garoto. Mas por enquanto, Victor está bom. – Declarou rondando a cadeira onde Beau estava amarrado.
— E por que eu estou aqui?
— Culpe seus amigos. Sabe, você parecia mais fraco do que realmente é. Não pensei que fosse dar tanto trabalho.
— Eu sei me defender. Acho que me lembro de você. Você é o bundão que minha prima chutou. – Comentou com um sorriso e ganhou outro tapa.
— Ria enquanto pode. Vamos ver quanto tempo dura esse sorriso, seu idiota.
— Eu diria a mesma coisa. Não vai ser bonito quando meus amigos te encontrarem.
— E o que te faz pensar que eles vão me encontrar? – Questionou apertando o queixo de Beau e o fazendo gemer de dor.
— Eu conheço minha garota. Ela vai te encontrar.
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— Aqui! Eu encontrei alguma coisa. — Natash declarou se abaixando e pegando o biscoito, o colocando na boca. — É um biscoito.
— E se não fosse? Natasha! O que já falei sobre colocar coisas na boca? — Sam ralhou, fazendo a ruiva revirar os olhos.
— Não ouvi reclamações na noite passada. — Comentou com um olhar sacana, fazendo a loira corar.
— Da para focar aqui? — Bella pediu e elas assentiram. — São os biscoitos dele. Ele fez a trilha.
— Esse é meu garoto. Consegui sinal de celular. Becker vai se arrependeu de ter mexido com meu homem.
Ela discou o número e esperou, enquanto todos a olhavam.
— Seth? Aqui é a Garcia. Preciso que faça uma coisa para mim.— Pediu.
— Sim, tenente. Do que precisa?
— Vá até meu apartamento, tem uma chave na gaveta da minha sala. Quero que busque o Jake e o traga até mim. Eu vou passar o endereço.
— Mas, tenente...
— Sem perguntas garoto. Anote o endereço. – Respondeu passando o endereço e desligando.
— Garcia...
— Quieto, Cullen.
— Quem é Jake? — Bella perguntou.
— Você verá. Vamos seguir a trilha.
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— Não sabemos se ele está armado. — Edward declarou.
— E é por isso que não vamos entrar. — Bella respondeu.
— Não vamos? — A tenente questionou.
— Não. Vamos fazer o rato sair. — Sussurrou, correndo até a parte de trás da cabana. — Beau e eu brincávamos aqui quando éramos pequenos. Eu conheço as instalações.
Bella abriu uma caixa cinza, que ficava presa a parede da cabana. Era a caixa de força central.
— Fiquem a postos. — Declarou, mas parou ao ouvir um assobio.
— Tudo bem! — Dani a tranqüilizou, assobiando de volta. Um rapaz alto saiu do meio das arvores, mas não estava sozinho.
— Como pedido, tenente. — Indagou entregando a guia
— Obrigada, Seth. Pode ir agora. Não é assunto oficial.
— Mas...
— Eu mandei ir. É uma ordem.
— Se não é um assunto oficial, tenente. Então me desculpe, mas não tenho que seguir sua ordem. Não vou a lugar algum.
— Mas...
— Garcia! — Bella ralhou, chamando sua atenção.
— Argh! Seu idiota! Está bem.
— Logo a energia vai cair e aquele porco terá que sair. Fiqeum preparados. — Bella ordenou, mexendo na caixa.
As luzes da cabana se apagaram, e como previsto, Victor logo apareceu do lado de fora. Bella deu a volta na cabana, com Seth ao seu lado, e ambos entraram.
— Beau? — O chamou, mas estava escuro.
— Bella? — Respondeu, mas sua voz estava fraca. — É você?
— A única. — Retrucou, se aproximando e tentando solta-lo. Ela usou uma faca que trazia e com dificuldade, o soltou da cadeira. Mas assim que ele se levantou, urrou de dor, fazendo Bella parar.
— Não. Você tem que ir embora. Ele vai voltar e eu não posso andar assim.
— Não! Não vou te deixar. Além disso, quem disse que estou sozinha?
No momento que as palavras deixaram sua boca, Edward as luzes se acenderam e Edward entrou na cabana, torcendo o braço de Becker.
— Olha só o que eu achei. — Declarou, o empurrando.
— Seu... — Bella tentou ir em direção a ele, mas Beau não conseguia se manter em pé sozinho.
— Garcia, o que acha de começar?
— Beau! — Dani gritou, correndo em sua direção
— Ei, tudo bem! — Respondeu, mas gemeu de dor, quando ela o tocou.
— O que ele fez com você... Eu sinto muito. — Disse, o beijando.
— Tudo bem, querida. Tenho certeza de que vai chutar a bunda dele. — Brincou. — Eu adoraria fazer isso, mas vou deixar para uma próxima.
— Não vai ter próxima. — Comentou, olhando para Edward e em seguida para Jake. — Amarre-o. — Pediu, apontando para Becker.
— Vai mesmo testar o programa sentinela? Não acha que esse verme merece algo mais concreto como punição?
— O que é sentinela? – Bella perguntou curiosa.
— Que melhor maneira de testar a eficiência do programa? Esse cretino não merece viver.
— Ei, do que vocês estão falando? – Victor pergunto, olhando aterrorizado para o sorriso frio que a tenente lhe dava.
— Você vai descobrir. – Edward respondeu lhe dando as costas e indo ver como Beau estava.
— Aqui, garoto! — Chamou o cachorro e ele rapidamente foi para se lado.
— Sério? Um maldito cachorro? É isso que você tem? – Becker debochou.
— Ele é um cachorro dócil agora. Espere um pouco. – Respondeu soltando a guia de Jake e ele correu até onde Becker estava. Victor fechou os olhos esperando a mordida, mas tudo que sentiu, foram lambidas em sua mão.
— Acho que esse saco de pulgas não é muito bom. – Retrucou, fazendo a tenente gargalhar, enquanto Edward assistia tudo.
— Edward, o que é o programa sentinela? — Bella perguntou.
— Há três anos, vários filhotes foram testados e selecionados para participar de um programa do exército. O programa sentinela. Eles fazem parte de uma defesa especial. São muito dóceis e a principio não causariam desconfianças. Olhe para o Jake. Você não pensaria que ele é um risco. – Declarou apontando para o cachorro, que mostrava a barriga, pedindo carinho.
— Eu não acho que ele seja perigoso.
— Isso porque ainda não ativamos o programa. Implantamos um chip no cérebro do animal. Ele só se tornaria perigoso se seu tutor usasse as palavras certas.
— Palavras?
— Sim. Uma sequencia de palavras muito específicas. Para a ativação e desativação do programa. Que funcionam apenas na voz do tutor.
— Cara, isso parece ficção cientifica. – Beau comentou, ainda apoiado na prima. Não conseguia se manter em pé sozinho, devido a surra que Becker havia lhe dado.
— É isso que você tem para mim, Garcia? Um saco de pulgas que deita e rola? Eu esperava mais de você.
— Todos para fora. – Dani exigiu e Edward obedeceu, sabendo o que aconteceria.
— Por que temos que sair?
— O programa foi encerrado porque existem falhas. Depois que o chip é ativado, o cachorro passa a atacar todos a sua frente. Exceto seu tutor.
— Ele não saberia distinguir amigos dos inimigos. – Bella comentou compreendendo.
— Exato. Todos para fora. – Exigiu, ajudando Bella a carregar Beau.
Do lado de fora da cabana, eles não podiam ver nada. Tudo que podiam fazer era ouvir.
— É sério mesmo, Garcia? Acho que uma merda de um cachorro vai me assustar? Sabe o que eu vou fazer quando me soltar daqui? Eu vou matar seu namoradinho. Na sua frente!
Quando Becker disse essas palavras, Bella tentou se livrar de Edward e entrar na cabana.
— Não. – Ele ordenou.
— Eu vou acabar com a raça daquele filho da puta! – Retrucou.
— Não pode entrar aí. Não agora. Só mais um pouco. Confie em mim. – Pediu e ela resolveu obedecer.
— E depois, eu vou atrás daquela vadia da garota do Cullen.— Acrescentou, fazendo Edward apertar as mãos de raiva.
— Mesmo? Eu acho uma pena que você não vai sobreviver para isso. — Dani respondeu.
— E quem vai me impedir? Você? Não está armada, Garcia.
— Eu não vou tocar em você, seu idiota. Jake!— O chamou e o cachorro correu até ela.
— Vai fazer o cachorro me machucar? Acho que ele já mostrou que não é capaz disso. – Desdenhou.
— Veremos. – Ela se abaixou, ficando da altura de Jake e enquanto acariciava suas orelhas, olhou dentro de seus olhos. – Sócrates, Molécula, Furação, Golfinho, Tulipa, Garcia, Perigo, Quartel, Ordem, Seguir.— Dani disse cada palavra pausadamente, nunca deixando de olhar nos olhos de Jake. Ela segurava sua guia e se levantou sorrindo.
— É isso? — Becker perguntou. – Um jogo de palavras? Sua vadia maluca! Acho que tenho medo de um....
— É agora. – Edward declarou fechando os olhos. Tudo que podia ser ouvido depois foram os gritos desesperados de Becker, enquanto Jacob o atacava.
— Isso é o cachorro? Temos que tirar a Dani de lá! – Beau argumentou, tentando abrir a porta, mas Edward se colocou na frente.
— Não! Ele não é um risco para ela. Temos que esperar. Se abrirmos essa porta, ele virá atrás de nós.
Mais gritos foram ouvidos, até que se fez silencio.
— Dani! Dani! – Beau gritou, mas ela não respondia. – Temos que entrar! Cullen, agora.
— Ainda não.
— Edward...— Bella indagou, mas ele a olhou com firmeza.
— Não, Bella. Ainda não! Esperem um pouco mais.
Edward colocou o ouvido contra a porta, até que ouviu a voz da tenente.
— Platão, Célula, Tsunami, Baleia, Rosa, Dani, Seguro, Casa, Ordem, Seguir. — Quando as palavras foram proclamadas, a porta se abriu. E tudo que encontraram era um copo coberto e Jacob deitado, lambendo o sangue que havia em suas patas.
— Sai de perto dele, Dani! – Beau suplicou, mas ela e aproximou dele, o tranqüilizando.
— Está tudo bem. Ele não vai machucar.
— Não vai machucar? Olha o que ele fez! – Gritou apontando para o corpo.
— Está tudo bem. Vamos para casa agora. — Tentou o tranqüilizar, mas ele não tirava os olhos do corpo.
— Ele? Ele está..? Esse cachorro... — Murmurou, dando passos para trás, mas se desequilibrou, caindo. Assim que ele caiu, Jake se levantou indo em sua direção.
— Não! Sai de perto! — Gritou, assustando todos ao redor.
— Beua, está tudo bem! — Dani sussurrou, se aproximando.
— Não, não está e argh! — Gemeu agarrando a própria perna.
— Sua perna! — Havia um grande corte na artéria femoral, e o sangue escorria.
— Ele precisa de um médico, Garcia. Agora! — Edward ralhou e ele e Seth carregaram Beau até o carro, seguindo pela mata.
— Não. — Dani murmurou olhando para onde haviam o levado.
— Garcia! — Bella e Nath a chamaram, mas ela não se mexia. Era como se estivesse em um transe.
— Ele vai morrer. — Sussurrou, fazendo Bella congelar. — Eu vi onde foi o corte. Ele vai morrer, assim como Garrett morreu.
— Não ele não vai! — Natasha declarou a arrastando. — E agora ele precisa de você. Vê se mexe essa bunda! — Ralhou a puxando. Em algum ponto, Bella também já não se movia, imaginando essa possibilidade.
— Bella! — Edward a chamou, assim que colocou Beau no carro.
— Ela empacou, Edward. As duas congelaram. Que merda, não temos tempo para isso! O garoto precisa de um médico.
— Deixa comigo! — Edward respondeu, correndo até elas e puxando Bella, enquanto Natasha fazia o mesmo com Dani, mas em uma velocidade muito menor.
— Natasha.
— Vê se acorda! Ele precisa de você agora, Garcia! — Ralhou lhe dando um tapa. Tapa que fez com que ela acordasse e corresse até o carro.
Eles estavam em dois. Natasha e Sam foram em um, junto com Sam, enquanto Edward dirigia o carro, com Bella ao seu lado, e Dani e Beau no banco de trás.
A cabeça dele estava no colo dela, enquanto ela acariciava seus cabelos. Seus olhos estavam fechados e ele suava.
— Vai ficar tudo bem. — Ela sussurrou, beijando sua testa.
Edward dirigia o mais rápido que podia, enquanto Bella ainda não esboçava nenhuma expressão.
— Pode... Contar uma história? — Beau pediu com uma voz tão baixa, que ela quase não ouviu.
— Uma história? — Perguntou.
— É. Quando eu era criança, sempre que tina medo, minha mãe contava uma história. Eu estou com medo agora.
— Não tenha medo. — Sussurrou, acariciando seus cabelos, enquanto lágrimas desciam de seus olhos.
— Eu não quero morrer. Quero ficar com você. — Declarou, respirando com dificuldade.
— Edward? — O chamou.
— Estamos quase chegando! O mantenha acordado. — Gritou e ela voltou sua atenção ao homem em seus braços.
— Você não vai morrer. Eu disse que ia cuidar de você. E eu vou. — Respondeu o beijando.
— Como me encontraram?
— Encontramos seus biscoitos. — Respondeu com um sorriso fraco.
— Será que ainda da para comer? — Perguntou sorrindo,mas gemendo em seguida.
— Não, eu acho que não. Desculpe.
— Tudo bem. Eu posso dormir um pouquinho? Eu estou tão...cansado.
— Não! Se mantenha acordado,está bem? Estamos chegando.
— Então conta a história.
— Eu não conheço nenhuma.Mas tudo bem. Era uma vez,uma garota que vivia em um mundo cinza.
— Cinza é chato. — Debochou e ela sorriu.
— Fica quietinho. — Ralhou continuando. — Ela vivia nesse mundo, até que conheceu um garoto. Ele era cheio de cores e vida.
— E o que aconteceu? — Perguntou, lutando para manter os olhos abertos.
— Ela se apaixonou. Sabe quem é o garoto? — Perguntou e ele negou, incapaz de falar mais alguma coisa. — O garoto é você, Beau. Você trouxe cores para mim vida. E eu me apaixonei.
Ela o apertava contra o peito, enquanto soluçava. Ninguém nunca havia a visto daquela maneira. Tão exposta, tão frágil. Mas ela não se importava.
— É por isso que você vai ficar bom. Porque eu preciso de você. — Declarou se aproximando de seu ouvido. — Eu sei que nunca te disse isso, mas eu te amo. — Acrescentou, mas ele não ouviu. Porque a inconsciência havia o tomado para si.
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