Notas iniciais
Olá, meus amores. Eu queria dar uns comunicados antes do capítulo começar: 1º Alcançamos trinta leitores acompanhando e quinze favoritos, e isso me deixa muito alegre. De verdade 2º Como eu disse, alcançamos mil views e mais algumas dezenas no decorrer da semana e isso é outro motivo de alegria. 3º Eu ando sem tempo e sem criatividade para escrever, por isso, acho que vou encurtar os capítulos para 2.500 palavras e postar uma semana sim, e uma não. Acho que é isso. Bem, obrigada a todos que me acompanham, tenham uma boa leitura :33

Em frente a Collin, estava Isabel. Os cabelos ruivos naturais dela estavam presos num rabo de cavalo alto que deixava seu rosto fino à mostra e as sardas da bochecha se destacavam mais, junto com os olhos azuis claros foscos que ele tanto adorava. Ela estava de pé, usando um vestido verde oliva com um decote redondo e saltos nude numa altura que dariam inveja a qualquer mulher. Realmente, ele tinha sorte.

Estavam ambos numa sala inteira branca, com uma mesa retangular de vidro ao centro e uma lousa branca à frente. Havia cerca de dezesseis cadeiras – oito de cada lado – e todas eram verde escuro com forramentos confortáveis que Collin escolheu. Nos cantos, havia mesinhas com café e alguns itens para ajudar em qualquer reunião que houvesse. Aquela era a sala que os Revolucionários usavam para reuniões, era uma sala que Collin reservava em sua empresa.

– Collin. – Chamou ela. – Está prestando atenção?

– A resposta é cinco?

Isabel riu fraco.

– É, meu amor. A resposta para “Você acha que Nick consegue entrar?” é cinco.

– Eu sou incrível, Isa.

Sentado, Collin analisou um xérox da ficha criminal de Nícolas, admirando os tantos casos que ele teve. Brigas de rua, venda de drogas, tráfico de objetos ilegais, fornecimento de materiais clandestinos, pichações em locais administrativos e...

– Nícolas foi culpado pelo acontecimento com a minha irmã?

Isabel aproximou-se do namorado e, do lado dele, analisou a ficha.

– Pelo que diz aqui, a única testemunha que presenciou o momento revelou que Nícolas tentou afogá-la e foi puxado pela mesma, sendo forçado a voltar com ela para a superfície. – Passou o indicador até chegar a um nome: a testemunha. – Ah, esse garoto.

– Ainda não acredito que ele se safou com Nícolas.

– Nícolas tem um coração muito grande pra um cara tão marrento como ele.

– Nícolas aprendeu a ter piedade, isso sim. Se isso acontecesse sem ele conhecer Charmin direito, aposto que encheria esse moleque de surra até ele desmaiar ou ter uma hemorragia interna. – Isabel olhou-o com as sobrancelhas arqueadas. Collin somente assentiu. – Eu conhecia aquele garoto. Sei que, quando ele ficava com raiva, só parava até ver um grande estrago.

A mulher pegou a ficha da mão de Collin e analisou outras páginas.

– E você acha que ele ainda faria isso se descobrisse que a testemunha é um dos amigos dele?

– Acho que minha irmã o pararia. Isso é o que eu acho.

– Vamos torcer pra isso.

Collin levantou, ficando ao lado dela. Olhou a ficha também e observou a parte que falava do parentesco de Nick, citando seu pai, a mãe e um tio da França que os ajudou a chegar até os NEUA. O pai, Jean Partoir, foi preso dez anos atrás por agressão à família e invasão de propriedade monárquica, tendo tentado quebrar uma das catracas para a A. A mãe, Louise, continha algumas rápidas prisões por uso de drogas e dirigir embebedada. Ao lado dos nomes uma foto de um senhor de olhos azulados e cabelo loiro escuro comprido, uma barba rala e olheiras profundas; Uma moça de cabelo castanho enrolado e olhos cinza, com um roxo bem abaixo do olho esquerdo.

– Acho que os pais dele não eram muito bons.

Isabel fechou a ficha e jogou-a na mesa, sentando-se numa cadeira à esquerda de Collin e praticamente desabando dela, soltando o cabelo e deixando que as madeixas caíssem sobre os ombros. Collin encostou à parte da mesa à frente da cadeira e olhou enquanto a namorada fechava os olhos e bufava.

– Esse garoto só dá trabalho. – Resmungou enquanto retirava os saltos e colocava-os sobre a mesa. – Ele não vai conseguir entrar sem que invada o sistema.

Repentinamente, Collin estalou os dedos. Levantou num pulo e, correndo até uma mesinha mais distante da sala, pegou um papel e uma caneta e correu até Isabel novamente, puxando a cadeira com força e pondo-se a escrever habilmente.

Isabel o olhou estranhamente, como se ele fosse um atrativo de um circo de horrores. A mão dele se mexia rapidamente enquanto o papel amassava ao lado pela pressão da mão esquerda no papel. Nunca havia percebido, mas Collin era canhoto e, de algum modo, aquilo o deixava ainda mais interessante para ela.

Lembrava-se exatamente do momento em que se conheceram. Collin servia como garçom num restaurante chique da A que você tinha de fazer reservas mensais para conseguir uma mesa para duas pessoas. O salário era bom, ele comentou, mas os clientes eram horríveis. Havia um jardim de inverno que ele mostrou para ela na noite em que se encontraram e, como garçom, era obrigado a elogiar a gentileza de seu par enquanto ela ria e dizia para ser verdadeiro, e ele confessou querer chutar o meio das pernas do sujeito.

Ela vestia uma saia rodada azul-marinho comprida e uma blusa branca de seda que, na opinião de Collin, fazia-a a cliente mais bonita de todas. Os cabelos ruivos estavam enrolados nas pontas estavam soltos e caíam pelos ombros e Collin lembrava-se de nunca ver um cabelo tão lindo como aquele. Mas, enquanto ela estava divina, ele trajava um terno ridículo e uma gravata-borboleta vermelha que o deixava extremamente cômico.

Algum pedido?” Ele perguntou a Isabel quando o homem que a acompanhava respondeu em seu lugar que iriam pedir um vinho tinto seco antigo e que gostariam de dois pratos, o dela seria igual ao seu. Collin olhou-o com um sorriso afiado e respondeu que estava falando com a moça, não com ele. O homem imediatamente pisou em seu pé, fazendo com que Collin tropeçasse, e mandou a ele ser mais educado. Isabel repreendeu o homem e ajudou Collin a se levantar, estendendo sua mão e esperando que o garçom a pegasse. O rapaz aceitou e sentiu a mão macia e quente de Isabel, e naquele momento não conseguiu tirar os olhos dela pelo resto da noite.

Na hora de servir a salada, trocou os pratos com outro garçom para vê-la e fitar o sorriso de agradecimento dela; O homem ainda o encarava. O prato principal foi servido por ele e Collin tentou dar seu melhor e mais galanteador sorriso que pudera a Isabel; O outro o fulminou com o olhar.

Então Isabel decidiu levantar e Collin certificou-se de ir até ela para ver se havia algo errado. Ela perguntou onde ficava o banheiro e Collin aprontou-se em praticamente correr até o lugar para mostrar onde ficava. Ela agradeceu e ele derreteu-se com o tom sutil dela. Ainda não havia percebido, mas ela cheirava à rosas e margaridas e algum outro cheiro que ele não soube identificar, talvez fosse manga ou pitanga. Seja lá o que for, o atraiu para a porta e deixou-o parado ali até que ele notasse que: 1.Estava no banheiro feminino; 2.Estava perdendo o serviço; 3.Esperava uma moça que não era sua namorada e era uma completa estranha; 4. Ele estava esperando uma mulher no banheiro feminino.

No fim da noite, ela pediu a ele que a mostrasse o jardim de inverno no fundo do restaurante e ele identificou o cheiro tão misterioso que ela exalava: Rosas, margaridas e uma pequena pitada de romã. Deus, aquilo entrava por seu nariz e o deixava tonto no melhor sentido possível. Por um segundo, ele fingiu tropeçar numa pedra imaginária para chegar mais perto de Isabel e sentir seu cheiro melhor.

Então, no dia seguinte, ela foi até seu restaurante na hora que eles estavam fechando e pediu o telefone de Collin. Ele estranhou a ligação, mas adorou ouvir a voz doce e madura dela novamente. No fim, eles foram a uma feira na rua e Collin mostrou sua humildade de B para ela. Depois de meses, eles se beijaram e dormiram juntos, e aquilo tinha sido incrível para Collin. Então revelou a ela sobre seu sonho de colocar a irmã e os amigos dentro da A e mudar o sistema de governo; ela pensava do mesmo modo. E agora cá estavam os dois, juntos há três anos e planejando uma melhora no país.

– Acabei.

Saindo dos devaneios, Isabel o olhou e Collin mostrou a carta que escreveu em alguns minutos. Ela e pegou e a leu um pouco, prestando mais atenção no destinatário e nos desenhos que havia feito no meio do recado.

– Vai mandar isso para Will?

Collin assentiu.

– Essa é a solução para todas as coisas. Para tudo.

***

– Me conte uma das coisas que você fez quando era mais novo?

Nick e Charmin estavam andando numa das trilhas no meio da floresta que Will planejou a eles quando ela enfim perguntou o que queria. Sempre quis saber mais sobre o passado de Nícolas, não se contentava com uma ficha que relatasse tudo que aconteceu. Por mais que a pergunta que realmente queria fazer era sobre quem era a testemunha que culpou Nick e o levou ao exército, ela não achava que aquela era a hora certa para a pergunta.

Ambos estavam com os cabelos bagunçados e despenteados, suando e com roupas sujas de terra e poeira. Os cachos de Nick estavam mais formados pelo cabelo não estar mais tão curto como era antes e os olhos dele estavam cercados por olheiras profundas. Charmin estava em um silêncio estranho e uma preguiça emocionalmente irritante, não a deixando fazer nada se não fosse suspirar ou fechar os olhos por um momento e se certificar que ela estava em pé, e não deitada. Aquela não havia sido uma boa noite.

Para começo de tudo, Nick teve pesadelos causados provavelmente pelo lago. E, depois, acordou de mau humor e deu uma volta pela floresta, deixando Charmin sozinha e, em seguida, fazendo-a correr pelo mesmo trecho em sua procura. Quando finalmente o achou, estourou por causa de todas as coisas que soube dele e o culpou por tudo e por todos. Ele não conseguiu retrucar, pois a maioria do que ela dizia era verdade.

No fim, ambos acabaram decidindo não dormir o resto da noite e adiantar o trecho, caminhando em silêncio por cerca de duas horas, somente parando para tirar pedras e folhas do pé ou beber uma água num cantil que Nick trouxe. Ficavam se olhando a cada dez segundos para ver quem se rendia primeiro e, para a surpresa dos dois, foi Charmin quem entregou os pontos.

– Alguma coisa que eu fiz? – Perguntou de volta, ainda no tom ríspido que costumava usar quando ficava chateado ou magoado. – Quer mesmo saber sobre o meu passado, já que me culpou até pela frieza de Jackson com você?

Charmin parou de andar e deixou-o caminhando sozinho. Assim que Nick percebeu que caminhava só, olhou para trás e pode vê-la com os punhos cerrados ao lado do tronco, a cabeça baixa e franja caindo sobre o rosto. Ela nunca deixava nada cair sobre o rosto.

– Charmin...

– Olha, desculpa. Ok? – Vociferou enquanto aproximava-se. – É só que aquele lugar me deixou de cabeça para baixo e quando eu menos espero, sou informada de que o cara que eu estou apaixonada foi detido lá dentro por tentar me matar e, nossa, eu não sei se isso é verdade ou não porque, agora, eu não posso esperar mais nada de você!

Ao tentar falar, Nícolas foi cortado.

– Porra, eu senti tanto a sua falta e a de todo mundo. E imaginei vocês continuando a vida de vocês enquanto eu ficava presa lá, levando choques elétricos e correndo numa pista imensa que deve ter feito meu joelho se desgastar tanto que agora eu consigo senti-lo mover. – Finalmente ela o olhou. Os olhos estavam avermelhados. – Então eu fico sabendo que todo mundo lá te conhecia e fui eu quem te arruinou, te deixou mais fraco e menos resistente a tudo e, cara, você deve ter matado pessoas e nunca me contou! Você fumava e bebia e eu nunca achei que isso viria de você! Sabe as horas que eu passei vegetando numa cama enquanto tentava imaginar você tomando vodka com quinze anos enquanto eu te esperava sentada na raiz de uma árvore? Porque eu sonhei com coisas parecidas e você ou é um completo babaca, ou um completo covarde pra me deixar sozinha no meio de tudo que eu tava passando.

Àquele ponto, Charmin já estava socando o peito de Nícolas como se ele fosse algum travesseiro que se usa quando está com raiva. Ele sentia dor quando ela fazia isso, mas deixou que Charmin o batesse até que ela só tivesse forças para chorar e, quando isso aconteceu, pegou seus braços e deixou-os ao lado de seu corpo, abraçando-a.

– Eu sei que sou um idiota, devo ter dito isso a você no passado indiretamente enquanto ficava incrédulo por você ainda me querer. E sim, eu era um covarde, um dos melhores dessa zona. – Nick colocou uma mão no cabelo de Charmin e acariciou-o. – Mas eu estava espantando por alguém tão bom como você me dar uma chance de ser uma pessoa melhor e me ajudar nisso. Entenda Charmin, que quando eu fugia, não era de você, era de mim mesmo.

Charmin fungou. Sentia a camisa de Nick molhada pelas lágrimas.

– E... Você vai continuar fugindo?

Nick olhou para cima e sorriu, uma lágrima salgada escorria de seu rosto. E não era de Charmin. Ele voltou-se para ela e beijou sua testa, enquanto a separava de seus braços e a segurava pelos ombros, mantendo-a em seus olhos.

– Chega de fugir, Charmin.

– Mas nós estamos fugindo do exército, Nick.

Ele soltou um riso fraco pelo nariz e bagunçou seu cabelo. Certas vezes Charmin era tão dócil e inocente que era um extremo vê-la enfiando facas no pescoço de pessoas. Aquela era ela. A menina que brigava por roupas sujas e, ao mesmo tempo, ajudava a todos com seus problemas e não pedia ajuda com os seus. A Charmin que conhecia não era a mesma por inteiro, mas sim uma das duas metades. Os extremos completavam-se e davam uma beleza desigual a ela.

Os olhos dela brilhavam pelas lágrimas e a íris preta parecia mais clara iluminada pelo sol da manhã. Agora, diferenciava-se um preto do outro, assim como ele diferenciava a Charmin do passado com a do presente.

O rapaz abraçou-a e sentou-se com ela no chão, Charmin ainda em seus braços. Ambos ficaram ali por algum tempo inimaginável, talvez segundos, minutos ou horas, não sabiam. Sabiam somente que aquela seria uma longa viagem e que, para começar, já haviam passado por um obstáculo.

– Mas não da vida. E é isso que importa.

***

Josh subiu as escadas do alojamento e fechou os olhos minimamente ao visar o sol forte das duas horas. Em pé, esticou as pernas e os braços para se alongar e sentiu alguns estalos pelo corpo. Virou-se para o alçapão e pode vê-la subindo também, com o uniforme de Charmin. Ela vestia uma calça colada de couro com um coturno seu que, admitia, havia ficado um tanto grande, e um top cinza que Charmin usava para corridas matinais.

– Não me lembro de Charmin ser tão pequena assim. As coisas dela não serviam em mim. – Resmungou enquanto ajeitava o decote do top. – O que faremos hoje?

– Hoje você vai trabalhar na mira. – Explicou enquanto tirava duas adagas do cinto. – É bem fácil, você pega o jeito rápido.

– E por que eu tenho que fazer isso, Josh? – Um bico formou-se em seus lábios. Josh achava aquilo horrível. – Eu não quero ser que nem vocês!

Josh revirou os olhos. Aquilo não aconteceu com Charmin.

– Eu te disse que, se você aceitasse vir pra cá, teria que se adaptar ao nosso meio. – Disse. – Nós não ficamos sentados o dia inteiro enquanto as coisas acontecem.

– O Marc fica.

– O Marc usa o computador para códigos e informações. Ele é importante para nós.

– Eu não me importo com ele.

Josh sorriu ácido. Nem sempre era forçado a aguentá-la.

– E, pode ter certeza, ele não se importa com você. – Os olhos dela pareceram assumir um fogo agressivo, mas logo ela fingiu ficar bem. Josh simplesmente ignorou o comportamento, já estava acostumado. – Agora vamos ao treino.

Andou até uma árvore e passou a mão pelo tronco, vendo as marcas e arranhões. Fora ele quem ensinou Charmin a atirar com as adagas menores, ajudando a mira a ficar melhor.

Em sua memória estava Charmin com um moletom e um short curto que a deixava menor ainda. As mãos delas tremiam enquanto empunhava a faca e ele lembrava-se do toque frio dela quando segurou seus dedos para ajudá-la. Naquele momento, o seu coração estava acelerado e ela o abraçou quando acertou a primeira árvore. Ele somente pensou em como não gostar de alguém como ela. Como era impossível não se render à natureza madura e ao mesmo tempo inocente dela.

– Josh? – Chamou uma voz. – Querido? – A voz tornou-se irritante. – Tá aí? Alô? – Ele apertou a mão sobre o tronco e olhou-a, impaciente.

– Quê?

– Você não vai me ensinar a como mexer com essas coisas? – Ela colocou a mão na cintura e dobrou a perna, numa pose tradicional de protesto feminino. – O que aconteceu com você?

– Fica parada na frente dessa árvore aqui. – Sinalizou enquanto dava uma faca a ela. – Agora tenta acertar o meio desse tronco. Se não conseguir, pega a faca no chão e tenta de novo.

E assim ela fez. Lentamente, andou até um ponto distante da árvore e empunhou a lâmina. Sem esforço, jogou a adaga e a mesma bateu no tronco, caindo e tilintando no chão. Josh murmurou alguma reclamação sobre a preguiça dela e apontou para o chão, esperando que ela pegasse.

– Pega pra mim, amor. – Pediu ela com outro bico nos lábios. Aquilo estava o irritando. – Por favooor.

– Pega, vamos. – Balançou a mão em direção ao local onde estava a faca. – É pra hoje!

– Calma! Calmaa! – Falou com voz manhosa. Agachou-se e pegou a faca. – Tá bom assim?

– Não. Você tem que acertar o tronco.

Ela revirou os olhos. Josh teve a mesma vontade.

– Não quero fazer isso. Tchau.

Soltou a faca e ela caiu para o chão, rolando na grama. Josh a viu entrar pelo alçapão e quando ela o fez, andou e pegou a adaga, guardando-a novamente no cinto. Coçou a cabeça sem motivo e soltou um longo suspiro, deixando claro o arrependimento que tivera ao trazê-la para cá.

Mas a culpa não era inteiramente dele. Era também dela. Ela o subornou com um falso amor e uma noite numa cama macia. Justo quando ele estava procurando algo para esquecer Charmin. Chegou até a pensar que poderia tirá-la de sua mente de vez, mas quando murmurou seu nome ao acordar ao lado de cabelos escuros, ele percebeu que ela não sairia de sua mente por bom tempo.

– Acho que me resta caminhar. – Disse para si mesmo.

***

– Quando eu tinha lá meus treze anos e ainda não conhecia você, eu me lembro de ficar encrencado com uns garotos de vinte anos que achavam que eu tinha roubado droga deles. – Contou Nícolas. – Então, como eu era alto, disse que tinha dezesseis e que ainda não mexia com drogas porque era novo na área. Mas aí eles me acharam com um pacote de maconha no bolso e me surraram até eu acordar com os pulsos amarrados na parte sul da B.

Charmin estava com a cabeça deitada no colo de Nick e agora era ele quem mexia no cabelo dela. Sabia que, desde que se conheceram, ela adorava que mexessem em seu cabelo e que era um lugar sensível. Ela o havia feito falar sobre seu passado e agora, Nícolas contava trechos de sua adolescência e infância para ela.

– Você já fumou alguma droga?

– Não. Nunca coloquei nada que fosse ilegal na boca. Se tirarmos as bebidas e os cigarros...

– Você era muito mais idiota e irresponsável que agora. Eu me lembro de você esquecendo coisas mínimas como meu sobrenome e lembrava, sei lá, o tamanho do meu sutiã. Era ridí-

– Qual o tamanho do seu sutiã? – Disparou e aproximou o rosto rapidamente, olhando para os seios dela. – 40? 42?

– NÍCOLAS! – Bateu em seu rosto e tirou a cabeça das pernas dele. – Você acha mesmo que eu vou falar disso pra você?

Nick colocou a mão onde Charmin havia batido. Estava ardendo e provavelmente vermelho, mas ele não ligava, tinha que saber a resposta.

– Não vai mesmo me dizer?

– Não.

Ambos estavam à margem de um lago que acharam após algumas horas, faltavam somente mais dois e estariam quase em casa. Mas esses outros dois eram mais distantes e menos visíveis que aqueles, eram mais ao fundo da floresta. Resolveram dormir um pouco lá e continuar o caminho de madrugada.

– Por favor? – Ele insistiu. – Só o último dígito.

– Se eu te der o último dígito, você vai saber o primeiro. – Ela rolou os olhos. – Eu não sou tão boba assim, Nícolas.

– A intenção é a que mais vale, não?

– No seu caso, não. – Deitou-se no chão e usou a mochila para apoiar a cabeça. Olhou para Nick e acenou. – Boa noite.

– 42?

– Desista, Nícolas.

Aproximando-se, Nícolas deitou-se ao lado de Charmin e colocou seus braços sobre os delas, aninhando-a em seu peito. Ela estava fria por causa do clima e aquilo o deu calafrios primeiramente, mas, depois, tornou-se confortável. Nick sentiu a respiração de Charmin ficar lenta e, quando ela não respondeu aos seus chamados, soube que ela havia dormido. Fechou os olhos também e, por último, murmurou no ouvido dela:

– Eu nunca vou desistir. Entenda isso, Charmin.

Notas finais
Alguém sentiu saudades do Will nesse capítulo? Eu senti ;u; Will S2