Zona B

43 Capítulo Especial III: O futuro que nos aguarda.


Notas iniciais
Boa leitura, docinhos. Agradecimentos a todos nas notas finais. Enjoy s2!

Nick arrumou a gravata acinzentada ao redor do pescoço. Mesmo depois de quatro anos na A, não havia aprendido ao certo como fazer o nó para deixá-la perfeita. Frustrado, retirou-a do pescoço, enrolou-a na mão e abriu a porta do banheiro, onde estava Charmin. O vestido vermelho, todo enfeitado por pedraria e renda acentuava as curvas do corpo da mulher que ela havia se tornado, e Nícolas ainda se encantava por cada traço dela. Pigarreou, e a moça o olhou divertidamente.
– Gravata? Nick concordou. Vem aqui.
Aproximou-se e entregou o pedaço de pano à namorada, que circulou seu o pescoço com agilidade e, em poucos segundos, a gravata estava feita.
– Odeio essa coisa de formalidade.
– Eu sei. Se fosse por você, iria ao baile com uma bermuda jeans desgastada e uma camisa provavelmente rasgada nas mangas. O homem revirou os olhos. Mas você não tem mais 18 anos, Tourmaline. Tem 22.
– E daí?
Charmin afagou os cachos de Nick, que estavam quase presos pelo gel de cabelo, e o beijou suavemente.
– E daí que você fica lindo assim. Agora, coloque a máscara e me espere na escada para descer.
Ele assentiu e saiu do quarto do casal, andou pelo corredor e encostou-se à parede que ficava do lado da escada. Ainda moravam na casa de Collin, que havia se tornado uma espécie de fraternidade para os mais próximos. Rose, Sam, Dilan, Jenni, Jack e Julian moravam ali também, além de Kyle, Will, Arthur e Josh. E claro, Collin e Isabel. O ambiente era muito confortável para ele, mas admitia que, quando tinha seus momentos íntimos com Charmin, era demasiado desconfortável ouvir os choros altos do bebê de Jenni e Dilan, que duravam cerca de duas horas. Ou ter que trocar de lençóis pelo menos duas vezes na semana, porque Cherry defecava em sua cama. Ou, também, os gatos de Rose e Sam infiltrando-se pelos quartos e dormindo em outras camas. Cansou-se de chegar cansado do trabalho, deitar na cama e acidentalmente deitar em cima de Fluffy, uma gatinha branca muito ranzinza. Todavia, o trabalho era muito mais estressante. Não que fosse ruim, mas Nick era jovem demais para ser um dos governadores dos NEUA. Tinha sorte de não haver ninguém querendo puxá-lo para a corrupção ou algo assim. Na verdade, tinha sorte de não haver algo assim dentro do governo, por mais surpreendente que parecesse. E ainda tinha James e Marissa, que possuíam um fogo sexual incrível, ele tinha que confessar.
Resumindo, aquela era sua vida: Acordar antes do amanhecer, vestir-se formalmente, trabalhar com o destino do país e finalmente chegar à casa, onde poderia passar o resto da noite com a mulher de seus sonhos. Não era tão ruim assim; era o que ele achava, ao menos.
– Amor?
Nick sacudiu a cabeça, estava com sono. Nunca pensou que, sendo tão jovem, seu horário neurológico seria o de um velho de setenta anos. Olhou para Charmin e surpreendeu-se (nunca deixava de se surpreender) com o quão linda estava. Estendeu-lhe a mão, e ela a aceitou. Desceram, então, a escada juntos até o salão principal.
Havia realmente muitas pessoas no salão. Muitas. Se chutasse baixo um número, chutaria trezentos. Bem, não era pra ser menos que isso, já que, entre todas, havia funcionários da República, amigos íntimos de todos que moravam na casa, funcionários da casa, parentes e convidados de status que Collin, infelizmente, tinha de convidar. Quase todas estavam de máscara, entretanto, e, por isso, Nick não conseguia distingui-las. Até ele usava uma.
Chegaram à base da escada, e Nick ficou com náuseas só de ouvir os saltos das mulheres e dos homens tilintando pelo piso do salão. Estranhamente, não ouvia os de Charmin, e pensou ser a prática do treinamento antigo. Passou o braço esquerdo pela cintura da moça, e caminharam juntos até chegarem à Collin e, elegantemente de terno azul marinho e Isabel, com um vestido tradicionalmente em sua cor preferida: verde, e uma máscara branca com várias flores ao redor.
Collin sorriu zombeteiro.
– Sua gravata está muito arrumada. Foi Charmin que a fez?
– Por que você não vai... Charmin tampou a boca do cônjuge e lançou a ele um olhar repreensivo, mas que, no fundo, conseguia ser carinhoso. Comigo buscar bebida?
O homem concordou. Ambos saíram, e Charmin aproximou-se de Isabel.
– Adorei o seu vestido, Izzy. Elogiou-a, tirando a máscara preta do rosto e olhando levemente para cima. Queria eu ser alta assim pra não precisar de um salto.
– E eu queria ser baixa para não precisar me curvar para abraçar algumas pessoas.
– Acho que a vida foi irônica conosco.
– Não discordo.
Will e Arthur se aproximaram. Estavam usando ternos pretos iguais, mas com gravatas diferentes. A de William era azul anil, e a de Arth, amarelo ouro. Pareciam alegres por estarem juntos, mas pretensiosamente desafiadores consigo mesmos.
– O que vocês estão aprontando? Isabel perguntou, cruzando os braços. Ou ainda não se deram conta de que ambos têm quase trinta anos?
– Shhh Will colocou o indicador nos lábios de Isabel. Não pode dizer nossa idade em voz alta. Assim, não iremos enganar as garotas.
– Enganar? Charmin arqueou uma sobrancelha. O que querem com elas?
– Vamos ver o quão poderoso é o lado hétero de um gay.
As duas mulheres se entreolharem, e riram suavemente.
– Não quero nenhuma briga, entenderam rapazes?
Ambos concordaram e saíram pelo salão, afastados, mas olhando-se.
Depois de alguns segundos, Nick e Collin voltaram, dialogando normalmente. Cada um com duas taças de champanhe, uma em cada mão.
– É incrível como basta alguns minutos sozinhos para vocês se tornarem melhores amigos. Isabel ironizou, enquanto pegava uma taça da mão de Collin e tomava um gole.
Collin aproximou-se da esposa e tocou os lábios levemente com os seus.
– Acredite, eu ainda não esqueci que ele dorme junto com a minha irmã.
Nick sorriu maliciosamente.
– E ela adora.

***

Enquanto Charlie e a mulher, uma linda jovem de cabelos longos e ondulados tomavam suas taças de vinho, duas crianças pequenas, mas muito sagazes, brincavam numa espécie de cercado onde várias outras crianças se divertiam com massinha e papéis para desenhar e colorir.
Quando estava em casa, no dia de folga após a formatura dos soldados, recebeu a notícia de Will na TV e ficou simplesmente incrédulo. Mas, não negativamente.
Sua entrada no exército, quando jovem, tinha como objetivo ajudar ao país, mesmo que fosse daquela forma. E conhecer Charmin, uma menina tão docemente hostil, e depois ver o que ela havia feito e onde havia chegado, alegrou-o imensamente, e ao mesmo tempo preocupou-o.
Eram todos muito jovens para cuidar de um país inteiro, para cuidar de milhares de vidas daquele jeito.
Todavia, alegrou-se mais ainda ao receber a notícia de proposta para participar do governo do NEUA.
Desde então, frequentava a casa de Collin toda semana, e os filhos adoravam a Nick e Charmin, que brincavam com eles todas as vezes que vinham até o local. A filha mais nova, Mendy, dizia que Charmin era sua melhor amiga, e mesmo o pequeno Timotty, que mal sabia falar direito, sempre sorria quando estava nos braços de Nícolas.
A vida estava melhor do que nunca para Charlie e sua família. A vida de todos estava assim.
Pediu licença à esposa e caminhou até os jovens do exército. Jack, por mais incrível que fosse para Charlie, havia cortado o cabelo, mas não perdera o estilo de bad boy. Com Julian ao seu lado, ele ficava radiante, mais apaixonado que nunca. Dilan e Jenni estavam noivos. Pelo que soube nas últimas semanas, o rapaz colocou a caixinha dentro da boca do cachorro e, sem querer, ele a engoliu. Os detalhes foram um tanto nojentos, mas Jennifer estava muito feliz, mesmo tendo que limpar o cocô do cachorro para pegar o anel. Rose e Sam adotaram um garoto, um asiático, pelo que ele se lembrava. Elas adoravam o fato de ter um estrangeiro vivendo em casa. Estavam casadas há dois anos, e discutiam todos os dias para, no final de todos eles, dividirem uma garrafa inteira de vinho, chorar, pedir perdão e abraçarem-se a noite inteira.
Charlie nunca soube ao certo o motivo de todos terem entrado no exército, entretanto, percebeu que aquele lugar havia conectado a todos de uma forma muito especial, e sentiu-se lisonjeado de ter assistido à evolução daqueles jovens adultos.

***

Charmin não sabia ao certo como havia chegado ao banheiro com Isabel, a única coisa da qual se lembrava era a mulher a puxando velozmente até o local, com a boca na mão, e ao chegar, vomitando muito (metade para fora da privada).
– Talvez tenha sido algo que comeu. Sugeriu a jovem, enquanto segurava o cabelo de Isabel. É alérgica a algo?
A ruiva negou. Afastou o rosto do vaso, limpou a boca e respirou fundo.
– Faça-me um favor, sim? Pediu, e Charmin aceitou. Pegue minha bolsa, lá no meu quarto. Uma preta com um chaveiro de franjas.
Charmin correu até lá, escancarando a porta e procurando em todos os cantos a maldita bolsa. No escuro, o preto camuflava-se muito bem, então ela teve que tatear pelo sofá até tocar nas franjas. Agarrou a bolsa, fechou a porta e correu até o banheiro novamente.
Estendeu-a a Isabel.
– Aqui.
A mulher a pegou, a abriu e bagunçou tudo dentro até encontrar uma caixinha.
Charmin arregalou os olhos e engoliu em seco.
Isabel se levantou, fechou a porta de outra cabine e voltou alguns minutos depois. Os olhos estavam focados no teste de gravidez.
A garota se aproximou.
– ... E aí?
Isabel a olhou, o rosto estava sério, mas os olhos possuíam um brilho singular.
– Positivo.

***

Reunidos novamente no salão, Collin pegou um garfo de prata e bateu-o levemente contra a taça, pedindo silêncio.
– Boa noite a todos. Estamos aqui para celebrar o quarto ano do novo governo dos NEUA. Eu admito que, quando comecei com toda essa ideia, eu tinha dezoito anos e não sabia direito como funcionava o mundo ou como eu mesmo funcionava. Apanhei, poética e literalmente, para chegar aqui, e, com a ajuda de todos que estão presentes, meu sonho e o de muitos foi possível.
Collin pegou a mão de Carla e a de Charmin.
Eu me lembro de quando era um garotinho da B, quando minha mãe foi levada pela monarquia ao ser culpada por um crime que não era dela. Ao ver o rosto dessa senhora aqui, despedaçado por abandonar os filhos, eu percebi o quão injusto era tudo aquilo. Ao ver as lágrimas de Charmin descendo, os soluços desesperados e as mãos tremendo, eu percebi o quão inumano era aquele modo de se resolver as coisas. Elas duas, as mulheres mais importantes da minha vida Você também é, Izzy, não me mate eu simplesmente pensei Tenho que mudar isso. E foi o que eu fiz, o que estou fazendo e pretendo fazer até minha morte. Muitas coisas aconteceram desde então, eu conheci pessoas incríveis e reencontrei pessoas incríveis que costumavam ser meus familiares, tanto de sangue quanto coração. Infelizmente, nós perdemos um amigo muito, muito importante nesta jornada. Marc, seja lá onde estiver, saiba que todos nunca nos esqueceremos de você. E, numa noite inusitada num restaurante exaustivo e sem graça, eu conheci alguém que fez todas as dificuldades valerem a pena. É você, Isabel. Minha doce, amorosa, calorosa, esbelta e fantástica Isabel... Isabel?
A mulher desceu pelas escadas rapidamente, todos os olhos nela.
Aproximou-se de Collin e sussurrou algo em seu ouvido. Collin arregalou os olhos, arqueou as sobrancelhas e, antes que Isabel dissesse mais alguma coisa, ele a levantou no colo e girou-a até que ambos ficassem zonzos.
Todos no salão não sabiam que estava acontecendo, menos Charmin.
Foi quando Collin soltou a mulher e gritou:
– EU VOU SER PAI, MOTHERFUCKERS.
Todos, todos os modos que veio aprendendo para um A foram jogados no lixo naquele momento. Xingamentos de alegria jorravam de sua boca enquanto beijava a boca de Isabel mais de dez vezes em trinta segundos. As pessoas se aproximavam do casal, parabenizando-os e abraçando-os.
No meio de todo o tumulto, Collin bateu dois talheres na mesa, como uma bateria, e fez todos se calarem. Pegou uma taça de champanhe e ergueu-a.
– Um brinde, meus amigos, ao futuro que nos aguarda!
Todos ergueram suas taças, jogaram as máscaras para o alto e as vozes se elevaram. Havia, com certeza, algo de mágico em todos ali. Não a mágica do conto de fadas, mas a mágica do simples fato de todos estarem emersos em felicidade.

Notas finais
Eu sei que o capítulo ficou meio curto, mas era só pra ser um extra, um chorinho da Zona B, por assim dizer HUSAHUSHAS Eu queria agradecer a todos vocês, leitores, sejam eles fantasmas ou os opinativos, que acompanharam até aqui. Sem vocês, eu acho que, mesmo sem tanto tempo postando, eu não terminaria a Zona B. Queria agradecer aos meus antigos amigos, os quais já não tenho contato hoje mas os guardo no coração, que me incentivaram a postar a fanfic e deram elogios positivos para os personagens e seu desenrolar. Mas, eu acho que tem uma pessoa que merece um parágrafo especial. Meu adorável nigga, piloto de dinossauro, lutador, acreano, ladrão das mais variadas iguarias e, acima de tudo, uma das melhores pessoas que alguém pode se conhecer. Arthy, sem você, cara, eu não estaria tão bem como estou hoje, e o mundo seria sem cor (Especialmente o marrom) sem você. Obrigada por ser esse amigo incrível, um irmão de coração. Que nossa amizade dure o máximo, até você se casar e se esquecer da Brai. Um abraço bem cauai pra você s2 Agora, vamos falar sobre o futuro :3! Como eu havia avisado nos comentários, eu to com um projeto de uma nova fanfiction. Vou contar sobre um pouco dela pra vocês e sobre os personagens principais. A história se chama "Não Se Esqueça De Mim", e a razão do título vai sempre, sempre estar envolvida, tanto de formas oblíquas quando explicativas. CA-CAHAM: Megan Turner é uma jovem de 21 anos. Adotada por um casal de senhores, cujos filhos os abandonaram, resolveram que deveriam ter uma nova filha para amar e cuidar. Com seus 16 anos, ela morava em uma pequena chácara no interior de Rainy Ville, um pequeníssimo município no meio do Canadá. Por decisão dos pais, Megan se muda para a cidade e estuda em um colégio, que não era tão bom assim, mas era o que puderam pagar a ela, e Meg estava muito satisfeita com aquilo. Foi na sua primeira aula, de Álgebra, que conheceu Christopher, um garoto curioso e amigável com todos. Um interesse desperta em Chris, pelo modo tão silencioso e indiferente de Megan, e logo ele percebe que está se apaixonando por ela. Porém, sua vida era complicada demais para uma paixão adolescente, e investir nela seria um extremo risco. Mas, afinal, o quão mal seria uma pequena bagunça em uma vida tão monótona e chata como a dele? É ISSO, PESSOAL. Eu sei que ficou muito clichê, mas eu prometo a vocês que vai ser um dos melhores clichês que vocês leram nas suas vidas. Eu vou deixar um recado aqui na Zona B pra avisar sobre o primeiro capítulo da NSEDM. Beijinhus da Bry s2 :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!