Zona B
7 Capítulo 6
Notas iniciais
– Café da manhã, seus preguiçosos!
O grito de Will ecoou por todo o alojamento, provocando grunhidos e xingamentos. As pernas de Charmin saíram de cima das de James e então todos levantaram de suas camas. Charmin tentava alinhar os fios de cabelo que insistiam em levantar e James massageava as pernas dormentes, olhando para ela com raiva. Josh tentava esconder o rosto com o travesseiro enquanto Will retirava as cobertas dele, fazendo o loiro se encolher na cama.
– São miseráveis seis horas da manhã e você me acorda com um grito?
– Mas é claro, Joshua. Você é um peso morto pra acordar, como os demais aqui.
– Eu não durmo quase uma noite inteira, a Charmin me sufoca quando eu menos espero. – Debochou James, olhando para a garota com quem dividira a cama. – Sabe que eu te amo, não sabe?
Charmin sorriu e mostrou a ele o dedo médio.
– Me ama o caralho, seu babaca. Eu vou lá me vestir enquanto você pensa numa desculpa melhor que abusar do seu amor.
– Que tal que você era uma ótima cozinheira? – Gritou, enquanto Charmin escolhia um par de meias arrastão. – Ou que tal falar que você é incrível?
– Ou que tal eu pegar esse maravilhoso par de botas e enfiar em algum orifício do seu corpo? – Perguntou sorrindo. James arregalou os olhos e começou a rir. – Eu vou tomar banho. Josh, conte meus quinze minutos.
– Pode deixar.
Lentamente, Josh andou até um pedaço de madeira ao lado de sua cama que usava como cômoda, pegou o relógio e viu as horas, cronometrando a soma do tempo de quinze minutos. Voltou para perto do irmão e pegou um pedaço de pão e suco. Nícolas foi até o mesmo local e pegou um pouco de suco, parando ao lado de Josh.
– Por que ela pede para você contar o tempo?
– Porque, Nícolas, ela sabe que eu sou o único que a deixa ficar mais alguns minutos no chuveiro. – Sorriu, em provocação. – Ela confia em mim.
– Mesmo nem lembrando sua existência. – Sorriu com o canto da boca. – Ou lembrando-se do que você fez.
– Passado é passado, Nicolas.
– E futuro é futuro. – Riu pelas narinas, colocando a mão no ombro de Josh. – Vamos ver o que ele nos guarda.
***
– Muito bem. Agora que estão todos de barriga cheia, acordados e espero que estejam dispostos: vamos às tarefas! – Gritou Will, erguendo o punho com animação para os demais. – Eu separei umas coisas pra fazer, pois eu e os gêmeos ainda não decodificamos tudo por completo com essa tralha tecnológica desatualizada.
– Então você vai passar o trabalho pra nós e ficar sentado aqui o dia todo vendo números? – Perguntou Nick, cruzando os braços. – Que conveniente isso, não?
– Larga de manha, Nícolas. Só por isso, você é o responsável pela limpeza do banheiro.
– Eu não vou limpar porcaria nenhuma de banheiro! – Esbravejou enquanto tomava o suco.
– Então você fica responsável pela vigia enquanto Joshua compra a mercadoria do traficante no leste.
Repentinamente, Nícolas sorriu, olhando para os lados desesperadamente.
– Cadê a bucha e o sabão?
– É um pirralho mesmo. Tá ali no canto. – Apontou para um balde e em seguida, voltou-se para os três que sobraram. – Eu preciso que dois de vocês busquem uma mercadoria com aquele traficante tranqueira lá no leste. Quem se candidata?
– O que exatamente vamos buscar Will? – Perguntou a garota, ajeitando os fios negros numa trança larga. – É alguma peça pra pulseira?
– Quase isso, gatinha. São uns desenhos da pulseira, pra entender onde se encaixam as peças. Os caras não sabem mexer com isso e por isso vendem barato. E nada melhor que mercadoria barata.
– Então além de ladrões e rebeldes, somos traficantes? Que exótico. – Sorriu, indo até a cama, ajeitando o cinto e colocando as armas. – Eu vou. Isso vai ser divertido.
– Muito bem. Então vai ser a gatinha e...?
– Eu posso ir, estou mais acostumado com essas coisas.
James assentiu com a decisão de Josh, fazendo com que um brilho aparece em seus olhos. Foi até a cama e pegou o cinto com as armas, preparando-se para sair.
– Charmin, vamos?
– Vamos.
Os dois andaram até a escada que levava ao alçapão, o barulho das adagas tilintava a cada passo de Charmin e a cada tilintar Josh olhava para trás, certificando-se se ela ia mesmo com ele. Era um tanto impressionante, pensou que a garota não concordaria em participar de coisas perigosas como essa. Mas como muitos dizem, o mundo é uma adorável caixinha de surpresas.
Subiram pela escada e então chegaram ao gramado. Pela primeira vez em muito tempo, Charmin lembrou como era tocar num gramado molhado pela chuva, e claro, há uma grande diferença: você sabe que foi molhado pela chuva, e é exatamente isso que tornava confortável. Trazia a ela lembranças da infância e da família, na época que lembrava a voz da mãe chamando-a para entrar e tomar um banho quente e assim tentar não pegar gripe. Mas ela sempre pegava.
– Quando eu era pequena, toda vez que chovia eu saía escondida de casa e ficava sentada numa grama perto de casa de um terreno abandonado e esperava até a chuva acabar. – Riu fraco, esfregando as mãos e levantando. – Eu pegava gripe muito fácil.
– Chuva sempre acalma você, não importasse o que incomoda, era só você sentar debaixo da chuva que todos os problemas sumiam. – Falou, ajeitando as botas e lembrando a visão dos cabelos molhados. – Que-Quer dizer, você parece fazer isso.
– Minha mãe ficava muito brava. Naquela época podíamos comprar alguns analgésicos e ainda havia ervas que ajudavam. Se eu pegasse gripe agora, acho que teria que me adaptar com ela.
– Bem, se tudo der certo como estamos planejando, você não vai nem precisar pegar as ervas. – Sorriu esperançoso. – Mas então, vou dar algumas instruções sobre o que nós vamos fazer.
– Pode mandar.
– Primeiro: Não fique assustado com as aparências ou o modo como falam. Segundo: Tente não inalar muito o ar quando chegarmos lá. É droga pura. Terceiro: Não hesite em atacar. Nunca fomos lá com uma menina então não posso prever o que irá acontecer. Quarto: Não importa o que aconteça não saia do meu lado.
– Tá. Não assuste, não respire, não hesite e não abandone. Acho que decorei tudo.
Como em todas as rotas planejadas, faziam o caminho contornando a floresta para não serem percebidos. Observaram a mudança do sul para o leste, desde o amarelado nas folhas até o cheiro de fumaça que entupia as narinas.
A zona leste demorava um tanto, considerando que moravam na zona sul da cidade, onde o crime era menor e andar na rua sem uma arma era seguro. Andar até lá era muito mais arriscado que a zona norte, onde haviam ido alguns dias atrás. Mas é claro que ninguém avisara Charmin disso, pois, segundo a teoria de Will, você aperfeiçoa seus movimentos pelas experiências surpresas.
Com um sinal, Charmin direcionou-se para trás de Josh e empunhou uma adaga nas mãos atrás das costas. Os passos diminuíram à medida que chegavam perto do local e já não se ouvia mais o amasso das folhas pelos pés, todas estavam queimadas.
– Coloque o capuz, Charmin.
Alguns minutos depois, enquanto o sol ficava mais forte e o calor aumentava, eles passaram a enxergar um velho galpão. Algumas tábuas estavam arrancadas, fazendo o sol passar para dentro, o portão era branco com algumas marcas pretas em tinta, formando símbolos que pareciam ser os da bandeira do rei, porém com riscos e alguns “x”. Havia um ou dois homens circulando por ali em uma possível ronda, mas, para Charmin, ambos pareciam drogados demais para diferenciar o real do imaginário.
– Um tanto assustador, sabe? – Confessou a garota, apertando mais o cinto. – São quantos lá dentro?
– Se dermos sorte, nós só vamos dar o dinheiro, catar os desenhos e ir embora. – Respondeu, num tom calmo. – Se não der... Bem, prepare suas facas.
Aproximaram-se do portão com cuidado e Josh bateu algumas vezes, fazendo longas pausas e em seguida batendo rápido.
– Código Morse?
– Sim.
– Esperto.
– Obrigado, linda.
Alguns minutos depois, uma pequena fresta do portão abriu e por ele saiu um homem alto e magro de roupas esfarrapadas e olhos dilatados. O cabelo estava preso num rabo fajuto e os dedos cheios de esparadrapos. Queimados pelos restos do cigarro, pensou Charmin.
– Estão atrasados. – disse com a voz rouca e quase muda. – Mas, como estão pagando bem, reconsideramos a oferta.
De dentro do bolso, Josh tirou um saco e no que Charmin pensou, deveria ser dinheiro. O homem pegou o saco com as mãos trêmulas e voltou para dentro do galpão. Josh pareceu observar os dois homens do lado de fora e notou que um deles carregava uma faca; O outro não conseguia andar em linha reta por mais de cinco segundos.
– O que tinha dentro?
– Um chip. – Disse calmo. – E dinheiro, claro.
– Pra quê?
– Em troca dos desenhos, eles queriam um chip de uma das contas bancárias de um cara idiota da A. Nós demos um jeito nisso e oferecemos pra eles.
– Então vocês venderam o dinheiro de alguém para eles usarem?
– Quase isso. – Virou-se para ela. – Você sabe, se um dia nós formos pegos todos nós iremos pegar bons meses e anos de cadeia ou no seu caso e no de Nicolas, irão ser mandados para o treinamento do Exército.
– Eu irei fazer uma proposta de cadeia, não sei se sobreviveria ao exército. Meus braços são galhos.
– Bem, eu tenho uma quase experiência no exército. Eles iriam encher você de suplementos até seus braços ficarem como os meus ou mais.
– Assustador...
– Pois é.
A porta foi aberta num estrondo e dela saíram cerca de cinco homens, todos com armas. Subitamente os dois se viraram com as adagas na mão. As mãos de Charmin começaram a tremer e ela não conseguia empunhar as facas agilmente. Ao perceber o estado da garota, Josh aproximou-se dela, defendendo-a.
– QUE PORCARIA É ESSA? EU QUERO OS DADOS DA CONTA, NÃO O NÚMERO DELA! – Um deles gritou e Charmin pensou ser o líder. – OU VOCÊS PASSAM OS DADOS OU NÃO SAEM DAQUI INTEIROS!
– Calma aí cara. Nós negociamos os dados sobre a conta do A, os dados são o número dela e quem é o proprietário. A culpa não é minha se você é burro. – Disse Josh, colocando Charmin atrás de si. – Me dê os desenhos que não terá briga.
O homem riu e Charmin sentiu os pelos arrepiarem. Não haveria como sair dali sem briga.
– Não, eu tenho uma ideia muito melhor. Eu fico com seus supostos dados, os desenhos e de desconto o corpo de vocês pra vender na zona oeste, como escravos.
E então, dois dos cinco que estavam no portão saíram e atacaram Josh que, como estava protegendo a garota, acabou sendo atingido no braço. O sangue começou a escorrer depois, manchando a camiseta preta e um pouco da capa. Charmin visou o braço de Josh e as mãos começaram a tremer mais e começou a suar frio. Num segundo, esqueceu todo o treinamento de Will.
– Charmin, saia daqui e vá para o abrigo! Eu vou quando acabar isso aqui. – Falou, virando-se rapidamente e colocando as mãos nos ombros dela.
– Mas nem ferrando que eu vou! Eu ajudo você! – Devolveu, empunhando a faca e ignorando o medo.
Um homem avançou em Josh com uma espécie de faca e enquanto tentou dar seu golpe, Charmin empurrou o garoto e acertou a adaga no braço do homem que agora grunhia e sangrava, afastando-se. Olhou para o cabo de adaga e apertou-o com mais força.
Mais dois homens vieram sem armas, porém com correntes presas aos dedos, e avançaram sobre os dois. Josh empunhou outra faca na mão direita e cortou a parte superior dos dois braços de um dos homens enquanto Charmin agachava-se para dar uma rasteira num deles e um chute no estômago, dificultando o movimento. Josh chutou o homem que atingira, fazendo com que o mesmo se curvasse e tossisse um pouco de sangue.
– Já foram três, me dê os desenhos ou eu mato um deles. E aposto que você não quer que eu mate, não? – Perguntou o garoto, limpando o pouco de sangue que escorria da boca. – Charmin, põe a faca na garganta desse aí que você chutou.
Ela olhou para ele, incerta, e Josh sorriu e piscou. Tudo não passava de um teatro do qual ela era a atriz principal.
– Ok.
Charmin voltou a agachar, imobilizou as pernas do homem e colocou a faca pressionando a garganta dele. Assim que direcionou os olhos para ele, viu que o mesmo suava frio e o olhar estava repleto de medo e pânico. Sem ser percebida, sorriu para o homem e afrouxou a faca de sua garganta. O mesmo devolveu o sorriso e pareceu murmurar alguma frase com Deus no meio que Charmin ignorou.
– Tudo bem, tudo bem. – Sinalizou o líder para que os demais abaixassem as armas. – Você, pegue o desenho e traga pra ele. E por favor, mande a cadela aí sair de cima dele.
Josh olhou para trás, ainda sorrindo, e fez um gesto de cordialidade com o braço.
– Charmin.
A garota levantou e postou-se ao lado de Josh, guardando as facas. Um homem que até então estava encostado no portão deu os desenhos para Josh e ajudou os três feridos a se levantarem.
– Deem o fora daqui. Vocês já feriram três dos meus e eu preciso deles inteiros.
– Obrigado pela adorável recepção. – Debochou Josh, curvando-se formalmente. – Vamos.
Virou-se para a garota, que assentiu. Então começaram a andar em direção à floresta
– A propósito, bela cadela que você arranjou. – Gritou, enquanto os dois caminhavam. – Só não acredito que você tenha pegado alguém depois de declarar ser gay.
Josh mordeu os lábios em fúria e os olhos pareceram tomar um novo brilho. Poderia brincar do jeito que fosse, mas não suportava que falassem algo de alguém próximo. Principalmente dela.
– Mas que filho da...
– Josh, não. – Charmin impediu o garoto, que estava prestes a voltar o caminho. – Não vale a pena. Como você acha que chamavam a órfã que foi abandonada pelo irmão?
– Mas, Charmin...
– Mas nada. Vamos. Eu... Eu estou cansada de tanto andar.
Josh olhou para trás, relutante, e viu o olhar duro na heterocrômica. Crispou os lábios e voltou para seu lado, voltando a caminhar. Colocou a mão em suas costas, para que ela se aproximasse, impedindo – Mesmo que só por olhares -, que insultassem a garota.
***
– Marc, cadê a caixa de primeiros socorros? – Perguntou Charmin, pulando do alçapão para dentro do abrigo. – Josh levou um corte no braço.
– Você quer que eu cuide dele? – Perguntou. A garota balançou a cabeça. – Tudo bem, tá ali no canto, perto do armário de armas.
– Valeu.
Charmin deixou a capa na cama e foi até o canto pegar a caixa de primeiro socorros. Indicou para que Josh sentasse e puxou a espécie de cômoda do garoto para usar como cadeira. Tirou da caixa uma folha de erva medicinal e algodão e limpou a sujeira do machucado de Josh.
– Ai, ai, ai! – Grunhiu, fazendo careta. – Mas que merda. Essa erva arde muito.
– Mas eu nem coloquei ela ainda. – Riu a garota. – Para de ser gay!
– Como assim? O que você tá passando aí sua louca?
– Álcool. Estamos sem água de sei lá o que. – Deu de ombros. – Mas álcool limpa melhor e queima os germes e afins.
– Se nós precisarmos torturar alguém, eu vou pedir sua ajuda. – Sorriu. – Tá, agora que você já passou o álcool, que tal colocar a erva?
– Tudo bem. Relaxa o braço pra eu pressionar a erva e fazer efeito.
Os ombros abaixaram e o braço relaxou. A garota aproximou-se e começou a passar a erva pelo ferimento, dando voltas apertadas. A pele dele estava quente enquanto os dedos dela estavam frios pelo aço da faca.
– Olha. Você não pode deixar nada relar, tudo bem? Nem a camisa.
Josh sorriu e apontou para a cômoda onde ela estava sentando, indicando a gaveta.
– Você pode cortar as mangas pra mim? Se não for problema...
– Ah, sem problemas.
– Tem uma tesoura...
Antes de a frase ser terminada, com nenhum esforço a garota puxou as mangas da blusa de Josh e tirou-as pela má costura feita. Pegou os restos do pano e amassou-os, jogando para um canto que todos no abrigo denominavam como lixo. Josh olhou para Charmin, incrédulo, e riu em sinal nervoso, olhando dos braços para as mãos dela.
– Deixa pra lá. Pra que uma tesoura se você possui esses ultras dedos.
– Vocês compram essas blusas mal feitas. Até eu costuro melhor!
– Então comece a fazer minhas roupas. – Debochou, rindo. – Vamos, serva!
– Serva! – bateu em seu ombro. – Você é impossível!
De repente o garoto tombou a cabeça para o lado sério. O dedão pousou sobre a bochecha esquerda do rosto de Charmin.
– Tem sangue na sua bochecha. – Sussurrou. – Acho que foi um ralado causado por me defender.
– Sério? Eu vou pegar o algodão pra limpar e...
O dedão de Josh foi parar em sua boca e dela pra bochecha novamente. Ele o esfregou levemente pelo rosto da garota até a marca de sangue e terra sair. Ela agradeceu, distanciando-se e voltando a limpar os ferimentos do garoto.
– Hálito de canela. – Murmurou, enquanto ajeitava o cabelo. – Cheira bem.
– Um ponto em comum, não? – Sorriu. – Eu nunca soube que você gostava de canela. Pelo menos agora eu tenho um motivo pra mascar canela todo dia.
– Você masca canela todo dia? – Riu fraco. – Por isso seu hálito sempre tem cheiro de canela.
Josh murmurou alguma afirmação com justificativa engraçada que deu a Charmin uma crise de risos e abaixou o rosto, olhando para ela. Ao perceber que estava sendo assistida, a garota imediatamente parou de rir e focou nos olhos de Josh.
Ela sabia que o olhar dele era familiar e intenso. Até semanas atrás, tudo que enxergava no rosto divertido de Josh era um garoto mentiroso e confortável de se falar. Agora, olhando de perto as íris castanhas dele e vendo como aquilo mexia com si os pensamentos começavam a mudar. Assim como as reações.
Mas não em um modo totalmente amoroso e sim algo como um perigo atrativo, como as montanhas-russas de um parque de diversão velho. Você sabe que elas não são seguras, porém sua adrenalina sempre fala mais alto. Então você sobe nelas, paga o maldito ingresso e quando vê, está prestes a cair de cara no chão e quebrar os ossos.
Josh sorriu para ela e aproximou-se. Alguém pigarreou ao lado.
– Com licença, eu sei que vocês estão no meio de uma linda cena romântica aqui e tudo mais...
– Will. – Josh virou a cabeça com os olhos preenchidos de irritação. – O que você quer?
– Eu preciso dos desenhos.
Charmin levantou-se num pulo, assustada e constrangida. Deu os desenhos para Will que sorria cínico com a situação e pegou um conjunto moletom do lado da cama.
– E-eu vo-vou tomar banho. – Disse. A voz falhando. – Conte meus quinze minutos, por favor.
Então ela saiu correndo, tropeçando nos próprios pés e segurando desajeitadamente a toalha e as roupas. Acenou rapidamente para Nick, que conversava com Marc, e novamente mostrou o dedo médio para James.
– Sabe Josh, eu sei que tem toda aquela coisa de amor de adolescente e sei lá mais que merda. – Sentou-se ao lado do caçula. – Mas nós estamos falando de um amor... Diferente. Você não pode simplesmente ir chegando e beijar ela.
– Eu sei, eu sei. – Levantou-se e coçou a cabeça. Era notável o estresse. – Eu vou dar uma volta lá fora. Conta o tempo pra ela.
– Tudo bem. Boa noite.
– Noite.
Andou até o alçapão e passou por Nick, que estava girando uma faca na mão. Olhou para ele e pôde ver um sorriso de vitória estampado no rosto do garoto.
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