Zona B
34 Capítulo 32
Notas iniciais
Collin abriu os olhos vagarosamente e olhou para o teto, fixando-se num único ponto de cor errada que a parede possuía. Quando estava sem sono (O que não vinha acontecendo ultimamente), ele fitava o ponto de cor azulada em todo o teto preto. O teto lembrava a ele Charmin, por causa do olho azulado em meio ao cabelo negro dela. Toda noite ou tarde, quando ele sentia vontade de descansar, ele olhava para aquele ponto e pensava em momentos antigos com ela.
Em dias passados, ele lembrou-se de quando ambos eram jovens demais para entender as coisas e a mãe dos irmãos ainda não havia sido forçada a deixá-los. Collin tinha cerca de seis anos e Charmin ainda era um bebê, com um ano e alguns meses. Ele a segurava em seus braços desajeitadamente, despreocupado em deixá-la cair, e olhava a mãe fazer a janta. Era uma noite de verão e a temperatura estava terna, o que o dava vontade de andar pela B inteira para sentir a leve brisa que se espalhava naquela época. Naquela época, ele não gostava muito de Charmin pelo fator que a maioria dos irmãos mais velhos não gostam do caçula: extermínio de exclusividade. Com ela, ele agora não poderia ser o filho tão especial que Carla dizia a ele todas as noites, ele teria de dividir esse adjetivo com Charmin. E, depois que ela nasceu ele parou de ser buscado na creche todo dia pela mãe e teve de ir para casa a pé, pois a mesma estava cuidando do bebê. Em resumo a todas as coisas, ele mais cuidava da irmã por educação do que por gosto.
Mas foi naquele momento crucial, aquele momento que ele finalmente resolveu olhar o rosto da irmã, que ele notou o quão parecido eles eram. Ambos iguais nos traços do queixo fino e pouco acentuado, nas bochechas que quase sempre estavam rosadas, o olho azulado, do mesmo tom que o de Collin, grande e redondo, que se destacavam no rosto, e o cabelo negro, fino e liso que encantava a qualquer um na B. A única diferença entre eles era que Charmin possuía um olho diferente, que naquele momento não tinha uma cor definida, mas ele sabia que não era azul. Talvez fosse castanho no futuro, ele cogitou.
E era aquela diferença, aquela simples mudança de tom e erro no cromossomo, que fazia de Charmin notoriamente especial, que fazia dela especial para ele, para a mãe e até para o pai, se ainda estivesse ali.
Aqueles olhos se abriram e brilharam ao olhar para Collin, e ela levantou a pequena mão para pousar a ponta do indicador em seu nariz. Ele riu baixo para não assustá-la, pegou a mãozinha da irmã e a segurou perto dos lábios, dando um beijo fraco. Charmin instantaneamente pegou o dedão de Collin e o apertou a tal força que ele teve de colocá-la no sofá para pegar a mão e enfraquecer o toque.
E aquele foi o dia em que percebeu que deveria cuidar dela acima de tudo e todos.
O rapaz se levantou e vestiu um roupão por baixo de... Bem, da cueca. Ele sempre achava que alguém poderia entrar a qualquer momento e ele tinha de manter a classe, ser um bom líder e não um desleixado que andava de cueca samba-canção pela casa inteira.
Foi até a cozinha e viu Isabel cozinhando alguma coisa com ovo, que ele identificou pelo cheiro. Chegou por trás dela e abraçou-lhe o pescoço, colocando a cabeça em seu ombro. Ele não era alto o suficiente para colocar o queixo no topo da cabeça da namorada. E, é claro, ela não era pouca mulher para ele. Somente quatro centímetros menor e, com o salto, ficava mais alta que ele. Era impressionante e vergonhoso ao mesmo tempo ser tão baixo que sua mulher ficava mais alta.
– Bom dia, Is. – Ele sussurrou em seu ouvido e a viu sorrir, fraquejando na bandeja com a torrada. Ela sempre ficava vulnerável quando ele sussurrava perto dela. – Dormiu bem?
Ela virou-se e ficou frente a ele.
– Eu que pergunto, sabe que horas são por acaso? – Ela disse, apontando para o relógio da cozinha. – São onze horas, Sr. Southwood.
– Mas hoje é domingo! – Ele devolveu, com a voz alegre. – Hoje é dia de ficar na cama com o Sr. Southwood e ver filmes idiotas.
– Nós temos trabalho, Collin.
– Eu trabalhei sem parar durante meses, meses! Não posso ter um descanso com a minha namorada durante pelo menos um dia? – Perguntou com a voz falsamente triste. Ele a fitou com um olhar que só ele sabia fazer para que ela se entregasse. – Is...
Isabel bufou.
– Tudo bem. Mas, primeiro, você vai vestir uma roupa decente e ligar para William. Ou você se esqueceu de que eles fizeram a missão definitiva ontem?
– Puta merda! Verdade. – Ele depositou um beijo rápido em seus lábios. – Já volto. Prepare as comédias para a gente.
Ela fez um “ok” com a mão.
***
– Will?
– Collin, bom dia, amigo. – Ele cumprimentou. Para Collin, a voz soava fora do normal. – Como vai? Como vai Isabel? Vocês ainda estão juntos, certo? Ou ela percebeu que você é um merda e te deixou?
– Eu ainda consigo enganar bem, irmão. – Disse, trocando o telefone de orelha. – Vou bem. E como andam as coisas aí?
– Vão... Complicadas. – Will suspirou, e foi naquela hora que Collin percebeu que algo estava errado. – Nós conseguimos todos os materiais, mas...
– Mas...?
– Marc morreu na missão. – Ele sussurrou. Estava dentro do alojamento e não podia deixar que ninguém ouvisse aquele fato novamente. – Nós enterramos o corpo, mas ninguém mexeu na bolsa até agora nem começaram a trabalhar. Estão arrasados.
– E... E... Como está minha irmã?
Will suspirou e olhou a garota que pousava no peito de Nick, de olhos fechados mas, mesmo assim, feição triste. Ela não havia saído da cama desde que deitou lá, e Nick não quis sair para ficar com ela.
– Nunca a vi assim, devo confessar. – Respondeu. – Ela não come, não bebe, não fala e nem menos levanta da cama. Acho que a vi somente levantar uma vez para ir ao banheiro, mas ela ficou lá cerca de duas horas com o chuveiro ligado e voltou para a cama novamente.
Collin passou a mão pelos olhos e depois pelos cabelos, suspirando preocupado.
– Diga a ela que eu a amo, tudo bem?
– Pode deixar. – Ele sorriu. – Mais alguma coisa?
– Não, era só pra saber como vocês estavam; Vou desligar. Até mais, Will.
– Até, Col. Manda um beijo pra Is.
– Pode deixar.
***
Jenni abriu os olhos e... Aquele não era seu quarto. Percebeu então que estava abraçada a alguém e pulou da cama ao notar que estava no quarto de Dilan, somente com a blusa dele e abraçada ao mesmo, somente de cueca.
– DILAN!
Ele abriu os olhos imediatamente e sentou-se na cama.
– Pois não, senhor?
– Sou eu, Jennifer.
Dilan volta a deitar na cama e se cobre.
– Ah, volta pra cá, então. Por que tá levantada?
– Porque eu estava na sua cama! – Ela retirou a coberta do corpo dele e tentou desviar o olhar da cueca. – Vai vestir uma roupa. Por que eu to com sua roupa?!
– Você sujou a sua de cerveja e eu fiquei com preguiça de ir até o seu quarto pegar outra. – Ele cruzou os braços atrás da cabeça. – Além de que você já tava sem roupa mesmo.
Ela olhou para baixo e puxou a borda da blusa.
– Dilan... Nós transamos?
O mesmo sorriu.
– O que você acha?
Jenni arregalou os olhos e colocou as duas mãos contra o rosto. A respiração aumentou, ela começou a andar de um lado e, de vez em quando, olhava para Dilan e o sorriso dele, que a deixava em mais pânico.
– Eu não acredito. – Ela falou, dando pausa. – Como isso foi acontecer? Eu só tomei duas garrafas de cerveja!
Dilan levantou e vestiu uma bermuda, depois uma camisa.
– Você se lembra de ter tomado duas. Eu me lembro de você ter tomado mais que todo mundo ali. – Disse, um divertimento soava na voz, típico dele. – Nunca vi alguém beber daquele jeito. Nem mesmo os caras aqui do exército bebem assim.
Ela se sentou na cama.
– Eu to ferrada. E se eu ficar grávida? Eu não posso ter um filho aos vinte anos! Custa muito caro! Eu não sabia cuidar nem dos meus primos, como vou fazer pra cuidar de alguém que vai sair do meu útero?
O rapaz aproximou-se da namorada e pousou uma mão em seu cabelo.
– Jenni.
– Não! Como você pôde? Eu estava bêbada! Completamente bêbada.
– Jenni.
– Minha mãe vai me matar! Meu pai vai te matar! E vai cozinhar nós dois pra comer na ceia de Natal.
– Jenni.
– O QUÊ, PORRA?
– Nós não transamos, Jenni. – Ele falou. – Eu tava só brincando. Acha mesmo que eu iria me aproveitar de você?
Ela o olhou, totalmente incrédula.
– ... O que? – Ela se levantou. – Eu... Você... Não?
– Não. – Ele a abraçou. – Mas, eu devo dizer que nunca te vi tão ousada assim em todos os anos que te conheço.
– C-Como assim?
Ele ficou em silêncio, com um sorriso dançando nos lábios.
– Acho que você nunca beijou tão bem.
***
– Kyle. – Chamou a garota. – Kyle, acorde.
Ele piscou várias vezes antes de definitivamente abrir os olhos e enxergar Charmin agachada ao lado de sua cama. Sentando-se, Kyle vestiu um casaco que deixava ao lado e tirou a franja dos olhos, depois prendendo o cabelo.
– Charmin, são quatro da manhã.
– Eu sei, nós precisamos codificar os chips. – Ela pegou a mão do garoto. – Vem, Kyle.
– Charmin, nós podemos fazer isso depois...
A garota o olhou seriamente.
– Não, nós o faremos agora. – Disse. – Nós precisamos, Kyle. Eu não quero mais ficar aqui, lembrando-me do seu irmão. Ele iria querer que nós fizéssemos isso, não iria?
Por um breve momento, Kyle duvidou se aquilo estava sendo um sonho ou não. Por mais que, na maioria das horas, Charmin assumisse um lado bruto e insensível, toda pessoa tinha lá seu lado mais frágil e afetado. E mesmo que a garota não deixasse transparecer esse lado em todas as horas e, quando transparecia-o, ficava sozinha, aquele momento, a morte de Marc, fazia com que todos ali ficassem com esse lado. Mas ela estava certa, se Marc ainda estivesse ali, ele não ligaria para algum ferimento ou o cansaço da missão; recolheria os chips e começaria a trabalhar na nova fase da missão.
Por fim, assentiu.
– Então vamos.
Os dois levantaram, e Kyle, sem que Charmin visse, vestiu uma calça desajeitadamente. Enquanto ela sentava na cadeira que Marc geralmente ocupava, a do centro, ele sentou-se no lado esquerdo de Charmin, o seu próprio lugar. Ligou, então, os computadores, um por um. Agradeceu mentalmente pela primeira vez as máquinas serem silenciosas, pois Will não gostava que eles trabalhassem sem sua permissão e, como o sono do mais velho era leve, ele poderia acordar e dar um belo sermão nos dois.
– Como nós codificamos? – Perguntou ela. – E vocês já possuem as identificações falsas?
Kyle acessou um arquivo com duas fotos e três identificações. Uma foto compunha um rapaz de cabelos castanhos ondulados, num corte um tanto punk, e outra de um garoto de semblante mais novo, com cabelos ruivos lisos, de olhos cinza-azulado brilhantes. Na ficha ao lado do rapaz de cabelo rebelde, estava escrito “Raphael Straightway”, e no ruivo, “Christopher Tompson”.
Charmin estreitou os olhos e, ao constatar que estava certa, olhou para Kyle, assustada.
– Esse é... Nícolas?
– Sim. Nós temos que disfarçar vocês três, e eles já os tem prontos. – Passou a lista para baixo e Charmin viu um RG parecido com o que usou quando tentou ir à A, mas com um nome totalmente diferente. “Rosaline Oregreen”. – Mas agora, como você já foi reconhecida, nós vamos ter que mudar seu visual drasticamente.
– E como eu vou ficar?
– Bem, ainda não sabemos. Mas Will disse que encomendou lentes azuis para você e que nós vamos a uma loja de perucas e roupas amanhã para você escolher sua nova personagem.
Ela sorriu. Sempre quis ter uma cor de cabelo diferente e olhos que não fossem desiguais. E Will sabia como animá-la, sabia que ela gostaria de sair e finalmente ter um dia de garota. Aquela poderia ser a chance de todos se desviarem da tristeza da perda e pensarem no futuro que os esperava.
– Acha que eu ficaria bonita de cabelo curto?
Kyle sorriu.
– Acho que ficaria bonita até careca.
***
Como sempre, Will acordou mais cedo.
Foi até o lago visitar Marc, trocou as flores e, exatamente às seis e meia da manhã, pegou duas canecas de alumínio e começou a batê-las uma contra a outra, produzindo um som estridente e irritante.
– Vamos acordar, pirralhos! Hoje o dia vai ser longo!
Vagarosamente, Charmin abriu os olhos e notou Nick sentado na cama, bocejando e colocando uma camisa. Ela sentou-se também e ele virou-se para dar bom dia a ela, mas, no momento que Charmin o viu sem camisa mais proximamente e deixou que ele notasse que ela estava olhando, Nick riu e falou a tão clássica frase.
– Gostou do que está vendo?
Charmin enrubesceu e levantou-se, preparada para ir à mesa tomar um suco e tentar esquecer os músculos dele quando Nick a segurou e puxou-a para seu colo, beijando-lhe a bochecha. Ele abraçou sua cintura e a apertou contra seu corpo.
– Bom dia para você também, Charmin.
– Di-Dia.
Do outro lado da sala, alguém gritou.
– Por favor, isso é um ambiente familiar. Não sejam pervertidos aqui.
A garota levantou-se das pernas de Nick e, finalmente, foi até a mesa tomar suco. Will a encarou com um sorriso dançando nos lábios e uma risadinha baixa presa na garganta.
– O que foi? – Perguntou ela. – Que olhar é esse?
O rapaz se aproximou do ouvido de Charmin e sussurrou:
– Então aconteceu, não aconteceu?
Ela o olhou, desentendida. Do que ele estaria está falando?, pensou.
– Aconteceu o que, William?
– Vocês... Na mesma cama...
Pela segunda ou terceira vez naquela semana, Charmin cuspiu o suco no chão e começou a tossir nervosamente. Will, rindo alto, apalpou suas costas, dizendo “Calma, gatinha”. Quando ela acalmou-se e o vermelho no rosto passou, deixou o suco na mesa e olhou para Will, fingindo que aquele assunto não era demasiado vergonhoso.
– Nós não, você sabe.
– Não? Nunca? Nem na floresta?
Ela negou.
– O que vocês fazem então enquanto estão fora?!
– Nós conversamos.
Will bateu a mão contra a testa, parecendo decepcionado demais com Charmin.
– Conversar? Que desperdício de juventude!
Ela encostou-se à mesa e Will fez o mesmo ao lado dela.
– Eu só, não sei, não acho que isso seja tão necessário numa relação. – Disse ela. – Nem acho que seja tão bom assim.
Will tomou um gole do suco que, Charmin suspeitava, possuía whisky, e riu pelas narinas.
– Você diz isso porque nunca experimentou, e sexo melhora muito a relação. Pesquisas oficiais dizem isso.
– Não diga em voz alta...!
– O Quê? Sexo? Charmin, você nunca teve essa conversa com ninguém?
Ela começou a mordiscar o lábio vergonhosamente.
– Não...
– Nem com James?
Negou.
Will bateu as mãos.
– Bem, tudo que você precisa saber é que deve usar camisinha, tudo bem? E... Algumas posições, mas você ainda é nova pra isso.
– Podemos encerrar esse assunto e ir às compras?
Ele afagou-lhe os cabelos negros. Olhou para ela e puxou-lhe a mão.
– Vamos, Rosaline.
Charmin terminou o suco, estralou os dedos e acompanhou os passos do mais velho.
– Vocês só me dão nome de gente fresca!
***
– Que tal essa de cabelo azul? Combina com os seus olhos, gatinha.
Estavam todos numa loja de fantasias e, naquele momento, escolhiam perucas. Nícolas dizia que ela não precisava de um cabelo novo, que o dela era o melhor de todos, e James concordava. Era a única coisa que eles concordavam com. Kyle achava que ela ficaria bem de morena, mas com um corte um pouco mais moderno. Joshua estava escolhendo roupas para os rapazes, aquele era seu cargo no momento, mas vez ou outra olhava para os outros cinco para ver as brincadeiras que faziam nas lojas. As atendentes estavam começando a ficarem impacientes e olharem feio.
– Parece o cabelo da Ramona.
– Ramona? – Perguntou ele, erguendo a peruca e colocando em Charmin. – Quem é Ramona?
– Uma personagem de uma revistinha de quadrinhos que o James tem. Não parece, Jay?
O rapaz olhou o penteado em Charmin e riu.
– Parece mesmo. Ramona Flowers, certo? – Ele chegou mais perto e tirou a peruca de sua cabeça. – Com licença, moça, mas a senhorita teria este corte na cor loura?
A atendente, pela primeira vez, sorriu para eles. James sabia conquistar as mulheres, seu histórico de namoradas mostrava isso. E, ou ela ficou encantada pela gentileza dele, ou somente o achava atraente.
– Vou ver, senhor. Um momento, por favor.
A moça sorriu e deixou o recinto, entrando num quarto.
– James. – Chamou Charmin. – Essa garota é mais velha que você.
Ele sorriu para ela.
– Mas você viu o rebolado quando ela anda?
A garota revirou os olhos e riu fraco.
Instantes depois, a moça voltou com uma caixa em mãos. Retirou dela o mesmo modelo de peruca: Um corte curto, com pontas mais compridas na frente e uma franja curta. O tom era loiro claro e possuía tom castanho onde os cabelos ficariam na nuca. James, ainda sorrindo para a moça, pegou a peruca e colocou em Charmin, que estava com os cabelos presos.
– Pronto. Agora nós te imaginamos com olhos azuis e... Uma perfeita A. – Disse Will. – E, com esse corpo, menina, você vai passar naquela roleta fácil.
– Nícolas. – Disse ela. – O que você acha?
Nick, que até então estava com Josh olhando roupas para usar na A, virou a cabeça e viu Charmin. Ela parecia totalmente diferente, e ele preferia os cabelos compridos pretos dela, mas aquele cabelo loiro curto nela ficou tão bem e irreconhecível que o garoto impressionou-se.
– Você está... Linda. – Ele piscou várias vezes e se aproximou. Enrolou no indicador a ponta mais comprida do cabelo, ao lado do pescoço, e sorriu abobado. – Linda é uma ofensa para como você está agora.
Ela enrubesceu.
– Você tem que parar com essa coisa de me deixar constrangida. É horrível isso, cara.
Nick segurou as duas bochechas de Charmin e puxou a carne delas fortemente, deixando o rosto da garota vermelho e formando uma careta de dor. Ele sorriu, como quando se sorri para... Bem, para quem você ama. Um sorriso falho; No começo, você tenta ser irônico ou bravo, mas quando se olha para os olhos de tal pessoa, é como se o corpo amolecesse e o sorriso passasse pelo mesmo efeito, tornando-se calmo, compadecido e carinhoso.
– Não é horrível, eu sei que você adora.
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