Notas iniciais
BEEEM VINDOS DE VOLTAAAAA! *linguinha de sogra irritante* Sentiram minha falta? Não, né? Eu sei e.e Bem, eu queria avisar que agora vou voltar com tudo! Tudenho :v E eu queria pedir desculpas por ficar umas três semanas sem postar, até eu fiquei triste com isso ;-; Mas, agorenha, tem um capítulo xeroso e bem sexy pra vocês, ok? Aproveitem

Enquanto o robô colocava sua grava, Collin esticava as mangas do terno e abotoava as pontas enfeitadas. Quando a máquina saiu, olhou-se no espelho e mais uma vez impressionou-se. Pensava em como, num espaço de quatro anos, mudou tanto. Costumava usar bermudas esfarrapadas e um tênis que colava as solas todo mês. Agora, usava ternos do mais nobre tecido e sapatos de couro que nunca ouvira falar.

Quando chegou à A, estava com roupas disfarçadamente baratas e linguajar ultrapassado. Não sabia da maioria das coisas que as pessoas por lá diziam e, quando chegou à casa de seu hospedeiro, ficou surpreso ao constatar que moraria num porão com um serviço tecnológico tão refinado e atualizado.

Meses depois de se esconder, arranjou um emprego numa loja de sapatos perto do centro comercial. Descobriu que havia filiais pela A e pelo mundo inteiro, e acabou por se tornar o representante daquela zona. Ganhou dinheiro, sociabilidade e uma casa nova.

Em dois anos havia sido informado sobre o plano de alguns As que queriam rebelar-se contra o sistema monárquico. Na hora, lembrou-se de Charmin, James, Will e até de Josh, pessoas injustiçadas pelo cabimento social que a vida colocou-os e, por eles e pela própria zona, quis ser um grande apoio na revolução social.

Demorou algum tempo para conquistar a confiança dos integrantes. Teve de fazer tatuagens no braço para demonstrar amizade e total segurança nas outras pessoas que participavam do plano. E a dor ao cravar a agulha no braço foi tamanha que prometeu a si mesmo nunca mais fazer tatuagens que não fossem necessárias. Mas ninguém cumpre todas as promessas e lá esteve ele, no mesmo lugar, com o mesmo aparelho sobre o músculo, desenhando uma âncora em símbolo de resistência contra o rei.

Depois de um tempo tornou-se um dos líderes de todo o negócio. Fazia planos, escrevia cartas e solicitações, conversava e reunia os outros todos os fins de semana para discutir e até era responsável pelas festas de confraternização.

Então finalmente conseguiu ver a irmã e nunca sentiu tanta saudade dela quando a fitou estática entre tantas pessoas, parecendo magoada e com uma esperança totalmente esmagada. As pernas se moveram automaticamente, e quando viu já estava abraçando-a como uma criança chorona abraça o bicho de pelúcia favorito.

O dia no exército passou tão rápido e as horas pareceram evaporar como água enquanto ele conversava sobre seus planos com ela e reclamava o quanto ela havia crescido. Notou Charmin no meio de tantos outros pelo cabelo negro idêntico ao seu e os olhos diferentes que de longe se destacavam, mas ela estava muito diferente. Parecia mais calma, lenta e cuidadosa. E o corpo estava totalmente diferente, isso era certo.

No fim, a vida finalmente estava dando certo para Collin.

Enquanto caminhava pelos corredores de uma casa que reunia todo o pessoal da revolução, Collin organizava mentalmente um discurso para proferir aos outros. Estava ensaiando-o a meses e planejava emocionar todos com ele. Estavam na etapa final dos grandes seis anos de planejamento da tão sonhada mudança, a única peça – a mais importante – que faltava era Charmin.

Planejava mostrar a ela, meses atrás, todo o sistema que usavam para fazer as coisas por baixo dos panos. Fazê-la entrar no meio de todas aquelas pessoas como a irmã e sucessora do chefe da revolução, não como qualquer uma que teria de passar pelos mesmos processos. Mas ela foi pega, detida no exército e ficaria ali até que resolvessem resgatá-la.

Entrou na sala e observou todas as pessoas de sua equipe. Todas o olhavam, admiradas.

O mais novo de todos, Arthur, era parecido como um secretário que ajudava Collin. Conheceu-o na terceira ou quarta reunião que estava assistindo ali e tornaram-se amigos em poucas horas. O rapaz possuía uma pele morena e os cabelos curtos num penteado moderno, o físico era forte graças ao exército que fizera na America do Sul, e o carisma era sua melhor qualidade.

Havia alguns mais velhos, como Julian, que o contavam sobre o sistema monárquico e o auxiliavam na preparação de gráficos. Julian era um senhor de idade com cerca de sessenta anos, e conviveu com a separação de zonas da adolescência em diante. Havia sido separado de um grande amor, e por isso conquistou o direito de entrar na A. Mostrava a Collin como um simples motivo, uma paixonite adolescente qualquer, movia a força dos outros.

E por fim, havia a mais especial de todas: Isabel. Era a única mulher ali, considerando que todas estavam muito felizes com a vida. Mas Isabel era diferente, não achava justo o modo como o rei separava os sem sorte na vida e deixava-os num canto velho, sujo e apodrecido. Perdeu um irmão quando passou para A, o mesmo estava brincando com robôs e, quando pareceu ofensivo, mataram-no. Aquilo foi o fim do mundo para ela, e agora não restava nada a ela se não apostar nos planos loucos de todos ali.

Arthur aproximou-se, trazendo os gráficos e colocando o controle nas mãos de Collin para que o mesmo fizesse a apresentação de slides. Julian assentiu para ele, mostrando-o orgulho e alguns outros acenaram enquanto Collin subia as escadas para o palco. Isabel, do outro lado, aproximou-se a depositou um beijo rápido em seus lábios, desejando a ele boa sorte. O rapaz sorriu e piscou para ela, enquanto a moça descia os degraus para ficar à frente dele.

Collin ajeitou o microfone do pedestal, tocando-o e checando o som. Virou-se e ligou a tela e finalmente começou o discurso.

– Irmãos da B, colegas da A e revolucionários. – Colocou as mãos sobre o apoio, elevando o tom de voz. – Estamos aqui reunidos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. – Esperou que todos fizessem o sinal da cruz. – Quando cheguei aqui, não sabia nem da superfície do grande iceberg que é esse plano. Então, quando me contaram o que todos aqui planejavam fazer, fiquei extasiado em saber que eu não era o único a achar esse país injusto.

“Alguns desde pequenos, outros, na adolescência, estão presos a essa rotina rotulada interminável e incansável que o rei planejou a nós quando conquistou o trono. Mas eu, como cidadão e patriota dos Novos Estados Unidos, não desejo o mesmo que meu monarca. Desejo a justiça, a liberdade e a veracidade. Desejo a união dos povos e a volta das vidas dos nossos ancestrais! Li em livros e em documentos que, antigamente, a maior expressão utilizada pelos habitantes do antigo território era: “Este é um país livre”. – Deslocou-se do palanque para a ponta do palco, ligando a tela. Uma bandeira com listras vermelhas e um retângulo azul preenchido por estrelas apareceu. – Não estão cansados de serem somente mais uma pessoa mofando enquanto nossa sociedade decai para o primitivo? Não estão cansados de não fazer nada e deixar o caos tomar conta de tudo? – Àquele ponto, já estava gritando enquanto as pessoas batiam palmas e davam assovios. – Eu estou. E muito.

***

– Dentro da sala do comandante há um painel tecnológico por trás de um dos quadros que controla todo o exército. Se você conseguir entrar lá, descobrir qual o quadro e saber o nome de todos os setores e corredores daqui, sai desse lugar muito facilmente.

Jack estava com um papel e uma caneta na mão, à sua esquerda estava Charmin. Estavam ambos na mesa do refeitório completamente vazio, já passava das duas da manhã. Então, enquanto Jack falava no mínimo tom possível, Charmin tentava captar tudo e não se distrair com o silêncio perturbador ou a escuridão assustadora. As janelas faziam sombras distorcidas que a deixavam arrepiada.

Através de Nick, Jack soube que Charmin iria escapar em poucos dias, fora contatado através de um celular antigo e barato que contrabandeou para dentro do local. Não havia sido fácil escondê-lo no meio das calças, mas assim que passou sem ser descoberto, viu que as coisas dali em diante seriam muito mais divertidas.

Então foi até o dormitório de Charmin e destravando a fechadura com um canivete, acordou a garota no meio da noite e, com uma lanterna que também trouxe de fora, levou-a até o refeitório. Ela ainda estava com cara de sono e os cabelos morenos estavam totalmente despenteados.

Agora, enquanto desenhava desajeitadamente num guardanapo uma espécie de painel de controle e ouvia os bocejos de Charmin, Jack explicava a ela as formas mais ágeis e ilesas de se sair dali. Desde os dezesseis estava no exército, havia levado a culpa por um dos crimes de Nick e depois de todo o transtorno, decidiram mandá-lo para lá mesmo sendo menor de idade. Com anos de observação, aprendeu a entender todos os meios de fuga dali; os horários que os guardas descansavam e até o nome dos homens que faziam a ronda do lado de fora.

– Se você sabe tudo isso – Perguntou ela enquanto coçava os pulsos. Não estava sentindo-se à vontade com ele, no escuro e no silêncio. – Por que nunca escapou?

– Se eu escapasse, não teria para onde ir e nem a que recorrer. – Explicou. – Todos os meus amigos se mandaram para outra zona, país ou estado. E quando eu vim parar aqui, não sofri nada mais que alguns interrogatórios e treinamentos. Esse lugar é como uma casa para mim.

– Você poderia vir comigo ao alojamento...

– Não acho que seja bom para eu ir para lá. Sou muito imprudente, algum dia eu acabaria fazendo merda e, por minha causa, todos seriam pegos. Não funciono para trabalhar em equipe.

Charmin assentiu. Por mais que ele usasse uma desculpa como aquela, sabia que era por causa de Nick. Eles eram grandes amigos e, por causa de uma grande cilada em que ambos se meteram somente Jack saiu como culpado. Conseguia ver os dois no alojamento, brigando pela confiança que não tinham um no outro e discutindo as coisas do passado.

– Então, basicamente, eu tenho de descobrir qual quadro está o painel, desligar os setores corretos e fugir pelo subterrâneo da câmara de controle que fica no fim do corredor? – Perguntou ela novamente. Não estava entendendo o desenho de Jack, mas graças à boa atenção e memória, conseguia enxergar o caminho na mente. Will a treinara muito bem. – Mas e se houver guardas? Alarmes?

– Se houver guardas... – Remexeu no bolso até que encontrou. Dentro de uma bainha de couro enfeitada com vermelho, havia uma adaga fina e comprida, toda enfeitada no cabo e com espirais pela lâmina. Charmin pegou-a instantaneamente, sorrindo nostálgica. – Will me mandou isso pelo contrabando. Achou que sentia falta dela.

– Minha lâmina favorita... – Ergueu o rosto. Nos olhos, estava claro que estava com saudades da vida de ladra, rebelde, traficante, seja lá o que fosse. Estava sentindo falta de todo aquele mundinho que criou no decorrer dos anos. – Obrigada, Jack.

Jack piscou para ela e entregou o papel, circulando dois quadrados. Num deles, havia um “x”; O outro possuía uma estrela dentro. Apontando para cada um, mostrou que eram os mais possíveis quadros para haver o painel. Entrou escondido uma vez na sala de Charmin e contou que viu ambos os quadros tortos, indicando movimento.

– Lembre-se de amarrá-lo com as cordas da cortina. – Observou enquanto escrevia algo atrás. – Através de um computador, pesquisei sobre os dois quadros e descobri as datas em que foram feitas. É a cara de Charlie colocar isso na senha.

– Tudo bem.

– E, se precisar me chame através... Disso. – Deu a ela uma espécie de aparelho celular antigo. Continha uma tela pequena que cabia no máximo números e um fecho para roupas. – Se chama paiger.

– Como eu uso isso?

– Conhece código Morse?

Charmin assentiu.

– Ele funciona nessa base. É só digitar “ajuda” que eu chego lá em alguns minutos.

– Tudo bem. – Charmin guardou a adaga e o aparelho no bolso. – Mais alguma coisa, Jack?

Sim, tinha alguma coisa.

Ele queria dizer a Charmin para tomar cuidado, não se machucar e ser o mais cuidadosa possível. Que ela estava sob seus cuidados e que, se machucasse algum membro, ele seria o primeiro a curá-la. Que estava preocupado com ela e que não queria que ela fosse porque, mesmo não admitindo, ela trazia um pouco de cor para o mundo dele. Mas depois de pensar em tudo aquilo, somente uma frase saiu.

– Sim. Você está com bafo. Escove os dentes urgentemente.

***

Se estivesse correta, aquela seria a porta dele. E se Jenny estava dormindo, ele estaria ali.

Sorrateiramente, usou um grampo que roubou da sala de Charlie para destrancar a porta e lentamente entrou, observando toda a bagunça. Havia cuecas amontoadas num monte, camisas em outro e calças e bermudas no canto. “Pelo menos nesse aspecto são organizados” pensou enquanto desviava de algumas latas de refrigerante até chegar à cama do rapaz.

– Dilly...

Colocando uma mão sobre o ombro dele, balançou-o vagarosamente até que visse os olhos abrindo. Charmin afastou-se e esperou que o outro sentasse, enquanto analisava um pouco mais detalhadamente todo o lugar. A cama de Dilan era a única que não continha um pôster de uma mulher com as pernas abertas sob uma moto. E sem roupas.

– Aconteceu alguma coisa com Jenny?

Ela sorriu. Era adorável notar que ele pensava primeiro na namorada e depois em algum outro problema. Deveria ser como ela ao pensar em Nícolas, quando soube de seu passado com ele. O mesmo sentimento de corrosão no corpo por não poder ter certeza se tal pessoa estava a salvo ou não.

– Não. Ela está dormindo, tranquila. – Apontou para ele. – Vim falar com você.

– Eu?

– É.

Dilan passou a mão nos cabelos e a outra estava sob uma perna, apalpando-a. Um sorriso irônico pousava nos lábios.

– Problemas com Nicky? – O apelido soou afeminado e meloso ao mesmo tempo. Charmin ergueu uma das sobrancelhas, esperando o pior possível. – Senta aqui no colo do tio Dilly e conta o que tem no seu coraçãozinho.

Charmin bateu a mão contra a testa. Aquilo foi o pior do possível esperado.

– Põe uma camisa logo e vamos caminhar antes que eu soque sua cara, Dilly.

– Mas são quatro da manhã, Charmin!

– Ótimo. – Andou até um monte de camisas brancas e jogou uma grande a Dilan. – Vamos começar o treino mais cedo.

Dilan pegou a camisa, cheirou-a e após fazer uma careta, tirou uma preta debaixo da cama e vestiu-a. Ajeitou os cabelos com uma água próxima à mesa e dirigiu-se ao lado de Charmin, destrancando a porta e parecendo um tanto surpreso ao constatar que, se ela estava ali, era porque abriu o local.

– Como... Você...?

– Todos nós temos nossos truques.

Em seguida, andou até o corredor com Dilan ao seu lado. Passaram pelos dormitórios e ao fitar um casal comendo a boca um do outro, apressaram o passo para o campo de treino. Charmin pensava se aos quinze anos era assim com Nick e anotava mentalmente de nunca ser daquele jeito com o garoto. E Dilan pensava em Jenny, por mais estranho e romântico que seja.

Chegaram ao local e o rapaz comprou uma garrafa da água, iniciando uma caminhada ao redor da estrada de terra. Dilan a olhava de soslaio, perguntando-se se algo estava acontecendo com ela para consultá-lo. Lembrava-se de ter dito que seria um apoio quando ela precisasse, mas Charmin parecia ser o tipo de garota que resolve tudo por si mesma, engolindo o choro e metendo uma surra nas dificuldades. E, se ela não estava ali para ser consolada... O que era?

– Está tudo bem, Charmin?

– Está. – Ela deu um gole. Continuou com o bico na boca, abafando a voz. – É só que...

“Efoebora”.

– Como? Não entendi.

– Eu... foebora.

– Você o quê?

– EU VOU EMBORA. – Gritou enquanto amassava o plástico, deixando água escorrer entre os dedos. – Eu vou embora, Dilan.

Dilan sorriu. Mas não o sorriso alegre, divertido e carismático costumeiro; Era um sorriso triste, parecido com os sorrisos que as crianças davam ao se despedir dos pais no primeiro dia de aula. E o mesmo comportamento de após entrar na escola: desolação.

– Mas... E Jenny? Rose? Sam? Jack?! – Por um momento, pareceu constrangido. As bochechas enrubesceram e ele bagunçou os cabelos nervosamente. – E... E eu?

Pela primeira vez em tanto tempo, Charmin ficou sem chão. O olhar de Dilan sobre ela era tão triste e carregado que ela não sabia como respondê-lo. Charmin ficou surpreendida por não ter passado pela cabeça dele uma vez sequer que ela iria embora. E agora, ele a olhava do mesmo jeito que olhou para os pais quando ambos foram embora para a A, deixando-o com a vó: Parecia estar despedaçado por dentro e inteiro por fora.

Mas, é claro, durante todos aqueles meses, a amizade dos dois somente cresceu. Quando ele a derrotava nos treinos e, ao invés de sentir raiva, Charmin ria de si mesma e pedia a ele uma mão; Quando ajudou Jenny a ficar a sós com ele e Dilan a abraçou como um urso no dia seguinte; Até quando o ajudou na prova técnica, colocando os dados matemáticos num bilhete e indo propositalmente vomitar para deixar o mesmo no banheiro masculino para que Dilan pegasse.

– Você vai ficar bem. – Enfim disse. – E, não é como se eu nunca mais fosse te ver. Se tudo der certo, você vai ser um ótimo soldado e eu... Bem, eu serei uma ótima administradora.

Dilan mudou o sorriso.

– Mas... E se nada der certo? Você não parece ter muita sorte na vida.

Charmin balançou a cabeça.

– Não preciso de sorte na vida. Nunca tive e por isso nunca necessitei, e não será agora que irei usar.

E um silêncio permaneceu. Os dois continuaram a andar e de vez em quando olhavam um para o outro, sorrindo felizes e com os olhos tristes.

– Só me prometa uma coisa, Charmin.

Charmin olhou-o, curiosa. Ele parecia sério demais para o tipo de pessoa que é. Era a mesma coisa que ver um palhaço sem sorrisos ou um advogado rindo como uma criança. Ao mesmo tempo estranho, era bonito e raro de se ver.

– O quê?

– Lembre-se de mim. – Deu um empurrão fraco no ombro dela. – E do dia em que humilhei você com as armas. – Charmin riu fraco enquanto deixava que Dilan a abraçasse. – O importante é não esquecer-se de mim.

***

– Não quero que você vá emboraaaaa!

Rose resmungava para Charmin enquanto a mesma terminava de contar às garotas que partiria em alguns dias. Enquanto Sam reagiu bem, deu a ela um boa sorte caridoso e um abraço rápido, Jenny começou a chorar e Rose... Rose parecia uma criança querendo muito um doce. Não estava chorando muito, mas esperneava na cama e chacoalhava os ombros de Charmin incessantemente, causando nela uma crise de risos e uma série de calmas.

– Sammy... Faz alguma coisa... A Char não pode ir embora! – Virou-se para a namorada, que segurava o riso enquanto assistia a cena. – PARA DE RIR E ME AJUDA! SUA VAGABUNDA!

– Desculpa Rose, mas Charmin está certa. – Disse ela. – Nós sabíamos desde o começo que ela não ficaria por muito tempo. E ela tem que ir embora, aqui não é lugar dela e nunca vai ser.

– Mas... M-mas... – Após enxugar as lágrimas, olhou determinada para Charmin. – Quando você vai embora?

– Daqui alguns dias. Por quê?

– Vou fazer uma festa de despedida para você esse fim de semana. – Sorriu enquanto dava pulinhos, segurando as mãos de Charmin. – Vai ser demais!

– Não preciso de uma festa.

– Mas. Eu. Preciso.

Havia algumas bolinhas vermelhas em envolta dos olhos claros de Rose e o nariz estava com a ponta vermelha. A boca formava um biquinho infantil e o olhar era persistente e, de algum modo, feliz. Era incrível como os sentimentos dela mudavam tão facilmente. Charmin assentiu enquanto sorria.

– Então tá. Vamos ter uma festa.

***

Enquanto Will novamente limpava a prótese, Nick batucava impaciente na mesa e olhava para o nada, totalmente avoado. O mais velho percebeu que, desde que foi decidido resgatar Charmin, ele andava assim. Avoado, sonhando acordado, em devaneios e distraído demais. Talvez fosse o efeito que a ansiedade causava nele, ou talvez fosse somente e vontade de vê-la.

– Onde está Josh? – Perguntou para o garoto que agora brincava com os dedos. – Ele está fora do alojamento faz algumas horas.

– Não sei. – Instantaneamente virou-se para os outros. – Sabem onde está Joshua? – Virou-se novamente. – Não, eles não sabem. Ninguém sabe. É um mistério.

– Nícolas, você tomou algo com muito açúcar?

– Eu? Tomei café para não dormir. Já reparou que você perde mais de seis horas quando dorme? Não posso mais dormir.

– Nícolas, se acalma.

– To calmo. Muito calmo. Muito muito muito calmo. – Nick contava com os dedos a palavra “muito”. – Viu? Calmíssimo.

Will parecia preocupado e em divertimento com o garoto.

– Que tal parar com o café? Vou avisar Marc para usar o sem cafeína.

– Não. Não, não, não, não. Preciso ficar acordado para achar Charmin.

Will sorriu. Acertou seu palpite.

– Então o problema é ela?

– Eu não consigo tirar ela da cabeça. Ela fica grudando na minha mente como um chiclete de morango que você masca e masca e masca e depois tente se livrar e não sai do seu tênis, entende? Ela não sai, não sai, não sai e não sai.

Will começou a rir.

– Nícolas, você está realmente...

E parou de rir quando viu Josh descer pelo alçapão. Parou de rir quando ele desceu pelas escadas e uma garota veio em seguida.

Notas finais
Se vocês perceberam, as cenas ficaram bem rápidas. Isso foi um pequeno deslize que eu não cometerei no próximo capítulo, sim? Não se esqueçam de comentar, marcar para acompanhar e, se puderem, favoritar. Até a próxima quarta, queridos :3