Notas iniciais
E chegamos :3 Bem, esse capítulo não mostrou uma variedade de cenas e ficou mais na Charmin do que nos outros, mas eu achei importante colocar algumas coisas que irão aparecer aí. Enfim, boa leitura.

– Se eu fosse você, não comeria esse pudim. – Sussurrou Dilan quando viu a garota retirando a tampa da sobremesa. – Eu olhei uma vez como eles fazem o doce e... Não é legal.

Instantaneamente Charmin soltou a colher que segurava e empurrou o doce para o lado da bandeja, pegando o garfo e começando a comer um mingau com nutrientes que serviam para aumentar os músculos dos soldados. O gosto era estranho, como uma carne gelada e dura, mas era uma das melhores partes daquele lugar.

No fim acabou sentando com Dilan e mais uns amigos deles. Uma garota de cabelo branco, incrivelmente simpática que elogiara seus olhos no momento em que olhou para Charmin e um garoto mais afastado de cabelos escuros compridos e um anel no indicador. Assim que localizou a mesa de Dilan, o garoto levantou-se e indicou um acento para ela, puxando sua cadeira e esperando que Charmin sentasse. Ela o olhou estranhamente e puxou a cadeira de volta, deixando Dilan envergonhado.

– Aqui, pegue minha gelatina. – Dilan colocou um pequeno potinho rosado na bandeja de Charmin. – Aposto que é melhor que esse pudim.

– Você gosta de apostar, não? – Observou enquanto pegava novamente a colher.

– Eu sempre ganho. – Deu de ombros enquanto afirmava o que era verdadeiro. Nunca houve ninguém que ganhou uma aposta dele em todo o exército. Alguns chegaram perto e outros quase ganharam, como Charmin. E, aquele tipo era, definitivamente, o mais interessante. – Pode perguntar pra qualquer um.

– Já entendi. Você é o melhor em tudo, Dilan. – Charmin colocou a colher na boca e segurou-a entre os dentes. – Não me interessa.

– Eu sei que não, e foi isso que exatamente me chamou atenção. – Dilan sorriu enquanto bebia uma lata de refrigerante. – O seu jeito raivoso é adorável.

– Você não acha que está muito carismático com uma novata? – Perguntou ela, erguendo uma das sobrancelhas. – Costuma ser assim até com o espelho?

– Eu falo a verdade. Aposto que por ser assim, há um garoto completamente apaixonado por você. – Sugeriu e Charmin enrijeceu a boca. Dilan sorriu divertidamente. – Acertei. E parece ser recíproco pelo jeito sério como você ficou quando falei do desconhecido.

Charmin estava prestes a falar quando ouviu seu nome ser dito atrás de si. Virou-se para ver quem era e coçou o pulso ao localizar o homem da gravata vermelha chamando por ela. Engoliu em seco e lentamente levantou, andando até o homem e arrepiando-se com o sorriso afiado que o mesmo demonstrara ao vê-la.

Olhou para trás e pôde ver o olhar preocupado de Jenny sobre ela. Charmin encolheu os ombros e acenou para a garota, lendo “boa sorte” nos lábios dela. O homem indicou a saída para ela e Charmin seguiu-o até uma sala completamente desconhecida.

A porta foi destrancada e ao passar por ela, Charmin viu uma cadeira feita de metal com alguns fios embaixo e um interruptor num pedestal relativamente perto do assento. Havia uma espécie de capacete ligado aos fios e pendido sobre o lugar. O homem dirigiu-se à cadeira e colocou a mão sobre o encosto da mesma, olhando para Charmin.

– Sabe, o rei ficou bastante... Surpreso, ao saber que um de seus B resolveu tentar escapar, forjando uma pulseira. – Começou enquanto afrouxava a conhecida gravata. – Então me concedeu uma dessas para ver se você abria o bico.

O sangue de Charmin congelou e ela sentiu como se estivesse trancada num freezer.

–... O quê é isso?

Dois homens apareceram atrás de Charmin e seguraram seus braços, levando-a até a cadeira e sentando-a forçadamente, prendendo seus pulsos com espécies de pulseiras e os tornozelos. Um dos homens conectou um dos fios embaixo de sua blusa grosseiramente e Charmin sentira a textura fria do material. Em seguida o homem que já não estava mais com o tecido vermelho aproximou-se dela e com uma tesoura que Charmin não havia visto, cortou o canto esquerdo do cabelo da menina, fazendo com que fios caíssem por toda sua roupa.

– É uma pena. Você é uma jovem bonita. – Aproximou uma espécie de lâmina e segurando o queixo da garota, raspou a parte cortada. – Se você tivesse cooperado no primeiro dia, não estaria perdendo parte do cabelo ou não teria de sofrer o tanto que terá agora.

O homem saiu pela porta e demorou muitos minutos a voltar. Enquanto estava fora, Charmin olhou para os pulsos atados, na esperança de que conseguisse livrá-los das pulseiras e em seguida baixou o olhar para os tornozelos, pensando na mesma hipótese. Não sabia sobre o que estava sentada, mas era frio, duro e excessivamente desconfortável.

Os guardas que estavam à frente da porta olhavam para ela e algum deles murmurou algo para o outro, a única coisa que Charmin ouvira fora a palavra morte. Ok. Agora estou assustada, movimentou os pulsos repetidamente para testar a força e após constatar que sangue estava saindo deles, parou a movimentação.

Resolveu olhar para cima e pensar em coisas que não fosse assassinatos ou torturas.

Pensou em Will e em como agora ele deveria estar limpando a prótese enferrujada, reclamando para Marc o quão a peça fora má feita, e mesmo assim dizendo que a amava por fazer com que ele não vivesse em uma cadeira de rodas. Lembrou-se de James que estaria provavelmente um pouco feliz em saber que teria a cama somente para ele, abraçando os travesseiros e aproveitando a coberta que o aquecia e que era roubada pela garota toda noite. Josh que provavelmente limpava as facas e ia ao lago para dormir e ficar livre de Will. Kyle tentando pensar em métodos de tornar a pulseira mais eficiente, pois deveria estar se sentindo culpado por ter projetado algo que fizera com que Charmin fosse presa no exército. E Nícolas, que essa hora ou estaria dormindo ou lendo um livro, com raiva de si mesmo por ser tão impotente e fraco comparado ao exército.

O homem voltou com uma pistola e uma caixinha pequena e preta, carregando ambas entre os ombros. Aproximou-se de Charmin e chamando ajuda dos guardas, desatou os pulsos da mesma, em seguida colocando algo dentro do objeto que ela pensara ser uma pistola e descobrira ser uma espécie de seringa muito grande, acompanhada de uma agulha assustadoramente grossa.

Pressionou a agulha contra a pele de Charmin e ao selecionar uma região do pulso, apertou uma espécie de gatilho que soltou, na exata ordem: Fios, um chip minúsculo, mais fios. Charmin mordeu os lábios com a sensação dolorosa e entendeu que estavam colocando rastreadores em seu corpo. Já sabiam que se ela tinha contato íntimo com Nícolas, ele a salvaria.

Agora, depois de meses, conseguia entender porque Nick tirou os chips com tanta pressa. Eram tão agonizantes ao ponto de fazer os braços ficarem dormentes de dor.

Após ter colocado no outro pulso e na região dos tornozelos, o homem olhou para ela com olhos frios, vazios e um sorriso diabólico, adorava ver a expressão de dor no rosto das pessoas que passavam por esse processo. Mas Charmin não daria esse gosto a ele.

Lambeu os lábios para tirar o sangue que estava começando a escorrer e fechou os olhos, procurando algo que a acalmava. Pensou na mão de Collin passando por seus cabelos, contando para ela histórias para dormir e abriu os olhos novamente, observando enquanto o homem prendia seus tornozelos novamente.

– Sabe o que é o objeto em que está sentada? – Perguntou em tom indiferente, como se ela não estivesse prestes a ser torturada novamente. – Há muito, muito tempo, no ano de 1890, esta cadeira fora inventada para matar prisioneiros com pena de morte. – Esfregou uma mão contra a outra e foi até o pedestal, colocando a mão sobre uma pequena alavanca. – É simples: O prisioneiro era posto onde você está agora; os fios eram conectados como fizemos com você, jogava-se um pouco de água pela cadeira e bum, morte instantânea por choque elétrico.

Charmin engolira em seco e prestou atenção nas palavras do homem após a última frase. Iriam realmente matá-la? Queriam perder a única pessoa quem ofereceria informações a ele? O rei deveria estar muito bravo com ela, para oferecer coisas assim a um exército medíocre e qualquer da parte mais pobre e insignificante do país. Ou a diversão deles era vê-la sofrendo.

– Mas nós não queremos mortes. Queremos confissões. – Tornou a falar enquanto ajustava o fio ligado à parte lateral raspada de sua cabeça. – Coloquei os fios propositalmente errados e não joguei água no assento para que você somente seja torturada, e não morta.

– Como sabe que não vai me matar? – Perguntou em tom baixo. Não queria provocar toda aquela violência novamente. – Como sabe que se exagerar na descarga elétrica, não vai queimar meus miolos?

– Porque eu sei o quanto você precisa para que sua pele queime. E é nesse nível que irei chegar.

***

– Não podemos buscá-la agora. – A voz de Nícolas foi a única que fez com que a discussão parasse.

Will estava de pé enfrente a mesa toda bagunçada, cheia de papéis, projetos, esquemas de fuga e documentos falsos. Ao seu lado, Josh escrevia várias possibilidades de resgate enquanto Kyle, Marc e James olhavam no computador um mapa da área onde ficava o exército, tracejando com os dedos uma rota a seguir. Nícolas olhava impacientemente para todos, perguntando a si mesmo o quão loucos estavam eles por querer tirar Charmin de lá com somente dias de desaparecimento.

– Como assim não podemos tirá-la de lá agora? – James rosnou enquanto virava-se para Nick com um olhar assustador. O moreno encolheu os ombros e ajustou-se na cadeira. – Está me dizendo que não vamos pegá-la daquele Inferno?

– Não agora. – Nícolas soava estranhamente calmo. Tinha a capacidade de disfarçar o transtorno interno dentro dele. – É muito suspeito e inseguro. Deixamos Charmin lá por alguns meses até que ela aprenda sobre o ambiente e sobre as pessoas. Então eu a ajudarei a escapar. Eu fui o único que realmente consegui e sei que ela é esperta o suficiente para isso também.

Will finalmente sentou-se e ergueu uma das barras da calça, colocando a mão sobre a prótese de ferro e pedindo um pano a Marc, que foi buscá-lo imediatamente. Segundos depois o ruivo voltou com o tecido úmido e um pote de água e sabão acompanhando, deixando-os ao lado da perna de Will.

– É tudo culpa minha. – Desabafou enquanto passava o pano pelo pé de ferro. – Se eu não tivesse posto aquela ideia maluca na cabeça dela, nada disso teria acontecido. Se eu não tivesse concordado com o irmão dela, Charmin ainda estaria aqui, reclamando sobre como nós somos desorganizados e sobre como Nícolas é folgado. Se, anos atrás, quando ela ainda era uma criança, eu não tivesse visto que ela era especial... – Apertou o pano com força e a água escorreu pelo chão.

Nick sorriu tristemente com a lembrança e voltou para sua cama, deixando todos falando sozinhos com suas obsessões e sentou-se sobre a coberta, puxando um livro qualquer de debaixo da cama e deitando, colocando a pervinca sobre o peito e erguendo o livro acima do rosto.

Na verdade, não estava prestando atenção no livro. Longe dali, longe da B e da A, pensava em Charmin, que provavelmente estava sendo torturada por confissão e presa à força para chips serem embutidos em seu corpo. Sabia que aquilo estava acontecendo, pois passou pela mesma coisa. Fora torturado para confessar sobre os grandes crimes que ajudara a cometer e sobre o acidente no lago, o qual fora injustamente culpado. Tinha noção sobre a dor de quando os chips eram colocados e também sobre como era difícil retirá-los do corpo.

Fechou o livro repentinamente e olhou para o alçapão. Colocou-o debaixo da cama novamente e pegou a pervinca, entrelaçando o cabo nos dedos. Levantou-se e sem justificar, começou a subir a escada e abriu o alçapão, colocando a mão para fora e em seguida começando a caminhar para o lago.

Charmin poderia não estar ali, mas ele faria de conta que pelo menos o coração dela estava.

***

Estava enganada. Pensar em Collin acalmando-a não ajudava em nada. Ainda abria os olhos e conseguia ver o braço cheio de bolhas e sentia o calor insuportável na pele. As pernas estavam em um tom de pele escuro e queimado, provavelmente avançando do terceiro ou quarto grau. O homem deslizava a alavanca para frente e para trás repetidamente, desligando a cadeira e fazendo com que os choques não fossem letais, mas ainda assim realmente dolorosos.

Não sabia há quanto tempo estava ali, sentada e sendo torturada. Mas ao perceber que não possuía mais saliva e voz para gritar ou falar, constatou que foi há muito tempo. Depois de algum tempo, o homem parou com os choques e olhou para os guardas, apontando para Charmin.

– Tirem-na daqui. Ela não serve para nada a não ser gritar. – A voz soou dura e ecoou na sala vazia. Os homens desamarraram Charmin e puxaram seus braços, fazendo com que ela gemesse em dor por encostar as feridas. – Se você não quer me contar a verdade, eu irei descobrir por mim mesmo. Mas não pense que esse será o fim.

Arrastaram-na até seu dormitório e Charmin sorriu ao perceber os olhares assustados de todos ao redor dela. Não faziam ideia de como aquilo os deixava ingênuos. Passou por Dilan e o mesmo levantou-se rapidamente de sua cama, afastando os guardas dela e fazendo com que Charmin caísse no chão e o resto da roupa queimada rasgou e caiu ao seu redor.

O rapaz instantaneamente cobriu-a com a camisa que estava usando e pegou-a no colo, levando-a para seu quarto e pedindo ajuda de Rose assim que chutou a porta e atravessou-a. Ambos colocaram Charmin em sua cama e Dilan voltou ao seu quarto, pegando o kit de primeiros socorros e em seguida voltando, sentando Charmin e enfaixando os braços queimados com uma agilidade impressionante.

– Vai ficar tudo bem, Charmin. Vai ficar tudo bem. – Murmurou enquanto passava uma espécie de pomada de textura grossa pelo pescoço de Charmin. Parecia estar falando sozinho e desolado, como uma criança falava pra um brinquedo quebrado. – Nós vamos cuidar de você e logo você vai voltar a ser como era.

Charmin engasgou com a secura ao tentar falar e Jenny chegou à mesma hora, levantando o queixo dela parar colocar a borda do copo entre seus lábios. A garota bebeu toda água e mais quatro ou cinco copos, derramando um pouco do líquido na camiseta de Dilan.

Queria responder a Dilan que estava ciente de que nada voltaria a ser como ela e sobre tudo pedir a ele que tirasse as mãos de seu pescoço. Mas estava tão exausta psicologicamente que somente assentia e esticava os membros, deixando que ele passasse o curativo em seu corpo.

Charmin, depois de minutos sentada, foi ajudada para que deitasse e Sam a cobriu, sorrindo levemente para ela e praticamente mandando que ela dormisse e descansasse. Charmin assentiu e encostou a cabeça no travesseiro, fechando os olhos e caindo num sono profundo. Estava cansada em psicologicamente, sentimentalmente, fisicamente e duvidasse que também espiritualmente. Tudo estava tão bagunçado que dormir era a paz que não possuía ali dentro.

***

– Pegue esse galho para mim, Charmin. – Falou o garoto enquanto ambos andavam de mãos dadas sobre a areia da praia vazia.

Charmin agachou-se e pegou o graveto enquanto o rapaz sentava-se na areia e apontava para que ela sentasse a sua frente. Após ficar de joelhos no chão fofo, entregou o galho e esperou algum movimento.

– O que vai fazer? – Perguntou enquanto ajeitava alguns fios rebeldes que eram levados pelo vento. – James e a namorada dele estão nos esperando em casa.

– Não aguento aquela menina. – Justificou enquanto desenhava algo abstrato na areia. – Olhe, essa é você.

Charmin visou o desenho e arqueou uma das sobrancelhas. Como diabos aquilo poderia ser ela? Estava torto e... Tinha um pedaço do galho no meio do desenho?

– Isso sou eu? – Estreitou os olhos e tombou a cabeça para tentar enxergá-la na areia. – Como isso poderia ser eu?

O garoto puxou seu braço para que ela se sentasse ao lado dele e apontou para o suposto desenho, indicando áreas e regiões. Os cabelos foram feitos com riscos retos envolta de um rosto redondo e havia uma linha curva na parte de baixo sinalizando o sorriso. A parte das bochechas estava riscada e havia dois olhos redondos.

– Esses são seus olhos. – Mostrou dois furos feitos na areia. Em um deles havia um pedaço de madeira.

– Por que tem esse negócio dentro do meu olho?

– Pra mostrar que eles são diferentes. – Sorriu ao constatar que a menina notou a diferença. – O com o pedaço de graveto é o seu olho preto; o sem é o azul.

– Você gosta de fazer com que eu lembre a heterocrômia, não?

– Bastante. Seus olhos são lindos. O mundo inteiro deve vê-los. – Deu o graveto a ela, apontando para o desenho na areia. – Desenhe-me.

Charmin riu com a ordem e segurou o graveto corretamente, colocando-o contra a areia. Fez um formato de rosto com o queixo quadrado e girou o graveto na parte de cima, fazendo vários cachos como cabelo dele. Em seguida fez um sorriso levantado num dos cantos, típico dele, e olhos ovais grandes e pegou duas conchinhas pequenas e cinzentas, colocando-as sobre os buracos.

– Esse é você.

– As conchas são meus olhos?

– São. Cinzas e ao mesmo tempo azulados como uma turmalina refletida na água.

Os olhares dos dois se encontraram e o garoto se aproximou, colocando uma das mãos no rosto de Charmin. Sorriu com o canto da boca e passou a mão pela bochecha da garota, inclinando-se para beijá-la. Então olhou para ao lado e ao ver James correndo, afastou-se e deixou a mão ali, somente olhando-a. Charmin olhou na mesma direção e pôde ver o cabelo louro de James enquanto ele se aproximava.

– Aqui estão vocês! – Exclamou ao se aproximar. Uma câmera estava em suas mãos. Sorria um tanto incomodado e satisfeito ao notar que havia interrompido algo. – Olhem pra cá!

Mas os outros estavam muito concentrados nos olhos se encontrando que não ouviram a voz de James, muito menos o click da câmera. James tirou a foto instantânea e a segurou com a ponta dos dedos, chacoalhando-a e mostrando aos dois.

Charmin pegou a foto com o mesmo cuidado de James e a observou: Apareciam os dois mexendo na areia, um completando o desenho do outro. Os olhares presos enquanto o cabelo de Charmin esvoaçava e os cachos de Nick brincavam com o vento. A mão de Nícolas em seu rosto enquanto ele sorria.

***

Acordou com os braços cheios de ataduras e ao levantar um deles para esfregar os olhos, sentiu a dor da queimadura e o voltou para baixo, fazendo um esforço para que se sentasse e achasse Dilan sentando na ponta de sua cama, os braços apoiados sobre os joelhos e as mãos em uma concha envolta do rosto. Estava claramente preocupado com ela.

Mexeu os pés e sentiu as pernas dele. O rapaz virou-se e sorriu ao olhar para ela e ver que estava acordada. Levantou a mão e nela estava uma espécie de bolinho, com uma cauda rosa em cima e granulados coloridos por ela. Sem rodeios, Charmin pegou o bolo e abriu o saquinho para comê-lo. Estava faminta.

– Bom dia pra você também. – Riu ao ver o desespero da garota por comida. Entendia muito bem como era aquilo. – Dormiu bem?

Charmin assentiu enquanto lambia um canto da boca e tirava o recheio. Era tão bom sentir o sabor de algo doce na boca que se pudesse comida dezenas daquele e não se importaria nem um pouco de virar diabética.

– Obrigada.

– É. Esses bolinhos são bons mesmo.

Negou enquanto amassava a embalagem e jogou-a no chão. – Obrigada pelos curativos. Não fazia ideia de como aquilo estava doendo.

Dilan sorriu com o agradecimento de Charmin e Jenny apareceu em sua visão, carregando uma calça larga e uma regata simples. Deixou as roupas ao lado da garota e informou a ela que, como era fim de semana, os treinos acabavam mais cedo e as pessoas costumavam se reunir nos refeitórios. Olhou rapidamente para James e enrubesceu ao receber um sorriso do rapaz.

– Eu a levarei para lá depois que ela tomar banho e refazer os curativos. – Informou Dilan enquanto Jenny indicava direções. – Não é, Charmin?

Charmin olhou para Dilan um pouco e depois assentiu. Decidiu que confiaria em Dilan. O rapaz não parecia ser mal e se ele fosse ela já teria sentido isso somente no olhar dele ao ajudá-la quando ficou praticamente seminua frente a todo o alojamento. E não falou, mas ficou eternamente agradecida quando ele a tirou dos braços dos guardas e a carregou até um lugar macio e confortável.

– Eu vou tomar um banho e volto daqui alguns minutos. – Falou enquanto pegava as roupas e uma toalha na cabeceira da cama que foi deixada por uma das meninas. – Conte os... – Interrompeu-se. – Até daqui a pouco.

– Ok. – Assentiu e sorriu da mesma forma quando apostara os tiros com ela. – Estarei aqui.

Notas finais
Senti saudades de colocar uma torturinha... Não. Mas é necessário. Eu coloquei mais um sonho da Charmin, que seria intercalado com aquela foto que ela viu no começo da fic, lembram-se? Até o próximo capítulo