Zona
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Olhe, as vezes eu queria que as coisas fossem que nem antigamente, sem nenhum tipo de superpoder.
Eu me chamo Raj Blue, hoje é meu aniversário de 17 anos. Até alguns dias atrás eu era identificado como um potencial agente para a Zona D, uma zona designada a pessoas que conseguem manipular as moléculas do corpo e ficar invisível.
Atualmente, eu moro na “caixa”. É como se fosse um enorme armazém embaixo da Terra onde todas as crianças moram, porque não são deixadas com os verdadeiros pais, ao invés disso, nós somos criados pelas cuidadoras desse lugar. Não estou reclamando, até que algumas delas são muito amorosas, quando era criança, elas nos traziam um negócio branco em formato de barra, elas chamam de “chocolate branco”, porque tem mais açúcar que cacau. Infelizmente não existe mais no mundo, o último que eu comi venceu há uns 200 anos e eu nem sei como ficou inteiro até aqui.
Voltando ao assunto dos poderes em que nós conseguimos adquirir com o passar dos anos, o país de Âmbar possui cinco zonas dentro do seu perímetro, cada uma é designada para um poder específico: Zona A – telecinese; Zona B – super força; Zona C – super velocidade; Zona D – invisibilidade; Zona E – dispensáveis. Os dispensáveis que habitam a zona E são os mais miseráveis da população, o Conselho diz que eles não são dignos de ficar entre as outras zonas.
Como deu para perceber, as zonas começam do poder mais legal que é utilizar a mente para mover as coisas e vai para o mais chato de todos, que eu achava que era o meu, porém tudo mudou depois de uma briga com a Scarlet no refeitório.
— O que temos aqui? O pequeno Raj ainda está com problemas em desaparecer por completo da vida de todos? – Disse Scarlet olhando para mim com tom de deboche e ao lado dela, o sangue suga do Spike.
— Me deixa em paz, Scarlet. Acho que de tanto você me importunar na hora do almoço, eu só consigo pensar que você está apaixonada por mim. – Não sei de onde tirei tanta coragem de enfrentar Scarlet, ela é um agente potencial da Zona B, ou seja, ela era mais forte do que 100 homens comuns.
Quando me dou conta, estou sendo jogado contra a parede do refeitório e logo em minha direção vem a minha bandeja com o almoço, no qual eu deveria estar comendo. Eu sou uma pessoa inteligente, não sei qual o motivo de ter agido com tanto impulso. Acho que estou farto de tanto deboche e sarcasmo.
Finalmente consigo usar meu poder de invisibilidade e desvio rapidamente da bandeja que atravessa a parede e para em outro cômodo da Caixa. Saio correndo, porém Spike é mais inteligente que Scarlet e joga molho na direção de onde estou fugindo. Fico todo lambuzado e pior, fico visível para Scarlet me fazer de picadinho. Ela puxa o meu pé e me joga contra a mesa, ela quebra ao meio com a força que ela me joga e grito de dor.
— Escute aqui, pequeno Raj. Só eu posso zombar das pessoas por aqui. – Ela ri e se dá por vencida. Não a culpo, eu estou me contorcendo de dor devido ao choque da minha coluna contra a mesa, mas eu ainda não me dou por derrotado e levanto cambaleando e me segurando na pilastra que estava ao lado da mesa.
— Eu ainda não perdi, pequena Scarlet. – Dou um sorriso malicioso e foi o suficiente para provocá-la a ir atrás de mim. Ela dá um salto no ar e projeta um soco em direção ao meu pulmão e eu já vi outras brigas dessa garota, quando ela consegue acertar tal golpe, seu oponente perde totalmente o ar em seus pulmões e fica inconsciente por algumas horas.
Eu sinto um tremor dentro do meu corpo e meus músculos ficam tensos, não consigo pensar no que fazer para não perder para ela, mas meu corpo parece que sabe o que fazer. Consigo desviar o golpe de Scarlet movendo meu corpo 100 vezes mais rápido que uma pessoa qualquer e ela acerta a pilastra de concreto na qual eu me apoiava. Escuto um grito de dor, apesar dela ser forte, o impacto de seu golpe no concreto não deve ter sido indolor.
Começo a brincar com o meu poder que eu nem sabia que poderia ter, eu estava super-rápido, a Scarlet corria em minha direção e eu desviava de todos os golpes em uma fração de milésimos e estava me divertindo. Estava com o plano de cansá-la e acabar com essa luta e mostrar quem manda, porém, meus planos não foram como o esperado.
A sirene do refeitório toca e todos ficam paralisados com tamanho estrondo que aquele negócio fazia. Entram seis guardas do Conselho e fazem formação impedindo a passagem da porta.
— Raj Blue? Venha comigo. – Disse o guarda maior e mais forte de todos eles, em tom claro e voz grossa.
— Estou encrencado? – Pergunto, pois sei que os castigos desse lugar são bem severos, mas nunca ninguém nos disse sobre as punições que as pessoas levam por desordem.
Não recebi resposta, fico ansioso. Eu odeio esperar por algo que não sei o que é, meu corpo paralisa e fico suando frio. O homem que está ao meu lado nem sequer me olhar no rosto. Observo o corredor por onde passamos e olho em volta, tem guardas em todo o lugar como se fizessem uma barreira em minha volta.
Paramos no meio do longo corredor. Há um quadro velho pendurado ao lado esquerdo da parede. O guarda que estava ao meu lado, “Tenente Raider”, li em seu uniforme. Ele sai da formação e coloca a sua mão sobre o quadro. De repente, a parede cai. Fico paralisado. Não sei o que pensar.
— Ande, estou te levando para seu teste de habilidade imediatamente. – Tenente Raider parece ser duro, mas olhou em meus olhos pela primeira vez desde o refeitório. Percebi que ele não estava duro por ser um guarda e sim por estar com pena de mim, ele não estava sendo frio comigo e sim, piedoso.
Estou assustado e não é algo que me envergonhe, masculinidade deixou de existir a milhares de anos, uma das coisas boas dos tempos atuais é que não existe rótulos e nem estereótipo sobre como agir e com quem se relacionar. Apesar de estar com medo, ainda pergunto:
— Não estamos indo para a Zona D?
— Não. Você foi redirecionado, agora você é um potencial agente da Zona S.
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