Zombie's Hunters

6 I'm not a murder


-Desculpa, você não é drogada? — ele perguntou debochado.

-Certo, vou entrar nesse seu jogo sujo — eu disse, ele sorriu sarcástico — mas quando eu entro em algum jogo, saiba que é pra ganhar.

-To morrendo de medo — ele disse levantando as mãos e soltando uma risada irônica.

-É, só não esquece que o motivo por eu ter sido expulsa de casa é um curso de artes dramáticas. — ele me encarou, parando de rir instantaneamente — Eu posso ser o que eu quiser — Dito isso eu saí da sala.

A noite estava chegando em Londres. Peguei um ônibus até o ginásio onde tínhamos aula de tiro com arco. Eu sabia que o equipamento ficava lá, e a única coisa que eu queria era extravasar minha raiva em alguma coisa.

Quando cheguei abri a porta com um grampo e peguei o que eu precisava. Liguei a chave de luz e as luzes acenderam.

O problema é que arco e flecha era mais difícil do que eu pensava. Não conseguia nem chegar perto do alvo.

-Não sei porque, mas imaginei que estaria aqui — Scott disse escorado na porta, ele estava ainda mais lindo que hoje a tarde. Ele vestia uma calça preta skinny, um All Star preto e uma camisa branca gola "v", além daqueles óculos "nerd" que na minha opinião, devia ser obrigatório para homens. Tirou a jaqueta de couro preta e atirou na arquibancada. Ele caminhou em minha direção, colocou a sacola que carregava no chão, ao meu lado — Deixa eu te ajudar aí.

Ele se aproximou e ficou atrás de mim, ajeitando os meus braços.

-Agora relaxa e mira — ele disse,eu sentia o cheiro maravilhoso do perfume masculino dele — Respira — eu o fiz — agora atira — ele se afastou, soltei a flecha, acertei bem no meio — Viu? Não é difícil — eu ri.

-Nem tanto assim — ele sorriu.

-Trouxe whisky, aceita? — ele perguntou, assenti — Dias difíceis sempre pedem Whisky — sorri.

-Concordo plenamente — ele colocou whisky em um copo e me deu.

-Gostei do cabelo — ele disse e bateu o copo dele no meu. Ri

-Obrigada


Eu e cachinhos éramos os responsáveis pela vigilância do amanhecer, aproveitamos esse horário para ir até o mercado. O plano era ir de moto até a rodovia e arrumarmos um carro por lá, para carregarmos as coisas do mercado.

Não demorou muito para chegarmos, já que já tínhamos limpado a estrada ontem. Parei na rodovia onde tinham um monte de carros.

-Qual? — ele perguntou quando eu desci da moto.

-Pode escolher, seja feliz — eu disse ele riu.

Ele caminhou e escolheu uma Ranger XLT branca.

-Boa escolha — eu disse, ele sorriu.

Cachinhos foi pegar gasolina dos outros carros enquanto eu tentava fazer a Ranger funcionar. Em umas duas horas estávamos prontos. Achamos as chaves da Ranger no para-sol.

-Hora das compras — ele disse ligando a Ranger.

-Hora da aventura — eu disse dando partida na moto


-Quer saber? Você é legal pra uma drogada — Scott disse, ri. Minha cabeça girava devido a quantidade exagerada de Whisky — Devíamos sair um dia desses

Eu sabia que era fria, que tinha algo errado, mas, porque sou idiota, aceitei.

No outro dia me arrumei para o encontro, colocando uma jeans skinny preta, um scarpin da mesma cor, uma camiseta do Guns e uma jaqueta de couro por cima.

Quando cheguei no restaurante o garçom me dirigiu a mesa, mas quem estava sentado lá não era Scott, era James.

-Sabe quando você tem certeza que vai dar merda, mas você faz mesmo assim porque é idiota? — perguntei, ele deu um risinho sarcástico.

-Nops. Sente-se — ele disse, larguei minha bolsa de franjas na cadeira do lado e sentei.

-Quanto pagou a ele?

-400 paus.


Fomos para o mercado, mas alguém tinha chegado antes de nós. Sei disso porque os zumbis de ontem estavam caídos no chão.

-Se o cara tiver lá dentro a nossa chance é apagar quem quer que seja — Cachinhos disse, assenti — eu primeiro, se ele me pegar tu acerta a cabeça dele com esse taco de basebol — ele me passou o taco, concordei.

Peguei o taco de basebol e me escondi ao lado da porta. Cachinhos entrou e, como o previsto, o cara agarrou ele da mesma maneira que Ryan fez comigo. Para nossa sorte o cara estava sozinho. Entrei segurando o taco um pouco acima da minha cabeça, na hora que eu ia acertar o cara, ele virou para mim e vi quem era. Quase enfartei.

-Scott? — perguntei não acreditando.

-Cléo? — ele soltou Cachinhos e abriu os braços pra me abraçar, vi o braço dele mordido.

Ele se aproximou de mim com os braços abertos.

Eu larguei o taco de basebol no chão.

Peguei o machado da minha cintura.

Scott parou no meio do caminho.

Acertei o machado bem no meio da cabeça dele.

-Estamos quites — eu disse ao ver o sangue dele escorrer nos meus pés — filho da puta.

[...]

-Já podem parar de chorar — eu disse largando as coisas na mesa.

-CLÉO, VOCÊ ENLOUQUECEU? — Lucas berrou

-Fala baixo, não vai querer atrair aquelas coisas — eu disse concentrada nos achados.

-VOCÊ PODIA TER MORRIDO! — ele gritou.

-Mas não morri.

-Mas podia.

-Lucas, a gente conseguiu uma caminhonete e anda pegamos as coisas do mercado. Ta reclamando de quê? — Ele suspirou.

-Ao menos podia ter avisado — dei de ombros.

-Tinta de cabelo? — Logan perguntou olhando as coisas que pegamos.

-Ah, isso é pra mim — eu disse pegando a sacola. A raiz do meu cabelo ta ficando loira, e não é legal parecer um gambá.

Subi as escadas e deitei em uma cama imunda de um dos quartos.

Scott. Só pode ser brincadeira, esse cara aparecer do nada, no mundo de hoje. Mas também, de nada importa, agora ele deve estar queimando no inferno. Peguei um caderno na minha mochila.

"Scott Mason", escrevi em baixo dos outros três nomes.

-Posso entrar? — Cachinhos perguntou colocando metade da cabeça pra dentro. Assenti — Acho que já está na hora de falar sobre você — Cachinhos sentou nos pés da minha cama. Sentei, suspirando.

-Não sou assassina.

-Eu sei.

-Tudo bem — comecei a contar a ele a minha história, contar coisas que nunca tinha falado a ninguém na minha vida. Não sei por qual motivo, mas eu sentia que podia confiar em Cachinhos, que podia contar com ele para qualquer coisa.

-Então tu me chama de Cachinhos e não de James por causa do teu pai? — assenti. Ficamos em silêncio por um tempo, fitando a parede — Minha vida também nunca foi fácil. Meu pai matou minha mãe quando eu tinha 10 anos e eu morei com meu tio e os filhos gêmeos dele até a praga começar. Me obrigavam a trabalhar no prostíbulo deles. — eu fiquei catatônica o encarando. Sempre reclamei da minha vida, por ter sido expulsa de casa, mas nunca imaginei que houvesse gente pior do que eu. Ouvir Cachinhos falar era como levar um soco na cara.

-Quer saber? — ele disse me olhando, levantei uma sobrancelha — Acho que é por isso que nos damos bem — ele sorriu, mostrando as covinhas — porque ambos tivemos uma vida de merda — sorri.

Um barulho vindo da rua me chamou a atenção. Era diferente do barulho habitual de mortos se arrastando, a menos que os zumbis fizeram um curso com o Chuck Norris e aprenderam a atirar. Fui na sacada e vi que o som vinha do centro da floresta. Peguei a mochila ao lado da cama.

-Vamos se mandar. Tipo, agora — eu disse a cachinhos.

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Notas finais
Link da imagem: http://i1328.photobucket.com/albums/w537/Poneis_Zumbis/Scott_zpse01fccd4.jpg