Zombie's Hunters
11 I have a plan this time
-Scott te beijou? — Ísis perguntou sentada na outra ponta do sofá, assenti com a cara na almofada.
-E eu gostei — disse com tom de nojo. Ela riu.
-E qual o problema disso, louca? — ela perguntou rindo.
-O problema é que ele é um idiota, vadia. Um idiota gostoso e que beija bem pra caralho, mas idiota.
-Para de drama, Cleonice — ela disse.
-Cleonice é sacanagem — eu disse a fuzilando com os meus olhos no melhor olhar de assassina que consegui fazer.
-Mas é teu nome, poxa.
-Não é minha culpa se minha mãe tinha fumado quando deu meu nome. E é um nome esquisito — ela riu — Para de rir. Isso é injusto, meu irmão tem um nome bonito e eu tenho que recorrer pra justiça pra mudar o meu nome estranho.
-Não é estranho. Estranho é o meu: Ísis.
-A Ísis pelo menos é uma deusa egípcia. Não conheço nenhuma deusa com o nome de Cleonice.
A campainha tocou e Is se levantou pra atender.
-Hey — Lucas disse na porta.
-Hey Lucas. Cléo falava de você — ela disse e Lucas olhou pra mim.
-Reclamando do nome de novo, Cleonice? — Lucas perguntou, o fuzilei com meus olhos.
-Primeiro: vai tomar no seu cu, Lucas. Segundo: parem de falar esse nome, antes que eu mande vocês dois pro Afeganistão com uma camiseta dos Estados Unidos.
Os três babacas colocaram as mãos na mesa rapidamente.
-Bons garotos. Tem mais alguém aqui? — perguntei aos dois babacas do palco que balançaram a cabeça negativamente devagar, abismados demais com minha presença — Sabe bigode, Cachinhos me falou de você. Me falou de todos vocês, na verdade — andei até Cachinhos e Ryan — Eu achava meu pai um monstro até conhecer a história dele — desamarrei as mãos de Ryan e deixei que ele fizesse o resto — Você sabe o que acontecia com gente que nem você na cadeia? — perguntei casualmente, ele ficou quieto me encarando — O gato comeu sua língua, bigode? — perguntei calmamente
-Não — ele respondeu, apenas.
-Gente que nem você era morto na cadeia, porque nem os bandidos mais psicopatas aceitam gente que faz isso com crianças.
-Eu tive... — ele começou, o interrompi.
-CALA A MERDA DA BOCA! — Berrei fazendo todo mundo pular. Entreguei minha arma à Cachinhos, que tinha acabado de ser totalmente desamarrado, porque eu sabia que ele queria fazer isso muito mais do que eu. Me aproximei do tio do bigode. — Gente que nem você, que sente prazer em estragar a infância dos outros me enoja — cuspi na cara dele.
Me afastei dos três indo pro lado de um Ryan boiando.
-Vou dar uma chance pra vocês dois — Cachinhos disse apontando pros gêmeos — Coloquem as mãos na cabeça e se mandem. Meus amigos vão ficar cuidando, se encostarem um dedo nas nossas coisas vou explodir seus miolos sem pensar duas vezes — peguei uma pistola na minha parca e passei para Ryan sem tirar os olhos da cena.
-Valeu — Ryan sussurrou. Ele olhou pra minha parca cheia de munição e arregalou os olhos. Imagino que ele esteja me achando uma psicopata agora. Bem, foda-se.
Os gêmeos saíram como Cachinhos mandou, ele olhou pro tio.
Certo, eu imagino que eu já tenha dito que o Cachinhos é lindo. Mas, com essa jaqueta de couro e essa arma na mão bancando o bad boy, ele conseguiu ficar bem mais que lindo. Ele conseguiu ficar perfeito.
Ta certo, eu admito minha obcessão por bad boys. Satisfeitos?
-Você tem noção de quantas vezes eu desejei estar morto por sua causa? Sabe quantas noites eu acordei assustado de noite, com pesadelos horríveis por sua causa? Você transformou minha vida em um inferno. Eu tentei me matar três vezes. TRÊS vezes. Mas aí eu pensava no futuro.Pensava que, talvez, essa merda toda tenha um propósito. Aí eu pensava em te matar. Confesso que cheguei bem perto, várias vezes, mas eu nunca conseguia a coragem necessária pra fazê-lo. Agora, olhando pra essa sua cara de cu, até penso que é bondade minha te matar — ele futricou na estante com bebidas atrás do tio.
Ele pegou um Jack Daniel's e tomou um belo gole. Bigode virou-se rápido pra ele para atacar. Mas, como a Cléo aqui é esperta, já tinha imaginado que isso aconteceria e, antes que ele se levantasse, empurrei a cabeça do bigode com força na mesa, a fazendo sangrar.
-Minha memória não é tão boa assim, mas eu lembro de ter dito pra colocar essas suas mãos de punheteiro na mesa. — eu disse a ele.
-ISSO É TERRORISMO! — Bigode gritou, ainda com a cara grudada na mesa, sob a pressão das minhas mãos sobre ela.
- Jura? Como se você fosse muito diferente da gente. — eu disse — Onde ta suas coisas de hipocondríaco? — perguntei.
-Que coisas?
-Seus remédios, imbecil — Ryan falou pela primeira vez, a voz grossa dele fez o "imbecil" pular em baixo das minhas mãos.
-Eu não vou dizer pra vocês.
-Ah, você vai. E sabe por quê? — Cachinhos perguntou — Porque aí te darei o direito de ter uma morte rápida — o carinha olhou pra ele, soltei a cabeça do bigode.
-Posso levantar pra pegar? — bigode perguntou.
-Não — respondemos juntos.
-Nada feito então — ele disse na mesa.
-Eu to começando a me estressar com você — eu disse, coloquei uma pistola na cabeça dele — fala logo, porra.
-Ta embaixo do palco onde estavam amarrados — Ryan se virou e foi pegar.
Ryan levantou a caixa nos mostrando que ele não estava mentindo. Cachinhos largou a arma, escorando no balcão, e pegou um machado que estava pendurado na parede.
-É, lamento informar, Robert — Cachinhos disse suspirando — mas vai ter que ser caixão fechado — ele disse e acertou uma machadada na cabeça dele.
-Hashtag partiu — Ryan disse nos fazendo rir — Valeu por desobedecer, nervosinha — ele disse a mim — fico te devendo uma.
-Pelas minhas contas, duas — respondi indo para a estante com bebidas.
Coloquei algumas na minha mochila.
-Que foi? O mundo acabando e eu não posso nem beber? — perguntei para os dois que me encaravam. Eles trocaram um olhar.
-Pode, se dividir — Responderam juntos. Sorri.
Cachinhos pegou a arma do Robert. Decidimos vasculhar o lugar antes de sairmos. Vá saber, um sociopata que nem ele deve ter de tudo naquele lugar, principalmente quando se faz algo fora da lei.
Não que eu saque de coisas fora da lei. Imagina, nunca fiz nada fora da lei na vida. Tipo, sei lá, matar um cara, ou assaltar uma loja, ou coisa do tipo. Mas isso também não importa mais não é? Ou importa?
Fui na Starbucks comprar café para mim , Ísis e Lucas. Não porque a gente precisa de café, mas porque eu decidi deixar ela e Lucas sozinhos. É, sou do mal.
Legal, começou a chover. Isso Cléo, more em Londres.
Coloquei o capuz do meu casaco e saí na chuva mesmo. Um carro preto passou devagar do meu lado. Ele parou e abriu o vidro. Sério? Sério mesmo?
-Esqueceu o guarda-chuva? — Scott perguntou sorrindo.
-Não é da sua conta — respondi sem olhar pra ele.
-Carona? — ele perguntou. Droga de cara lindo. Não, sem pensamentos pervertidos, Cléo. Pense em ursinhos fofinhos, isso. Mas que porra? Tem um cara lindo na tua frente e tu aí pensando em ursinhos fofinhos?
Abri a porta do carro.
-Não se acostuma, só não quero me molhar, falou? — eu disse, ele sorriu de canto.
-Claro que sim — ele disse.
-HEY, sou dona da ironia e não dei permissão pra uso. — eu disse dando-lhe um tapa. Ele riu.
Passamos alguns segundos em silêncio.
-Eu tava sendo sincero ok? — ele disse e me olhou rápido.
-É, eu sei — eu disse, olhando pra janela
-Sabe? — assenti. -Então você me perdoa? — assenti de novo.
Ele parou na frente do prédio de Ísis.
-Obrigada pela carona — eu disse a ele.
-De nada, te vejo amanhã? -assenti — Até amanhã, então.
-Até — abri a porta do carro.
Ah, quer saber? Foda-se. Fechei a porta e dei um beijo em Scott, ele ficou surpreso no início, mas depois correspondeu e se envolveu no beijo.
Estávamos saindo do prostíbulo do tio Bigode Asqueroso, (ta, eu sei que o nome dele é Robert, mas gostei de chamá-lo de bigode, me julguem) quando os gêmeos entraram correndo pela porta da frente.
-Mas que merda é essa? — Ryan perguntou aos dois.
Vamos nos referir aos gêmeos como bonitinho número um e bonitinho número dois.
-Zumbis — o bonitinho número um disse.
-O quê? — Cachinhos perguntou no exato momento em que os zumbis pararam na porta e começaram a fazer aquele barulho de morto de fome (sim, isso foi uma piada).
-Vocês os atraíram pra cá? São burros ou o que? — perguntei com raiva e peguei o machado.
-Ah, qual é você tem uma semiautomática e pretende ganhar deles no machado? — O bonitinho número dois perguntou.
-Na verdade, eu ia acertar a sua cabeça com isso e te jogar de isca — levantei o machado, mas cachinhos pegou de mim. — HEY!
-Ao invés de matarmos uns aos outros, vamos fazer um plano — cachinhos disse.
-Mas esse era o meu plano — cachinhos revirou os olhos.
E então eu tive uma ideia, ideia que todo mundo teve, porque todos nós olhamos pro corpo do bigode.
-Não podemos abrir a porta — o bonitinho número dois falou — vão entrar aqui e acabar com a gente antes disso.
-Tem segundo andar? — Ryan perguntou.
-Tem, mas as escadas estão do lado de fora — explicou o bonitinho número um.
-Espera, eu tenho uma ideia — Cachinhos falou e andou pra parte de trás — Vão ficar parados aí ou... — fomos atrás dele.
Ele abriu a porta da garagem e então eu devo ter babado. Na Garagem, olhando pra mim, uma moto Harley Davidson Fat Boy 2011 preta, também conhecida como "meu sonho de consumo".
-Sabe dirigir isso? — Ryan perguntou a mim, assenti devagar, sem tirar os olhos da moto — Ótimo, vocês três — apontou pros gêmeos e cachinhos — arrastem o corpo pra cá, e você vem comigo — me arrastou para o salão principal — eu tenho um plano, dessa vez.
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