Zombie apocalypse - You need to survive
13 Os quatro sobreviventes
Notas iniciais
#Jefferson Collin
" Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo. {Mark Twain}
Scarlett havia passado por duas situações parecidas em dois dias seguidos. Ela vira duas pessoas morrerem sob seus olhos sem poder fazer nada para impedir, eu sabia o que era isso e não gostava nem um pouco da sensação.
Sabia o que ela estava sentindo e não desejava aquilo nem mesmo para meu pior inimigo. A sensação de abandono e de inutilidade me consumia todos os dias e eu sabia que Lett passaria por isso de agora em diante.
Ainda assim, não conseguia deixar de pensar que toda esta sensação de trauma que ela devia estar sentindo poderia ser pior se ela realmente conhecesse a pessoa, como havia acontecido comigo.
Eu constantemente tinha sonhos com o que acontecera dias atrás, sonhos que na maioria das vezes me fazia acordar suando e tremendo, com medo de voltar a adormecer. E eles eram sempre iguais:
Eu estava na minha casa, o sol já havia nascido e a casa estava clara e fresca. As cortinas balançavam na medida em que o vento as tocava. O silêncio reinava pela casa com exceção ao canto dos pássaros. Tudo estava tranquilo.
Mas de repente, um grito estridente cortou o ar seguido de um uivo de dor. Corri para a porta da frente e a escancarei. Reconheci minha mãe e meu pai em meio a uma orla de mortos-vivos, eles os puxavam sempre mais para baixo, mordendo e cravando suas unhas onde conseguiam tocar, minha mãe e meu pai gritavam de dor, sempre mais alto. Mais mortos-vivos se aproximavam da porta onde eu havia ficado paralisado e erguiam os braços para me arrastar junto com eles e me devorar. Não pensei. Apenas entrei em casa e peguei uma machete velha e enferrujada, eu enfiava a machete na barriga, no peito, nos braços e em todos os lugares a vista dos infectados, mas eles não pareciam nunca morrer, apenas cambaleavam e 5 segundos depois voltam novamente para tentar me pegar.
Foi então que enfiei a machete na cabeça do mais próximo e este, por sua vez, caiu imóvel no chão. Acertei diversos mortos-vivos na cabeça os fazendo "morrer" pela segunda vez, mas eles não paravam de se aproximar. Por fim, acertei um na cabeça, mas a machete não aguentou mais que 9 infectados e se partiu ao meio. Fui forçado a recuar, entrei em casa e tranquei a porta, não consegui mais conter o nó em minha garganta. Cai no chão e me debulhei em lágrimas.
E então, acordei.
Este sonho estava todas as noites tentando infiltrar minha mente e eu sabia que não se tratava apenas de sonho, era uma lembrança da realidade, não era algo inventado, era algo real, ao qual, minha mente sempre estava ali para me forçar a lembrar. Isso resultava em olhos fundos e grandes olheiras arroxeadas. De qualquer forma, assim que as meninas apareceram, aprendi a disfarçar tais sentimentos me mostrando ser uma pessoa forte e corajosa. Por dentro, eu não era tudo aquilo. Eu era só um garoto de 15 anos com aparência forte mas que ainda sentia falta de seus pais e se sustentava com a ideia de que talvez não demorasse muito para tornar a vê-los novamente.
— Droga! — Exclamou Ruby que estava dirigindo, me tirando de meus devaneios.
— O que foi? — Perguntei, sem muito interesse.
— Esquecemos de um pequeno detalhe. Falta 1 hora para chegarmos a São Francisco se continuarmos na velocidade atual, mas esquecemos da gasolina, não vai aguentar nem meia hora.
— Continua dirigindo, já percorremos muitos quilômetros, deve ter um posto de gasolina aqui perto. — Falou Scarlett.
— Verdade — Concordei.
Ruby continuou dirigindo e após uns 15 minutos, encontramos um posto de gasolina com uns 7 mortos-vivos vagando o local. De pessoas inteiramente vivas, não havia nem sinal. Ruby parou o carro ao lado da bomba de gasolina e descemos todos do carro para esticar as pernas.
— Põe a gasolina que nós vamos limpar o local. — Falei para lett.
Ela assentiu com a cabeça e começou a encher o tanque.
Eu e Ruby nos aproximamos dos infetados, eu segurando a faca curta e Ruby a machete. Eu me aproximei de um homem de barba grande e cabelos crespos, pele branca e olhos brancos, suas vestes estavam sujas de sangue e rasgadas. Segurei seu pescoço para impedi-lo de me morder e enfiei a faca com força através de seu olho, o sangue espirrou em minha mão e ele caiu imóvel.
Fiz isso com todos os outros que sobraram e faltando um, ouvi um ruído de motor e rodas esmagando as pedrinhas do asfalto. De relance, vi um carro preto se aproximando do posto.
— Psiu! — Murmurou Lett, eu e Ruby olhamos para ela e ela apontou para a bomba de gasolina. Matamos o último infectado e nos escondemos por trás da bomba.
O carro parou ao lado de uma segunda bomba e duas garotas, acompanhadas de mais 2 garotos desceram do carro.
— Vou pegar a gasolina, Vee e Fred revistem o mercadinho e Chrys fique de vigia — Falou um garoto alto, de cabelos ondulados e castanhos que lhe caiam sobre os ombros, olhos azuis e pele pálida.
— Por quê eu tenho de ficar de vigia? — Perguntou uma garota alta, de cabelos loiros e curtos e olhos castanhos, cruzando os braços.
— Por que você é doida e mata um zumbi rapidinho. — Falou o primeiro garoto.
— Esses zumbis foram mortos por agora. — Falou uma garota extremamente branca de cabelos negros e lisos que desciam até o fim de suas costas e olhos verde-acidentados. Seus lábios rosados e carnudos formavam uma linha reta como se dissesse: Tem algo a mais aqui!
— Como você sabe Vee? — Perguntou um segundo garoto, forte e baixo, de pele negra e cabelos lisos e bem cortados.
— O sangue deste aqui ainda está jorrando. — Respondeu a garota de cabelos negros apontando o primeiro morto-vivo que eu matara .
Eu, Ruby e Lett nos entreolhamos.
A garota loira denominada Chrys, se aproximou do corola preto que havíamos pegado e o tocou.
— O motor ainda está quente. — Falou ela.
— Quem está ai? — Gritou o garoto de cabelos castanhos.
Uma gota de suor escorreu de minha testa.
— Apareçam, ou vamos procura-lo e não será muito amigável.
Olhei para as meninas numa súplica silenciosa. Ambas assentiram com a cabeça. Nos levantamos e saímos de trás da bomba de gasolina lentamente e de braços erguidos.
— Quem são vocês? — Perguntou o garoto, agora segurando uma arma — que eu desconhecia — apontada para nós.
— Só estávamos enchendo o tanque — Falou Lett.
O garoto olhou para ela com um certo interesse e curiosidade e baixou a arma.
— O que você está fazendo? — Mumurou a garota de cabelos curtos logo atrás dele.
— Scarlett? — Perguntou o garoto.
Olhei para Lett desconfiado e vi que ela ainda matinha sua expressão dura.
— Como sabe meu nome? — Perguntou ela com a voz fria.
— É justo que não se lembre de mim, já faz muito tempo, não? Se lembra disso? — Ele enfiou a mão por dentro da blusa e puxou um grande cordão preto com um pingente esculpido na madeira. Reconheci-o como um dos lados do yin e yang.
Scarlett ao meu lado pôs as mãos na boca.
— Ai meu Deus. Nef?
— Sim, eu mesmo. — Disse o garoto abrindo um enorme sorriso e se aproximando de Lett com os braços abertos. Eles se abraçaram por alguns segundos.
Olhei para Ruby e movi a boca numa pergunta silenciosa: "Quem é esse?"
Ela respondeu, também sem emitir som algum: "Não faço ideia"
Voltei minha atenção para Lett e o tal "Nef" — Afinal, que droga de nome é esse? — que agora estavam frente a frente se encarando e sorrindo. Lett que era uns 15 centímetros mais baixa que ele erguia levemente a cabeça para olhar seu rosto.
— Você está ótima! — Disse ele.
— Ham-ham — Pigarreou a garota loira, logo atrás. — Posso saber o que está acontecendo aqui, se não for muito incômodo?
— Ah — Falou Nef sorrindo — Scarlett é uma velha... Hum... Amiga de infância e você está vendo um encontro de muitos anos depois.
— Hum, saquei. Então, assim, sem mais nem menos? Podemos confiar neles? — Perguntou o garoto forte e de pele escura.
— Ah, somos inofensivos, a menos que tentem nos matar — Falou Lett.
— Para onde estão indo? — Perguntou Nef.
— São Francisco, vou encontrar meus pais. E vocês? — Perguntou Lett.
Eu não sabia o nível de intimidade que Lett e o tal Nef tinham, mas parecia ser muita e Lett parecia realmente feliz em vê-lo, então, resolvi não me intrometer e Ruby também parecia não querer fazer isso.
— Nós também! — Disse Nef e se virando para Ruby e eu: — A propósito, sou Nefarius Black, e vocês?
Franzi os lábios me segurando para não rir do nome do garoto e na força, uma lágrima solitária escorreu pelo canto de meu rosto. Que diabos de nome era aquele? Ele era por acaso algum tipo de mercenário? Talvez algum personagem de filme.
— Ruby Leens. — Respondeu Ruby ao meu lado.
— Jefferson Collin — Falei.
— Muito prazer! — Falou ele olhando para as outras pessoas de seu grupo.
— Ah, sou Vênus Baker — Disse a garota de cabelos negros.
— Chrystal Campbell — Disse a loira.
— Frederick Evans — Disse o garoto forte.
— Então, vamos? — Falou Nefarius.
Lett terminou de encher o tanque do carro e percebi que seu humor havia melhorado consideravelmente. Volta e meia, Nefarius lançava a ela um sorriso de orelha a orelha e puxava assuntos diversos. Assim que enchemos os dois tanques e revistamos o mercadinho, entramos nos carros e seguimos caminho para São Francisco.
— Quem é ele? — Perguntou Ruby, quando já estávamos na estrada.
— Nef? Ah, nossas mães eram amigas, crescemos juntos, éramos inseparáveis, mas quando fizemos 8 anos, sua mãe morreu e ele teve de se mudar para o Texas para morar com seu pai. E desde então, nunca mais nos vimos. Até hoje — Falou ela sorrindo.
— Entendi. Podemos confiar em seu grupo então? — Perguntei.
— Ah, não sei o resto do grupo, não os conheço. Mas no Nef podemos, sim.
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