Zombie apocalypse - You need to survive
4 Os mortos-vivos
#Ruby Leens
Acordei assustada e corri para a sala, Scarlett estava berrando à plenos pulmões. Demorei 5 segundos para descobrir o que estava acontecendo.
Segui a linha de visão da Lett e só então percebi o motivo de todo aquele estardalhaço.
Do lado de fora da janela, com as mãos ensanguentadas fixas no vidro, estava o que antes deveria ser uma linda garotinha. Seus olhos estavam fundos e seu globo ocular, branco. Sua pele deixara de ser um tom levemente rosado para assumir uma cor esverdeada, como a pele de uma pessoa morta. Faltava-lhe um pedaço do rosto no lado esquerdo, deixando a mostra sua mandíbula. Em cima de sua cabeça havia algo que se parecia com uma mordida. Fiquei perplexa, o quê era aquilo? Com tanto sangue que aquela garota estava perdendo ela já deveria estar morta há horas.
— Que di... — Antes que eu pudesse completar a pergunta, Scarlett se levantou, foi até a cozinha e 1 minuto depois voltou com uma faca em mãos e se dirigiu até a janela com um olhar decidido.
A garotinha agora batia os dentes ameaçadoramente.
Scarlett abriu a janela.
— O que você vai... — Não precisei completar a frase para ter a minha resposta. Ela enfiou a faca no olho da garota e o sangue começou a jorrar e espirrar no rosto e pescoço de Scarlett. — AI MEU DEUS! — Gritei.
A garota caiu no chão imóvel e Scarlett imediatamente largou a faca ensanguentada que bateu e quicou no chão com um ruído metálico.
Lett agora estava toda suja do líquido avermelhado e parecia em transe. Nenhuma de nós arriscou uma única palavra durante o que me pareceu 1 hora.
Então, finalmente, Lett saiu do transe, se levantou e passou as mãos na roupa numa tentativa frustrada de limpá-las.
— Desculpa se te acordei. — Ela disse.
— Não se preocupe. — Disse dando um sorriso forçado — O que era aquela coisa?
— Acredito que seja uma infectada. — Disse e em seguida me contou tudo que viu na televisão. Após alguns minutos que usei para digerir aquela informação, perguntei:
— Você está toda suja, por que não toma um banho?
Ela assentiu com a cabeça e foi para o banheiro. Me dirigi ao quarto da Lett e me sentei na cama da esquerda ainda digerindo cada palavra que ela dissera. A televisão ainda estava ligada, porém, não havia sinal. Peguei o controle e fui mudando de canal, mas todos estavam do mesmo jeito.
Peguei meu celular e pesquisei por qualquer coisa relacionada a infectados. Cliquei no primeiro site que apareceu e comecei a ler atentamente. Dizia o seguinte:
" Terror nas ruas — Os mortos-vivos
Desde a semana passada, coisas bizarras começaram a acontecer. Pessoas começaram a agir de forma estranha. Os médicos e cientistas desconfiam que trata-se de uma fórmula alterada do vírus da raiva, que está se espalhando pelo ar e causando desordem e destruição. As pessoas infectadas começaram a agir de forma extremamente anormal, mordendo umas às outras. Observadores afirmam que assim que os infectados mordem uma pessoa ainda sã, esta torna-se uma deles, se esta pessoas sobreviver, claro. Algumas pessoas que sobreviveram a uma orla de infectados, afirmam terem visto estes tais monstros comendo os órgãos de seus amigos e familiares.
Nas ruas, as pessoas estão chamando estes infectados de mortos-vivos, isto porque algumas pessoas, mesmo consideradas mortas pelos próprios médicos, voltaram à vida após algumas horas para comer alguns órgãos.
O nosso conselho é que saiam das cidades grandes, procurem algum local mais afastado. Encontrem armas e suprimento, levem todo remédio que conseguirem e não hesitem em matá-los quando for a hora. "
Quando terminei de ler, Scarlett entrou no quarto enrolada numa toalha.
— Como você está? — Perguntei.
— Ainda um pouco assustada mas, bem.
— Entendo.
Contei a ela tudo que havia acabado de ler no site e ela assentiu com a cabeça. Após alguns minutos de silêncio, ela Perguntou:
— Vai tomar seu banho agora?
— Ah, sim.
Lett abriu o guarda-roupas, pegou uma toalha e jogou para mim.
Fui para o banheiro, me despi e entrei debaixo do chuveiro quente com os pensamentos longe.
Estava pensando o que iriamos fazer e me perguntava se seríamos capazes de sobreviver. Me preocupei ao pensar que talvez meus pais ainda não soubessem o que estava acontecendo. Por 1 segundo meu coração parou. E se eles estivessem infectados? Sacudi a cabeça tentando afastar aquele pensamento. " Não, eles estão bem! " — Pensei.
Depois de uns 10 minutos voltei ao quarto da Scarlett. Meus cabelos loiros estavam molhados, por isso, os deixei soltos. Trajava calça jeans e blusa de manga longa devido ao vento frio. Calçava um tênis preto.
Scarlett estava sentada na cadeira giratória da escrivaninha, com a cabeça jogada para trás, os cabelos ruivos quase tocando o chão, com uma expressão pensativa. Ela estava com uma calça de brim, blusa laranja e jaqueta preta.
Fui até a janela e a abri para ver se havia mais algum infectado por perto, mas me surpreendi ao perceber que as ruas estavam vazias.
— Acho melhor não irmos para a escola. — Disse Scarlett ainda na mesma posição.
— Por quê? — Perguntei com os pensamentos distantes.
— Com certeza vai haver pelo menos uns 10 infectados por lá.
— Uhun — Murmurei. — O que vamos fazer?
— Não sei. — Respondeu com sinceridade.
Ela pensou por um momento e em seguida se levantou e pegou o celular.
— O que vai fazer? — Perguntei.
— Ligar pro meu pai, ele é policial. Deve saber o que fazer.
Fale com o autor