Zombie apocalypse - You need to survive
18 A visita dos mortos
Notas iniciais
#Scarlett Anders
Como fora tão desatenta? Todas as noites desde o inicio desta guerra, eu havia sonhado com aquilo. Minha própria mente tentava me lembrar da minha salvação, mas eu não estava fazendo esforço o bastante para me salvar.
A cada noite, eu dava um passo a mais, um passo a frente, um passo para a sobrevivência. Mas eu não estava conseguindo enxergar aquilo.
Mas agora eu sabia, eu havia enfim me lembrado. Poderíamos sobreviver.
— Do que você está falando? — Perguntou Ruby.
Eu estava na sala de estar, andando de um lado para o outro e Ruby estava em pé ao lado do sofá.
— Há alguns anos atrás, meu pai havia ajudado um homem a construir um banking em sua casa.
— Por que alguém construiria um banking na sua casa?
— Oras, o cara era milionário e trabalhava para o governo, talvez soubesse de algo que não sabíamos, talvez soubesse do vírus da raiva modificado, o vírus zumbi. De qualquer forma, ele e meu pai eram amigos e meu pai o ajudou a construir uma fortaleza sob a terra.
— Como seu pai o ajudou? — Perguntou Ruby.
— Meu pai sempre fora um bom policial, o cara pediu a ele que planejasse a segurança do local.
— Ai meu Deus, se conseguíssemos ir até lá estaríamos seguros. Onde fica este tal banking?
Eu parei de frente a ela e abri um sorriso enviesado.
— Aqui mesmo em São Francisco. Numa mansão afastada.
— Onde?
— Em Lakeshore, alguns quilômetros de distância.
— Certo, então, vamos arrumar as coisas e comer algo, depois acordamos o pessoal para que possam pegar suas coisas e comerem também, então partimos para o banking. — Disse Ruby.
— Sim, vamos falar com os meninos.
Fomos para a sala de jantar onde os meninos estavam sentados à mesa conversando e dando boas gargalhadas. Quando eu e Ruby entramos na sala, Nefarius ia dizendo:
— Oras, ela é realmente linda eu não posso fazer nada.
Então ele virou a cabeça para a porta e nos viu. Seu rosto imediatamente atingiu um tom de púrpura.
— Hã... Quem é linda? — Perguntei com um sorriso travesso.
— Ah, ninguém. Ta tudo bem? — Disse ele corando.
Sorri.
— Tudo bem, é só que... Me lembrei de algo que pode nos manter seguros, pelo menos temporariamente.
Jeff se levantou.
— O quê? — Perguntou ele.
— Sei onde tem um banking aqui mesmo em São Francisco, meu pai ajudou a construir, ele planejou a segurança do lugar.
— Onde em São Francisco? — Perguntou Nef.
— Lakeshore. Alguns quilômetros de distância.
— Hã, perdoem minha incrível falta de informações mas, o que é um banking?- Perguntou Frederick.
— Ah, Frederick, certo? — Perguntei.
— Pode me chamar de Fred. — Disse ele.
— Ok, Fred. Um bankig é como uma espécie de porão. Porém, os bankings são maiores e bem mais seguros. São mais usados para guardar coisa importantes, como um banco mesmo, porém, são subterrâneos. — Expliquei.
— Uau, isso seria incrível num apocalipse zumbi.
— Com certeza. Arrumem suas coisas e comam algo, vamos partir daqui a uma hora. — Falei.
Todos assentiram.
Passei pela casa avisando a todos que estavam acordados depois, eu e Ruby fomos para a cozinha, falamos com Chrystal e nos sentamos para comer ovos. Arrumamos nossas mochilas, separamos nossas armas e nos preparamos para partir.
Me dirigi ao quarto onde meu pai e minha mãe dormiam na cama e Piter num colchão no chão. Rick e Michonne ficaram com o segundo quarto.
— Pai? — O chamei.
— Hum? O que aconteceu? — Resmungou ele esfregando os olhos.
— Precisamos partir.
— Para onde? — Perguntou minha mãe se sentando na cama.
— Sei de um lugar seguro para ficarmos, pai, como você não pensou nisso?
— O quê? — Perguntou ele.
— O banking.
— Que banki... Filha, você é uma genia! — Ele se levantou de um salto. — Briana, o banking de Jimmy.
— Ai meu Deus, como pudemos esquecer? — Disse minha mãe.
Eles se levantaram e começaram a arrumar suas coisas, chamaram Rick e Michonne que fizeram o mesmo e em 40 minutos estávamos todos separados em três carros, com nossas armas e todo suprimento que pudemos encontrar. Partimos, então, para Lakeshore.
Ruby resolveu ir no segundo carro com Chrystal, Vênus, Daryl e Frederick. Eu fu no primeiro carro com Nef, Jeff, Michonne e Rick. E meus pais e meu irmão foram no terceiro carro.
Rick ia dirigindo, Michonne estava no banco do passageiro e eu, Jeff e Nef nos acomodamos nos bancos de trás. Eu sentada no meio. Aproveitei a deixa.
— Jeff? — Chamei.
— Oi?
— Posso lhe perguntar uma coisa? — Perguntei aos sussurros.
— Você acabou de perguntar. — Disse ele sorrindo.
Nefarius ao meu lado, se mexeu desconfortável.
— Outra coisa — Falei dando um murro no braço dele.
— Claro!
Pus as mãos em volta do ouvido de Jeff.
— O que você sente pela Ruby? — Sussurrei em seu ouvido.
— Ham-ham! — Nefarius pigarreou.
— Ah, calma ai amor, o assunto é sério. — Falei sorrindo para ele.
— Por que a pergunta? — Perguntou Jeff corando.
— Ah, ela é minha amiga à anos, gosto de saber certas coisas. — Respondi sussurrando.
— Hã, esta bem, eu... hã... Ela é linda e temos muito em comum e tudo o mais.
— E...?
— Ta, eu gosto dela.
— Isso! — Exclamei sorrindo.
— Isso o quê? — Perguntou Nef.
— Deixa de ser curioso — Falei. E me voltando para Jeff — Fala com ela.
— O quê? Eu... e-eu não consigo.
— Claro que consegue. O que você vai fazer? Se sentar e esperar que ela fale? Oras, me poupe né.
— Ah, está bem, eu falo com ela depois.
— Eu vou cobrar.
— Certo!
Me virei e me sentei corretamente. Olhei para Nefarius e ele estava com o queixo apoiado na palma da mão e os olhos fixos na janela onde árvores e prédios passavam rapidamente. Ele estava emburrado.
— Nef? — Chamei.
Ele nem olhou. Eu sorri.
— Ok, então fique ai emburrado. — Falei cruzando as pernas.
O carro de meu pai agora ia a frente e os outros o seguiam, pois ele era o único que sabia o local exato da mansão.
* * *
O carro preto de meu pai parou e minha mãe fez sinal para que todos os outros também parassem. Estávamos em meio a uma floresta de frente a uma grande casa velha. Um lago serpenteava em meio as árvores à direita da casa. Descemos do carro.
A casa era enorme, a tintura de um tom pastel e as janelas com vidros quebrados e empoeiradas. A grama estava murcha. Um grande portão branco estava aberto.
— Vamos, fiquem juntos e tenham cuidado — Disse Rick.
— Ok.
Ouvi um ruído vindo do meio das árvores a nossa volta, pés começaram a se arrastar.
— Ouviu isso? — Perguntei a Nef que estava ao meu lado.
Olhei para as árvores e vi, dezenas, talvez centenas de zumbis saiam de dentro da floresta e se arrastando até nós.
— Ai meu deus, corram! — Gritei
Todos viraram as cabeças para trás e quando viram tantos zumbis, correram como se suas vidas dependessem disso (e realmente dependia).
Alcançamos o portão branco e passamos por ele, mas o portão estava emperrado e não conseguimos fecha-lo, então entramos na casa correndo. A casa estava exatamente igual aos meus sonhos, empoeirada e velha.
— Onde fica a entrada para o banking? — Perguntou minha mãe.
— Procurem por um corredor repleto de quadros — Respondi.
A casa era tão grande que se parecia com um labirinto mal cuidado e abandonado. Haviam cerca de 7 quartos ou mais, além de diversas salas que eu não havia contado, cozinha e banheiros.
Após 5 minutos correndo pela casa, encontramos o corredor de meus sonhos. Fizemos fila indiana pois era impossível passarmos todos juntos. Mas o corredor real parecia muito maior do que sonhara.
— Eles estão se aproximando rápido de mais. — Gritou Ruby, a última da fila logo atrás de mim.
Olhei para ela e logo focalizei algo as suas costas. Um zumbi estava de braços erguidos para ela a um passo de distância.
— Pai! — Gritei para chamar sua atenção.
Me joguei em cima de Ruby esperando que meu pai tivesse olhado quando o chamei. Eu e Ruby caímos no chão na hora exata em que o zumbi ia morde-la, em seguida, uma faca pequena passou voando por cima de nós e acertou a cabeça do zumbi que caiu sobre minhas pernas. O empurrei e me levantei depressa erguendo a mão para ajudar Ruby.
— C-como e-ele me-me alc-alcançou? — Gaguejou Ruby. — Estava muito longe.
— Existem os zumbis raros, ele não andam, correm. — Respondeu Daryl.
— Temos de ir, logo esta manada estará aqui. — Disse Vênus.
Continuamos correndo até chegarmos ao fim do corredor. Minha mãe era a primeira da fila.
— Destrave os trincos, mãe. — Gritei.
— Mas... É uma janela — Gritou ela de volta.
— Não, não é, é uma porta secreta — Respondeu meu pai.
Ela destravou os trincos da janela de ferro e a luz fluorescente invadiu o corredor, como em meus sonhos.
Chrystal passou na frente e pulou a janela.
— Toque o interfone, rápido — Gritou meu pai.
Ela assentiu e tocou o pequeno interfone. Ficamos todos ali, parados aguardando que alguém nos salvasse, meu coração ameaçava explodir.
Daryl que estava a uns 2 metros de distâncias se virou para mim e ergueu a besta.
— O quê você esta... — Uma flecha passou zunindo pelo meu ouvido e em seguida, ouvi um baque surdo atrás de mim.
Me virei e vi um zumbi-mulher caído no chão com uma flecha presa na testa. Me virei para Daryl boquiaberta.
— Obrigada!
— Disponha! — Respondeu ele.
— Ninguém responde — Gritou Chrys.
— Continue tentando! — Falei.
No chão, próximo aos zumbis, estava a faca de Piter que meu avô havia dado a ele antes de morrer. A faca que meu pai usara para matar o zumbi atrás de mim e Ruby.
Olhei para o lado e vi que Piter estava correndo para pegar a faca, sabia que era importante para ele, mas não valia arriscar sua vida por isso. Ele se abaixou e pegou a faca, mãos pálidas e frágeis tocaram seu ombro.
— Droga! — Murmurei.
Tirei a bereta do coldre e comecei a atirar nos zumbis, mas eles continuavam se aproximando e começaram a cercar Piter.
Descarreguei a bereta, mas não adiantou, eram muitos. Enquanto eu tentava recarregar a arma rápido o bastante, alguém passou correndo ao meu lado. Ergui a cabeça e vi minha mãe empurrando Piter para perto de mim.
— Mãe, não! — Gritei.
Tarde de mais. Um zumbi abriu a boca e mordeu seu pescoço.
Minha mãe olhou para mim com os olhos marejados e sorriu. Lágrimas desceram de seus olhos antes de ela ser coberta pela multidão de zumbis.
Cai de joelhos no chão. Eu não conseguia chorar, não conseguia gritar. Eu simplesmente fiquei em choque. Por quê? Por que ela se sacrificou? Por quê eu não pude ajudar? Quantas mortes eu precisaria ver antes de chegar a minha?
De longe eu ouvia o barulho do interfone sendo tocado desesperadamente. Minha mente girava, eu não tinha pernas para correr, nem mãos para vinga-la. Os zumbis já estavam terminando de come-la e logo viriam atrás de um pouco mais de carne. Não tínhamos saída. Percebi, que a minha ideia de lugar seguro, não fora exatamente correta. Eu havia arrastado a minha família e meus amigos para uma armadilha.
Esse era o fim de todos nós.
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