Zombie apocalypse - You need to survive
25 A sorte não tem vez
Notas iniciais
#Scarlett Anders
Fiquei parada imóvel vendo Ruby se afastar cada vez mais. Eu sabia que ela podia se virar sozinha, sabia que havíamos matado toda a orla de zumbis. Ainda assim, não podia evitar a preocupação dentro de mim. Durante todos os nossos anos de amizade, Ruby nunca declarara amar ou mesmo gostar de algum garoto, e quando finalmente o fez, ela o vira morrer sob seus olhos sem poder fazer qualquer coisa para evitar.
Eu havia passado por situações parecidas. Havia visto pessoas morrerem sob os meus olhos sem poder ajudá-las. Uma delas salvara a minha mísera vida como última boa ação. Outra havia morrido por confiar em alguém que deixara de ser ela mesma há muito tempo. A outra fora minha mãe. Havia perdido também o meu irmão, Piter, logo após uma briga. Não éramos muito próximos mas aquilo não diminuiu a dor da perda de um irmão. Eu sabia como Ruby estava se sentindo naquele momento e sabia que ficar sozinha era a melhor maneira de aprender a lidar com tal situação, ou pelo menos, era a única coisa que sentíamos vontade de fazer. Fechar os olhos e deixar as lágrimas rolarem sem precisar ouvir palavras vazias como: "Eu sinto muito." Aquilo não funcionava.
— Ela vai ficar bem — Disse uma voz atrás de mim.
Me virei e vi Willie. Ele parecia assustado e vulnerável. Assenti.
Me dei conta de que aquela deveria ser a primeira vez que Willie saía do banking e via o mundo lá fora. Eu só podia imaginar o quanto ele estava assustado. Para um primeiro impacto, um grupo de centenas de zumbis excedia as expectativas, poderia deixar qualquer um enlouquecido.
— Eu não fazia ideia de que o banking poderia simplesmente desabar de uma hora para outra — Disse ele.
Só então me dei conta de que, o que o estava assustando não eram somente os zumbis, mas o fato de que todos poderíamos ter morrido por uma causa tão idiota como um desabamento, num mundo onde os monstros comiam carne de gente. Onde o inferno era real e inabalável.
— Talvez parte daquilo seja culpa nossa. Nós atraímos os zumbis para dentro da casa e o peso deve ter sobrecarregado a estrutura.
— Não culpo vocês — Disse ele — Eu não sabia que estava tão perigoso assim.
— E nós não o culpamos — Disse — As coisas acontecem. A sorte não tem vez nesse novo mundo.
Willie me olhou com um misto de alívio e desconforto. Ainda assim, ele conseguiu sorrir. Era uma das coisas que eu adorava nele desde pequenos, ele sempre conseguia sorrir mesmo diante do pior dos acontecimentos.
Nós entramos na casa para nos encontrarmos com os outros que estavam na sala de jantar, todos com cara de quem comeu e não gostou.
— O lugar pode ser seguro por enquanto, mas se uma orla de zumbis chegar até nós... — Michonne ia dizendo, ela não precisou completar a frase para que todos entendêssemos.
— Além de que não é grande o bastante para todos nós, teremos de revezar até mesmo para dormir — Disse Chrystal.
— Onde está Ruby? — Perguntou Fred quando me viu.
— Ela... Ela disse que voltaria — Disse e imediatamente senti uma onda de vergonha tomar todo o meu corpo.
Eu havia deixado minha melhor amiga andando por ai sozinha em meio a um apocalipse zumbi após perder o garoto que amava. Que tipo de amiga era eu?
Fred devia ter percebido, por que em seguida ele disse:
— Bom se ela disse... Ela vai ficar bem.
Assenti, relutante.
— Talvez, se procurarmos bem, possamos encontrar uma casa mais afastada, uma fazenda ou casa no lago — Disse Daryl.
— É a nossa melhor opção, mas logo vai anoitecer, vamos esperar até amanhã.
Todos começaram a discutir a divisão de quartos e como todos poderiam tomar seus banhos.
Quando a escuridão chegou anunciando a chegada da noite, resolvi ir até a varanda para ver onde Ruby estaria e acabei encontrando ela encostada no muro olhando fixamente para o céu. Resolvi ficar ali com ela, em silêncio, apenas fazendo companhia. Ela pareceu gostar.
* * *
O primeiro grupo a dormir foram Ruby, Michonne e Chrys em um quarto, Nefarius, Fred e Rick em outro. O resto do pessoal se acomodou nos sofás para conversarem ou simplesmente apoiarem o queixo na mão e dormirem, como fez meu pai. Continuei na varanda sentada numa cadeira de madeira que eu havia pego da sala de jantar, admirando as estrelas na companhia silenciosa de Willie.
Meus pensamentos viajavam para as coisas mais inúteis de se pensar no fim do mundo. O quê será que aconteceu com aquele personagem de tal série? Qual será a nova aventura dele? Será que aquele cara sobreviveu?
Me permiti alguns momentos em que minha mente se desconectava de meu corpo e aquilo pareceu melhorar meu humor pouco a pouco.
Quando menos percebi, o sol já estava nascendo. Meu estômago rugiu desesperado e eu entendi a mensagem. Fui até a cozinha e peguei uma caixa de cereal dentro da mochila de comida que Ruby havia pego no banking, despejei numa tigela e devorei de uma vez só.
Pouco a pouco as pessoas foram acordando e indo direto para a cozinha a procura de suprimentos. Ruby parecia melhor após uma noite de sono, o quê me fez sentir melhor instantaneamente.
Após o café da manhã, Rick pediu a todos que começassem a se programar para sairmos em busca de lugares seguros e afastados o bastante para caber todos nós e para que pudéssemos nos sentir seguros, mesmo que momentaneamente.
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