Zombie Zone 1ª Temporada
4 Rubi
Notas iniciais
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JARED
Jared caminhava pela loja sem saber o que realmente fazer. Tom e Ellen aviam saído por volta de duas horas atrás e o deixaram com seus ferimentos esperando.
– Voltaremos com os remédios moleque, fique atento a cada coisa.
Jared só ouviu “A cada coisa”, seria ele estar falando das feras que comem gente, Jared esperava que não, mas sabia perfeitamente que sim.
Na noite anterior ele sonhara um sonho devidamente estranho, uma garota, loira, linda, era incrivelmente perfeita. Olhando para seu estado de agora se perguntava o que uma garota daquelas iria se interessar por ele, mas ai surgiu o nome... Natasha, sim! Era esse o nome da garota.
Jared batia o pé no chão, esperando, esperando.
– Mas que diabos esses dois foi me meter. — resmungou baixo cerrando os dentes um nos outros a espera de respostas que não viriam.
A ideia de não se lembrar de nada era também a maior pertubação de Jared, embora tive-se lembrado de Natasha, isso não o fazia saber quem ela era, ou quem ele era, muito menos sobre sua vida perfeita a qual tinha ao lado dela. Estaria viva? Pensou quando relembrou mais uma vez nela. O prédio, o apartamento, o número do andar... seria...
Jared fez uma careta e olhou mais uma movimentação na rua, nada. Esperava pelo menos a volta do velho Tom e de Ellen a feia. Suas dores estavam aumentando desde a noite anterior, a mancha roxa estava se espalhando pelo seu corpo inteiro. O que era isso? pensou ele quando lentamente subiu a camisa até o pescoço e olhou para baixo. fechou os olhos e rezou para que fica-se bem, embora sabia que não era de fazer isso.
O tempo passava cada vez mais, nada deles voltarem, porem num súbito som agudo, Jared percebeu que tinha alguém junto dele. A filha de Ellen, como Tom avia falado, estava lá também, como fora esquecer da garota? burro, burro, burro...
Uma tose seca e alta demais, Jared caminhou pela loja seguindo os sons abafados da menina.
– Quem está ai? — perguntou mesmo sabendo que era ela, mas iria falar o que ?
Nada, nenhuma resposta.
Jared abriu uma porta ao lado da parede esquerda, emburrou-a para frente e se abriu para um curto corredor, onde a tose da menina aumentava cada vez mais. Havia apenas três portas, dois quartos e um banheiro. Jared se sentiu excluído quando teve que dormir no chão da loja quando ai tinha dois quartos. Mas aquilo não vinha ao caso, ele emburrou uma porta entreaberta e se espantou quando observou la dentro.
Sentada na cama com varias camadas de cobertores, uma linda menininha estava deitada, esta esticou o pescoço para poder ver o invasor. Ela não estava nada bem, suas veias estavam pretas e marcadas no rosto e corpo, os olhos da menina estava vermelhos de sangue. Era de fato uma menina linda, mas a infecção estava tomando conta dela.
– Pelos diabos dos sete infernos. — disse Jared em alto som. — O que é isso.
– Quem é você? — gritou a menina. — saia daqui agora! — e voltou a tossir.
Jared se aproximou dela, o quarto estava mais quente que a loja, ele não pode deixar de sentir dó daquela garota, estava agarrada a um ursinho de pelúcia cor-de-rosa e todo manchado de uma coisa amarela e preta.
– Oi, não vou lhe fazer mal. — tentou acalma-la.
A menina não estava certa.
– Afaste-se, ou eu o mato. — disse e de dentro dos cobertores tirou uma adaga de calda vermelha, apontou diretamente para Jared.
– Calma, sou amigo. Conheço sua mãe Ellen e o velho... Tom. — se espoliou Jared.
A garota abaixou a adaga e respirou fundo.
– Desculpe. — disse. — pensei que era alguém tentando se apoderar da loja.
A menina desviou os olhos de Jared, chorava, mas o que desciam de seus olhos eram uma mistura de lágrimas com sangue.
– Sabe. — começou ela. — eu não sei o quanto de tempo que eu ainda tenho, mamãe e Tom dizem que eu não vou morrer, mais eu sinto dentro de mim que algo esta acabando, meu coração não sente mais compaixão, meu espírito parece pertencer a outra coisa, uma coisa que eu não controlo mais.
Jared ficou branco, ela estava acamada afirmativamente, a qualquer momento poderia pular em cima dele e arrancar um grande pedaço de carne de seu pescoço, os dentes da menina já não eram mais brancos e batiam um no outro como se mastiga-se.
– Quanto tempo? — perguntou Jared. — Quer dizer... você foi...
– A quase uma semana. — respondeu a menina. — meu pai desapareceu e minha mãe e eu não sabíamos para onde ir. Quem fez isso foi o meu cachorrinho. Eu estava o segurando no colo, estava muito doente, coitado e dai, do nada ele me mordeu. Mamãe acertou ele com a mareta do papai, bem em sua cabecinha.
Jared estava de olhos arregalados, a dragão, quer dizer, Ellen era assim, imaginava ela com Tom acertando a cabeça dos zumbis com a mareta do marido em busca de remédios.
– A propósito sou Jared.
– Rubi, mas minha mãe me chama de Ru.
– Ru? — Jared fez careta. — Uma apelido bem bacana.
Rubi olhou para ele e franziu a testa, apertou os olhos e abriu a boca lentamente.
– Eu conheço você. — disse ela.
– Eu? como assim. — Jared se surpreendeu.
– Eu te vi na TV, quando houve aquela explosão. Você esta lá. É você mesmo. Desculpe eu falar isso, mas eu te achava um maior gatinho, olhe para você agora esta pior do que eu. — e riu em meio a própria piada interrompida por uma tose fraca.
Jared talvez pude-se tirar informações da menina.
– De onde você me conhece?
– Minha amiga só fala em você. — Rubi se sentou na cama fraca. — Ela te via na TV, falava o tempo todo que queria foder com você, não sei o significado certo sobre isso. — ela franziu a testa. — O que significa isso?
Jared estava completamente corado, UOU, o que esta acontecendo aqui.
– Quantos anos sua amiga tem? — perguntou ele sem jeito.
– Tem nove. — falou Rubi.
– E você? — Jared estava pasmo.
– Eu tenho sete.
Jared caiu de boca aberta, “aonde esse mundo esta indo”, pensou consigo mesmo. Aquela era apenas um linda garotinha, como iria falar sobre foder com ela.
– Isso é apenas um abraço ou um aperto de mão. — improvisou.
– Legal, então mamãe e papai me fez apetando a mão, porque Gabrielle disse que é assim que se faz.
– Olhe...
A porta se abriu com um estrondo e Ellen entrou correndo desesperada, caiu literalmente no colo da filha, olhando abismado com aquela cara de dragão para Jared.
– O que faz aqui? — perguntou.
Tom entrou logo em seguida.
– Garoto, eu disse para ficar na loja.
– Mas eu to na loja.
– O que queria com minha filha? — berrou Ellen
– Ele agora é meu amigo mamãe. — disse Rubi sorrindo para Jared. — Ele me disse o que é foder.
Ellen arregalou os olhos, Jared queria esganar aquela menina, ficou agora completamente vermelho, sua pele queimava de vergonha. Olhou para Tom que ria de tudo aquilo.
– Saia daqui! — berrou Ellen. — não deveria ter entrado neste quarto, NUNCA!
Mas Jared permaneceu travado no local, Tom caminhou lentamente até ele e o puxou até fora do quarto, empurrando Jared até de volta a loja. Tom ainda mantinha um sorriso no rosto, que Jared desejou que ele retira-se, mas Tom era perverso demais para faze-lo, quando seus olhos se encontraram com os de Jared este riu ainda mais.
– Foder? — perguntou. — isso é assunto para tratar com uma criança de seis anos de idade.
– Ela tem sete. — resmungou Jared como se isso fosse grande coisa.
Tom riu ainda mais.
– Faz tempo que eu não ouso uma piada dessas.
– Não é piada, ela me perguntou.
– Duvido.
– Ora, pergunte a ela então... caralho, foi ela eu juro.
Tom ficou serio de uma hora pra outra. Colocou uma mão em cima do ombro de Jared e olhou fundo nos olhos, pareceu que o desprezo e o desgosto assumiram a face dele, as rugas contorceram-se em volta de seus olhos e este pareceu nunca mais sorrir.
– Fique longe dessa garota, Ellen não vai gostar nada se você ficar perto dela.
Jared olhou para a porta como que via Rubi na cama novamente.
– Ela está infectada. — rosnou.
– É isso mesmo. Rubi perdeu o marido e não vai querer perder a filha também, é por isso que eu não quis ajudar aquela pessoa na rua ontem a noite, pois vão querer mata-la, estamos seguros apenas nós aqui dentro, não podemos confiar em mais ninguém.
– O senhor confiou em mim.
– Diferente de você aquele homem tinha uma arma na mão, uma ameaça, enquanto você estava de mãos vazias e todo ferrado.
Jared engoliu em seco, imaginava o que poderia acontecer se Rubi vira-se um “deles”.
– O que faremos?
– Vamos nos manter salvos e... — Tom abaixou a voz. — Longe, bem longe daquela menina.
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