Notas iniciais
A morte pode ser uma travesia, mas antes aqueles que a evitam pode não atravessar.

Zombie Zone...

Jared

Quando viu, estava outra vez sem a sua camisa.

O outro viu como a coisa estava feia. Robin era um homem puro e inocente, quando entrou naquela loja, já sabia que Jared estava à beira da morte.

— Essa mancha não esta com cara boa. – falou ele assim que Tom abriu a porta da loja e junto com seu grupo entraram.

Robin era um medico formado a vinte cinco anos, era negro e possuía uma cicatriz vertical no olho direito, que mostrava que seu passado não fora melhor que o presente, uma barba mal feita pendia-lhe de seu queixo o que era claro que não tinha tempo para se barbear quando se está cercados de inimigos. Pelo que disse, tinha perdido a família pelas feres e encontrar esse pequeno grupo há apenas dois dias.

Os outros que estavam com ele se chamavam Chett, Liana e Bran. Chett era um homem alto para a idade, era forte e robusto, cheio de cicatrizes aqui e ali, naturalmente era um membro de alguma gangue ou grupos de criminosos de outros níveis, em seu rosto dava para ver o desprezo ao fita-lo. Liana era a pobre namorada dele, que já não sabia mais o que é o mundo, ou humanos, vivia gemendo o tempo todo aos braços do namorado, na esperança de que sua arma fosse salva-la. Bran era um homem feito. Era até bonito e estava completamente arrumado, tinha cabelos cor de mel e olhos multicoloridos azul, castanho e verde ao mesmo tempo.

— Aqueles filhos de uma puta rasgaram a perna de Tania. – falou Bran alto demais, apontando uma pistola para cima. – Se não tivéssemos esgotados as balas teria acertado em cheio os miolos daquele puto.

— E não entraria nesta loja. – Ellen estava em pé junto ao balcão. – Teriam passado retos e praticamente não nos notaria aqui, teria sido bem melhor se vocês tivessem lá fora...

Ellen se voltou para o corredor em direção ao quarto da filha, Chett olhou para Tom como quem dizia que ela era louca.

— O que deu nela. – gemeu Liana alisando a barriga.

— Sua filha esta doente. – Tom arriscou, já avia ganhado confiança, mesmo com aquela cara de Chett para ele.

Chett se levantou.

— Doente como? – perguntou deixando um pouco de lado Liana.

— Acamada. – falou Jared enquanto o medico Robin lhe avaliava as costas. – Quando cheguei aqui ela estava muito mal... Ai.

— Desculpe. – falou Robin. – nunca vi nada assim em toda a minha vida garoto, isso aqui não é infecção, acho, mas não posso afirmar que você não corre riscos de morrer, também acho que além da doença transformar essas pessoas em zumbi, isso aqui é muito bizarro, um vírus diferente.

— Como assim? – perguntou Jared pasmo, sentiu seu rosto corar.

— Não faço ideia menino. – Robin apertou as costas de Jared com força. – Doí?

— Não, cada vez mais não estou sentindo. – Jared agora começou a se apavorar. Não quero morrer, pensou, não agora.

— Uma bela águia nas costas. — Robin riu. – Mas continuando assim, essa mancha vai cobri-la por inteiro em uma semana.

— Águia? – se perguntou Jared olhando para Tom que franziu a testa.

— Sim. — Robin lhe entregou a camisa de volta. – Uma tatuagem bem na nuca, sempre gostei de tatuagem, meu filho iria fazer uma se não tivesse sido devorado pela mãe.

Robin disse aquilo com a maior naturalidade e depois se retirou para o fundo da loja. Liana se aproximou de Jared e lhe ofereceu a mão para ajuda-lo a se levantar do sofá velho. Com um impulso Jared se levantou.

— Obrigado. – disse.

— Você lembra-me de alguém. – ela franziu a testa. – Não estou lembrando quem agora. Chett corra aqui, vem ver o rosto dessa criatura.

Criatura? Serio? Pensou Jared.

— Sim. Lembra-me alguém sim. – Ele segurou o rosto de Jared, alguém bateu na porta da loja pelo lado de fora. – E será um ótimo rosto para as feras lá fora algum dia. Se for inútil o quanto parece.

— Chega. – Bran gritou e segurou Jared pela manga da camisa. – Venha garoto quero falar com você por um instante.

Os dois saíram daquele lugar. Como que pé possível salvar as pessoas se não conseguia salvar a si mesmo. Como enfrentaria as feras do lado de fora se ainda se mantinha fraco e acabado. Jared era um garoto magricela e muito frágil, não sabia quem era e o que estava fazendo naquele hospital. Porque estava naquele discurso do primeiro-ministro?

Quando chegaram ao telhado da loja Jared pode ver o que aquele pequeno grupo tinha causado, na entrada da loja as feras estavam se ajuntando rapidamente. Jared viu um homem com metade do rosto partido, uma mulher segurava o bebe zumbi num cinto que carregava, deu para ver que a criança fora devorada e tudo indicava que fora a própria mãe. Uma velha sem as pernas arrastava-se ao chão e a multidão a pisoteava ao passar, quando viram os dois ali no telhado começaram a fazer sons terríveis erguendo os braços cadavéricos para cima como que tentassem possuir o sabor da carne deles na boca ensanguentada.

— Por que me trouxe aqui? – perguntou Jared quando Bran foi para a perada cuspir na cara dos zumbis.

Bran olhou para Jared e ajeitou o terno preto.

— Meu nome é Bran Leonel, trabalho para policia de Londres. Trabalho para o Ministro de Londres. Sem que você é, não tente fingir comigo aqui garoto, estamos a sós, está na hora de me falar o que seu pai fez com você.

Jared esbugalhou os olhos para o homem, o seu pai?

— Senhor, eu não me lembro de nada desde aquela explosão, não faço ideia do que está acontecendo em Londres ou quem seja meu pai. Perdão, mas conheço você.

Bran pareceu fazer sentido, ele mudou de expressão rapidamente, seus olhos voltaram-se para os zumbis lá em baixo. Depois que voltou a olhar para Jared, pareceu outra pessoa.

— Não sei como você veio parar aqui, mas acontece que não era para ser assim. – Bran se aproximou de Jared que se afastou um passo para trás, quando finalmente o homem o segurou pelos ombros, não avia mais saída.

— Conte-me tudo, senhor. – pediu Jared educadamente.

— Vão querer te destruir, você corre perigo menino, tem que encontrar seu pai. Bran colocou o dedo indicador e o polegar fechando-os no queixo, pensando. – Você é a arma para parar tudo isso. Achei que você saberia de tudo, mas pelo visto perdeu a memoria e não sabe o que aconteceu. Você tem que encontrar seu pai e descobrir tudo.

Jared não estava vendo sentido naquilo tudo. O homem parecia louco.

— Não estou entendendo nada do que você esta tentando me dizer.

— Saberá menino, como seu pai teve coragem em fazer isso.

— Fazer o que? Quem é meu pai.

Bran o ignorou completamente.

— Quando descobrir a verdade venha até mim. Vamos nos separar em breve, mas acho que sei como salva-lo. Se tiver um destino a traçar, venha até mim. Eu ainda posso salva-lo.

— Me salvar?

— Quando descobrir a verdade. A verdade. Vai vim até mim, certeza.

Jared ficou por um momento avaliando o rosto do homem para tentar lembrar se o conhecia ou não, como esperado... Nada. Bran era um desconhecido assim como Tom e Ellen, até Rubi que afirmou que já o tinha visto na TV, devia ser pela explosão que houve naquele discurso do primeiro-ministro, mas Bran era alguém que ele provavelmente conhecia. Seria d sua família? Porque ele não se revelava logo. Quando descobrir a verdade? Como assim?

Quando Jared ia pediu para abrir o jogo foi que ouviu um grito alto e escandaloso vindo do andar de baixo, dentro da loja, um grito de uma mulher. Os dois desceram as escadas correndo, Jared teimava em pular de dois em dois degraus mesmo ameaçando a cair. Era Ellen quem gritava e isso significa que Rubi... Jared correu em três degraus de cada vez, quando chegou ao último tropeçou em seu próprio pé e caiu com um baque no chão. Levantou-se com a ajuda de Bran e seguiu para o corredor, notou que a porta de Rubi estava aberta.

Não. Não. Não. Ela é só uma garotinha, pensou.

Mais quando abriu terminou de abrir àquela porta a cena pareceu mais lenta. Rubi ainda estava acorrentada na cama, mas lutava furiosamente para escapar, seu rosto estava mudado completamente, seus olhos estavam negros e alguma coisa preta saia de sua boca.

— É um demônio. – gritou Chett, Liana se agarrava a suas costas. – Mate ela.

— Não! – gritou Ellen segurando uma faca na mão.

Tom estava no meio de ambos, Chett e Liana próximos a porta e Ellen próxima a cama da filha morta. Tom era velho, mas sabia o que estava fazendo e tinha que salvar Ellen e salvar a todos.

— Venham para mim Ellen. Sinto te informar. – Jared viu que uma lagrima caia dos olhos do velho Tom. – por favor, não podemos mais fazer nada em relação a ela Ellen, nada, por favor, venha.

— Você ainda não entende Tom. – Ellen derramava uma cachoeira de lagrimas, seus olhos estavam inchados. – Ela é tudo que eu tenho, meu marido desapareceu, não tenho mais sinais dele, quero vê-lo, quero morar numa casa a beira do mar com ele e Rubi ao meu lado. Fazer um jantar em família de aproveitar o resto de nossas vidas juntos. Ela é meu tesouro e minha glória, minha razão de vive, se Rubi morrer, não vou aguentar tamanha perda. Ela é minha vida Tom, minha vida.

— Eu sei queria, mais Rubi está bem, olhe... vai ficar tudo bem agora, langue a faca e venha até mim.

— Vão matá-la, sei que vão.

Foi tudo muito rápido, o esforço d Rubi não foi em vão, uma das correntes se partiram e o seu pequeno braço puxou o da mãe e seus pequenos dentes cravaram a carne de Ellen. Tom tentou puxa-la, mas Bran invadiu o quarto e o puxou.

— Elleeeeeeeeeeeeeeeeen. – gritou, seu gritou cortou o cérebro de Jared como uma navalha enquanto era retirado do quarto.

Ellen gritava enquanto morria e ninguém se atreveu a ajudar. Uma mordida, um arranhão e você se tornaria um deles, para sempre. Jared ficou observando o sangue jorrar se Ellen sem puder fazer absolutamente nada. As duas já estavam condenadas a morte. Chett levou Liana que chorava para a loja outra fez, fechando os seus olhos para que não presenciasse nada daquilo. Jared deixou-se cair uma lagrima, quando uma mão desconhecida lhe tampou a visão.

Ellen parara de gritar e Jared soube que fora o seu último suspiro.