Zombie War
11 Capitulo 11 - Amigos e Inimigos
Notas iniciais
Estávamos andando a cerca de uma hora, e o sol já surgia no horizonte, andávamos em uma estrada vazia, tinha alguns carros ao longo do caminho, e por sorte não encontramos nenhum errante. Evan, Robert, Emily e Mike estavam ao meu lado, e Anne e Andrew estavam mais a frente, mas desta vez não muito. Estávamos todos muito cansados, e Mike estava atônito, o que me fez questionar a minha atitude, mas cheguei à conclusão de que tinha feito à coisa certa.
– Vamos parar um pouco! – gritou Robert já se sentando no meio fio.
Andrew parecia que ia continuar andando, mas quando Anne parou e andou em nossa direção, ele fez o mesmo.
Estávamos todos em silêncio, o que me fazia reparar mais em cada um. Mike era jovem, e meio asiático, na verdade eu o achava ele até um pouco parecido com Bob, talvez eles fossem até parentes. Evan era magra e parecia sempre usar uma trança longa, seus olhos eram verdes, e seu corpo muito magro. Robert era gordo, não muito, mas era barrigudo, e também tinha uma barba grossa. Andrew era alto e forte, musculoso mesmo, e tinha o cabelo um pouco longo, mas não muito, tinha uma barba fina também, e era bem mal encarado.
– Eu sinto muito. – eu disse atraindo o olhar de todos, enquanto tocava o ombro de Mike.
– Você fez a coisa certa, ele ia virar, e eu não queria vê-lo ser comido vivo. – sua voz era engasgada, como se segurasse o choro.
– Pra onde vamos? – Evan se pronunciou olhando para Andrew, que aparentemente mesmo tendo deixado todo mundo para trás, ainda era o líder.
– Não sei, foi difícil achar a escola, acho que devemos continuar andando até encontrar algo. – respondeu.
– Grande plano. – eu sussurrei.
– O que disse? – disse Andrew já vindo em minha direção.
Robert se levantou.
– Nada, qual o seu problema comigo? – também me aproximei dele.
– Parem com isso, estamos do mesmo lado, lembram? – se manifestou Emily.
– Eu não tenho tanta certeza disso. – disse sem desviar o olhar daquele mal encarado.
Eu nunca fui de briga, nunca mesmo, nem quando ainda o mundo não era apocalíptico, eu sempre era o cara politizado, que estava mais pra resolver que criar confusão. Mas, também não sou covarde, e nunca me escondi quando desafiado, mesmo se o cara fosse maior do que eu, como agora, eu apanhava, mas não baixava a cabeça.
– Chega, não temos tempo pra isso. – desta vez foi Evan quem falou. – Vamos descansar, e depois procurar algum lugar antes de anoitecer, e ponto.
Eu e Andrew continuamos na mesma posição, até Emily entrar entre nós e sem dizer uma palavra, me puxar pela gola para longe. Ela me arrastou até o outro lado da rua.
– Machuca. – resmunguei tirando sua mão.
– Qual o seu problema?
– Você viu...
– Eu vi que o Andrew é um idiota, mas achava que você não era. – ela me olhava como uma mãe que acabará de pegar o filho em uma travessura.
– Me desculpe, mas se ele veio pra cima de mim, o que esperava que eu fizesse?
Antes que ela pudesse responder, Evan chamou:
– Se o casal já terminou, vamos continuar o tempo não para. – deu costas, e começou a seguir pela estrada, sendo seguida pelo resto do grupo.
Cerca de 30 minutos depois, eu e Mike estávamos andando lado a lado, e eu podia ver a mesma expressão de mais cedo, o que estava começando a me preocupar.
– Bob era seu amigo? – eu tentei iniciar uma conversa.
No primeiro momento ele ficou em silêncio, cheguei até mesmo a pensar que não ia responder.
– Meu primo. – disse triste depois de alguns minutos, e eu ainda podia sentir o tom de quase choro em sua voz.
Ficamos novamente em silêncio.
– Ás vezes é melhor chorar. – eu disse por fim, e ele me fitou e logo em seguida baixou a cabeça.
No começo era só um murmuro, e eu vi as primeiras lágrimas começarem a pingar de seu queixo, um choro contido e sofrido. Mas, logo em seguida ele começou a chorar mais alto, não como um berro, mas algo mais audível, o que atraiu a atenção de Robert que andava pouco á frente de nós.
Eu o abracei, de lado e meio sem jeito, coloquei meu braço ao redor do seu ombro, o observei colocar as mãos sobre o rosto. Eu sabia como era aquela dor, e o quanto chorar aliviava. Chorar não era para os fracos, e sim para os que não queriam ficar amargurados. Depois de alguns instantes ele parou de chorar, levantou a cabeça e limpou as lágrimas.
– Obrigado. – o som de sua vos saiu em um quase sussurro devido ao choro.
– Não tem que me agradecer por nada.
Seguimos andando, até que mais a frente, cerca de seis errantes vieram cambaleando ao longo da estrada, e assim que nos viram vieram em nossa direção. Andrew sacou sua arma, e com seis tiros certeiros nas cabeças dos monstros, os finalizou.
– Podia ter os matado com uma faca, tiros podem atrair mais. – Robert disse cauteloso.
E o que recebeu de volta foi uma cara fechada e um olhar de desprezo. Aquele cara era um nojento.
– Olhem! – disse Evan, e quando olhamos para frente, era uma pequena cidade, cheia de casas, e alguns errantes na rua.
Aparentemente aquele lugar era onde famílias com filhos viviam, devido á proximidade a escola, afinal era há uma hora e meia a pé, mas na velocidade que nós estávamos talvez menos do que isso, e de carro provavelmente uma hora ou menos.
Estávamos no alto de uma alta rua, extremamente inclinada, provavelmente se caísse dava até para descer rolando. Ri sozinho com meu pensamento.
– Vamos até lá. – disse Andrew tomando a frente, e nós o seguimos.
– Podemos tentar não entrar muito na cidade, vamos entrar na primeira casa que nós virmos. – eu disse e Robert assentiu.
– Tem razão, os tiros vão atrair eles, é melhor nos protegermos, afinal deve ter muitos deles nesse lugar. – ele completou.
Seguimos em silêncio, e logo estávamos na entrada da cidade, alguns zumbis se aproximaram, mas Evan e Emily os mataram com suas facas. Assim como eu e Robert advertimos, alguns errantes já se juntavam ao longe, então entramos na primeira casa que vimos.
Já dentro da mesma, bloqueamos a porta com alguns móveis que havia na sala, e Andrew e Mike subiram para verificar a parte de cima da casa, estava tudo limpo. Anne e Emily foram até a cozinha, mas retornaram, avisando que não havia mais nada lá.
Nos sentamos no chão da sala, e Andrew tirou de sua bolsa alguns suprimentos.
– Espera. – eu disse quase gritando.
– O quê? – disse Emily confusa.
– Vocês tinham carros, eu lembro, tinham dois, foi com eles que nos interceptaram na estrada, porque não o pegamos na hora de sair da escola?
– Estava tudo tomado pela horda. – respondeu Mike calmamente.
– Droga! – eu suspirei me lembrando de que a mochila com as latas que pegamos na loja, onde Emily quase foi morta, provavelmente havia sido deixada dentro do carro. – Aquela mochila que nós pegamos...
– Sim, ficou no carro. – disse a Emy já acompanhando o meu pensamento.
Dividimos um pacote de batata frita, e cada um ganhou meia laranja, que Andrew tirou de sua bolsa.
Ouvimos barulhos do lado de fora, e quando eu olhei pela janela. As ruas estavam tomadas pelos errantes.
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