Zombie School

1 Quando começa a coisa


\\t Era uma terça-feira, chovia muito. Melancólico, o dia. Manhã tão oportuna para se ficar em casa, dormindo. As nuvens estavam escuras Na verdade, não consigo achar o motivo para não ter sido cancelado as aulas nesse dia.Talvez a carga horária não fosse cumprida. Não sei. Simplesmente, o nível da água cobria os joelhos de um adolescente mediano. Por carro, quase inacessível. Ônibus e vans, nem tanto. Independentemente, não cancelaram. O dia seguiu seu curso normal.

\\t O colégio: grande. Acessível por duas entradas: uma dos carros e a outra das vans. Leste e Oeste, respectivamente. Uma área bastante grande com as instalações desportivas. Bem grandes, nas marcas profissionais. O colégio dividido em cinco prédios: o primeiro, da entrada, onde ficavam as lojas. O segundo, das salas de aula. O terceiro, do comando, enfermaria e afins. O quarto, dos restaurantes comunitários e pagos. E o quinto, das atividades físicas. O colégio se localiza numa parte elevada do solo, o que possibilita transitar pelo colégio, e não fora dele, apesar de que, dados os níveis do volume de água, a quantidade de lixo que chega à entrada torna o ambiente um tanto quanto nojento.

\\t Aula de Sociologia, quase caindo da cadeira de tanto sono, sua mochila, seminova virada do avesso pelo seu colega ao lado. Estatura quase na média, moreno, cabelos e olhos castanhos, o primeiro mais escuro que o outro, usuário de óculos e lesionado parcial do joelho esquerdo. Talvez um pouco tímido, não se dá muito bem na matéria garotas, mas, tirando essa triste parte, é inteligente, brincalhão e muito amigo. Sonolento estava. Se dirigiu à seu professor. Pediu para se retirar da sala. Foi, trôpego, em direção à porta do banheiro, a qual, de madeira bem antiga, rangia enquanto abria. Terminou o que havia de fazer. Seus olhos fitaram o corredor do outro lado, escuro. Mal dava para ver os vultos de dois monitores correndo em direção à seu final com duas macas, cada um com uma, e dois sacos pretos cada, num tom de muita pressa. Depois de beber água e refletir um pouco, voltou à sala

\\t\\t Depois da cena um tanto quanto intrigante, se sentou à sua maneira cômoda na cadeira, mirando furiosamente seu colega ao lado por ter virado sua mochila novamente, o cenho franzido. Nunca havia sido tão disperso. Tão disperso que puxou assunto com seu colega à sua frente,que se chamava Gustavo: Loiro, baixo, branco,aparelho em cima e embaixo, inteligente, extremamente correto e muito preocupado com estudos.Disse:

\\t\\t — Ou, deve ter acontecido alguma coisa no outro corredor! — anunciou ele.

\\t\\t — Por quê? — disse Gustavo.

\\t\\t — Tá um zaralhice lá, tem sargento com maca e tudo. — completou ele.

\\t\\t — O que foi? — perguntou o cara que havia virado sua mochila.

\\t\\t — Não tenho nada a que te falar! — respondeu furioso.

\\t Terminada essa frase, o professor bateu na mesa com seu pesado livro e disse:

\\t\\t — Vocês não vão parar de conversar ou vou ter que lhes dar uma anotação negativa?

\\t\\t — Não, não senhor, — se defendeu o aluno — nós iremos parar.

\\t\\t — Acho muito bom...

\\t\\t Se virou e continuou dando aula.

\\t\\t Ele pediu para sair novamente, agora para beber água. Agora o outro corredor, em sua total escuridão, foi seu alvo primário, que, afinal de contas, o havia intrigado. Agora, não como antes, não só havia monitores por todo lado, como tinham vários alunos histéricos correndo de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Os professores, extremamente preocupados, não conseguiam contê-los. Os monitores, os que sobraram, não conseguindo acalmar a multidão ensandecida, sentaram em suas cadeiras, colocaram seus bonés em cima da cabeça e foram dormir.

\\t\\t Apareceu na porta, sem o professor ver. Chamou Gustavo, que agora pedia para ir ao banheiro. Chegado lá perguntou o que havia acontecido. O garoto não respondeu, apenas apontou para o outro corredor e ambos se dirigiram para o local apontado.

\\t\\t Foram passando de turma em turma, turmas 4,5,6,7,8. O corredor deles, bem iluminado pelas luzes de fora e de dentro das salas, as paredes feitas de tijolos vermelhos e cobertas por uma camada fina de poeira, o chão sujo por uma película de vômito por um garoto da sala deles que havia passado mal e ia ligar para sua mãe. O banheiro ficou para trás. Junto dele os dois bebedouros. Estavam de frente para o corredor. Hesitaram. Apenas se questionaram mentalmente se valeria a pena prosseguir.Optaram por não, deram meia-volta e se dirigiram novamente à sala deles.

\\t\\t Deu-se o recreio. E com ele, a agitação cessou. Por alto. Saíram em direção à banca de jornal, carinhosamente apelidada pelos alunos de “banquinha”, que vendia bebidas e guloseimas em geral. Alta, larga, recolida. Essa era a banca. Feia, se me permite dizer, mas útil. Muito útil. No final das contas, um refrigerante de 600 ml compraram. Saíram.

\\t\\t O assunto entre os dois durante o recreio se resumiu ao tumulto ocorrido no outro corredor. Nunca havia sido necessária a utilização de macas em momento algum em sua vida escolar, Apenas em caso restrito de quebra de perna, mas não tinham visto nenhuma ocorrência disso. E para que os sacos pretos?

\\t\\t Quatro horas o sinal tocou. O refrigerante, que estava grudando na boca, em conjunto com o salgado, de carne mal passada, não lhes caiu bem. Ficaram com uma leve dor de barriga e pediram para se dirigirem à enfermaria. No caminho, foram conversando:

\\t\\t — Será que os que foram nas macas estão na enfermaria? — perguntou Gustavo.

\\t\\t — Não sei se será possível, pois devem ter levado para um hospital. — falou o garoto.

\\t\\t — Mais tá chovendo muito, as ruas estão bloqueadas. — falou Gustavo.

\\t\\t — Então deve estar horrível lá! — disse o garoto.

\\t\\t — A gente vai descobrir né? — disse Gustavo.

\\t\\t Seu nome, o do garoto, era Renan. Ele se assustou quando, no meio do caminho, na rua antes da enfermaria, a poucos metros a frente deles, ouviram-se gritos e um aluno correndo em direção à eles, gritando:

\\t\\t — Não vão lá, não vão lá! Está tudo uma bagunça! Eles estão loucos! — disse ele.

\\t\\t — Quem está louco? — questionou Gustavo.

\\t\\t — Eles, eles, eleeeessss! — chorava o aluno.

\\t\\t — Renan... Você quer mesmo ir lá! — disse Gustavo.

\\t\\t — Vamos, né? Tem que matar a curiosidade, vai que é alguma coisa importante. — disse Renan.

\\t\\t — Eu... Não sei... Não hein... — disse

Gustavo. \\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t\\t

\\t\\t — Tá bom, vamos voltar. Mas depois a gente fuça mais depois tá? — perguntou Renan.

\\t\\t — Está bem, — disse Gustavo — mas precisamos levar o papel da enfermaria. E agora, o que nós fazemos? — concluiu.

\\t\\t — Falamos que não tinha médico, a gente se vira. — respondeu Renan.

\\t\\t Se dirigiram para a sala. Contornaram o professor da maneira que encontraram. Ficaram inquietos. Contaram tudo ao garoto do lado, o revirador de mochilas, mas não tiravam da cabeça as cenas do corredor e do aluno correndo da enfermaria.

\\t\\t Mal imaginavam o que estava para acontecer. \\t\\t\\t\\t\\t\\t

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.