Zombie Planet
4 Mortos-vivos
Notas iniciais
PDV — Rick Grimes
Acordei em um quarto com uma faixa no tórax. Fui tentar me levantar, mas a dor era tanta que não consegui. De repente uma menina morena, magra e de maria chiquinha aparece, me encara por uns instantes e vai embora:
– Ei! Volte! — Eu tentava chama-la.
Tentei novamente me levantar e então essa menina chegou com outra que era negra, usava óculos e tinha cabelos lisos:
– Você está bem?
– Cadê o Carl...?
– Te encontramos desmaiado, Luan e Bernardo trouxeram você. — A menina dos óculos me explicou.
– Cadê minha família...? Shane! O plano...
– Shane? Quem é Shane? — Perguntava a menina dos óculos.
– Mantenha a calma, sabíamos que isso ia acontecer... — Menina morena.
– O que...? — Eu não estava entendendo.
– Chame os meninos, vamos levanta-los. — Dizia a garota dos óculos.
A morena saiu do quarto enquanto a outra disse:
– Tudo bem, mantenha a calma, você levou um tiro, o tio da Liv é médico, saberá o que fazer.
– Cadê meu filho?
– Não sei, achamos você no chão e ficamos com pena.
– Como sabiam que eu estava vivo...?
– O tio dela viu o tiro no seu tórax e não vimos mordidas. Ele foi verificar.
– Obrigado...
– Tudo bem, com essa situação temos que ser amigos.
– O que esta acontecendo...?
– Fizeram algum tipo de teste e agora espalhou um vírus. — Ela me explicava como se estivesse falando algo sem sentido.
– Tinha outro corpo além do meu...?
– Não.
– Eles conseguiram... Você viu algum carro de polícia?
– Não me lembro. Você é policial, não é?
– Sou Rick Grimes.
– Marcela Silva.
A morena voltou com um homem alto de pele clara:
– Essa é minha irmã Darlene e o tio de minha amiga Liv, Bernardo.
– Olá, como se sente? — Bernardo me pergunta.
– Não consigo me levantar.
– Fiz uma cirurgia em você e removi a bala.
– Precisei de sangue...?
– Não, foi bem rápido. Vou te ajudar a levantar.
Outro garoto moreno de cabelo liso e preto entra:
– Esse é o nosso amigo Luan, estava com a gente na hora. — Marcela conta.
– Vocês tem pais...? — Perguntei.
– Não, somos órfãos. Bernardo cuida da gente.
– Estávamos passeando tranquilos. O tiro nos assustou, corremos sem rumo, chegamos ao parque, salvamos você. — Bernardo explicou diretamente.
Ele me ajudou a levantar. Me guiaram até a cozinha, já estava me sentindo melhor:
– Esta vendo pela janela? Tem deles por vários lados. É difícil acreditar, não? — Marcela me mostrava.
Fiquei muito assustado quando vi aquelas pessoas zunindo, andando tortas e de cabeça baixa:
– Vocês não acham isso estranho?
– Estamos com medo! — Darlene me respondeu.
Ficamos uns segundos olhando para fora:
– Eu espero que eles tenham conseguido. Shane era meu amigo, outro policial. Meu filho e minha esposa estavam lá...
– Tenha fé. Talvez achem o caminho para Atlanta. — Marcela dizia.
– Atlanta?
– Sim. Enquanto Bernardo te operava, ligamos nosso rádio e disseram para irmos para Atlanta. Falaram que lá é seguro e que vão resolver a situação.
– Também falaram para os demais sobreviventes esperarem em casa. — Luan completa.
– O mais assustador foi quando falaram que estas pessoas morrem e voltam. São mortos-vivos. — Marcela fala em tom de medo.
– Mortos-vivos? Isso não é possível! — Eu não acreditava.
– A gente também quer acreditar que tudo seja uma peça. — Bernardo concorda comigo.
Encaramos por mais instantes lá fora:
– Também falaram que se formos mordidos já era. Parece que esse vírus se transmite através da saliva. — Marcela deduzia.
– Parece filme... — Darlene completa.
Outras duas garotas aparecem:
– Gente tá pegando! — Uma vem segurando o rádio.
– E ai? — Bernardo.
– Escutem... — Ela pedia para esperar.
–"Pedimos a todos que mantenham a calma... Logo iremos resolver... Venham para Atlanta... Não sabemos como se proteger dos infectados... Não seja mordido... Fiquem em casa se não souberem como vir...".
Novamente saiu do ar:
– Eles falam as mesmas coisas! — Luan se irrita.
– Temos que ir para Atlanta! Bernardo, você sabe ir! — Darlene exclama.
– É perigoso! Essas pessoas podem nos morder! — Eu disse.
– Liv, aumenta o rádio... — Marcela pedia.
Mas não escutávamos nada:
– Eu escutei uma transmissão no carro com o Shane!
– Shane? — Liv perguntou.
– Liv, esse é o Rick, que achamos no parque. Ele é policial e quer achar a família dele.
– Estava com eles, agora me lembro melhor! — Comecei a me lembrar.
– Escutou mais alguma coisa? — Bernardo me perguntava.
– O homem gritava e disse que foi impressionante quando as pessoas morreram, e depois voltaram!
– Então você escutou o começo? — Marcela queria saber.
– Sim, eles interromperam a música.
– Gente, não consigo acreditar nessa situação. — Darlene comentou.
– É surreal, quem poderia imaginar? — Outra garota conversava com Darlene.
– O que importa é que vão resolver a situação. — Luan tinha esperança.
– Você acha mesmo? Olha lá pra fora! — Liv cortou.
– Peguem tudo que temos, vamos para Atlanta. — Bernardo concordou com Darlene.
– Mas pediram pra gente ficar aqui! — Uma garota que usava boné.
– Pediram pra quem não sabe ir ficar em casa. Sei como chegar lá, aliás, não dá mais. Tem muitos nessa área, uma hora vão nos ver! — Bernardo explicava.
– Como vamos fazer? — Liv perguntou.
– Vamos nos dividir. — Bernardo teve uma ideia.
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