Zombie - Interativa
18 Uma dor incomum.
Notas iniciais
POV — James Castler.
Assim que desci do trailer eu fui direto em direção a porta da casa, tive que arrombar a mesma, já que eu não tinha mais a chave, entrei nela e me direcionei para um dos quartos, ele estava igual, meus olhos vagavam todos os cantos do quarto. Georgia apareceu no quarto e eu observei ela, enquanto ela fazia o mesmo, mas parecia mais atenta a tudo o que eu fazia.
– Você está bem? — Ela perguntou docemente e eu sorri de lado. Bom, tirando que eu não tinha mais meu filho e minha namorada, sim está.
– Sim. — Eu disse calmamente e ela sorrio de lado.
– Bom, o café já está pronto. — Ela falou levemente, ela parecia calma de mais, eu sorrio de lado e concordei. Ela saiu do quarto novamente e eu fui em direção ao guarda-roupa, tudo no lugar, as roupas dela. — Eu segurei um dos vestidos da minha mulher em minhas mãos e após notar o que eu estava fazendo, eu fechei o armário com força. Não posso deixar essas lembranças voltarem, não agora. Desci as escadas e vi Bryan parado no final dela.
– Eu sei porque você quis voltar pra cá. — Ele disse aparentemente bravo.
– Sério? Então fale para mim, pois nem eu sei. — Falei com ironia e ele franziu a testa.
– James, você pode tentar se enganar, mas a mim. — Ele apontou para si mesmo. — Você não engana. — Eu sorri de lado e assim que passei ao seu lado, eu dei um leve tapa em seu ombro.
– Apenas vamos esquecer todas as lembranças. — Falei em voz baixa, ele concordo e seguimos para a cozinha, logo depois Jack também chegou, estávamos todos comendo e conversando, até que um barulho, ou melhor, um zumbido nos chamou a atenção. Me levantei com certa velocidade e puxei minha pistola da cintura e antes de todos eu já estava do lado de fora da casa, dois zumbis, dois zumbis que conseguiram fazer meu coração parar e lagrimas caírem dos meus olhos. Sem que eu notasse a minha arma saiu da minha mão e foi de encontro com o chão. Eu apenas não ia poder fazer nada, eu não queria atirar e não iria.
POV — Bryan Juntle.
Eu corri para o lado de fora logo depois do James, ver ele naquele estado me fez entender e então finalmente tive coragem de erguer meus olhos. Eram eles, eu não podia ou apenas não queria acreditar, assim como James. Milena e Brunner, a mulher e o filho do James, estavam ali, como zumbis. Meu coração se aperto, não por mim, alias, nunca tive um contato muito grande com eles, mas sim por James.
– Por que ele não vai atirar? — Jack disse com raiva, olhei para ele e minha boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu dali. Greg apareceu e juntou a arma do chão, ele virou James e atirou na cabeça dos dois, os estrondo fizeram meu coração se apertar mais e então eles cairam no chão e com isso eu voltei a consciência.
– Vamos, James. — Eu puxei ele para dentro da casa, era por isso que ele tinha vindo pra cá, ele queria ver se eles ainda estavam vivos, o que foi uma péssima ideia.
– Eles estão mortos. — Ele disse assim que entramos no quarto, eu suspirei. Nunca achei que veria ele nesse estado, ele sempre teve a esperança de encontra-los e agora eles realmente tinham morrido. As esperanças apenas se foram e com isso a alma dele tinha ido junto.
– Eles sempre estarão vivos para você. — Me virei ao escutar a voz, Geo entrava com cuidado no quarto, James levantou os olhos para ela e ela encolheu os ombros.
– Não, eles morreram. — Nesse momento a voz do James demonstrou um ódio e eu temi, temi por ele ficar louco.
– Eles estão em um lugar melhor, James! — Eu falei entrando em estado de nervo. — É melhor assim, esse mundo não seria para eles. — Eu disse me acalmando e ele arregalou os olhos para mim.
– A morte nunca é melhor! — Ele disse se exaltando.
– Bryan, me deixe conversar sozinha com ele. — Geo falou calma, eu fiquei relutante, mas decidi sair. Desci as escadas e vi todos comendo calmamente. Como conseguiam? Meu subconsciente gritou, eu ignorei e segui para fora da casa, vi o corpo dos dois ainda no chão e peguei a mulher, levei ela até um canto mais afastado da casa, depois peguei o pequeno menino e levei junto com o corpo da mulher, fucei a fazenda toda e achei uma pá, comecei a cavar as duas covas. Talvez essa cena seja assustadora, mas eu preferia eu fazendo isso do que James.
– Me desculpe. — Me virei e vi James me olhar, seus olhos estavam escuros e tinham dor.
– Tudo bem. — Eu disse calmamente e terminei de cavar, assim que terminei eu colei o corpo dos dois dentro da cova e James apenas observava, paralisado. — Você não precisa ver isso. — Eu disse calmo e ele pareceu voltar para si.
– Eu preciso. — Ele disse contrariado de si mesmo. Mas não falei nada, comecei a cobrir os corpos, eu me segurei para não chorar, ele não poderia ver que aquilo também me doía e a cada pá de areia que eu jogava, eu imaginava se fosse comigo, eu não aguentaria, disso eu sabia.
POV — Jack Harper.
Eu não estava entendendo muito bem o que estava acontecendo, mesmo assim decidi não perguntar, pois quem sabia estava em um luto interno. Todos nós estávamos em frente a casa vendo eles enterrarem os corpos, depois de um tempo Bryan falou algo para ele e vem em nossa direção, ele estava com a cabeça baixa e assim fez até chegar em nós.
– Como ele está? — Geo perguntou preocupada, Bryan olhou para ela e deu de ombro.
– Vivo. — Seu suspiro foi alto. — Ele precisa de um tempo. — Todos concordamos e cada um foi fazer algo. Eu fui para cima do trailer, ficar de vigia essa noite, as luzes começaram a se apagar e James continuava lá, na escuridão. Eu, por incrivel que pareça, já estava ficando preocupado com ele, a escuridão tinha tomado conta de tudo e eu não conseguia mais vê-lo, peguei minha lanterna e desci do trailer, caminhei em passos lentos e bem planejados em direção da onde eu tinha o visto da última vez.
– James? — Sussurrei e coloquei a lanterna na direção dele, ele estava caído no chão, várias coisas ruim se passaram na minha cabeça, apontei a lanterna para todos os lados e mexi nele, ele resmungo e abriu os olhos.
– O que foi? — Ele disse com a voz rouca e eu xinguei ele mentalmente por ter me dado um susto.
– Entra na casa e vai dormir, aqui não é seguro. — Eu estava caminhando de volta, até que escutei ele falar.
– Eu não ligo se algo acontecer. — Voltei para ele e o levantei do chão.
– Eu posso não gostar de você, mas entregar sua vida para os mortos-vivos não é uma ideia muito inteligente. — Ele suspiro e se ajeito, soltei ele e voltei para o trailer e vi ele entrar na casa. Me sentei no trailer e suspirei, todos já estavam cansados de perder alguem, precisamos da cura logo ou então todos vão endoidar, ou até mesmo, o ser humano vai entrar em extinção.
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