Zombie Attack
27 II - Confiança e Alianças!
Notas iniciais
Lara em sinal de respeito apenas observava-o sem nenhum comentário ou brincadeira de sua parte. Ambos ouviram gemidos e o ranger de dentes, mas Elsom não pareceu se importar muito, já Lara pôs-se a olhar em volta e a procurar de onde viriam tais sons.
Lara pediu para que Elsom não demorasse muito, mas que também não precisaria se apressar, ela estaria no carro à espera dele. Dito isso ela caminhou em direção ao mesmo, abriu a porta e se sentou no banco observando Elsom que estava de cabeça baixa. Dois zombies aproximaram-se do carro mas Lara por ainda estar coberta com o sangue pode disfarçar seu cheiro sem precisar de muito além de ficar parada, ambos avistaram Elsom e puseram-se a se arrastar em direção a ele que continuava imóvel e aparentemente não ligando para eles. Lara viu os dois se aproximarem dele e notou que Elsom não se mexia e isso seria um problema, ela se levantou do banco e bateu na lateral do carro, chamando a atenção daqueles dois por alguns instantes, mas logo em seguida eles voltaram a ignora-la.
Lara tomou impulso e começou a correr em direção aos dois que se aproximavam cada vez mais de Elsom que não se mexia e não expressava nenhuma reação. Lara puxou sua faca e cravou na cabeça do zombie mais próximo a ela, mas a forma que a faca foi fincada dificultou sua saída e ela não conseguiu retira-la da cabeça daquele zombie. Quando o segundo zombie se aproximou de Elsom esticando seus braços e tentando arranha-lo ao mesmo tempo que tentava morde-lo acabou tirando Elsom daquele estado de transe e ao ouvir o zombie tão perto acabou se assustando e caindo pra trás derrubando o zombie junto e em cima dele. Aquele morto vivo mordia o ar tentando aproximar sua boca de Elsom e fechando sua mandíbula sem parar enquanto as mãos dele rasgavam a camisa de Elsom que se esforçava para manter a distancia máxima do morto, Elsom havia caído ao lado do local que deixou seu irmão então pode ver a pá fincada na terra, talvez se ele se esticasse poderia pega-la.
Lara forçava a faca e tentava tirar a mesma que não saia de jeito nenhum da cabeça do infectado.
— Vamos, merda acabei de conseguir ela, você não vai roubar de mim. (Lara)
Elsom percebe Lara lutando contra a faca e se estica pra alcançar a pá, mas a mesma estava muito distante e não daria pra pegar.
— Aí! Lara... Se quiser parar de brincar... Com seu novo amigo... E vir me dar uma ajudinha... Eu agradeceria. (Elsom)
Lara desiste da faca olhando para Elsom e mostra o dedo do meio para ele.
— Se você não tivesse dormido em pé nada disso teria acontecido. (Lara)
— Bem... Eu não... Dormi... Na verdade ... Eu explico depois... Agora pode... Me ajudar... ? (Elsom)
Elsom ofegante segurava a face daquele zombie com as duas mãos e empurrava com toda sua força, mas de alguma forma parecia que aquele zombie estava diferente dos outros, talvez mais forte, Elsom mal conseguia aguentar por mais tempo quando suas mãos escorregaram e o zombie foi com tudo em direção a seu pescoço mordendo o ar, quando Elsom pensou ser seu fim a cabeça do zombie foi aberta no meio e uma pá surgiu entre as duas metades com os dentes dele perto da veia arterial de Elsom, por um milésimo de segundo ele não fora mordido.
— Desculpe a demora, eu só não estava com muita pressa. E ainda quero a minha faca. (Lara)
Lara colocou seu pé na cabeça daquele zombie e retirou a pá facilmente o empurrando com um chute pra baixo. Ergueu a pá e colocou no ombro esticando a outra mão para Elsom.
— Vo... Você poderia ter me acertado... Ou se demorasse um segundo a mais eu teria sido mordido... (Elsom)
— Considere-se sortudo, eu ainda te salvei, algo que não faz muito meu estilo então você me deve duas. (Lara)
Elsom agradeceu e se levantou com a ajuda dela que logo em seguida bateu a pá na cabeça do primeiro zombie. Abrindo-a e deixando a faca mais fácil de ser retirada. Elsom estava admirando Lara, ela era perigosa, corajosa e na visão dele... era louca. Uma loucura que pensou combinar com a dele.
— Eu mandei não demorar, estou cansada de matar esses lixos, se arrume que temos que ir, ainda temos uma missão pra completar. (Lara)
De longe alguns zombies passavam pelas ruas e outros se aproximavam deles, mas Lara calmamente voltou ao carro e jogou a pá no porta malas enquanto limpou sua faca na roupa e a guardou novamente, parecia uma criança feliz com um brinquedo novo, não queria perder agora que havia se apegado a faca.
Ela entrou no carro e ligou o motor, fechou a porta e olhou em direção a Elsom parado do lado de fora.
— Se vai dormir ai de novo em pé eu vou te deixar e seguir meu caminho. (Lara)
Elsom entrou no carro e sentou-se, se despedindo uma ultima vez de seu irmão e limpando mais uma vez sua face aonde lagrimas escorriam.
— Eu não me lembro de ter perguntado, mas pra onde exatamente nós vamos? (Elsom)
— Visitar um amigo que talvez não saiba que eu estou viva. (Lara)
— Como assim? (Elsom)
— Você vai entender quando o encontrarmos. (Lara)
Então Lara pisou no acelerador, desviando de um zombie que se aproximava e voltou para a rua, logo em seguida desviava o olhar pra baixo notando que o combustível estava acabando, teriam que dar uma parada no meio do caminho, antes de ir em direção a onde ela precisava.
— Mas antes, uma paradinha para reabastecer. (Lara)
Enquanto seguiam viagem pela estrada Elsom chegou a dar uma observada geral em seu carro, procurando algo que Lara não sabia muito bem o que era, mas sabia que ele estava à procura. Elsom levou sua mão até o radio e acabou apertando o botão, ao ligar um pouco de estática fora ouvida, tentou mexer e trocar de estação, mas em todas apenas a estática continuava, assim como antes. Ele bufou e revirou os olhos, aquela seria uma longa e silenciosa viagem.
Passávamos pela porta quando Cleber me disse aquilo, cheguei a pensar por um momento antes de respondê-lo.
— Eles não me deram tempo, eu tentei... (Eu)
— Percebi o quanto você tentou, mas deixamos isso de lado... – Dizia enquanto caminhava lentamente, e logo em seguida começava a cambalear de lado. – Você não tinha mesmo o poder de mudar nada lá den... (Cleber)
Logo em seguida Cleber acabara caindo no chão, meus reflexos não foram tão bons para segura-lo, mas logo em seguida ao vê-lo cair tentei me aproximar para levanta-lo, ao notar que aquele pequeno pedaço de torniquete que já havia aguentado por muito tempo agora se encharcava com seu sangue.
— Droga! – Dizia eu segurando ele. – Eu devia ter trocado... Se você tiver alguma infecção ou morrer por causa disso, a culpa será minha... Fiquei muito distraído desde que você levou aquele tiro... (Eu)
— Do que... – Ele tentava dialogar, mas parecia cansado. – Você esta falando? (Cleber)
— Do torniquete que eu fiz para parar o seu sangramento após você ser atingido... (Eu)
— Ah... Bem... Disso... – Então ele acaba caindo de lado, com os olhos fechados, mas ainda respirando. (Cleber)
— Exatamente isso. – Eu coloquei minha mão em seu pescoço notando que ele ainda estava vivo, sentindo seus batimentos, apenas deveria estar muito cansado, precisava descansar e trocar aquilo. (Eu)
Olhei ao redor procurando por mais alguém que pudesse me ajudar. Notando ao fundo Cris passando pelo corredor acabei por gritar pra ele.
— Hey! Cris... Não é? Pode me dar uma ajudinha aqui? – Gritava para com ele, acenando com minha mão livre, logo em seguida tentando levantar Cleber. (Eu)
No instante em que ele me ouviu acabou vindo correndo em minha direção. Cris segurou Cleber por um dos braços e eu segurei pelo outro, enquanto o levamos pelo corredor do navio até a ala medica. Ao chegarmos nela Rubens veio em nossa direção a perguntar o que acontecera, e após minha explicação ele pediu para que deitasse Cleber em uma das camas de lá, que ele cuidaria de tudo.
O colocamos na cama e Rubens trouxe um monitor cardíaco que ligou em Cleber e conferiu se o mesmo ainda estava, digamos, bem. Os bipes do aparelho confirmaram e então após isso pudemos respirar aliviados. Agradeci ao Cris pela ajuda e ele disse que podia contar com ele para o que precisasse, logo em seguida se afastando dali e saindo pela porta que entramos. Então fiquei ao lado de Cleber por algum tempo após Rubens se afastar.
— Ele... Me parece estar bem. – Rubens voltava trazendo uma ficha com os exames de sangue que fizera nos últimos minutos. – Não me parece haver nada de errado, além do cansaço. (Rubens)
— Obrigado... Acabei ficando preocupado quando ele caiu assim do nada e começou a sangrar... Por tudo o que passamos eu... – Dei uma pausa e respirei fundo antes de continuar. – Nem lembrei disso, e era muito importante de se lembrar.. (Eu)
— Não tem com o que se preocupar, apesar dos constantes surtos de adrenalina seguidos pelo que ele passou, o corpo apenas reagiu agora, demonstrando essa fraqueza. Afinal ele também é humano e acabou por levar um tiro, mas não esta infeccionado e não tem perigo de morte. (Rubens)
— Agora eu me sinto melhor... Se ele morresse por isso, nesse mundo como está, eu me responsabilizaria por não ter prestado aten.... (Eu)
Não pude completar minha fala já que Rubens voltou a me interromper.
— Ficar se martirizando por algo assim não é o necessário pra você agora. Vá para a festa, afinal ela fora feita para vocês, mas receio que Cleber terá que descansar por agora, ele será enfaixado e levado ao quarto, você o encontrará quando retornar ao seu dormitório. (Rubens)
— Não sei se é certo eu fazer algo assim quando ele nem pode ir até la.. (Eu)
— Melhor aproveitar enquanto pode, estão planejando para essas festas apenas serem dadas uma vez por semana, e somente se encontrarem sobreviventes naquela semana, se não, apenas na seguinte, será a única hora em que você poderá se divertir assim. (Rubens)
— Eu agradeço, mas me sinto desconfortável com isso e um tanto cansado também, agora o que eu quero fazer é ir pra cama e descansar o máximo que eu puder. (Eu)
— Não posso te obrigar, mas se é o que deseja, logo mais Cleber estará lá também. (Rubens)
— Certo, até mais. – Dizia direcionado tanto para Rubens quanto para Cleber que estava de olhos fechados, por isso acabou não me respondendo. (Eu)
— Até. (Rubens)
Levantei-me da cadeira plástica que tinha ao lado da cama e voltei a andar pelo corredor ate sair do mesmo. Peguei o elevador e fui até o andar de meu quarto, logo que a porta se abriu Lara estava no fundo do corredor, de costas para a lateral do navio, olhando em minha direção. Minha face se encheu de alegria, ela estava realmente ali. Meus olhos brilharam e um sorriso fora expressado, quando comecei a correr em sua direção.
Quanto mais eu me aproximava mais ela caminhava lentamente de costas em direção à lateral do navio. Na metade do caminho ela estava subindo no parapeito, meu corpo e coração se encheram de pavor, finalmente ela estava ali, eu não podia deixa-la ir assim. Até o momento em que me aproximei o suficiente para agarra-la e a mesma se jogou de costas no mar.
Me apoiei na lateral do navio e olhei pra baixo, visualizando as ondas a baterem no casco, ele realmente estava parado, com a âncora ao mar. Mas não pude encontrar sinal algum dela.
— Será que estou ficando louco? – Pensava alto, ainda apoiado sobre a lateral do navio e encarando o mar como se eu fosse encontra-la bem no fundo, a me chamar.
Sacudi minha cabeça de um lado ao outro, eu estava precisando dormir um pouco, era tudo o que eu precisava. Levei minha mão sobre minha face e a passei lentamente sobre os olhos e a testa. Voltei a caminhar lentamente, tentando esquecer tudo aquilo, entrei em meu quarto e cai na cama. Não me importei de não ter me lavado antes, nem de ter ido festejar com os outros no navio, a única coisa que eu queria era descansar um pouco, nada além disso. Como eu havia feito anteriormente com Lara naquela casa abandonada.
Lara...
Ao fundo eu podia ouvir vozes e gritaria, mas não de medo ou terror, gritos de alegria e excitação, como se festejassem. Não conseguia pegar no sono com todo aquele pessoal fazendo barulho, meus olhos mesmo fechados ainda mantinham-me preso a realidade, escutando tudo e notando o quão solitário eu estava naquele quarto a pensar em alguém que eu nunca mais veria, provavelmente havia ate mesmo morrido e se transformado em um daqueles seres...
Eu não podia pensar nisso, prometi nunca mais esquece-la... Nunca esquecer a Lara, como ela era, ora agindo como uma criança que queria um animalzinho de estimação para ela... ora sendo incrível matando zombies como eu nunca vi antes...(Eu)
Com esse pensamento finalmente adormeci, mas eu realmente preferia continuar acordado, porque o que eu sonhei, se é que se pode chamar aquilo de sonho... Era melhor eu ter continuado a ouvir o barulho da festa, as pessoas gritando e cantando, os copos a tilintar no ar, a musica não tão alta, mas também não tão baixa. Tudo aquilo era melhor do que viria a seguir...
Será que eu deveria mesmo ter ido dormir?
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