Zombie Attack
8 I - Os donos da casa.
Notas iniciais
Aquela escuridão que envolvia o buraco era imensa, quase não se via a escada, e por estar de noite ficava ainda mais assustador.
– Acho que não é uma boa ideia descer sem ao menos sabermos o que tem lá embaixo. (Eu)
– Você tem medo do escuro? (Lara)
– Não, eu tenho medo do que esta no escuro. (Eu)
– Olha pra fora e me fala o que é mais assustador, o fim do mundo com mortos ressurgindo ou um simples buraco escuro. (Lara)
– Acho que a primeira alternativa. (Eu)
– Então a menos que tenha mortos lá embaixo, não tem o porquê ter medo. (Lara)
– Tudo bem, então vamos descer. (Eu)
– Antes precisamos disso para iluminar a escuridão. (Lara)
Lara puxou uma lanterna da caixa de ferramentas e me mostrou, apontou para baixo com ela e a ligou.
A escada se iluminou e parecia ser fundo o bastante para se guardar muitas coisas, só não fazia muito sentido ter uma corda amarrando por dentro, se não houvesse alguém ou algo por ali.
Aquela motivação que ela tinha eu precisava me espelhar nela e supera-la, sem ficar dependendo dela para todas as coisas, o mundo era outro e estava mudando conforme as horas passavam, o medico que salvava vidas agora não existe mais, tenho que ser um novo homem nesse mundo, corajoso, forte, guerreiro e destemido, eu deveria me tornar esse homem, alguém para com que os outros olhem e saibam que podem confiar pra tudo, e precisava começar de alguma maneira, e tinha certeza que essa era a chance de mostrar para Lara que eu estava mudado.
Com esse pensamento peguei a lanterna de sua mão e coloquei meu pé no ultimo degrau da escada, iluminando abaixo comecei a descer degrau por degrau.
Lara olhando de cima admirada se levantou pegou a caixa de ferramentas por uma das alças e colocou-a de baixo do sofá, para que algum imprevisto não acontecesse enquanto não estávamos. Ela pegou a tesoura e colocou em seu bolso e entrou pelo buraco, descendo pela escada, e puxou o outro sofá por baixo dele pra cima do buraco.
Cheguei até o final da escada, mais ou menos umas cinquenta barras de ferro até lá embaixo, vazio e escuro, com a lanterna pude iluminar o local onde se via três prateleiras grandes com varias latas espalhadas por cima, na frente delas duas mesas redondas, sobre uma delas havia um galão de água pela metade, e sobre a outra um machado com a lamina ensanguentada fincada de ponta cabeça sobre a mesa.
Lara e eu nos olhamos e achamos bem estranha a situação, mas nada de perigoso, então resolvemos nos aproximar das prateleiras para ver se havia algo a mais. Passei pela direita das mesas, bem longe do machado que estava lá na ponta da esquerda, enquanto Lara ficou com a lanterna na escada iluminando tudo, vasculhando por entre as prateleiras encontrei uma vassoura, que não me serviria de muita coisa naquela situação, peguei a vassoura e descobri por de trás dela uma fresta pequena que se escondia atrás das prateleiras, pedi para Lara se aproximar e me ajudar a empurrar a prateleira para revelar o que tinha por de trás dela.
Lara colocou a lanterna em cima da mesa e segurou em uma das laterais da prateleira, levando algum tempo, mas conseguimos tirar de lá, revelando uma sala com rifles, shotguns, pistolas e munições para elas, pouca munição, mas pelo menos havia alguma. Não sei o que aconteceu naquele momento, mas Lara apontou para mim um dos rifles e tentou disparar, mas sem sucesso, pois o pente parecia estar vazio. Com o susto eu pulei para trás e tropecei em algo, caindo por de cima da mesa.
Porque ela havia feito aquilo?
A resposta veio em um milésimo de segundo, surgindo no meio da escuridão, dois “deles“ grunhindo e rangendo os dentes, na hora eu paralisei e não sabia o que fazer, mas eu não estava sozinho, Lara bateu com a arma no zumbi, o derrubando no chão e logo depois foi derrubada pelo outro, caída no chão lutando com um morto vivo pela sua sobrevivência, e para não ser mordida, o outro se levantava depressa e se arrastava para minha direção, no mesmo instante o tempo parou, eu via Lara no chão lutando contra um deles, e o outro andava em minha direção, nesse instante eu parei e pensei.
Agora é a hora da mudança, corajoso, destemido e admirado.
Com uma cambalhota para trás eu cai no chão, deixando ele do outro lado da mesa, escorreguei por cima da outra até o machado, eu havia mudado, sentia aquilo em meu corpo e estava gostando, fiquei de pé sobre a mesa e pulei para a outra.
– Agora é a minha chance e ninguém vai me impedir. (Eu)
Lembrei-me do golfe que meu pai me obrigou a fazer, ainda bem, pois aprendi uma coisa com aquilo, temos que acertar a bolinha. Com aquele mesmo movimento decepei a cabeça daquele desgraçado, cortando-a na diagonal.
Senti-me tão feliz com aquilo que precisava fazer de novo, Lara venceu o morto conseguindo afastar dela com um empurrão, e jogando-o em minha direção. Ele estava de costas e bateu em minha mão jogando longe aquele machado e caindo sobre mim, Lara cansada não se levantava e eu com aquele morto em cima de mim, sem nem saber o que estava fazendo puxei a minha arma da cintura, coloquei na cabeça dele e apertei o gatilho.
Tudo o que ainda restava em sua cabeça agora estava espalhado pelo chão e eu tinha mais quatro balas, guardei novamente a arma e empurrei aquele corpo para o lado, notando que este estava com um corte profundo na região do braço enfaixado, que aparentemente foi feito pelo machado visto anteriormente. Meio zonzo por ter atirado tão perto de minha cabeça e com um zumbido agudo no ouvido estendi meu braço para ajudar Lara.
– Nunca mais tente atirar em mim ou em minha direção novamente. (Eu)
– Foi no susto, eu vi aqueles dois e tinha que fazer algo ou você poderia ter sido mordido. (Lara)
– Tudo bem e agora? (Eu)
– Vamos levar o máximo de armas conosco. (Lara)
– Mas como, já que estamos sem nossas mochilas? (Eu)
– Esse é o problema. (Lara)
Sentei-me por um instante sobre a mesa, por ainda estar zonzo e com dificuldade de ouvir não conseguia ver muito bem o cenário a minha volta, enquanto Lara caminhou até o machado e pegou-o.
– No quarto onde você dormia eu pude ver em cima do guarda-roupa umas malas de viagem. (Eu)
– Sério? (Lara)
– Não, eu estou zoando com você só pra ver a sua cara, é claro que é sério. (Eu)
– Tudo bem eu vou pegá-las. (Lara)
Lara subiu rapidamente a escada e retirou o sofá com algum esforço, enquanto eu ainda estava sentado sobre umas das mesas tentando voltar ao normal. Levantei-me, caminhei lentamente até a lanterna e peguei-a para iluminar o lugar mais um pouco, nada além do que havíamos achado antes, somente uma foto em um porta-retratos ao lado das latas de sopa, onde se viam dois adultos e um garoto.
Os adultos eu estava vendo caídos no chão, transformados nos mortos vivos que nos atacaram, mas e o garoto? Onde ele podia estar? Um barulho na escada me fez virar e olhar para ela, as malas estavam ali, andei até chegar perto da escada e Lara estava descendo-a.
– Só achei essas duas -mostrando as malas- eram só essas?(Lara)
– Sim eram elas. (Eu)
– Como você as viu, já que havia dito que não entrou no quarto? (Lara)
– Na hora que eu passei pelo quarto eu vi de relance só isso. (Eu)
– Então tá, vamos pegar as armas. (Lara)
Enchemos as malas com todas as armas e os bolsos delas com munições, deixando pra trás duas ou três armas para deixar espaço pros suprimentos. Recolhemos alguns alimentos, subimos a escada e paramos no meio da sala.
– Agora que estamos com as armas eu acho que ficou meio pesado para levarmos a pé, e a moto não serve de grande ajuda com o tanque vazio, vamos deixa-la pra trás. (Lara)
– Mas então como vamos nos locomover? (Eu)
– Enquanto você estava lá embaixo eu pensei nisso e olhei pra rua, você sabia que temos uma garagem nessa casa? (Lara)
– Sim aquela garagem vazia em que o gato entrou e ficou por cima de umas caixas cobertas com uma lona. (Eu)
– Na verdade eu examinei e não são caixas, me segue. (Lara)
Lara me levou até a garagem certificando de não ter nenhum morto andando em frente a casa, retirou a lona de cima e lá estava aquele carro.
– Como deixaram isso pra trás embaixo de uma lona. (Eu)
– Acho que os donos da casa na verdade eram aqueles dois lá de baixo que se trancaram com medo, e que os gêmeos na verdade estavam passando pela casa assim como nós. (Lara)
– Se eram eu tenho que te contar uma coisa. (Eu)
– Pode falar. (Lara)
– Havia uma foto junto aos suprimentos, os dois e um garoto que parecia ser filho deles. Se aqueles eram as pessoas da foto, onde foi parar o garoto? (Eu)
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