Zombie Attack
3 I - Início conturbado!
Notas iniciais
Ela estava ali do outro lado da janela, mas somente a figura escura e amedrontadora de alguém que uma vez fora minha vizinha. Todos os dias de manhã me cumprimentando, sempre regando as plantas de seu jardim, mas agora ela não poderia mais fazer isso. Eu precisava me preparar para não ser mais um corpo sem alma, vagando por essas ruas em busca de carne humana. Deixei a chave na moto e corri pra dentro de casa, tentei o telefone, mas as linhas estavam desligadas, como se eu já não esperasse algo assim, puxei do bolso da calça o celular, mas no mesmo não havia bateria suficiente e estava sem sinal, esvaziei a minha mochila e corri até a cozinha, juntei toda a comida não perecível que tinha no armário, que não era muita coisa, junto com algumas ferramentas que encontrei, dentre elas uma faca de cortar carne, um pé de cabra e o bastão de Baseball metálico de minha estante, com tudo pronto resolvi dar uma última olhada na minha casa, seria a última vez a vê-la. Por um minuto eu parei e pensei:
Alguém que nunca matou outro ser humano, dedicou seus estudos e seu tempo para ajudá-los a viver, precisava treinar com alguns zombies antes de poder sair pelo mundo derrotando todos que encontrasse pela frente! (Eu)
Fui até a janela da sala e dei uma rápida olhada do lado de fora de casa, um grupo de cinco ou seis silhuetas idênticas à de minha vizinha se aproximavam pela calçada.
Acho que essa não é uma hora ideal para treinar. Já que se for cercado eles não precisam de muito para que eu morra de fome nas próximas semanas. (Eu)
Coloquei a minha mochila nas costas e peguei a última coisa que me importava, uma fotografia de minha família, onde havia meus pais eu e minha irmã, guardando-a no bolso de minha calça.
Será que eu voltarei a vê-los vivos ainda? (Eu)
Voltei à garagem e permaneci sentado em minha moto, com o controle do portão na mão. Só estava à espera de mais da metade deles saírem da frente da garagem, para não serem todos alarmados com o barulho da moto. Dei uma última conferida na mochila antes de partir, relembrando os bons momentos da vida acionei o controle que fez o portão subir bem devagar, pois era velho e enferrujado, já tinha pensado em mandar consertarem, mas eu não arranjava tempo. Enquanto relembrava dois deles vieram em minha direção, me tirando de meu transe momentâneo, ao percebê-los coloquei o capacete e acelerei desviando de um deles, mas o outro estava bem na frente, com um rápido movimento ergui a parte da frente da moto, com os dois pés no chão acertei sua face com a roda da frente e soltei o peso da moto inteiro sobre o mesmo, esmagando sua cabeça e passando por cima dele literalmente, e então voltei a botar os pés nela. Meu coração começou a bater mais rápido e uma pequena sensação de enjoo tomou conta de mim, mas dando uma última olhada para trás soltei o controle do portão no chão, enquanto uma lágrima solitária escorreu por cimas de minhas bochechas, chegando a minha boca aquele gosto salgado e bom que raramente eu sentia.
Agora é de vez, não tem mais volta, estou na estrada em busca de sobrevivência, mas sozinho não teria a menor chance, contra não sei quantos bilhões que estão nesse mundo afora, vou procurar o Pedro e descobrir se mais alguns amigos também estão vivos, e com o pouco suprimento que eu tenho, vou durar no máximo uma semana, preciso procurar por mais. (Eu)
Deveria passar por perto de mercados e mercearias para ver se havia algo dentro deles. Acredito que nesse momento as leis já não valem de mais nada, dinheiro seria a coisa menos eficiente agora. (Eu)
Eu não sei por qual motivo fui levado a olhar para baixo, percebendo o pouco combustível que ainda havia, mas não sabendo o tempo que eu ficaria na estrada até achar um local seguro deveria achar um posto e encher o tanque.
Eu acredito que aumentaria os riscos, mas fazer o que, se eu não encher poderia estar fugindo de dezenas deles e acabar parando e sendo devorado. (Eu)
Aproximando-me de um viaduto que fora inaugurado recentemente, passando na televisão aberta, homenageando um grande ícone da cidade, levando o nome de Chivo Rilto avistei sete deles, dois estavam agachados, três os rodeando, um sentado ao lado de uma árvore e o último andando em direção aos que estavam agachados, todos no meio do caminho, então parei a moto, pois se tentasse passar por eles, o barulho do motor os alertaria, mas principalmente sem muito combustível não seria muito inteligente arriscar nesse momento.
Próximo ao viaduto ficava uma delegacia de policia, comecei a empurrar lentamente minha moto desligada até lá, ficando escondido atrás de uma pilastra do prédio, observei-os, pareciam famintos, e quanto mais carne comiam mais arrancavam do corpo daquele pobre infeliz que um dia foi um ser humano e agora estava esticado no meio do asfalto.
Mais uma comprovação de que não são seres humanos doentes, havia essa possibilidade, mas acredito que nenhum ser humano faria algo como comer carne de outro dessa maneira. (Eu)
Parecia que eles não sairiam tão cedo dali, então decidi entrar e ver se havia alguém vivo, alguma arma ou munição, mas parecia deserta, não havia ninguém ali dentro, as mesas de madeira marrom claras estavam todas desorganizadas e com papeis deixados sobre as mesmas, como se tivessem saído as pressas do local. Frustrado, fechei uma porta frontal de ferro e fiquei do lado de dentro da delegacia, pensando. Quando me veio à mente:
Eu também preciso de bússola, relógio, mapa, dentre outras coisas se eu quiser continuar com essa minha aventura e principalmente com a minha vida. (Eu)
Após esse pensamento me veio na cabeça uma simples pergunta:
Será que teria uma chance daqueles não afetados sobreviverem? O problema é que se não lidarem com isso agora, pode acabar ficando tarde demais, e ai vai acabar ficando igual a série. (Eu)
Encostado na parede de mármore fria e escura, eu pensei no que havia acabado de começar, o mundo já era difícil sem canibais à solta pelas ruas, com assaltos e acidentes por aí. Nem bem acabei de pensar e já ouvi vozes do lado de fora, duas vozes para ser mais exato, a primeira era uma voz feminina dizendo que a munição estava acabando e a segunda era masculina, eu ouvi seu nome mencionado pela primeira voz.
— John a munição está quase no fim! – Disse ela quase como se gritasse. (Desconhecida)
— A minha acabou agora, temos de usar armas de curto alcance. – Falou ele como um sussurro mais alto. (John)
— Droga, a pior forma de se começar em um apocalipse é estarmos sem munição e cercados por eles! (Desconhecida)
— Olha Lara uma delegacia bem ali, deve haver alguma munição lá dentro. (John)
— Não custa nada dar uma procurada. (Lara)
— E se acharmos um posto de gasolina pelo caminho poderemos encher o tanque daquela belezinha ali do canto, atrás da pilastra. (John)
— Nada mal, é uma moto muito bonita! (Lara)
Vi que era hora de impedir ou ficaria sem meu único meio de locomoção, mas antes que eu pudesse me levantar e colocar o rosto para fora, eu os ouvi.
— John cuidado, tem um deles atrás de você! (Lara)
O som de uma arma fora disparado e ecoou pelo ambiente, era a primeira vez que eu escutava algo assim tão de perto.
— Já havia visto, não precisava ter atirado! (John)
— Droga, o barulho alertou mais deles! (Lara)
— Sim, mas agora não temos como nos proteger de tantos. (John)
— Corre para a delegacia e fecha a porta por dentro, vou atrasá-los e levá-los para a outra direção. (John)
— Mas... John. (Lara)
— Não ligue para mim apenas se salve, vá! Eu volto logo depois de despistá-los. (John)
— Não John... Eu posso ajudá-lo! (Lara)
— Lara me escute... Você é minha irmã mais nova... E eu prometi cuidar de você não importando o que acontecesse. (John)
— John ele vai te morder! (Lara)
Logo em seguida ouvi um grito abafado vindo da parte dele.
— Ah! Droga nem deu tempo de desviar, ele foi direto ao meu braço. (John)
— Morre seu canibal merdinha, morre, morre! (John)
Pude escutar algo se chocando contra carne e pele, que presumi serem do morto-vivo ao ser atacado.
— Vamos para dentro da delegacia... John, vamos achar uma cura e você não vai virar um deles! (Lara)
— Você sabe que não é verdade, eu não tenho mais chance agora que fui mordido, mas você pode se salvar! (John)
— Não, eu não vou deixá-lo! Nós precisamos acha-lo! (Lara)
— É preciso Lara, agora vá e se esconda, enquanto eu vou afastá-los o máximo que eu puder dai! Você sabe que não vai ser tarefa fácil, mas acredito que você tem o que é preciso para conseguir. (John)
Senti dentro de meu organismo que era a hora de ajudá-los, eu não sabia se eles podiam me fazer algum mal, mas agi no impulso, peguei o bastão que estava em minha mochila, por ser grande ficou com sua parte inferior pra fora, abri rapidamente a porta que rangeu e sai na direção da garota, um deles estava atrás dela, mas ela não o havia percebido por falar com seu irmão.
Aproximei-me rapidamente e em um movimento de rebatida com o taco acertei a cabeça dele, fazendo com que caísse no chão, então notei o que eu havia feito, por alguns instantes eu congelei e notei que aquele ser estava ainda a se mexer, firmei as mãos no taco e com o coração novamente acelerado acertei o “morto” novamente, então outra e outra vez, até que ele ficou com um buraco bem no meio do seu crânio, ela ao ouvir o barulho se assustou e virou-se para trás.
Ela vestia uma camiseta branca de manga comprida, com uma calça jeans acinzentada e um tênis preto. Com lágrimas escorrendo por seu rosto, me agradeceu em um suspiro de alívio por não ter sido mordida. Receoso de não ter feito a escolha correta observei John, que vestia uma roupa similar, mas a camiseta dele era de mangas curtas, ele segurava dois deles, e quando me viu gritou.
— Corre Lara, não aguento por mais tempo, — Se virou e jogou a mochila em direção de Lara — Para dentro da delegacia. – Disse ele apontando em direção à mesma e voltando a segurar os mortos-vivos um em cada mão. (John)
Estendi minha mão em sua direção e ela meio receosa não fez muita questão de segurar.
— Vamos... E não olhe para trás. (Eu)
John então chamou minha atenção.
— Ei estranho, obrigado, tome conta dela por mim? (John)
Com um movimento de cabeça eu assenti enquanto respondia.
— Pode deixar. (Eu)
Mal o conheci e já senti que poderíamos ter sido bons amigos, Lara ainda com lagrimas nos olhos correu até a porta da delegacia, fui logo atrás dela, mas pouco antes de entrar eu peguei a minha moto e a guiei, entramos e fechamos a porta por dentro. Ouvindo os gritos de John, tapei os ouvidos dela, que colocou suas mãos macias por cima das minhas. Agora teríamos que esperar... mais do que tudo. E então agora éramos dois.
Será que meu grupo esta começando a se formar? Ou ela iria preferir permanecer sozinha? (Eu)
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