Zombie Attack
16 I - Fazendo de refem.
Notas iniciais
Do outro lado da rua do prédio em que fazíamos de base, três caras conversam.
— Vamos agora revistar esse prédio que nós usaremos como parte do plano. (Elsom)
— Em silencio, porque se houver algum zombie ai dentro evitaremos que ele nos ouça entrando. (Fabiano)
— Claro, agora vamos. (Cleber)
Fabiano e Elsom encostaram-se nas laterais da porta do prédio enquanto Cleber tenta empurrar a porta de vidro, para tentar abrir.
— Como esta fechado teremos que arrombar a porta e isso pode fazer algum barulho. (Cleber)
— Vamos rodear o prédio e vemos se não tem nenhuma outra entrada, nos encontramos aqui novamente. (Elsom)
— O...Kay... (Fabiano)
Os irmãos vão juntos pelo lado esquerdo e Cleber pelo direito.
Sendo um prédio comercial, mais especificamente uma loja, sem estacionamento não teria outra maneira de se entrar se não fosse pelas portas fechadas de vidro ou pelas janelas fechadas com grades de ferro. Após se aproximar da janela e tentar inutilmente dobrar as barras para passar, Cleber continuou cercando o prédio. Na parte traseira da loja se encontrou novamente com Elsom e Fabiano observando três portões por onde deviam entrar as mercadorias.
— Não consegui nada desse lado. (Cleber)
— Nós também não. (Elsom)
— Podemos tentar entrar por aqui. — Enquanto apontava para um dos portões. — Seria uma boa. (Fabiano)
— Lembra-se do que seu outro irmão nos disse? (Cleber)
— O que? (Fabiano)
— Sem energia elétrica não conseguiremos abri-los, pois são portões automáticos e pelo que vejo são muito pesados. (Elsom)
— Exatamente. (Cleber)
— Se tentarmos todos juntos abrir fazendo uma alavanca com algo será que não conseguiremos? (Fabiano)
— Como assim alavanca? (Cleber)
— Já viu aqueles brinquedos do playground chamados de gangorra? (Fabiano)
— Claro que sim. (Cleber)
— Teremos ela como base, depois todos fazemos força desse lado e ate podemos colocar algum peso para que faça a porta subir sem precisarmos ficar aqui. (Fabiano)
— Que tipo de peso? (Elsom)
— Vamos procurar por algo pesado pelos arredores e também algo para fazermos a “gangorra“, e então traremos tudo ate aqui. (Fabiano)
— Beleza, então voltaremos depois com o que precisamos. (Elsom)
— OK, então nos encontraremos aqui. (Cleber)
Todos se dividiram em caminhos diferentes, mas sem afastar-se de mais do prédio e começaram a procurar algo para fazer a “gangorra”.
Enquanto isso, entre o prédio e a concessionaria.
— Certo, acho que esse local me parece muito bom para procurar suprimentos, era uma mercearia antes de tudo acontecer e deve haver algo ali dentro. (Lara)
Lara estacionou o Range Rover na calçada, fechou as portas e deixou as chaves dentro para o caso de algum imprevisto ocorrer ela poder fugir. Pegou suas pistolas recarregou-as e depois colocou em seu cinto. Abriu o porta malas do carro, pegou e jogou no chão algumas caixas de papelão vazias que havia achado minutos antes e fechou novamente o porta malas. Levou as caixas uma em cada mão ate a porta da mercearia e voltou para buscar as outras duas. Retirou de seu cinto a tesoura que havia encontrado antes e sua faca, abriu o cadeado da porta da mercearia e pegou-o, jogando-o dentro da caixa. Segurou na maçaneta e subiu a porta ate o teto, verificou a rua por perto para constatar que não havia feito muito barulho, pegou duas caixas e jogou-as para dentro, depois levou as outras duas e abaixou a porta de metal.
— Vamos ver se temos algo útil por aqui, que possamos levar para nossa sobrevivência. (Lara)
— Que sorte a minha essa mercearia estar fechada com cadeado, isso quer dizer que ninguém passou por aqui ainda. (Lara)
Pegou uma de suas caixas e foi colocando todo o tipo de bolacha e biscoito que estavam ali. Encheu a caixa e mesmo assim deixou algumas para trás.
— Disso já chega, vou deixar para os próximos que passarem por aqui. (Lara)
Colocou a caixa de lado e pegou outra vazia, andou por entre a seção de frutas e estavam quase todas estragadas. Continuou em frente e chegou à seção de doces.
— Adoro doces, sou como uma formiga. (Lara)
Pegou algumas latas de leite condensado na prateleira e forrou o fundo da maior caixa com eles, por cima deles colocou alguns potes de tamanhos variados de creme de avelã com chocolate.
— Ai, meu Deus como eu amo isso. (Lara)
— O problema é que morreremos com diabetes, mas se for assim morreremos felizes. (Lara)
Colocou essa caixa ao lado da primeira e pegou as outras.
Pegou algumas garrafas de água e caixas de suco, guardando-as na terceira caixa e na ultima colocou pacotes de salgadinhos variados.
— Esse salgadinho triangular com gosto de queijo é muito bom e esse de batata em forma de ondinhas com gosto de churrasco também. (Lara)
Lara levou as caixas ate a porta e acabou ouvindo sons de carros e motos passando em frente.
— Droga, será que são os gêmeos agindo tão cedo? (Lara)
Esperou o som dissipar-se e abriu lentamente a porta, temendo que alguém estivesse a sua espera, mas a rua estava vazia e não havia nenhum sinal de carros por perto.
Carregou todas as caixas ate o carro e então guardou-as no porta malas. Sentiu um frio em sua espinha e pegou suas pistolas enquanto se virava rapidamente.
— Olá Lira. (Camila)
— Meu nome é Lara. (Lara)
— Tanto faz. (Camila)
— Soubemos que juntou um bando de panacas em um grupo e os chamou de RLC? (Vitor)
Lara com as armas apontadas para os gêmeos olhou ao redor.
— Melhor não fazer nada de que vá se arrepender depois. Viu quantos novos integrantes temos em nosso grupo? (Camila)
— Qualquer erro e você será morta no mesmo instante, então não tente nada de idiota, abaixe as suas armas que nós só queremos conversar. (Vitor)
— Devia tê-los matado quando tive chance. (Lara)
— Coitadinha, foi ouvir aquele pobre infeliz, que queria viver em paz conosco naquela casa que nem era nossa. (Vitor)
— Não fala assim do Rafa. (Lara)
— Rafa? Ah é o nome dele era Rafael. (Vitor)
— E pelo que me parece agora e vendo que você não nos matou daquela vez, acho que você gosta dele. Estou errada? (Camila)
Lara corou instantaneamente e respondeu.
— Sim esta errada, ele só é meu amigo e alguém em quem meu irmão confiou em seu ultimo instante de vida, para que cuidasse de mim. (Lara)
— Bla bla bla, que historinha pra dormir mais chata. (Vitor)
— Como me encontraram? (Lara)
— Meus amigos me disseram que alguém queria nos desafiar e essa pessoa só estava em um grupo de seis, querendo enfrentar todos nós, então decidi trazer todo mundo mesmo e mostrar com quem que eles querem mexer. (Vitor)
— Ainda não me respondeu. (Lara)
— Olha como fala, que garota mais atrevida. (Camila)
— Deixa Mila, depois não precisaremos mais dela então deixe-a falar o que quiser, pois quando se sabe que não tem escapatória não se raciocina direito. (Vitor)
— Mas, voltando ao assunto, estávamos indo exatamente agora ate o prédio onde vocês estão se abrigando e após passar por esse carro fui informado que era o automóvel do grupo FEL que agora foram renomeados, voltamos e encontramos você parada ai feito uma idiota. (Vitor)
— Agora usaremos você como um escudo para que não precisemos nos esforçar para matar as outras cinco pessoas, como a senhorita pode ver temos mais pessoas em nosso grupo, totalizando cerca de vinte e três, entre adultos, crianças e idosos, mas apenas os adultos vão lutar, por isso pegaremos os alimentos de seu acampamento e poderemos continuar sustentando o nosso. (Vitor)
— Ei Vitor, mas e o carro deles? (Camila)
— Deixa ai mesmo, não precisamos de mais um carro por enquanto, já temos o suficiente. (Vitor)
— Tudo bem. (Camila)
— Certo, mas já chega de tanto falar, peguem-na. (Vitor)
Começaram a ir em direção de Lara e ela sem muito que fazer apontou para os gêmeos suas duas pistolas, mas foi golpeada em sua nuca e acabou desmaiando.
Na concessionaria.
— Certo, foi muito fácil de abrir a porta sem o alarme, agora escolhe o carro que você quiser, mas vou avisando, os maiores e mais rápidos cabem mais pessoas e já vem com o tanque pela metade. (Lucas)
— Legal, eu gostei desse aqui, qual o modelo ou marca dele? (Eu)
— Esse é o novo Fiat Way, o ultimo do estoque, somente receberíamos mais na semana que vem, ou nessa semana, eu não sei. (Lucas)
— A cor vermelha fica boa nele. (Eu)
— Então vai ser esse? (Lucas)
— Sim. (Eu)
— O senhor irá pagar com dinheiro? Nossas maquinas de cartão não funcionam agora por causa da falta de energia. (Lucas)
— Eu vou leva-lo sem pagar mesmo. (Eu)
— Certo, mas terei que ir ao seu lado te acompanhando e te guiando pelo caminho para saber se estará cuidando bem do carro. (Lucas)
— Tudo bem. (Eu)
— Vai querer uma sacolinha? (Lucas)
— Não, irei levar na mão mesmo. (Eu)
Estranhamente aquilo foi diferente e engraçado, mas nenhum de nós riu, ficamos sérios e então ele foi ate uma porta e somente rodou a maçaneta, a porta se abriu e ele entrou, voltou com a chave do carro na mão. Jogou-a para mim e eu peguei-a no ar e entrei em nosso novo carro. Dessa vez ele sentou no banco do carona e fechou a porta.
— Já que não tem energia, nós não teremos como passar pela porta de vidro por onde abríamos para saírem com os carros. (Lucas)
— E como sairemos? (Eu)
— Passa estilhaçando o vidro. (Lucas)
— Mas, isso não vai estragar o carro? (Eu)
— Esse carro é resistente e o vidro muito fino, por causa do alarme não precisava de um vidro reforçado. (Lucas)
— Certo então ponha o cinto. (Eu)
Ajeitei-me no banco e colocamos os cintos. Acelerei e sai estilhaçando o vidro e passando pra fora. Começávamos agora a ir em direção ao prédio e estávamos pensando em como iriamos passar pelo ônibus quando de longe o vimos mais para o lado liberando uma passagem.
— Isso não está muito estranho? (Eu)
— Só um pouquinho. (Lucas)
Deixamos de lado enquanto nos aproximávamos e passávamos pelo ônibus. Deixando-o para trás nos continuamos o nosso caminho e passávamos olhando todas as ruas para termos certeza que não havia zombies por perto, coisa que não víamos a um tempo, ou ate mesmo outros carros parados com suprimentos. Passando e olhando de rua por rua nos aproximávamos do prédio quando Lucas disse.
— Aquele não era o nosso Range Rover? (Lucas)
Pisei imediatamente no freio e com uma parada brusca controlei o carro até para-lo, olhei pra ele.
— Como assim? (Eu)
— Eu conheço a placa dele e era a mesma placa na rua ali atrás. (Lucas)
— Você tem certeza? (Eu)
— Absoluta. (Lucas)
— Então acho que deve ser a Lara, ela disse que procuraria por suprimentos para levar ao acampamento antes de ir pra lá. (Eu)
Dei ré e entrei na rua.
— É exatamente o nosso carro. (Eu)
— Eu não disse? (Lucas)
— Mas, cadê a Lara? (Eu)
Aproximamos do carro e estacionei de frente com ele. Saímos do veiculo e fomos olhar.
— Temos caixas com alimentos aqui no porta malas. (Lucas)
— A porta desse local esta aberta, será que ela ainda esta ali dentro? (Eu)
— Vamos descobrir. (Lucas)
Peguei minha Deagle e tentei engatilha-la, enquanto entrava lentamente naquele recinto. Lucas olhou o carro e depois veio caminhando atrás.
— As chaves estão ali na ignição ainda. (Lucas)
— Então ela deixou a chave lá para o caso de alguma emergência ter que sair rapidamente. (Eu)
— Pode ser que sim, ou aconteceu algo que a impossibilitou de tirar de lá. (Lucas)
— Não vejo sinal de luta nem aqui dentro e muito menos lá fora, então a duvida que fica no ar é, onde esta a Lara?
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