Zombie Apocalypse
2 Capítulo Um
Eu podia criticar o povo maia por ter tentado acertar o dia exato em que o nosso mundo se destruiria em pedaços, mas eu não tinha mais certeza do que aconteceria em seguida. Apesar de ser uma pessoa completamente apegada à racionalidade, eu tinha de aceitar que alguma coisa estava estranha. Eles estavam certos.
Os primeiros fogos explodiram no céu estrelado assim que a contagem regressiva chegou ao final, dando início ao “maravilhoso” ano que se seguiria. Dois mil e onze era passado. Dois mil e doze chegou.
Mais tarde, no primeiro dia, uma notícia saiu na televisão enquanto eu mudava os canais para tentar captar algo interessante. Parei de apertar os botões do controle remoto e minhas pupilas se dilataram em atenção – Um homem de família que trabalhava com experimentos químicos e vivia trancado em um laboratório secreto em seu próprio porão, que possuía uma suposta tecnologia inimaginável atrás de uma tela pedindo por uma senha com três dígitos, estava exausto por causa de horas de febre, dor de cabeça e mais alguns sintomas não ditos pela esposa do indivíduo. Uma câmera em um bar próximo à sua casa conseguiu gravar o momento em que ele caiu sobre sua mesa, num estado terrivelmente suspeito, e se levantou, após uns cinco minutos, andando em direção à garçonete e dando uma mordida em seu pescoço. Isso deixou ferimentos sérios na mulher que estava somente trabalhando, e nenhuma relação entre os dois foi encontrada antes desse dia.
- A pressão dela começou a cair. – contou uma enfermeira, que parecia vagamente nervosa com a entrevista ao vivo em rede nacional. – Ela suou mais do que deveria e, aparentemente, perdeu mais sangue do que o normal. Alguns minutos depois de chegar aqui, ela começou a arder em febre e reclamava de dores em todos os ossos de seu corpo. Nós nunca lidamos com nada desse tipo. Uma mordida não pode ter causado tantos efeitos colaterais.
- Não podemos descartar a possibilidade de estarmos tendo os primeiros contatos com um novo vírus. – Suspirou o médico, mantendo sua postura profissional. – Nos contaram que o homem que mordeu Grace Allen tinha alguns dos sintomas que ela está tendo agora. Precisamos saber como controlar isso antes que seja tarde demais.
- Doutor Lavorini! – gritou uma nova enfermeira no fim do corredor. – Doutor Lavorini, Grace está com problemas. Ela alcançou febre de 40,5ºC e não consegue respirar. E a mordida dela está com algumas... coisas... Você precisa ver.
O médico e as duas enfermeiras correram até entrar em uma sala, onde encontraram a paciente sem qualquer movimento e uma máquina com um barulho cujo som era constante. O contágio não havia tido mais do que duas horas, e ela já havia encontrado o seu fim. Com isso, todos os presentes estavam abalados, principalmente a repórter, e ninguém mais soube o que fazer.
- Isso tem um nível que nós não conhecemos. – murmurou o médico, olhando para a câmera com um olhar preocupado de desesperança. – Todos nós podemos estar infectados agora.
- O que você quer dizer com isso? – perguntou a repórter de imediato. – Não tem como, nenhum de nós foi mordido por ela antes de ela morrer. Acho que tudo já acabou e só devemos voltar a consultar o senhor quanto tivermos mais informações.
- Não podemos ter certeza dos riscos, isso é desconhecido. – ele relutou. – Isso pode ser transmitido não somente pela saliva ou pelo sangue, pode ser também pelo ar. Isso sem contar que não sabemos a sua intensidade.
- Doutor Lavorini, desculpe interromper. – pediu uma das enfermeiras, a que correu para avisar sobre o que estava acontecendo com Grace. – Mas dê uma olhada na mordida. É... estranho.
A câmera se aproximou do ferimento e mostrou, não somente a carne viva, como também as marcas parecidas com veias negras em volta da pele pálida da mulher. Eram como rachaduras.
- Você não devia estar filmando isso. – o médico falou de imediato, tampando a câmera. – O caso já não é mais nosso, ele deve ser levado ao laboratório agora. Pare de filmar, por favor.
- Ele não pode. – a repórter lançou com presteza. – Ele não pode parar de filmar, as pessoas precisam saber o que está prestes a se espalhar por aí e as medidas que devem ser tomadas para se protegerem.
- Nós não podemos dar nenhuma dessas informações antes de estudos, então desligue a droga da câmera. – Sua entonação de voz não mostrava brincadeira. – Você não sabe que pode estar ajudando um caos desnecessário a se alastrar?
- O que é isso? – A enfermeira que deu entrevista colocou os dedos na frente de seus lábios e apontou para o corpo da mulher falecida. – Isso é... impossível.
Grace Allen estava se levantando, mas o barulho da máquina indicando que ela estava morta continuava. Ela seguiu em direção da câmera até que todos, inclusive os telespectadores, foram capazes de ver os olhos brancos da paciente.
- Grace, você está bem? O que você tem?
- Mas o que... – começou a repórter assim que notou seus olhos, que foi cortada pela ação de um segundo de Grace avançando na enfermeira que mais próxima. Ela gritou e a transmissão foi cortada.
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