Zombie AU 2 - A caçada mortal.
4 O mártir
JACK FROST
— Então, você sabe o que vamos comer? – Falei pro Zezé que brincava com dois bonecos e olhou para mim.
— Cade a Vih? – Ele perguntou com aquela voz gostosa de bebê.
— Já deve ta vindo, rapaz. – Falei e ele continuou brincando enquanto eu estava acendendo a fogueira. – Acho que desta vez ela consegue um coelho.
— Ou melhor, peixe. – Violeta chegou com três trutas no anzol – Sem risco de infecção. – Sorrimos e eu peguei elas para tirar as tripas e colocar para assar. Violeta sentou do lado do Zezé e suspirou – Ah, se não fosse o apocalipse esse seria um dia gostoso.
— O sol né? – Olhei para ela enquanto tirava as tripas – nem quente e nem frio. Perfeito para um churrasco – Apontei para as tripas.
— Churrasco? – Zezé perguntou
— É o que fazíamos num domingo com sol, assávamos carne e frango, as vezes pão num lugar chamado grelha, muito diferente de uma fogueira. – Ela falou. – Vamos acampar aqui?
— Melhor não. Vamos comer e continuar pro norte e vê se acha algum lugar se não entramos de novo na floresta. – Ela concordou e comemos a truta. Ela amarrou Zezé nas costas. – Quer que eu leve ele um pouco?
— Não, você tem uma mira melhor que a minha. – Ela falou e mexeu no meu rosto olhando o hematoma na orelha e bochecha direita. – Não ta tão ruim.
— Ainda sou bonitão? – Ela riu.
— Vamos ver se achamos alguma farmácia. – Começamos a andar. – O é que pra fazer Zezé quando eu e tio de Jack levantamos dois dedos?
— Estatua! – Rimos e eu fiz um High- Five com ele e então continuamos, eu ficava cantando musiquinhas de crianças com ele e achava divertido.
FLASH BACK ON
Eu segui Alice até a Ala e não vimos nenhum sinal de Rapunzel ou/e Peter. Pior foi quando um filho da puta bateu na minha cabeça sem motivo aparente, eu desmaiei vendo Alice ficar sem reação.
— Eu cansei deste povo se acharem os guardiões, os heróis da parada. – Eu abri os olhos e um cara todo de preto estava falando com um guarda. – Quando na verdade, é a pior raça. – Ele riu e chutou de leve minha perna – Esse ta meio morto, termine o serviço. – Ele falou e saiu da sala. Tentei me levantar, porém o guarda me chutou de novo, fazendo-me ficar sentado. Ele apontou a arma para mim. Era um fim, com toda certeza.
Há menos, que apreça agora a Violeta dando uma baita pedrada na cabeça do guarda.
— Jack? Consegue se mexer? Andar? – Ela falou me ajudando a levantar, e pegando a arma do guarda.
— Mulher, da onde você veio? – Falei meio tonto.
— Me escondi no banheiro com o Zezé quando tudo começou, mas precisava ver se encontrava alguém. – Ela virou o corredor, me apoiou na parede e atirou em dois mortos. – Eu só achei você. – Ela falou virando para mim e me ajudando. – Desculpa, Jack mas, você tem que me ajudar. Eu não consigo carregar você e o Zezé – Ela falou parando em frente a um banheiro e começou a mexer numa chave.
Enquanto ela abria o banheiro, eu via o estrago que aquele lugar estava, escuro cheio de sangue e com o ar mais dark que eu pude ver. Mais dark que qualquer casa que já perdemos. – Oi meu amor, você ficou quietinho – Vih disse e foi quando eu vi Zezé dormindo em cima de uma manta. Parei para pensar em o quanto eu precisava ser forte para ter minha família de volta.
Me levantei com a cabeça ainda latejando, peguei a arma na porta que Violeta deixou.
Destravei a arma.
FLASH BACK OFF
Paramos em frente a um posto de gasolina.
— Acha que tem algo lá? — Violeta me perguntou sobre a lanchonete no posto.
— Vamos descobrir! — Falei e no caminho até a lanchonete, eu apertei a bandana azul na minha testa, em uma tentativa meio ruim de não fazer meu cabelo cair no meu rosto. — O que acha? Chuto ou atiro? — Ela olhou em volta.
— Que tal só entrar? Ta destrancado — Ela abriu a porta e eu sorri fazendo careta logo em seguida.
— Só tava fazendo charme. — Falei entrando e apontei minha arma e assobiei. Nenhuma cabeça morta. — Isso é estranho.
— Não ache que sempre vai dar merda pra gente, Jack. Tivemos sorte — Ela falou e olhou em volta, sendo parada por uma arma apontada para sua testa.
— Nem tanta — A mulher que segurava a arma falou e eu apontei a arma para ela. — Ah não gatinho, abaixa essa arma se não sua amiga morre — Ela falou e eu não pensei duas vezes e abaixe a arma, e levantei as mãos em rendição. — Lindo. — Ela falou debochada — Jogue sua arma para cá. — Joguei minha arma.
— Por favor, não nos machuque. — Falei. Normalmente eu não deixaria ninguém tirar minha arma de mim, ou simplesmente apontar a arma para alguém que eu ame, mas eu estou zelando pela vida da próxima geração, pela vida do Zezé.
— Deveriam ter pensado nisso antes de invadirem um lugar que já estava invadido — Ela disse e o Zezé começou a chorar, ele tinha acordado e tava com fome. Ela olhou assustada — Vocês tem um bebê? — Eu fui tirando a minha mochila devagar. — Não se mexe! — Ela apontou a arma para mim.
— Ele ta com fome. Ou então não vai parar de chorar e vai atrair mortos para cá — Eu disse e tirei a batida que fazíamos com algumas frutas para ele em uma mamadeira. Então eu peguei o Zezé nas costas da Violeta e dei mamadeira para ele.
— Eu não vejo um bebê há um bom tempo. — A garota falou abaixando a arma aos poucos, com Zezé no colo da Violeta. — Ah droga, minha consciência não vai deixar vocês lá fora — Ela falou guardando a arma — Sou Lola — Ela jogou os cabelos para o lado pondo a mão na cintura.
— Jack Frost e Violeta Parr — Apontei para mim e para Vih. — Zezé. — Falei apontando para ele.
Lola tinha os cabelos de pretos para castanhos e lisos, tinha olhos castanhos bem claros que fazia a marra dela ser maior. Ela nos levou para dentro da cozinha e disse que tava se escondendo ali há um tempo. Ela contou pra gente que um colega levou um tiro de tranquilizante a noite e desde então ela expulsa ou mata quem aparece no abrigo dela.
— Estamos indo pro norte, tentando encontrar uns amigos. — Violeta falou pra Lola que perguntou sobre a gente. Estávamos numa roda bebendo Whisky, na verdade eu já tinha bebido, agora estava deitado e Zezé estava no meu peito brincando, enquanto Violeta e Lola conversavam e bebiam.
— Posso ir com vocês? — Ela perguntou. — Estou sozinha a um tempo e companhia seria bom e também eu curto um pouco esse bebê — Ela disse sorrindo e Violeta olhou para mim e eu levantei para tentar fazer o Zezé dormir.
— Acho que não tem portância. Desde que não nos atrapalhe e meio que se comporte em tentar matar todo mundo estranho.
— Sobrevivência — Ela deu de ombros — Mas, é compreensivo gato. Vou seguir suas regrinhas, amanha partimos. — Ela falou e virou para dormir — Er, obrigada! — Ela falou mais mansa e eu olhe para Vih.
— Quer que eu fique com a primeira ronda? — Ela me perguntou enquanto eu balançava com Zezé. — Jack. — Ela colocou a mão no ombro. Eu queria chorar. Eu mal comecei uma família e já perdi ela. Sinto falta da Punzel, sinto falta do Jamie, Hic, e até do idiota do Peter e eu nem se se ele ta vivo.
— Não. — Dei o Zezé para ela — Eu fico. — Falei e peguei a arma e fui ficar com a arma apoiada no balcão e escondido. O modo como o mundo se tornou mais louco que o próprio apocalipse, foi o dia em que saímos do laboratório. Aquele laboratório foi a maior garantia que tínhamos.
Não sei porque acabou tão rápido.
E eu não tenho nada além das minhas lembranças.
FLASH BACK ON
Bratenahl, Shopping Center.
1 Ano e pouco depois da infecção.
— Que tal algo especial? — Rapunzel sussurrou no meu ouvido depois de passar por mim na cafeteria. Eu olhei ela se afastar e sorri pra mim. Wilbur tava falando algo sobre algum filme e Violeta estava do lado e Hic também.
— Ai, eu já voltou — Falei, mas duvido que alguém prestou atenção. Eu sai e fui em direção onde Punzel foi e encontrei ela numa loja de lingerie olhando as roupas, ela olhou para mim e sorriu.
— Que tal esse? — Ela mostrou um vestido intimo preto e eu sentei num puf e fiz cara de pensativo. — Se eu vestir vai ser melhor para você escolher? — Ela perguntou perto do meu rosto e entrou no provador, e experimentou uns vestidos e eu cantava a música de Uma linda mulher para ela.
Teve até uma hora que Alice chegou e ajudou ela a escolher. Foi divertido e um momento incrível, nem parecia que estava no meio de um apocalipse.
Talvez um dia isso acabe, e eu e os outros talvez nunca vamos nos ver, porque cada um vai seguir seu caminho, mas agora eu tenho certeza que não saberia viver sem eles. Seja no mundo normal ou não.
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