Zoey

2 Capítulo 2


Eu não lembro como consegui dormir, mas acordei com a luz do sol invadindo o meu quarto.

– Luz. – resmunguei. – Ótimo.

Eu desci e não vi Allie, a estranha. Fui até a cozinha preparar o café da manhã, abri a geladeira e peguei o leite, quando fechei a geladeira, derramei o leite no chão quando me vi de cara com Allie. Como ela pôde estar ali tão rapidamente?

– ALLIE! – gritei. – Você me assustou!

– Desculpa filhinha. – ela disse, mas não parecia arrependida. – Não foi minha intenção. Você dormiu bem?

– Uhum. – respondi, mas ela perguntou aquilo como se soubesse que não dormi bem.

– Ótimo. – ela disse. E saiu da cozinha. Eu já estava atrasada para a escola, então comi alguns biscoitos e sai dali. Eu não gostava da escola, mas sentia que qualquer lugar era melhor sem Allie por perto. Eu passava mais tempo na casa de Noah com ele do que na casa de Allie. Um dia cheguei já estava bem tarde. Allie não estava ali, eu juro, procurei ela pela casa inteira e não a encontrei.

– Onde estava, Zoey? – perguntou, friamente.

Meu coração disparou, podia jurar que ela não estava ali, e quando me virei, ela estava bem atrás de mim.

– Na casa de Noah. – falei.

– E por que não avisou? – insistiu.

Como ia dizer que não gostava de estar ali, ela era estranha, mas ainda era minha mãe, não queria dizer isso à ela.

– Ah, é que... É que eu esqueci. – falei. – Isso não vai se repetir. Prometo.

Ela me olhou profundamente, e deu uma risada.

– Sabe... – ela falou risonha. – Você me lembra de seu pai...

Eu a fitei. Primeira vez que eu havia a visto sorrir e falar do meu pai. Ela parecia bem feliz, enquanto pronunciava o nome dele. Mas logo a expressão fria e sombria voltou a tomar conta de seu rosto. E acredite, eu achava ela linda assim. Na verdade, Allie era uma mulher linda. Ela era magra, alta, tinha cabelos pretos e grandes como os meus. Seus olhos eram serenos, tinha um sorriso encantador, ela tinha um estilo meio clássico, parecia que não pertencia à esse tempo. Pensei como meu pai podia ter deixado uma mulher como aquela.

– Você faz promessas que não pode cumprir, como ele. – terminou ela. – Agora suba. Vá dormir.

– Boa noite, Allie. – falei.

– Mamãe. – ela pediu.

– Certo... – falei. – Mamãe.

Fui para o meu quarto e vi uma mulher. Ela vestia um manto como o de Allie, mas o manto era azul marinho. Ela tinha os olhos de solidão, de apatia e sofrimento. Eu não conseguia tocá-la.

– Você precisa sair daqui... – disse ela. – Tome cuidado com Allie. Ela é perigosa. Eu conseguia ver o medo nos olhos dela.

– Oi para você também. – falei. – Como você ousa entrar no meu quarto sem autorização. Intimidade requer um grau de convivência, sabia?

– Por favor, eu só quero lhe ajudar... – ela disse mais suave. – Vá até o porão, vá e você irá entender...