Zoera do Destino.
2 Não se meta comigo.
Notas iniciais
♣
Limpei o filete de sangue que escorria pelo canto de minha boca com as costas da mão.
Pulei algumas vezes e por fim balancei a cabeça, na tentativa de ter algum motivo para não acabar com a raça daquele inseto.
– Seu verme. – Grunhiu.
– Vem me pegar chifrudo. – Provoquei. Ele veio correndo até mim, me preparei para soquear o seu rosto, porém, uma garota se meteu na frente parando o meu movimento.
– Eu não fiquei nada surpresa por saber que você estava brigando Dio. – Ela falou sem desviar sua atenção de mim. – E você é...
– Ercnard Sieghart. – Ela largou minha mão e se virou para Dio.
– Saia daqui agora, antes que eu acabe com você! – O chifrudo bufou, gargalhei.
– E você novato, não se meta onde não foi chamado. – Me encarou brevemente, começando a andar.
– E porque eu deveria receber ordens de uma pirralha? – Desafiei a azulada. Ela se virou rapidamente chutando minha canela. Cai de joelhos em sua frente.
– Pirralha é o caralho. – Arregalei os olhos com a mudança de humor da menina. – Eu sou filha da diretora e você tem que me obedecer.
– Que eu saiba eu tenho que obedecer a diretora, não o projeto de Avatar dela. – Ela puxou minha gravata para baixo me fazendo bater com o rosto no chão.
– Tenho pena dele. – Ouvi uma garota dizer antes de levar um chute nas costelas.
A azulada se abaixou ao meu lado e puxou minha gravata novamente.
– Não se meta comigo, idiota. –Pressionou minha cabeça contra o piso. – Já está avisado. – Largou meu cabelo e foi em direção a mais duas pirralhas.
Me sentei com dificuldade sentindo uma dor insuportável invadir minha costela.
– Cara, aquela mina acabou com você. – Gargalhou
– Ela te deu mó surra. – O ruivo se abaixou ao meu lado. – Você nem conseguiu encostar nela. – Riu.
– Eu não bato em mulheres. – Falei com dificuldade.
– Nem em mulheres, nem em homens e nem em ninguém. – Deixei escapar uma risada com o comentário do velhinho.
– Vão se foder seus viados. – Revirei os olhos. – Me ajudem aqui.
♠
– Mari e Dio.
Revirei os olhos mentalmente.
– Quero vocês na minha sala agora. – Fuzilei Dio com os olhos. – Agora!
“Ferrou tudo.” Pensei enquanto passava pela porta juntamente com Dio e a Diretora Ming.
“Mamãe vai comer meu pâncreas.”
O moreno que eu havia batido estava sentando em uma das cadeiras a frente da mesa da diretora.
– Pelos Deuses o que há de errado com vocês? – Mamãe se sentou na cadeira observando Sieghart. – Você está bem?
– Tirando o fato de que sua filhinha pode ter quebrado uma costela minha... Eu to de boas.
Mamãe massageou as têmporas.
– O que eu faço com você Mari? – Cruzei os braços.
– Eu estava impedindo que os dois se matassem. – Expliquei.
– Estava impedindo que os dois se matassem, quase matando um? – Tirou os óculos e encarou Dio. – Afinal porque os dois estavam brigando?
– Esse idiota me provocou! – Ambos falaram, fazendo mamãe revirar os olhos.
– Sieghart porque você bateu em Dio? – Encarei o moreno, eu também não sabia o motivo da briga.
– Dio agarrou uma menina a força.
– Rey é minha namorada idiota.
– Escola não é lugar de ficar de beijinhos.
– Beijinhos mãe? Até brincou agora... Esses dois praticamente se comem quando estão juntos.
– Mari! – Me repreendeu.
– Não estou brincando, é só você sair dessa sala durante o intervalo, procurar pelo casalzinho e ver o show acontecer. – Sorri me sentando ao lado do moreno.
– Porque você bateu em Sieghart? – Me espreguicei.
– Estava faltando um pouquinho de cor nessa cara. – Brinquei. Mamãe me olhou. – Ok sem brincadeirinhas. Ele me provocou.
– Você que começou. – Se defendeu.
– Não mesmo. – Rebati.
– Calados!
– Sim senhora. – Falei juntamente com o moreno.
– Qual é a sua turma Ercnard? – Mamãe abriu um sorriso assim que Sieghart lhe entregou o papel.
– 309.
– Ele vai ficar na minha turma? – Encarei a azulada a minha frente.
– Pelo o que eu vejo aqui, — Virou seus olhos para o computador. – Não só ele como mais dois alunos.
– Lass Isolet e Jin Kaien. – O moreno sorriu.
– Você os conhece?
– Eles são meus amigos.
“E quando a gente acha que não pode piorar”
– Mari, como punição por ter batido em Sieghart. – Lá vem bomba. – Você terá que mostrar a escola para ele e para os seus amigos hoje.
– Mãe eu não...
– Mari!
– Tudo bem. – Bufei. – Eu posso pelo menos levar Arme e Amy junto?
– Pode. E mande Arme se controlar.
– Pode deixar. – Sorri. Arme não era do tipo paciente.
– Estão liberados. – Nós três fomos em direção à porta.
– Dio, você fica.
“Se fode ai otário”
Sai da sala acompanhada apenas pelo moreno.
– Irei mostrar a escola para vocês na hora do intervalo.
– Como você quiser marrentinha. – Sorriu.
“Talvez eu também não fosse do tipo paciente.”
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