Zodíaco

9 Na escuridão


Notas iniciais
O sul, ganhou. Assim vamos até um lugar bem perto de Vaslove. Não desenho muito bem. Mas assim é como eu imagino o mundo dessa história. Ainda não está pronto. Mas dá para ter uma ideia de como é a localização: http://oi62.tinypic.com/2v112kg.jpg

Os rumores começaram como um burburinho para virarem a única coisa comentada.

Benedict não sabia por onde começar. Ele reuniu sua equipe para decidir para onde ir, rapidamente decidiram ir para o sul.

Dizem que em uma cidade no extremo sul em um templo do sol existe uma espécie de santo que não se pode se ferir.

Normalmente esses tipos de rumores vindos de uma cidade devota do Templo do Sol seriam ignorados. Mas Benedict estava com um bom pressentimento.

Raíssa estava instalada na casa de Sidney, que fez questão de ficar com ela. Eles iriam partir de manhã.

Foi difícil convencer Billo e Cassie.

Cassie não queria ir de jeito nenhum. Ela dizia que ela não era necessária, se ele iria gastar tudo mesmo. E Billo ainda tinha pesadelos com toda aquela experiência. Mas no final ele conseguiu convencê-los.

— Allen, quero que você proteja a Raíssa a todo o custo.

— Sim. Pode contar comigo.

Quando Allen ficou sabendo de tudo o que havia acontecido. Ele surtou. Aquela pessoa fazia parte do grupo que tomou a sua terra natal, ele queria encontrá-lo, ele queria confrontá-lo. Ele queria ter estado naquele salão.

Depois de reunir todo o grupo, Benedict deu um aviso a todos.

— Iremos para Sindar, uma cidade devota do Templo do Sol. Tudo relacionado a magia lá é considerado heresia. Lá se acredita que o Deus Sol baniu a magia. E assim, falar da magia é desacreditar que ela foi banida. Acho que deu para entender.

Raíssa levantou a mão.

— Sim, senhorita Hyori.

— Então eu não posso fazer nada relacionado com a magia lá?

—Isso mesmo, só se você não tiver opção.

— Entendi.

— Mais alguma pergunta?

— Você vai mesmo vestido assim em um lugar em que condenam as pessoas do leste e ainda mais com aquele calor do Sul? -Falou Cassie.

Benedict estava usando uma túnica de seda escura com dizeres em dourado, uma roupa muito típica do leste.

— Eu não posso fazer nada quanto a isso. E sou resistente ao calor. Eu sou protegido pela lei do rei, e além do mais eu preciso me destacar de vocês.

— Eu poderia saber o por quê?

— Minha querida, senhorita Faber , eu sempre me destaco, eu não preciso responder a essa pergunta.

Cassie ficou naquele tom habitual de vermelho que ela fica quando discute com Benedict.

Diferente de Cintra que tinha sua economia baseada na criação de caprinos. Sindar não era mais nada além de uma cidade de passagem. De lá era possível pegar um barco para Vaslove, mas o porto estava fechado.

O trem estava indo somente até Vinir de lá eles teriam que pegar outro transporte.

A região sul de Lorena era úmida e quente, é dessa região que saem as frutas e vegetais para o reino. Benedict estava pingando de suor.

— Eu queria dizer que eu avisei, mas eu não quero discutir com você.

— Senhorita Faber, eu não me importo. Ver a senhorita nesses trajes compensa qualquer coisa que eu poderia falar.

Cassie trocou de roupa na metade com caminho, não só ela mas quase todo mundo. Menos Benedict que se recusou a vestir uma roupa mais fresca.

— Eu prefiro ser vista nesses trajes por você, do que parecer uma porca suada.

— Eu também prefiro ver as suas lindas pernas.

Cassie respirou profundamente.

Ela estava usando um vestido curto e simples que mesmo sem querer acentuava as suas curvas, Raíssa e Sidney também estavam parecidas, mas como elas não tinham tanto corpo como Cassie, elas ficavam apagadas na sua presença.

Eles pegaram um ônibus na saída de Vinir. O ônibus estava vazio, uma coisa que nunca acontecia nessa época do ano.

— Consequências de Vaslove. Eu peguei esse ônibus para visitar a Capital, a quantidade de vasloviamos passando por Sindar e vice e versa era grande, agora só tem a gente aqui. – Reclamou Allen.

Esse caminho trazia memórias a Allen. De quando ele achava que tudo estava bem. De quando ele não era um refugiado, mas só um turista.

De longe eles viram o grande monumento agradecendo ao Deus Sol. Uma estátua de um homem em cima do sol.

— Não se ofendam por qualquer coisa que eles disserem. Eu quando passei por aqui fui chamado de herege por pelo menos metade das pessoas que me viram. – Disse Allen distraído com o grande monumento do Sol.

— Eu não tenho muito conhecimento sobre essa religião. Só o que às vezes eu ouço falar. Que eles queimaram cidadãos do Leste que ousaram desmentir toda essa questão do banimento da magia.

Todos se ajeitaram na cadeira. Eles sabiam, não era bom perguntar nada sobre isso. Como eles fariam para chegar à fonte do rumor?

As casas eram baixas, nos máximo dois andares, elas tinham uma cor padrão de areia e as ruas de Sindar eram feitas de um cascalho que combinava com as casas. Os habitantes de Sindar tinham a pele morena e olhos de diversas cores, eles usavam roupas simples, feitas de algodão bruto. Eles olharam feio para o grupo que desembarcou.

Raíssa era uma das que mais estava sofrendo com o calor. Cintra era uma cidade fria nos padrões da capital.

Os olhares se concentraram em Benedict.

— Eu sou um herege. Eu preciso da salvação do Deus Sol! O que eu posso fazer meus irmãos?

Todos do grupo olharam assustados para Benedict.

— Não se preocupe irmão. Vamos te levar ao templo. Lá seus pecados serão expiados e o Grande Deus sol te dará o perdão. – Falou alguém na multidão que agora os observava.

Benedict sabia que ninguém os ajudaria por nada. Ele tinha que se destacar se fazer de pecador, para que as pessoas da cidade quisessem ajudá-los.

— Você é um sacana. Quase acreditei que você queria mesmo a salvação do Deus Sol.

— Ah, minha querida senhorita Faber eu sempre sei o que estou fazendo.

— Espero que saiba mesmo.

Eles foram levados em uma espécie de procissão até o templo do Deus Sol. Um monge viu a movimentação e foi ao encontro do grupo.

— Fiéis do Deus Sol, vocês fizeram muito em trazê-los aqui. Agora peço que voltem as suas casas e meditem.

A multidão se dispersou após as palavras do monge.

Apesar de também usar uma túnica parecida com a do Benedict, na religião do Deus Sol só monges podem usar roupas como essas. Usa-las não sendo um monge é um pecado gravíssimo.

— Eu não quero nada com o seu rei. Ele recusou os ensinamentos do Deus Sol. Somente o grande rei Sindar, foi o nosso verdadeiro líder.

A cidade era nomeada em homenagem ao rei Sindar, avô do atual rei. Sindar foi a pessoa que popularizou o Deus Sol. Ele queimou e perseguiu diversas pessoas e foi deposto pelo seu filho mais novo que assumiu o reino. A religião desapareceu em grande parte de Lorena, somente permanecendo no Sul e em algumas cidades do Oeste.

Muito devotos os monges meditam para ficarem próximos ao Deus Sol que segundo as lendas , foi um homem comum que chegou a um estado de meditação tão singular que o poder gerado foi comparado ao do próprio sol. Ele difundia o pensamento de que a magia é ruim, pois era o que separava o homem do seu estado de plenitude. E foi por esse motivo que com todo o seu poder ele baniu a magia.

— O que pessoas da capital querem aqui? Sei que não é para se converterem.

Benedict tomou a frente.

— Vocês sabem o que aconteceu em Vaslove?

— Como não saber? Somos a ligação de Vaslove com Lorena. Muitos dos nossos devotos têm origem vasloviana. Estamos meditando muito para conseguir a resposta para essa questão e ajudar nossos irmãos de Vaslove.

— Sei que vocês vão me considerar um herege por falar isso. Mas a magia está voltando.

O monge não pareceu à vontade.

— Podemos entrar? Não quero que ninguém escute essa conversa.

O templo do sol era um lugar lindo. Com o telhado de vidro o sol se fazia presente o tempo todo. Tudo no lugar exaltava a luz e o sol. Uma estátua bem parecida com a da entrada da cidade ostentava o centro do templo.

— Vou chamar o nosso grande monge.

O monge se retirou da presença do grupo.

— Nunca estive em um templo do Deus Sol antes. – Falou Benedict que parecia deslumbrado com o lugar.

— Acho que nenhum de nós. Eu só passei na entrada e mesmo assim a grandiosidade me impressionou. – Completou Allen.

— Eles exaltam a doação e a humildade, mas não cumprem seus próprios preceitos. – Zombou Cassie.

O grande monge era um homem velho. Ele estava sendo empurrado por um garoto em uma espécie de cadeira de rodas.

— O traidor enviou um mensageiro? O senhor falou

— Se eu te falar que você parece alguém que eu conheço você se sentirá ofendido? – Falou Benedict que recebeu uma pisada no pé por parte de Cassie.

— Ai. Tudo bem. Eu paro. Mas ele é igual ao meu avô sim. – Cochichou Benedict para Cassie.

— O que vocês querem aqui? Soube que enganaram nossos fiéis para chegarem até aqui.

— Enganar é um termo muito forte. Apenas usamos um método necessário para chegarmos aqui sãos e salvos.

— Você é uma pessoa muito singular. E não digo isso como elogio.

— Sim, senhor grande monge. Posso ser uma pessoa singular, como o senhor desejar. Mas apenas quero que você nos confirme um rumor.

— Eu não sou uma pessoa que difundi rumores.

— Eu sei grande monge, mas eu quero saber mais do tal santo.

O grande monge pareceu incomodado.

— Vocês querem ver o pecado em forma de pessoa?

— Achei que ele era um santo

— Esse é o problema dos rumores. Eles nem sempre estão certos. Eu mostro para vocês. Uma prova do real pecado. De como o Deus Sol é a única resposta. Mas eu não posso levar todos.

— Certo. Eu vou e também irei levar essa moça.

Ele levou Raíssa. Uma pessoa que poderia confirmar se aquela pessoa eram que eles estavam procurando.

O grande monge chamou uma espécie de guerreiro para acompanhá-los.

Benedict não achava que o templo poderia ser maior, mas eles desceram ao subterrâneo ,vários lances de escadas, até uma escuridão profunda.
— Eu achei que vocês prezassem pela luz. – Comentou Benedict.

— Aqui fica uma pessoa que não merece o contato com o sol. – O guerreiro falou.

Com apenas a luz da chama eles se depararam com uma grande porta de aço. Com escritos antigos desde antes da guerra.

O guerreiro abriu a porta.

O rangido os assustou. Raíssa agarrou no braço de Benedict. Ela estava acostumada com a escuridão, mas não tão imutável. A chama da lamparina do guerreiro não conseguia mostrar o que tinha atrás da porta.

Eles viram um vulto de uma criança.

— Ainda não está na hora. – Foi a voz que eles ouviram.

— Alex, venha até aqui, essas pessoas estão aqui para te ver.

Alguma coisa se aproximou. A pouca luz que tinham iluminou uma criança. Uma criança de pele e cabelos brancos e com olhos tão escuros que era facilmente confundido com o breu que os rodeava naquele lugar.