Zodiacals Generation - fic interativa
2 A Princesa Dourada
Notas iniciais
Clã Soleil – “ Os iluminados pelo Sol”
Mal o sol começa a iluminar toda a região com os seus, por agora, fracos e escassos raios, já existe um ótimo odor no ar de pão acabado de fazer e alguns outros alimentos, provavelmente, muito doces. Um pequeno rebuliço pelos corredores da mansão principal começa ao terem todos os servos bem despertos e prontos para um novo e abrasador dia.
Um começo de dia normal para um dos Doze Clãs, não? Na verdade, parece que não. A jovem herdeira do Clã Soleil não gosta de perder uma manhã, mesmo com o seu amor incondicional pelo mundo dos sonhos, e por isso já estava de pé à algum tempo.
Uma figura feminina, de pele morena e uns cabelos ruivos naturais extremamente deslocados naquele ambiente, percorre calmamente os corredores atarefados enquanto vai cumprimentando cada pessoa. E não. Esta não é a herdeira. Wanda, a Dama Dourada, nome dado à esposa do antigo Anjo Leo, que apenas é “antigo” por já não possuir poder de cura.
Mas, voltando à ruiva...
– Bom dia, Tori! – exclama ao avistar a ama negra (N/A: ao escrever “ama” estou a referir-me a uma mulher que cuida de um herdeiro desde que este nasce e não a uma “mestra”) – Sabes se a Leonora já acordou? – pergunta com um sorriso doce no rosto.
– Para ser sincera ainda não pude ir ao quarto da menina – comenta com alguma preocupação enquanto tenta agarrar melhor o cesto de roupa que trás consigo – Ah, mas sabe como ela é! Deve estar a dormir como uma pedra ainda! – exclama divertida, com uma risada simpática.
– Então vou tentar acordá-la – comenta a ruiva pensativa.
– Boa sorte! – a negra solta mais uma risada e depois faz uma meia vénia por culpa do peso que trás nos braços – Com a sua licença, senhora.
Assim que a mulher mais baixa se afasta um pouco, Wanda decide prosseguir o seu caminho e bate à porta que estava a poucos metros de si. Nada. Bate novamente enquanto chama pelo nome da filha. Ainda nada. Bate uma terceira vez com o aviso de que iria entrar no quarto. Então aí o silêncio foi explicado. A herdeira não estava no quarto!
– Oh não! Outra vez! – resmunga a, agora, nada calma Dama Dourada, com passos apressados em direção a uma das colunas cilíndricas que trespassam o quarto.
Ao tocar no pilar de mármore deslizou os dedos por este com alguma urgência e, depois de embater os dedos no local pretendido, conseguiu abrir uma espécie de portinha e colocar o braço dentro da coluna para puxar a corda que daria o alarme já habitual para muitos nas redondezas.
Ao escutar aquele ruído inesperadamente normal, o ex-Anjo Leo, que passeava pelos jardins do clã àquela hora acompanhado por um leão portador de “acessórios imponentes”, suspira cansado e pede, com o olhar no céu:
– Creio que sabes onde ela está, por isso... – mais um suspiro enquanto lança o olhar para o leão ao seu lado — ...não será preciso muito. Leva o Conde e a Karin contigo; será mais rápido de convence-la a voltar.
O leão levanta-se e despede-se logo em seguida com uma vénia polida.
– Boa sorte, Zeus! – exclama o homem com um sorriso torto.
– Eu não preciso de sorte, Leonardo! – resmunga uma voz vaga na mente do homem ruivo.
***
– O alarme soou agora mesmo, menina! Seria melhor se voltasse já, não? – comenta uma mulher de pele e cabelos escuros, com as feições preocupadas e culpadas.
Assim que a jovem ouve a voz da morena enquanto esta entra no quarto, vira-se com um sorriso de lado culpado.
– É só mais um pouco, Srª Júdia! Por favor! – pede juntando as mãos com uma expressão infantil de desespero – O seu marido estava mesmo agora a contar a última parte da história! – termina sorridente.
A mulher arqueia uma sobrancelha em confusão ao perceber que o marido, ainda à menos de uma hora doente e sem se conseguir mexer um milímetro, não estava na cama. No momento em que a senhora ia para perguntar sobre o assunto ouve-se uma terceira voz no cómodo.
– Vá lá, querida! Eu estava na melhor parte!
Ela assusta-se ao perceber que o “ex-doente” tinha trepado para cima de um baú mais ao canto do quarto enquanto usava um espanador como espada e uma almofada como escudo para combater um inimigo invisível sem a sua história gloriosa. A jovem Leonora até começa a rir assim que a Srª Júdia se aproxima do marido para reclamar do mau exemplo que estava a dar para a Jovem Mestra e este desce de cima do baú com uma expressão emburrada infantil.
– Termino a história outro dia – promete num sussurro e uma piscadela para a jovem antes de voltar para a cama; depois dirige-se à esposa – Não sei se percebeste mas eu já estou bem melhor!
– Se é assim então podes levantar-te daí e correr até à casa da minha mãe que está a precisar de uma massagem nas costas! – exclama a mulher enquanto saía do quarto.
– Ai! Ai que dor! Cof cof! Espera! Acho que estou doente de outra coisa agora! – diz o homem fazendo a ruiva rir.
– Sim, sim... e chama-se preguiça e medo da sogra! – exclama a esposa de outro cómodo.
– Tens de admitir que a tua mãe é assustadora! Pelo menos a casa dela é!
Leonora permanecia estranhamente calada desde que o alarme fora soado. Pelas suas contas não deveria demorar muito até...
*Knock* *Knock*
Sim, eles encontraram-na!
Ao ouvir a Srª Júdia abrir a porta de casa para atender quem quer que fosse, Lea corre de uma lado ao outro do quarto para pular da janela não tão alta da casa e para, em seguida, deslizar pela grande almofada de heras na parede. Ao alcançar o chão a ruiva recebe uma rasteira que a faz cair e quase bater com a cara na areia e depois sente um grande peso em cima de si.
– Ia a algum lado, Miss Soleil? – pergunta uma voz doce mas irónica.
– Ah... quem sabe. Estava a pensar em apanhar o próximo avião para o Peru, sabes? – ironiza igualmente, mas com dificuldade por ter a cara encostada ao piso.
– Muito engraçada, jovem mestra.
– Poderia dizer o mesmo de ti... Zeus! – resmunga e solta uma palavra numa língua perdida ao sentir as pernas a começarem a ficar dormentes – Sou assim tão confortável?!
– Por acaso... sim. E muito, se é que me entende – comenta a voz do leão.
– Estás a chamar-me gorda?! – indigna-se.
– Ah... quem sabe...
– Sabes que odeio quando imitas as minhas ironias – resmunga a ruiva com um beicinho infantil.
O leão robusto sai então de cima de sua mestra ao avistar os outros dois que vinham consigo a aproximarem-se.
– Tsc. Onde já se viu, Zeus?! Sentado em cima da própria mestra?! Não sei onde recebeste essas maneiras! – reclama um tigre de pelo liso com um monóculo no olho direito, enquanto ajudava a ruiva a levantar-se.
(Nota: sei que os tigres apenas vivem na Ásia mas este tigre foi “um presente” e por isso está em África)
– Está tudo bem, Conde. Estávamos só a brincar, não é Zeus? – a ruiva tenta acalmar a situação mas o leão a penas vira o focinho em indiferença.
– Mesmo assim! Ele já não tem idade para tal! Onde já se viu...? – e o tigre começa a afastar-se do grupo sendo seguido do leão que implicava com ele sempre que podia.
Leonora suspira cansada enquanto massaja os músculos doridos das pernas e costas.
– Nunca percebi porque é que eles se dão tão mal... – comenta com um beicinho triste, caminhando na mesma direção dos outros dois.
– Creio que são demasiado parecidos, jovem mestra... – comenta uma voz dócil e calma.
– Deves ter razão, Karin – concorda de forma preguiçosa começando a caminhar lado a lado com a leoa de véu. – Mas mesmo assim é melhor apertar-mos o passo. Eles ainda começam a lutar como da outra vez.
A leoa solta uma risada e as duas começam a correr em direção aos restantes do grupo.
Fale com o autor